Episódio 22
Ele havia considerado denunciá-los à polícia dezenas de vezes, mas, se fosse um problema que a polícia pudesse resolver, eles não estariam operando um negócio de empréstimo agiota em primeiro lugar.
Desde que Yeonwoo recebeu a ligação da mãe ontem, ele não havia conseguido comer como devia e vinha correndo entre bancos e imobiliárias, o que o deixou completamente drenado.
Ao investigar, a empresa que pressionava seu pai pela dívida era notória. Obviamente não era uma financeira legítima, e era famosa em comunidades de cripto, ações e jogo por sua cobrança de dívidas brutal e ilegal.
Mesmo que sua mãe estivesse escondida na casa da tia, eles a encontrariam de alguma forma. Era só uma questão de tempo até que vissem pressioná-lo também.
Além disso, era óbvio, sem precisar experimentar, que os métodos de pressão deles não seriam comuns.
Mesmo que ele encontrasse seu pai fugitivo, não havia como aquele homem ter capacidade de pagar um bilhão de wons. Como resultado, sua mãe e ele seriam submetidos à cobrança de dívida de novo…
Ele havia usado o dinheiro em espécie que tinha em mãos para pagar com urgência parte da dívida, mas se sentia impotente porque não conseguia pensar num jeito claro de resolver a situação depois.
* * *
Entre se desfazer do carro, consultar o banco e acrescentar mais turnos no café, ele verdadeiramente não tinha tempo para descansar. Não só isso, mas Yeonwoo também estava procurando trabalhos de meio período que pudesse fazer nos intervalos após fechar o café.
Ele quase não havia dormido desde o dia em que recebeu a ligação da mãe, então se sentia atordoado. Mesmo se fosse para casa cedo, não conseguiria descansar tranquilo, então se sentia ansioso não importava o que fizesse.
— Com licença, ainda estão abertos?
Yeonwoo, que estava fechando o café sozinho, sacudiu a cabeça diante do aparecimento repentino de um cliente.
— Sinto muito. Já fechamos por hoje.
— Ah, entendi…
— Até logo.
Ele cumprimentou o cliente e então voltou à pia para terminar de lavar a máquina desmontada. E então pensou em Chahyun, que não havia vindo hoje também.
Se ele não está aparecendo desse jeito, será que algo aconteceu?
Mesmo enquanto se preocupava, ele se recriminou por ter pensamentos inúteis.
Talvez esse seja o jeito de Chahyun terminar. No momento em que ele decidiu terminar sem nenhum encerramento ou despedida, ele voltaria completamente a ser um estranho.
Yeonwoo, que estava olhando a cadeira vazia onde Chahyun costumava se sentar todo escorado, deixou o prédio um tempo depois.
Morando de volta no officetel, ele percebeu que precisava de tantas coisas.
Antes de tudo, estava com falta de roupas. Não só roupas, mas também itens de uso diário, vitaminas, sapatos, seu notebook e até livros estavam todos no apartamento onde morava com Chahyun.
Quando decidiu deixar o apartamento, não tinha nenhum apego aos seus pertences, mas agora a situação era diferente. Ele estava num ponto em que até dez wons eram preciosos.
Mesmo que vendesse o officetel e se mudasse para um pequeno apartamento estúdio, ainda precisaria de itens de uso diário, e não podia se permitir comprar nem os menores itens, ao ponto de parecer patético. Ele precisava trazer até uma única meia daquela casa.
Depois de muita deliberação, Yeonwoo ligou para Chahyun.
— A chamada não pôde ser completada e foi encaminhada para a caixa postal…
Mas apenas o sinal continuou, e não houve resposta.
Era vergonhoso contatá-lo primeiro depois de ter feito tanto escândalo sobre terminar.
Yeonwoo, que não conseguiu falar por telefone, escreveu e apagou mensagens repetidamente.
[Eu preciso pegar minhas coisas no apartamento, posso passar um pouco?] [Me avise quando for uma boa hora.]
Ele estava a ponto de encerrar aí, mas acrescentou com cuidado:
[Você está doente ou algo assim? Se estiver bem, me deixe uma mensagem, vou esperar]
— Ele não me bloqueou, não é?
Yeonwoo ficou desconfiado ao olhar o celular, que estava silencioso havia dias. Normalmente, assim que enviava uma mensagem, recebia uma resposta na hora. Mas agora, estava quieto havia vários minutos.
— Ah, tanto faz. Ele vai responder, imagino.
Ele suspirou e então jogou o celular na cama.
* * *
Na manhã seguinte, Yeonwoo tentou contatar Chahyun de novo, mas ele não atendeu o telefone desta vez também.
No fim, Yeonwoo seguiu para o apartamento onde eles moravam juntos de manhã cedo, sem permissão. Ele ia trabalhar no café à tarde hoje, então planejava empacotar suas coisas do apartamento, levá-las para o officetel e depois ir trabalhar.
Yeonwoo tocou a campainha diante da entrada do apartamento, carregando uma bolsa grande vazia e algumas caixas.
— Baek Chahyun. Sou eu.
Não houve resposta.
— Eu vim pegar minhas coisas. Eu liguei e deixei uma mensagem.
Parecia que não havia ninguém dentro. Yeonwoo esperou sem expressão diante da porta por alguns minutos, então entrou no apartamento depois de digitar a senha.
Ele se perguntou se haviam trocado o código da fechadura, mas felizmente continuava o mesmo. Vendo que os sapatos de Chahyun não estavam na sapateira, parecia que ele não havia voltado para casa. Ou talvez tivesse ido trabalhar.
O apartamento vazio não estava diferente de antes. Então ele levou as caixas e bolsas para dentro com familiaridade e começou a empacotar suas coisas.
— Ele não está vindo para casa…?
Mas, quanto mais olhava, mais ficava surpreso com a falta de sinais de vida. A geladeira, que sempre tinha acompanhamentos preparados, estava completamente vazia, e não havia um único pedaço de lixo na lata de lixo. Os pertences ainda estavam lá, mas…
Se ele não estava morando neste apartamento de forma alguma, para onde havia ido? Para a casa da família? Ou conseguiu uma casa nova e se mudou?
Yeonwoo ficou intrigado, mas empacotou suas coisas com aplicação. Como não precisava carregar móveis ou itens grandes, foi rápido encontrar e empacotar apenas suas coisas.
Cerca de uma hora passou assim. Yeonwoo olhou em volta do interior silencioso da sala, de onde todos os seus pertences haviam sido removidos.
Ele se sentiu estranho. Este era o lugar onde ele e Chahyun sempre comiam, assistiam TV, conversavam e dormiam juntos. Mas agora era como se aqueles tempos nunca tivessem existido, e apenas uma frieza restava. Como se não fosse mais o espaço deles.
Só agora ele realmente percebeu o término. Yeonwoo suprimiu suas emoções crescentes e se virou rapidamente. Sentia que se arrependeria da decisão de terminar com Chahyun se ficasse ali mais tempo.
Ele saiu correndo do apartamento como se fugisse e pegou um táxi. Chegou ao officetel e estava tirando do elevador a bagagem que havia conseguido transportar de alguma forma.
Ele viu a silhueta de um homem de terno no corredor. Por coincidência, o homem estava de pé diante da unidade de Yeonwoo.
Yeonwoo esqueceu sua bagagem e correu em direção ao homem.
— Baek Chahyun! Onde você estava até agora… Ah?
Ele naturalmente pensou que era Chahyun, mas era um estranho. Quanto mais se aproximava, mais percebia que o rosto e o físico eram diferentes dos de Chahyun. Além disso, não era só uma, mas duas pessoas. Ele não as havia visto porque estavam de pé atrás das caixas de entrega empilhadas bem alto ao lado.
— Você é Hong Yeonwoo-ssi?
— Quem são vocês?
O homem, que estava fumando um cigarro, sorriu largo assim que viu Yeonwoo e girou o pescoço de um lado para o outro.
— Quem mais nós seríamos? Somos cobradores de dívida vindo buscar nosso dinheiro.
— …….
Eram as pessoas que sua mãe havia mencionado. Ele estava preparado para que elas pudessem procurá-lo, mas, agora que a situação de fato havia acontecido, não sabia o que fazer.
Yeonwoo não encontrou as palavras e engoliu em seco. Ele instintivamente deu um passo atrás porque a distância era próxima demais, e o homem se aproximou lentamente, como se encurralasse a presa. Essa reação parecia familiar a ele.
— Você precisa pagar o dinheiro, né? Os pais do senhor chefe estão muito além do prazo.
— …Eu sei. Mas eu enviei parte dos juros ontem.
— E daí? Ainda está muito abaixo do dinheiro que a gente precisa receber, do que você está falando? Você tem ideia de quantas centenas de milhões o pai do senhor chefe pegou emprestado da gente?
O homem o pressionou com pronúncia arrastada enquanto segurava um cigarro na boca. O olhar de Yeonwoo se deslocou do rosto dele para seu braço com uma tatuagem de flor.
Yeonwoo engoliu em seco e assentiu, tentando manter uma expressão calma.
— Por favor, esperem um pouco mais. Não fui eu que peguei o dinheiro emprestado, e é uma dívida de um pai que eu nem vejo.
Yeonwoo explicou a situação com calma para tentar persuadir a outra parte.
— De forma realista, de onde é que apareceria um bilhão de wons de repente? Eu já coloquei o officetel à venda, então eu dou o dinheiro a vocês quando receber. Por favor, considerem a situação e tenham alguma consideração…
— Ah, é? Chefe Hong, você é um Omega?
Naquele momento, o homem magro que estava de pé atrás das caixas de entrega de repente apareceu e encarou Yeonwoo com atenção. Pelos feromônios que ele não conseguia controlar, era fácil perceber que ele era um Alfa.
— Eu não tinha ouvido que o filho único da Kim Soon-young-ssi era tão bonito assim.
— Ah, ele era um Ômega?
— Bonito pra caralho. Você poderia pagar a dívida rapidinho só vendendo o seu buraco algumas vezes. Me diga se não tiver dinheiro. Eu te apresento um trabalho na hora.
— …Por favor, não digam coisas rudes. Eu não tenho nenhum dinheiro para dar a vocês agora, então por favor voltem.
Yeonwoo engoliu em seco e disse com calma.
— Você tem orgulho de não ter nada? Em que você está se apoiando para ser tão confiante?
— Provavelmente se apoiando na cara dele.
Os homens riram entre si diante de Yeonwoo.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna