Episódio 2
Qualquer um pensaria que aquela era a casa dele. Mesmo em meio aos pensamentos atormentados, Yeonwoo riu por dentro.
Ah, falando com rigor, era a casa dele. Este prédio em si era o prédio da empresa do pai de Chahyun. Baek Chahyun também trabalhava nessa empresa, então, mesmo que agisse de forma imprudente assim, ninguém podia dizer nada.
O atendente e o motorista de Chahyun estavam ali perto, sem saber o que fazer.
Yeonwoo se aproximou de Chahyun, conferindo a hora. Tinha acabado de passar das quatro da tarde.
Já está aqui fora, à solta, mesmo não sendo hora de sair do trabalho. Não é fácil parecer tão delinquente usando terno.
— Chefe!
— Minhyuk-ah.
Assim que o atendente o cumprimentou, Chahyun, que vinha batendo na mesa com as pontas dos dedos, desanimado, virou a cabeça na direção de Yeonwoo.
Apesar da presença dos funcionários do café e do motorista, ele chamou Yeonwoo com um estalar de dedos, como se convocasse um subordinado. Era um convite para se aproximar.
Quando agia assim, tentando ficar em pé de igualdade, Chahyun parecia mais um hyung do que o mais novo.
— O quê?
Yeonwoo perguntou ao se aproximar.
— Por que você não atende o telefone?
— Não vi.
— Essa é a sua desculpa?
Chahyun retrucou com frieza.
— É verdade.
— Onde você estava?
— Tinha um assunto para resolver.
— Que assunto?
— …Eu te conto depois.
Yeonwoo disse, atento aos olhares do atendente.
— Senta.
Mas Chahyun não tinha a menor intenção de deixar passar, apontando para a cadeira à sua frente.
— Não agora…
— Senta. Não me faça falar duas vezes.
Chahyun levantou uma das sobrancelhas, irritado.
Yeonwoo o encarou por um instante antes de se sentar de frente para ele. Já estava acostumado ao comportamento arrogante de Chahyun.
Afinal, se continuassem discutindo ali, o barulho só aumentaria, e mais atenção do que o necessário seria atraída. Não seria bom para ele.
Como sempre, sentia-se mais confortável na posição do pobre dono de café sendo importunado pelo Jovem Mestre do Grupo Heesung por questões triviais.
— Você deveria atender o telefone quando ele toca. Por que está ignorando?
— Estou te dizendo, eu não ignorei.
— Então, onde você estava?
— Lá fora…
Que desculpa deveria dar? Não podia contar a verdade, que tinha ido se encontrar com a mãe dele.
Ou deveria simplesmente perguntar agora? Se ele realmente ia se casar no ano que vem. Se sua mãe estava equivocada sobre alguma coisa.
“É melhor não mencionar ao Chahyun que você me encontrou hoje.”
Mas, no momento em que perguntasse, parecia que a relação que havia mantido com Chahyun e sua vida pacífica se estilhaçariam. De forma tão completa que não poderia ser remontada.
Por isso tinha medo de abrir a boca de forma precipitada.
— O que você estava fazendo lá fora? Não me diga que foi encontrar aquele Alfa maluco que fica dando em cima de você. Era o Kim Jeonho?
Chahyun, sem saber do coração em brasa de Yeonwoo, estava atirando para o lado errado.
— …É Han Jeongho. E eu já te disse, estou em contato com ele por causa do fornecimento de sobremesas. Nem o encontrei hoje.
— Então por que demorou tanto para responder, de um jeito tão suspeito?
Enquanto ponderava, Yeonwoo de repente se lembrou do vendedor de rua que tinha visto no caminho, dentro do carro.
— Fui comer tteokbokki.
Yeonwoo baixou a voz e sussurrou, como se estivesse com vergonha.
— Que tteokbokki?
— Aquele que vendem no beco daquele cruzamento. Já fazia um tempo que eu queria experimentar.
— Então você saiu correndo no meio do trabalho?
De repente, tteokbokki. Até ele achou que era uma desculpa esfarrapada. Deveria ter inventado algo mais plausível.
Yeonwoo se recriminou, mas assentiu de qualquer maneira.
— É. Me lembrou o tteokbokki que vendiam na frente da minha escola.
— ……
— Eu estava tão ocupado comendo fritura, bolinho de peixe e tudo mais que realmente não vi o celular.
Felizmente, a expressão de Chahyun se abrandou um pouco.
— Você deveria ter me dito. Eu teria mandado meu secretário comprar para você.
Falar era fácil. Para começar, querer comer tteokbokki era mentira, e como poderia dar ordens ao secretário de outra pessoa? Além disso, Chahyun nem estava no nível de ter um secretário, mas usava as costas dos pais para fazer isso com toda a cara de pau.
— Você… já terminou o trabalho?
— É. Vamos para casa.
— Certo. Desce primeiro. Eu fecho as coisas no café e chego em cinco minutos.
— Vou esperar no meu carro.
— Certo.
O horário de saída de Chahyun era verdadeiramente arbitrário. Era possível porque ele era o filho mais novo do presidente do Grupo Heesung.
Yeonwoo mandou Chahyun para o estacionamento primeiro e depois disse ao atendente que precisava sair por uma emergência e pediu que cuidasse do fechamento.
— Mas chefe, por que aquele cliente sempre faz esse escândalo com você?
— Ele quer que eu aumente o aluguel do café.
Yeonwoo inventou uma desculpa sem convicção.
— Meu Deus. Só por causa disso, ele entra aqui como um bandido e fica mandando as pessoas irem e virem…
— Eu sei.
— Gente com dinheiro é pior ainda.
O olhar do atendente para Yeonwoo estava cheio de compaixão.
Chahyun tinha um jeito de dar ordens às pessoas enraizado nele, então não era surpreendente que as pessoas ao redor os vissem como se estivessem numa relação de superior e subordinado.
Por causa disso, Yeonwoo muitas vezes se sentia ressentido, mas não era de todo ruim. Graças a isso, eles conseguiram manter o relacionamento secreto por muito tempo.
— Você vai continuar vindo ao café e causando problema? Está se exibindo porque montou o lugar para mim?
Yeonwoo, que já havia descido ao estacionamento, resmungou ao entrar no carro de Chahyun.
Chahyun apoiou os braços no volante e inclinou a cabeça.
— Quando é que eu causei problema?
— Aparecer no café e ficar sentado ali como se estivesse fazendo protesto é causar problema. E nem é hora de sair do trabalho. Os atendentes ficam com medo.
Como um Alfa grande, ele passava uma sensação de intimidação mesmo parado, mas quando endurecia a expressão e se sentava torto numa cadeira muito menor do que sua altura, parecia realmente um bandido.
Yeonwoo engoliu as últimas palavras.
— O quê, Hong Yeonwoo. Você realmente esqueceu?
— Esqueci o quê?
— Hoje era o dia da sua reabilitação, à tarde. Eu limpei minha agenda para ir com você.
Yeonwoo, que estava sentado no assento do passageiro afivelando o cinto, parou.
Ah. Ele havia esquecido completamente.
Com uma expressão de surpresa, Yeonwoo conferiu a data. Realmente era o dia em que tinha consulta de reabilitação.
Yeonwoo infelizmente tinha fraturado o tornozelo direito enquanto trabalhava num emprego de meio período fisicamente exigente na faculdade. Curou rápido porque era jovem, mas ele voltou ao trabalho antes de estar totalmente curado, e ficou com sequelas.
Chahyun, que descobriu isso depois, ficou furioso e o matriculou na reabilitação. Agora não interferia muito na vida diária, e ele conseguia fazer exercícios básicos, mas a região do tornozelo ainda ficava rígida se ele exagerasse ou usasse o corpo todo o dia. Em casos graves, chegava a andar manco.
Melhorava se descansasse bem, mas era importante se manter ativo apenas dentro dos limites de não exagerar.
— Onde é que você anda com a cabeça?
Chahyun franziu o cenho e lançou um olhar duro a Yeonwoo, sentado no assento do passageiro, como se não gostasse dele.
— Ultimamente eu estou bem…
— Mas o médico te disse para fazer tratamento de vez em quando, sem faltar.
— Eu sei.
— Você diz que sabe, mas esquece completamente a consulta?
Yeonwoo se eriçou com aquele “você”. Havia um limite para a insubordinação. Chamá-lo de “você”, ou chamá-lo pelo nome, Hong Yeonwoo, já era uma coisa, mas chamar o próprio hyung de “você”?
— Você vai continuar falando desse jeito? E eu ia sozinho muito bem sem você.
— Ah, é? Quando é que você foi sozinho?
— Mês passado.
— Você só faltou uma vez no mês passado porque surgiu alguma coisa. Antes disso, sempre fomos juntos.
— ……
Era verdade. Chahyun reagia a essa questão com uma sensibilidade quase excessiva.
Mesmo depois de vários anos, era sempre Chahyun, mais do que Yeonwoo, quem cuidava com constância da reabilitação de Yeonwoo sem deixar de ir.
Quando via esse lado dele, não havia necessidade de duvidar dos sentimentos de Chahyun. Talvez a mãe dele estivesse mentindo. Para separá-lo de Chahyun.
Yeonwoo sentiu seu coração afiado se abrandar um pouco, e se perguntou como deveria perguntar a Chahyun sobre o casamento.
— Vou ter que ligar para o hospital amanhã.
— Belo trabalho, Hong Yeonwoo. Eu já remarquei a consulta para a semana que vem.
— …Obrigado.
Chahyun, que estava dirigindo, apoiou um braço na janela do carro e riu.
— De repente quer comer tteokbokki e esquece de ir ao hospital.
— Pode acontecer.
— Você está grávido?
— O quê?
— Nem gozei tanto dentro de você e já está grávido.
Chahyun riu das próprias palavras, achando-as engraçadas.
— Não fale essas coisas.
Yeonwoo deu um soco no ombro de Chahyun com o punho. Logo depois, preocupou-se de tê-lo acertado forte demais e afagou o ombro com delicadeza.
Chahyun bufou como se fizesse cócegas. Só o punho de Yeonwoo, que o havia acertado sem motivo, doeu.
— Por quê, só temos nós dois aqui.
Sem demonstrar nenhum sinal de dor, ele ergueu os cantos da boca de um jeito sinistro e se concentrou em dirigir. Aquilo o deixava ainda mais irritante.
O clima voltou rapidamente ao normal. Yeonwoo não conseguia acreditar que havia encontrado a mãe de Chahyun poucas horas antes. Ouvir falar do casamento dele também parecia um sonho.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna