Episódio 3
Era porque o choque tinha sido tão grande? Hoje, as memórias do passado estavam especialmente vívidas. Yeonwoo olhou de relance para Chahyun, concentrado em dirigir, e relembrou os velhos tempos.
Como costuma acontecer com famílias infelizes, a família de Yeonwoo tinha circunstâncias complicadas. Yeonwoo nasceu fora do casamento e foi criado sozinho pela mãe. Seu pai biológico, que fingia ser solteiro, já era casado com outra mulher.
Com o passar do tempo, quando a esposa legal de seu pai biológico morreu de doença, ele se casou com a mãe de Yeonwoo, quando Yeonwoo tinha nove anos. A mãe finalmente se livrou do rótulo de amante. E Yeonwoo finalmente teve um pai legal.
No entanto, as coisas não melhoraram, então a mãe teve que continuar trabalhando como cuidadora. Até Yeonwoo estar no terceiro ano do ginásio e conhecer Chahyun naquela casa de campo.
“Hyung. Minha cabeça dói tanto que não consigo dormir.”
Nas noites em que todos que administravam a casa de campo já dormiam, Chahyun, empapado de suor, batia na porta de Yeonwoo.
“Quer dormir aqui?”
“Quero.”
“Vem cá.”
Mesmo quando já estava dormindo, Yeonwoo não recusava Chahyun quando ele vinha, e lhe cedia um lugar ao seu lado. Talvez por ser um Jovem Mestre, ele era mais mimado do que os outros da sua idade.
“Faz carinho na minha cabeça.”
“Está bem.”
“Até eu dormir.”
“Está bem.”
“Não pare.”
“Entendi.”
Chahyun, no primeiro ano do ginásio, tinha olhos redondos e um nariz afilado como o de uma boneca, o que o deixava fofo, mas era cheio de exigências e cheio de frescura.
“Eu vou acordar no meio e conferir se você ainda está fazendo carinho.”
“Eu já disse que entendi.”
“Você está irritado comigo?”
“Haa. Não.”
“Quando o hyung faz carinho, minha cabeça não dói. Minha garganta também não fica tão apertada. Minha garganta dói tanto toda noite.”
“É mesmo.”
“Talvez seja porque as mãos do hyung são tão brancas e compridas.”
Chahyun era como uma língua dentro da boca — sabia sentir na hora quando Yeonwoo estava incomodado ou a ponto de se irritar.
Yeonwoo não desgostava daquele Jovem Mestre. Mesmo sendo os dois homens, ele até achava fofo aquele dongsaeng dois anos mais novo. Na verdade, a aparência de Chahyun na época era bem bonita.
Felizmente, fosse por causa do tratamento de isolamento ou não, o problema de feromônios de Chahyun foi desaparecendo gradualmente conforme ele crescia, e depois daquelas poucas semanas juntos na casa de campo, Chahyun e Yeonwoo naturalmente se separaram e seguiram suas vidas.
O motivo pelo qual começaram a namorar veio muito depois, após se reencontrarem num clube da universidade. Foi depois que Yeonwoo se manifestou como Omega.
Foi assim que a relação que começou na faculdade continuou até agora.
Ele pensava que estava se encontrando com Chahyun de forma discreta e sem problemas…
* * *
— O que você quer para o jantar?
Chahyun perguntou assim que chegaram em casa. Yeonwoo afastou as imagens do passado que ainda insistiam.
— Vamos comer o que tem em casa. Não estou com muita fome porque comi tteokbokki.
Yeonwoo respondeu, enxugando o rosto cansado com a mão. Ele estava indo para o banheiro se lavar quando Chahyun agarrou sua bochecha.
— O que foi, por que de repente…
— Você está com uma expressão estranha desde mais cedo.
— ……
— Hong Yeonwoo. Tem certeza de que não aconteceu nada hoje?
Chahyun, que fez Yeonwoo olhar para seu rosto, estreitou os olhos. Como se tentasse ler sua mente.
Yeonwoo sacudiu a cabeça, afastando o rosto.
— Não aconteceu nada. Vou me lavar primeiro.
Chahyun encarou Yeonwoo em silêncio por alguns segundos, depois fechou e abriu a mão vazia. E seguiu Yeonwoo, que estava a ponto de entrar no banheiro.
— Vamos tomar banho juntos.
Yeonwoo parou de andar e suspirou.
Se entrassem no banheiro juntos, definitivamente iriam transar. Ele não estava com clima para isso agora.
— Hoje eu realmente…
Yeonwoo gaguejou, parando no meio da frase. O que deveria dizer? Não conseguia pensar nas palavras seguintes.
Pensando bem, ele raramente havia recusado transar com Chahyun. Na maioria das vezes fazia o que Chahyun pedia.
— Só se lava primeiro.
Ele deveria simplesmente dizer que não queria hoje, mas as palavras não saíam. Até que se revelasse se o rumor de que ele tinha alguém com quem casar era verdade, queria agir da forma mais normal possível, mas não era tão fácil quanto pensava.
Quando Yeonwoo falou com seriedade, Chahyun deu de ombros e entrou no banheiro primeiro. Só depois de ouvir o som da água caindo lá dentro é que Yeonwoo foi para o banheiro do outro quarto.
Quando saiu para a sala depois de se lavar, Chahyun, que já havia saído e estava sentado no sofá, fez sinal para que se aproximasse. Quando Yeonwoo se aproximou, ele o puxou para perto e tentou tirar seu roupão.
— Estou cansado. Vamos dormir cedo hoje. Tenho que trabalhar amanhã de manhã.
Yeonwoo disse, empurrando Chahyun, que massageava sua cintura. Mas desta vez ele não se mexeu.
Ao conferir a expressão de Chahyun, ele parecia irritado por ser rejeitado repetidamente.
Normalmente, ele teria finjido não conseguir resistir e deixado Chahyun puxá-lo, mas a conversa que tivera com a mãe dele durante o dia não parava de se repetir em sua cabeça, tornando difícil abraçá-lo com naturalidade.
— Então não vá trabalhar amanhã.
— Como é que eu vou fazer isso.
— O café funciona bem sem você.
— Ei.
— De qualquer forma, você não faz nada.
— ……
Era verdade. Chahyun foi praticamente quem organizou tudo, desde a escolha do ponto até a abertura da loja.
Originalmente, Yeonwoo tinha conseguido um emprego como estagiário logo após se formar na faculdade, mas sempre que precisava fazer hora extra vários dias seguidos ou tinha muita atividade externa por causa de viagens frequentes de trabalho, inevitavelmente tinha problemas com o tornozelo.
Chahyun, que observava de perto, sugeriu que abriria um café no prédio da empresa.
Como Chahyun havia adoecido muitas vezes por causa de desequilíbrios de feromônios quando era jovem e havia vivido como quisesse, sendo o maknae, sua família lhe concedia qualquer coisa que ele desejasse. Abrir um café no Edifício Heesung não era tarefa difícil.
“Eu não tenho nem licença de barista. Nem bebo café, então como vou administrar um café?”
“Eu cuido de tudo, você só vai trabalhar. Não trabalhe demais, só apareça de vez em quando e veja se a loja está funcionando bem, sem forçar os tornozelos.”
“Como é que uma loja funciona se o dono é assim?”
“Eu já disse que cuido disso. É conveniente e agradável trabalhar no mesmo prédio que eu.”
“Você acha que os consumidores são idiotas?”
“Os funcionários da empresa podem simplesmente comprar ali.”
“Isso funciona assim? Não fale coisas esquisitas.”
“Ah, tanto faz. Hong Yeonwoo, você só tem que sorrir e me trazer café quando eu for. Não fique tão emburrado. Entendeu?”
Yeonwoo, que inicialmente havia recusado, foi gradualmente sendo persuadido conforme percebeu que Chahyun estava falando sério. Estava secretamente grato a Chahyun por dizer aquilo.
Chahyun, que originalmente não tinha nenhuma intenção de aprender a trabalhar de verdade, começou a ir à empresa para ver o rosto de Yeonwoo, quando Yeonwoo passou a ir ao café todos os dias. Ouviu vagamente que o presidente do Grupo Heesung estava muito satisfeito com a decisão repentina de Chahyun de aprender o trabalho da empresa.
Assim que decidiu abrir o café, Yeonwoo obteve a licença de barista. Também estudou grãos de café e foi a torrefações escolher os grãos pessoalmente.
Como queria fazer bem feito, uma vez que havia começado, decidiu, depois de muita deliberação, definir o conceito de marketing como Espresso Bar. Também gastou o dinheiro que havia economizado para fazer a obra do interior de acordo.
Como resultado, o Neobel se tornou um café bastante famoso naquela região.
Yeonwoo era sempre grato a Chahyun, sabendo que aquilo foi possível graças à consideração de Chahyun.
No entanto, o problema era que Chahyun se envolvia em tudo, da vida pessoal ao trabalho.
Exatamente como agora.
— Você disse para eu não ir trabalhar amanhã?
Mesmo querendo dizer “Por que você está decidindo isso por conta própria?”, ele não podia discutir facilmente, porque não podia ignorar a participação de Baek Chahyun no Neobel.
Tinha medo de ficar exausto a noite inteira e realmente não conseguir ir trabalhar amanhã.
O olhar que seguia seu rosto era intenso. Feromônios Alfa vinham escorrendo com tanta força que ele sentia náusea desde antes. Yeonwoo se encolheu, sentindo uma sensação de formigamento que ia gradualmente aquecendo seu corpo contra sua vontade. Não parecia que ele o deixaria escapar facilmente.
Yeonwoo, que observava o humor de Chahyun, acabou descendo com cuidado para baixo, na frente do sofá.
— Eu faço com a boca.
— Você não é bom em fazer com a boca.
Chahyun colocou a mão no ombro de Yeonwoo, parecendo um pouco surpreso.
— Deixa pra lá, se você não quer.
— Quem disse que eu não quero? Só estou preocupado que você não consiga tirar minha porra nem se esforçar muito.
Yeonwoo, que tomou aquilo como um consentimento grosseiro, ignorou as palavras vulgares e apalpou com cuidado a virilha de Chahyun. Podia sentir claramente sua haste crescendo sob a cueca. Músculos vinham se formando gradualmente em suas coxas firmes.
— Tira logo.
Chahyun apressou, impaciente. Quando Yeonwoo abaixou sua cueca, seu membro saltou de forma agressiva. Só de vê-lo ereto, o interior de sua garganta de alguma forma formigava. Como se previsse a dor que viria.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna