Episódio 28
— Você não vai fugir no meio do caminho hoje e vai ficar até tarde.
Enquanto Yeonwoo estava terminando as coisas, Chahyun de repente apareceu de algum lugar de novo. Yeonwoo, que estava apagando as luzes e colocando as cadeiras sobre as mesas enquanto limpava, olhou para trás de relance.
— Sim.
Ele não tinha energia para responder como devia, então saiu uma resposta protocolar. Um dos atendentes que deveria trabalhar no turno da tarde não pôde vir por motivos pessoais, então Yeonwoo havia estado ali da abertura ao fechamento.
Graças a isso, seu corpo todo gritava. Ele planejava sair para uma rodada de entregas depois do trabalho, mas isso estava fora de questão. Ele deveria só voltar direto para o officetel e descansar.
— Você disse que a gente morava junto?
Chahyun de repente trouxe o passado à tona diante de Yeonwoo, que se movia ocupado. Yeonwoo decidiu ignorá-lo completamente e se concentrou em lavar a louça.
— Mas o apartamento em que a gente morava só tinha as minhas coisas.
Quando Yeonwoo não reagiu, ele até entrou na cozinha. Surpreso, Yeonwoo o olhou de cima a baixo com um olhar que dizia: “Que tipo de pessoa é essa?”
Sua gravata estava solta, e vários botões da camisa estavam desabotoados. Ele exalava um aroma sutil de perfume de bergamota e feromônios Alfa, e sua atitude arrogante fazia parecer que ele estava observando um objeto estranho.
Ele não parecia ter nenhum respeito pelo trabalho de Yeonwoo.
— Por favor, se mova, eu preciso trabalhar.
— Então de quanto dinheiro você precisa? Eu te dou se eu sentir vontade depois de ouvir.
Suas palavras eram infinitamente frívolas. Yeonwoo ficou enojado com seu tom, como se ele estivesse dizendo: “Vamos ver quanto você consegue aceitar.”
— Você acha que eu sou piada?
— Hmm.
— Eu tenho muito o que fazer, então não tente brincar comigo e se mova.
— Ah, é? Você sabe que eu estou tentando brincar com você.
Chahyun ergueu de leve o canto dos lábios, como se achasse a reação de Yeonwoo divertida.
— Eu pensei que você viria fácil se eu te desse uns trocados.
Havia um toque de arrependimento em sua voz, mas também parecia simples, puro e honesto, sem nenhuma malícia.
Yeonwoo, que vinha tentando não reagir a Chahyun todo esse tempo, não pôde deixar de ficar com raiva.
— Eu já tive toda a diversão que eu ia ter com você, então não me incomode.
Assim que ele retrucou com palavras que não precisava dizer, os lábios de Chahyun, que vinham sorrindo, se fecharam numa linha reta.
— Parece que a dificuldade combina com você. Tanto faz, então.
Chahyun deu de ombros como se tivesse perdido o interesse. E então deixou o café sem pressa.
* * *
[Estou planejando visitar para ver o officetel com um cliente depois do horário de almoço hoje^^]
Manhã seguinte, cedo. Yeonwoo recebeu uma ligação do corretor dizendo que eles viriam ver o officetel. Como eles vinham à tarde, ele limpou o quarto antes de ir trabalhar, para mostrá-lo nas melhores condições possíveis.
Ao contrário de seu desejo de se mover rápido, seu corpo, que não havia descansado como devia por vários dias, continuava rangendo como ferro-velho.
Mas ele não tinha escolha. Tinha que se mover com agilidade se quisesse tentar qualquer coisa.
Do contrário, ele continuaria preso em memórias deprimentes. Por exemplo, a memória desesperadora que ele havia acabado de viver ontem.
“Hong Yeonwoo-ssi. Lamento dizer que o senhor me contatou muito tarde. Acho que é tudo o que tenho a dizer.”
Ontem, depois de mandar Chahyun embora e fechar o café. Yeonwoo contatou a mãe de Chahyun usando o cartão de visita que havia recebido. Era a última palha que lhe restava.
No entanto, a resposta que recebeu foi uma recusa fria.
Pensando bem, era de fato muito tarde, como o assistente que atendeu o telefone havia dito. Antes de tudo, ele havia passado do prazo estabelecido pela mãe de Chahyun e, atualmente, Chahyun não lembra dele devido às sequelas do acidente.
Não havia mais nenhuma necessidade de a família de Chahyun dar dinheiro para se livrar de Hong Yeonwoo. Se as memórias dele voltassem, eles talvez tentassem persuadir Yeonwoo de novo, mas agora não havia razão para separar os dois deliberadamente.
Yeonwoo, que havia falhado em agarrar a palha em que estava depositando esperança, tinha pouquíssimas opções restantes. Antes de tudo, ele tinha que se livrar do officetel o quanto antes, custasse o que custasse.
Yeonwoo, com o corpo pesado, terminou a limpeza às pressas e se preparou para ir trabalhar. Embora ainda houvesse uma casca no lábio, os hematomas em seu rosto haviam desbotado bastante. Ele julgou que não havia mais necessidade de usar boné e óculos, então colocou apenas uma máscara e foi ao café.
Yeonwoo estava no meio dos preparativos para abrir. O som de sapatos ecoou de forma irregular de longe. E o som ficou mais e mais perto.
Pensando que poderia ser um cliente, Yeonwoo virou a cabeça para dizer que ainda não estava aberto, e seus olhos encontraram uma pessoa familiar.
— Chefe? Sirva um café aqui para mim.
Num instante, o rosto de Yeonwoo ficou branco. Os dois agiotas que ele havia visto poucos dias antes estavam se aproximando com passos lentos.
Yeonwoo rapidamente olhou em volta. Era uma hora em que quase não havia gente chegando para trabalhar ainda, então não havia ninguém no prédio.
— Como vocês podem vir aqui?
Yeonwoo baixou a voz, seus olhos disparando ansiosos ao redor. Ele tinha medo de que um cliente chegando para trabalhar pudesse vê-los.
Como se soubesse bem da psicologia de Yeonwoo, o Alfa sorriu largo, revelando seus dentes amarelos.
— Por quê? Este café só aceita certos clientes?
— …A gente não abriu ainda. E é complicado se vocês vierem ao meu local de trabalho desse jeito.
— Não seja tão duro com a gente, chefe Hong.
O Beta, que estava de pé atrás do Alfa, olhou em volta do café e exclamou:
— Uau. O café é chique. Como esperado, o pai dele tem algo em que se apoiar, então ele pode apostar uma soma tão grande no jogo.
Yeonwoo pensou que tinha que tirá-los de lá o quanto antes, já que eles estavam chutando as mesas e cadeiras sem motivo.
— Eu disse que pagaria assim que o officetel fosse vendido. Disseram que vão vir ver a casa hoje…
— Ei, chefe. Faz sentido que você não consiga ganhar dinheiro tocando um negócio desse tamanho num prédio desses?
O Beta interrompeu Yeonwoo e se aproximou dele de forma ameaçadora. Yeonwoo engoliu em seco e recuou, como se estivesse a ponto de entrar na cozinha.
— Ainda assim, é complicado se vocês vierem ao meu local de trabalho desse jeito.
— O seu pai sabe quanto dinheiro ele roubou e com o que fugiu, e você está dizendo para a gente ser exigente sobre onde encontrar você? Hein?
A voz do agiota se elevou. Alto o bastante para ecoar no teto do saguão. Sobressaltado, Yeonwoo se retesou sem perceber.
Em pouco tempo, os trabalhadores de escritório começariam a chegar, e, se o tumulto ficasse maior ali, definitivamente atrairia a atenção de alguém.
Yeonwoo tentou manter uma atitude calma o máximo possível, endurecendo o pescoço e fingindo não estar com medo.
— Mesmo que vocês digam isso, eu não tenho nenhum dinheiro para dar a vocês agora. Por favor, vão embora.
— Chefe Hong. Você não está se comunicando de jeito nenhum? A gente veio até o café, mas você não dá nem uma taça de café e tenta expulsar a gente. Isso está certo?
— Isso mesmo. Não é como se a gente estivesse tentando conseguir algo de graça.
— Eu disse que a gente não abriu ainda.
Ele se perguntou se deveria simplesmente fazer café para eles como queriam, mas não queria parecer fácil demais.
Ele já estava fazendo o melhor para pagar o dinheiro e, mesmo que os agradasse, isso não prolongaria o prazo de pagamento.
Ele também calculou que até os agiotas mais violentos não conseguiriam usar violência de forma imprudente num espaço público tão aberto.
— Chefe. Seu jeito de falar está um pouco fora, não está? Eu me pergunto se você ainda não levou surra suficiente.
— Este é o meu local de trabalho. Então…
— A gente devia te dar mais uma surra para você cair na real?
— Seu moleque louco, você está se exaltando porque a gente está sendo bonzinho demais com você, já que você é um Omega.
— Fui? Bom, você é bom demais para simplesmente jogar por aí.
— N-Não se aproximem mais. Eu vou chamar alguém.
Quando eles tentaram entrar na cozinha, Yeonwoo gritou com urgência. O fim de sua voz tremeu.
Os agiotas se divertiram com a reação.
— O que você vai fazer se chamar alguém? Você gosta de ser o centro das atenções, chefe Hong?
— Não venham!
— Ha, ele está levantando a voz de novo.
Yeonwoo não conseguiu esconder a ansiedade e encarou os dois homens que bloqueavam a única passagem para fora da cozinha.
O que ele devia fazer? Chamar o segurança? Ou chamar a polícia? Mas, mesmo que a polícia venha, e se eles retaliarem depois?
— Aqui dentro é mais aconchegante do que eu pensava. É perfeito para nós três brincarmos quietinhos.
— Eu te disse. Ele ainda não levou uma surra suficiente. Vamos dar uma educação de verdade nele desta vez…
— O que está acontecendo aqui?
Naquele momento, uma voz familiar de repente se intrometeu.
As cabeças dos agiotas que pressionavam Yeonwoo se viraram na direção do som. O olhar de Yeonwoo, que vinha recuando com o rosto pálido, também se moveu na mesma direção que eles.
Chahyun estava de pé a alguns passos dos agiotas. Ele examinou os rostos das três pessoas com uma expressão um tanto entediada e calma.
Ele havia saído tão abruptamente ontem que ele não esperava se deparar com ele por um tempo. Yeonwoo olhou de relance para Chahyun com uma mistura de alívio e vergonha.
— O que está acontecendo, eu perguntei. Alguém quer explicar?
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna