Episódio 25
— Comprimidos para dormir?
— Eu sei que eu não devia, mas eu… eu misturei comprimidos para dormir na bebida dele e dei ao Chahyun em segredo.
Em vez de perguntar como ele acabou fazendo tal coisa, perguntou sobre o tipo, a dosagem e a quantidade dos comprimidos para dormir. Então, sacudiu a cabeça.
— É raro que essa dosagem cause dano cerebral. De qualquer forma, os sintomas apareceram logo depois do acidente de carro, então…
— Se aquele acidente de carro foi por minha causa! Então… o que eu faço?
— Se o que você está dizendo é verdade, o acidente de carro aconteceu mais de vinte e quatro horas depois de o Baek Chahyun tomar os comprimidos para dormir. É correto assumir que não tem relação com os comprimidos, e essa é a minha opinião como médico, não como conhecido. Então não há necessidade de se culpar.
Sang-gyun disse que não era culpa de Yeonwoo, mas Yeonwoo não conseguia se livrar da culpa de que suas ações poderiam ter afetado a amnésia de Chahyun.
No fim, a conversa com Sang-gyun se encerrou sem que se soubesse a causa exata da amnésia ou quando as memórias de Chahyun voltariam.
Conforme ele saiu da sala de exames, Chahyun estava apoiado na parede do corredor com os braços cruzados. Ele parecia muito irritado com a situação, talvez porque tivesse feito vários exames enquanto Yeonwoo estava com Sang-gyun.
Isso era compreensível, já que suas memórias do trabalho, da família e de outros conhecidos estavam todas intactas. A memória de Baek Chahyun havia excluído apenas Hong Yeonwoo.
Chahyun provavelmente não se importaria se continuasse a não lembrar de Yeonwoo, de quem ele nem lembrava e que vinha se lamentar como um ex-namorado.
Yeonwoo, que inicialmente estava confuso, gradualmente ficou triste. Eles namoravam havia quatro anos, e se conheciam havia nada menos que treze anos.
Todo aquele período havia desaparecido.
Ele podia perceber pelo olhar inorgânico que o olhava no quarto do hospital sem nenhuma emoção. Para Chahyun agora, ele era apenas um apêndice incômodo do passado.
— Está tudo bem no resto? Que tipo de exames você fez?
Yeonwoo se aproximou de Chahyun e perguntou com cuidado.
— Eu tenho que te contar sobre isso?
Ele reagiu com indiferença sem nem virar o olhar, como se não se importasse com o que Yeonwoo dissesse.
— …Eu estou preocupado. Sinceramente.
— Não porque você está triste de eu não lembrar de você?
Chahyun finalmente virou a cabeça na direção de Yeonwoo. Sua expressão, sua voz e seu olhar ainda careciam de qualquer afeto.
Yeonwoo foi ferido por seu olhar, mas continuou a encontrar seus olhos, esperando que ele lembrasse pelo menos um pouquinho dele.
— Eu de repente fiquei curioso. A gente namorou e terminou, né?
— ……
— O que você tem a fazer aqui, vindo até aqui depois que a gente terminou?
Seu rosto era definitivamente de Baek Chahyun, mas ele não era a pessoa que Yeonwoo conhecia.
— Você ficou me ligando mesmo antes de saber do acidente, né?
Yeonwoo então lembrou por que havia decidido contatar Chahyun.
Poucas horas antes, agiotas tinham vindo ao seu officetel e o ameaçado com espancamento. Ele havia ficado tão chocado com a notícia do acidente de Chahyun que temporariamente havia esquecido disso.
As ameaças dos agiotas continuariam se ele não pagasse o dinheiro logo. Não só a ele, mas também à sua mãe.
Conforme pensava nos dois homens que tinham vindo até ele hoje, sentiu dor por todo o corpo onde havia sido atingido. Ele não havia tido tempo de reconhecer isso devidamente por causa do choque da notícia do acidente, mas uma dor formigante subiu com atraso por todo o seu rosto e corpo.
Ele provavelmente estaria tão inchado ou machucado até amanhã que seria difícil andar, e esses dias poderiam se repetir no futuro.
— Por que você não está dizendo nada?
— ……
De repente, olhos heterocromáticos cintilaram nas pupilas de Chahyun. Pareciam cruéis e inocentes, como os de uma criança que havia encontrado um brinquedo.
— Por causa de dinheiro?
E o palpite de Chahyun estava correto. Yeonwoo desviou do seu olhar, tendo sido acertado em cheio.
— ……
Ele hesitou se devia responder sim ali. Ele havia sofrido um acidente, e agora ele nem sabia quem era Hong Yeonwoo… Era certo falar de dinheiro? Além disso, era incerto se o Baek Chahyun diante dele o ajudaria.
— É óbvio por que alguém como você se agarraria a mim.
Yeonwoo mordeu o lábio inferior com força diante da voz zombeteira. Já estava sangrando, então sentiu uma dor ardente.
— Eu odeio me repetir. É sobre dinheiro? Fale rápido.
O conflito de Yeonwoo não durou muito. Aquela não era uma situação para se apoiar no orgulho. Seu corpo em frangalhos já era algo que ele não conseguia dar conta.
— Sim. Eu… eu administro um café. É bem famoso e vai bem. Mas de repente eu preciso de dinheiro…
Yeonwoo assentiu e baixou o olhar. Sua voz, que ele cuspiu como se rastejasse, tremia.
— E então?
Chahyun perguntou de volta num tom que assumia que ele naturalmente pediria dinheiro, já que precisava.
— Eu vou vender a loja. Mas eu estava me perguntando se poderia receber as luvas antecipadamente.
— Por que você está me pedindo as luvas do café?
— Você me ajudou desde o começo quando eu montei o café, e, quando eu perguntei ao senhor secretário, ele me disse para falar com você…
— Quanto.
— …Duzentos milhões.
Um bufo. A risada de Chahyun se espalhou pelo corredor do hospital. Era claramente escárnio.
Yeonwoo sentiu o calor subir ao rosto e baixou a cabeça ainda mais.
— Ah, duzentos milhões.
— É dinheiro que eu vou receber como luvas de qualquer forma quando eu sair e outro café entrar, mas eu estou pedindo que você me dê antecipadamente. Porque eu estou com pressa…
— Ei.
— …Hein?
Yeonwoo se sobressaltou e ergueu a cabeça quando Chahyun o cortou. Então, encontrou os olhos de Chahyun, que olhava para ele de cima como se ele fosse uma praga.
— Eu não gosto que as pessoas falem comigo de forma informal.
— ……
Por causa da dor que se espalhava do peito, perfurado por aquele olhar, Yeonwoo entendeu o que Chahyun estava dizendo com um tempo de atraso.
Ah. Ele pensou que ele era mais novo que Chahyun?
— Eu sou mais velho.
— E daí. Você veio implorar dinheiro e agora quer discutir quem nasceu primeiro?
Yeonwoo sacudiu a cabeça. Então, Chahyun de repente agarrou o queixo de Yeonwoo e o fez erguer o rosto. Então, tirou o boné que ele usava como se aquilo fosse irritante.
— Você parece estar seriamente equivocado. É como se eu tivesse brincado com você por um tempo só porque você tem um rosto bonito.
O olhar seco de Chahyun examinou cada canto do rosto branco de Yeonwoo. Embora ele ainda estivesse usando máscara, ela estava um pouco abaixada sob o nariz, então ele podia estimar mais ou menos o contorno geral de seu rosto.
Ele observou os cílios densos e longos de Yeonwoo, sua pele impecável, sua testa reta e seu nariz bem levantado sem deixar passar nada.
E, quanto mais Chahyun o encarava, mais dolorosa essa situação ficava para Yeonwoo.
— Em vez disso, fique com raiva de mim. Não fale desse jeito.
— Raiva?
Chahyun inclinou a cabeça como se não entendesse o que ele estava dizendo.
— Parece que você precisa descobrir o seu lugar primeiro. Por que eu ficaria com raiva de um Omega como você?
Como ele disse, Chahyun estava calmo de forma consistente. Soava como se Yeonwoo não valesse nem a pena ficar com raiva.
— E eu te disse para usar tratamento formal.
— ……
— Você não consegue entender o que eu digo de uma vez?
Yeonwoo só conseguia mover os lábios e não podia dizer nada. Quando ele lutou para torcer o corpo e afastar a cabeça agarrada, Chahyun o soltou sem hesitar.
* * *
No dia seguinte. Yeonwoo acrescentou máscara, boné e, desta vez, até óculos para esconder os olhos inchados.
Doía desde o momento em que ele abriu os olhos de manhã. Todo o seu corpo, que havia sido gravemente espancado, doía, seus tornozelos começaram a pulsar, e seu rosto estava mais gravemente machucado que ontem.
Além disso, seus olhos estavam tão inchados que era difícil abrir as pálpebras, porque ele havia chorado por um longo tempo depois de voltar para casa de encontrar Chahyun no hospital.
Era vergonhoso que ele tivesse trazido à tona as luvas com Chahyun com tanta dificuldade, mas Chahyun havia deixado Yeonwoo para trás assim que uma enfermeira se aproximou e falou com ele.
A expressão e o tom que ele havia usado para tratá-lo como um insento havia atormentado Yeonwoo a noite inteira.
Chahyun realmente não lembrava nada de Hong Yeonwoo. Aquele fato era mais doloroso do que ser espancado pelos agiotas.
Mesmo nessa situação, ele tinha que ir trabalhar no café. Até receber as luvas e passar o ponto para outra pessoa, o Neobel era o único lugar onde Yeonwoo poderia ter uma renda fixa agora.
Hoje era o dia em que Yeonwoo abria sozinho. O atendente estava atrasado algumas horas por motivos pessoais, então ele tinha que sair cedo e cobri-lo.
Yeonwoo recebeu os grãos de café encomendados, os alimentos refrigerados e os produtos de embalagem e terminou de conferir o moedor. Seu corpo não estava em boas condições, então ele estava mais lento que o normal.
Não muito depois de abrir o café, um cliente entrou.
— Bem-vindo.
Ele limpou a voz rouca e cumprimentou com dificuldade, mas um rosto familiar estava de pé diante do balcão.
Baek Chahyun.
Yeonwoo murmurou por dentro.
Por que ele veio aqui? Será que a memória dele voltou?
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna