Episódio 29
— O que é esse santinho?
O Alfa entre os agiotas se virou na direção de Chahyun. O tom deles um com o outro era claramente confrontador.
Yeonwoo fez sinal para Chahyun ir embora. Eram pessoas com quem ele não precisava se envolver. Além disso, mesmo que Chahyun fosse maior que eles, enfrentar dois de uma vez era perigoso. Ele havia sofrido um acidente recentemente e, se Chahyun fosse atingido…
— Eu fiz uma pergunta primeiro, mas não estou recebendo resposta.
Chahyun ergueu uma sobrancelha como se estivesse intrigado.
— Olha só isso. A atitude desse garoto está toda errada. Ah, ele é o namorado do chefe Hong, talvez?
Diante das palavras do Alfa, o Beta ao seu lado bateu palmas e riu.
— Ah, acho que é isso! Vindo aqui nessa hora, rondando.
— Baek Chahyun-ssi. Volte.
Yeonwoo advertiu Chahyun, mas ele não se moveu, como se não pudesse ouvir a voz de Yeonwoo.
— O chefe Hong deve ter um belo talento para seduzir Alfas.
— Ele é tão safado, parece exatamente isso.
Os agiotas trocaram palavras lascivas com sorrisos maliciosos.
— Eu odeio me repetir, e esta já é a terceira vez. O que vocês estão fazendo?
— Nossa, jovem e sem medo, hein? Você está sendo um pé no saco de verdade. A gente está aqui para conseguir dinheiro do chefe Hong. Seu amigo tem algum assunto aqui também?
— Tão de manhã cedo assim? Parece que os bandidos hoje em dia não têm equilíbrio entre vida e trabalho.
Chahyun murmurou, sinceramente curioso. Era uma atitude que não demonstrava medo nem estranhamento com os brutamontes, cujo comportamento era claramente diferente de pessoas comuns.
— Vida e trabalho, o quê? De qualquer forma, um garoto que não conhece coisa de adulto deveria se perder enquanto a gente está sendo bonzinho.
— Ou o quê? Eu devo deixar a sua cara tão colorida quanto a do chefe Hong?
— Ah.
Os olhos de Chahyun, que vinham um tanto desprovidos de emoção, de repente cintilavam com uma luz diferente. Logo, um sorriso infantil, inocente, se espalhou por seu rosto. Era como se ele acolhesse a situação, como se a achasse divertida.
Yeonwoo, que vinha o observando em silêncio, sentiu um arrepio percorrer a espinha por algum motivo.
— Eu estava procurando vocês de qualquer forma, e vocês vieram rastejando até aqui. Vocês são estúpidos?
Chahyun disse numa voz excitada, como se não conseguisse conter a alegria. Yeonwoo havia frequentemente visto expressar raiva ou desgosto, mas era a primeira vez que o via parecer tão sinceramente feliz.
— O que diabos esse moleque louco está dizendo desde mais cedo? Ele está fora de si?
O Alfa demonstrou seu desgosto e se moveu mais para perto de Chahyun. Era a mesma marcha ameaçadora que ele havia usado quando ameaçou Yeonwoo no corredor do officetel.
— Hong Yeonwoo.
Mas Chahyun, ainda sorrindo, chamou Yeonwoo.
Ele estava completamente relaxado, como se nem visse os agiotas se aproximando dele.
— Hein?
— Vá lá fora e chame a segurança. Diga a eles que tem gente de fora aqui.
— A-Agora?
— É, rápido. É no fim do saguão, do outro lado.
— Pff! Olha esse cara? O quê, você vai dedurar a gente para a segurança? Ficando com medo, hein?
O Alfa explodiu numa risada à menção de chamar a segurança no saguão.
Yeonwoo examinou os agiotas com ansiedade. Não parecia que ele seria de muita ajuda numa briga física se interviesse e, como Chahyun disse, chamar a segurança parecia o jeito mais rápido de se livrar deles.
Levaria só um minuto para trazer o segurança.
— Eu disse para chamá-los rápido. Você quer assistir eu levar uma surra desses caras?
— Ei, ei, por que você está agindo assim de repente? A gente é só cliente gentil que veio tomar uma taça de café, por que chamar a segurança?
Yeonwoo, tomando uma decisão rápida, saiu da cozinha e correu para fora do café. Ele se perguntou se os agiotas o seguiram, mas, felizmente, não sentiu ninguém o perseguindo.
— Com licença! Segurança? O senhor está aí?
Chegando ao outro lado do saguão num instante, Yeonwoo conferiu o lugar onde o segurança ficava sempre postado. Mas o assento estava vazio.
— Segurança?
Conforme Yeonwoo procurava o segurança frenético, olhando ao redor, uma pessoa de uniforme de segurança saiu do banheiro masculino.
— Tem gente de fora no café, acho que o senhor precisa vir comigo.
— Sim? Você não é o chefe do café? O que está acontecendo tão de manhã cedo… Estourou uma briga?
— Algo assim. O senhor não pode chamar mais pessoal de segurança?
— Vamos ir ver primeiro.
Como Yeonwoo o apressava tanto, o passo do segurança se acelerou também.
Conforme seguia para o café, Yeonwoo estreitou os olhos e olhou com cuidado para dentro da loja. Mas, porque ele não havia acendido todas as luzes do café quando abriu, ele não conseguia ver com clareza o lugar onde Chahyun e os agiotas estavam de pé.
Certamente uma briga não estourou ainda. O pensamento de Chahyun sendo atingido até uma vez por aqueles desgraçados fez as pontas de seus dedos tremerem de leve.
Eu devia simplesmente ter brigado com eles ali? Eu o deixei sozinho para chamar o segurança em vão? E se ele estiver machucado?
Todo tipo de pensamento passou rápido por sua cabeça enquanto ele corria. Foi só um minuto ou pouco mais, mas até isso pareceu longo demais.
— Onde estourou a briga?
— …Ah.
— Não tem ninguém aqui?
Mas, quando ele chegou ao café com o segurança, ninguém foi visto. O interior estava completamente vazio.
* * *
— O que é isso de levar as pessoas para um canto assim, me deixando desconfortável? Não é como se a gente estivesse fazendo algum negócio ilegal…
O Alfa, que havia seguido Chahyun até a escada de emergência no primeiro andar, arregaçou as mangas como se não gostasse. O Beta, de pé ao seu lado, observou Chahyun com cuidado, como se o estivesse escaneando.
— Ouvi que você emprestou dinheiro ao Hong Yeonwoo. A gente veio até aqui, então precisa conseguir o que a gente veio buscar.
Chahyun olhou de relance para a porta que havia trancado ao entrar na escada de emergência e sorriu. Então o Beta estreitou os olhos e cuspiu no chão.
— Por quê? Você é realmente o gigolô do chefe Hong?
— A informação pessoal é importante ao receber dinheiro?
— Você é jovem e engomadinho. Então, como você vai nos dar o dinheiro?
O Beta perguntou, estalando o pescoço de um lado para o outro. Cada vez que movia o corpo, seus ossos faziam um som de estalo.
— Número da conta.
Quando Chahyun disse com um sorriso largo, o Beta tirou um cartão de visita amassado do bolso. Chahyun o pegou, virou, tirou uma foto dele com o celular e imediatamente fez uma ligação.
— Sou eu. Vou te mandar um número de conta, por favor transfira um dinheiro para lá. Ah, quanto era?
— Um bilhão e sessenta milhões de wons. Incluindo o principal e todos os juros.
Depois de dizer o valor, o Beta encarou Chahyun com atenção, como se estivesse curioso sobre sua reação.
Ele esperava que ele ficasse surpreso ou desnorteado, mas não houve mudança na expressão de Chahyun.
— Eu descontei o um milhão de wons restante porque senti pena da cara do chefe Hong ter ficado destruída. O rostinho bonito dele estava bem machucado. Foi lamentável.
— Isso já é a gente sendo generoso. A gente normalmente quebra um dedo da mão ou do pé sem hesitar, mas o Hong Yeonwoo ainda está inteiro, né? Você pode considerar isso só uma massagenzinha leve.
— É, aquele safado. O chefe Hong teve sorte.
Conforme os agiotas continuavam a conversa, os olhos de Chahyun, que vinham sem reação até agora, faiscaram de forma cortante.
Depois de enviar uma mensagem de texto para alguém, ele tirou um cigarro do bolso. Acendeu o cigarro na boca e deu uma tragada profunda no filtro. Havia placas de proibido fumar espalhadas por todo o Edifício Heesung, mas ele não se importou nem um pouco.
— Caramba, você parece jovem, mas você vai realmente transferir o dinheiro?
— Se você estiver brincando, a gente não pode simplesmente deixar passar.
Os agiotas ainda pareciam duvidosos.
— É a primeira vez que um gigolô apareceu como um cavaleiro branco e disse para a gente segui-lo porque ele vai dar dinheiro.
— Deve ter um monte de Alfas desgraçados atrás do chefe Hong com o pau duro.
Os agiotas riram deliberadamente e examinaram Chahyun, que fumava em silêncio.
Chahyun era alto e vestido de forma muito impecável. Fosse por causa de seu bom físico, a camisa, o paletó e a calça que ele usava cabiam nele perfeitamente, como se fossem feitos sob medida. Ele usava um relógio caro, mas era difícil dizer com certeza se era verdadeiro, já que havia tantas falsificações no mundo.
No entanto, mesmo para outro homem, suas feições marcadas e sua aparência um tanto nobre, junto com seu comportamento e atmosfera de superioridade inconsciente, deixavam claro que ele era de uma família rica até certo ponto.
Bom, se ele trabalhava no Edifício Heesung, era provável que fosse mais bem de vida do que alguém trabalhando numa empresa comum.
Naquele momento, o celular do Beta vibrou. Ele vinha escrutinando Chahyun, e imediatamente conferiu a mensagem.
— Ah, merda. Eles dizem que o dinheiro realmente entrou?
Então o Alfa reagiu como se não pudesse ser verdade.
— Você está mentindo? Como esse dinheiro poderia entrar tão rápido?
— Espera, eu preciso conferir de novo.
Chahyun fumou o cigarro rapidamente sem tirá-lo da boca nem uma vez. As cinzas queimadas caíram de forma desordenada de sua boca para o chão.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna