Episódio 1
— Espero que você e o Chahyun terminem por aqui.
A mãe de Chahyun expôs o motivo do encontro antes mesmo que Yeonwoo pudesse tocar na xícara de chá colocada diante dele.
Tão sobressaltado que a mão de Yeonwoo congelou no ar. Ele não esperava que ela soubesse sobre ele e Baek Chahyun.
— Como… Há quanto tempo a senhora sabe?
— Isso importa?
Ela continuava calma e elegante, exatamente como Yeonwoo lembrava. Seus gestos e sua voz combinavam com aquele lugar onde tocava uma música clássica refinada.
— ……
Yeonwoo não sabia o que dizer e engoliu em seco. Ele tinha certeza de que ele e Chahyun vinham mantendo um relacionamento secreto bastante bem-sucedido. Mas talvez namorar o filho mais novo do presidente de uma empresa famosa fosse demais para se manter em segredo.
— Como vocês estão juntos há um tempo, você vai precisar de um prazo para acertar as coisas.
Ela mantinha a compostura mesmo tendo Hong Yeonwoo, tão inferior ao seu precioso filho, logo ali na sua frente. Cada gesto, desde pegar a xícara de chá, beber o chá, até ajeitar uma mecha de cabelo que caía, era cheio de graça.
Quanto mais evidente ficava a nobreza dela, mais a cabeça de Yeonwoo se embaraçava numa confusão profunda.
— Se você terminar com o Chahyun dentro de um mês, eu transfiro para o seu nome o apartamento em que vocês dois moram agora. Também mudo o café que você administra para um ponto melhor.
— ……
— Se precisar, posso até encontrar um par de casamento adequado para você. Mesmo que você seja homem, um Omega continua sendo um Omega, então vai precisar de um par.
Dar-lhe uma casa em troca de terminar com Baek Chahyun. O apartamento em que moravam atualmente tinha vista para o rio Han e valia bilhões de wons. Além disso, o custo de mudar o café de lugar e de arranjar um encontro matrimonial.
Era uma oferta excessiva, mas Yeonwoo ainda não conseguia encontrar uma resposta adequada.
— Por que não responde? A essa altura, não é prejuízo nenhum para você.
Ele tinha pensado que, se algum dia fossem descobertos, no mínimo levaria um tapa na cara, mas a mãe de Baek Chahyun, sentada diante dele, permaneceu calma do começo ao fim.
Ela não o pressionou perguntando como ele ousava se encontrar com Chahyun na condição em que estava, nem usou de propósito um tom desdenhoso e insultante.
— Acho que não posso fazer isso. Me desculpe.
Yeonwoo abriu a boca com dificuldade depois de muito tempo. As pontas de seus lábios entreabertos tremeram de leve.
Mas a mãe de Chahyun não se abalou. Como se já esperasse essa resposta de Yeonwoo.
— Se houver qualquer outra coisa que você queira, não hesite em me dizer.
— Eu não estou com o Chahyun esperando algo em troca.
— O Chahyun vai se casar no ano que vem.
A respiração de Yeonwoo parou por um instante.
— Como assim?
— Eu não quero que ele faça o casamento em meio a escândalos. Todos os pais se sentem assim. Você entende o que quero dizer?
— Casamento… A senhora está dizendo que o Chahyun?
Ela assentiu. Era uma reação que já previa que Yeonwoo não saberia.
— Ele já tem idade, então precisa se casar logo.
— O Baek Chahyun concordou com isso? Ele não me disse nada.
— Claro que o Chahyun sabe. É o casamento dele.
O coração de Yeonwoo afundou com as palavras de que Chahyun sabia. Algo estava definitivamente errado.
— Isso não pode ser.
— Já se fala nisso desde a faculdade.
— ……
— É hora de encerrar essa brincadeira de namoro.
— Qu… quem é? Com quem ele vai se casar…
— Você saberia quem é, mesmo se eu dissesse?
Era uma pergunta pura, sem o menor traço de sarcasmo.
— Eu… eu não sabia. Nem uma pista…
— Ele provavelmente não disse nada porque não havia necessidade. Ou então, o Chahyun já chegou a te pedir em casamento alguma vez?
— ……
Pensando bem, eles namoravam e moravam juntos há um bom tempo, mas nunca tinham conversado sério sobre casamento. Nem uma vez.
Isso porque Yeonwoo tinha vinte e nove anos, e Chahyun apenas vinte e sete. Os dois ainda estavam na faixa dos vinte e eram do mesmo gênero.
Se os traços fossem Alfa e Ômega, era geralmente natural casar independentemente do gênero, mas quanto melhor a família, mais forte era a tendência de casar homem com mulher.
Chahyun era o filho mais novo nascido na conhecida família do Grupo Heesung, então todos ao redor dele naturalmente presumiam que ele seria unido a uma Ômega mulher.
Yeonwoo também tinha consciência desses estereótipos, então nunca havia pensado especificamente em se casar com Chahyun.
Como se tivesse obtido a resposta que queria no silêncio de Yeonwoo, a mãe de Chahyun falou primeiro.
— Você também vai precisar de tempo para pensar, Yeonwoo. Entre em contato por aqui até o fim desta semana, quando decidir.
— Mãe, eu… eu.
Originalmente, ele ia dizer que não tinha a menor intenção de terminar com Baek Chahyun, não importava o que ela lhe oferecesse.
Mas, a partir do momento em que o assunto do casamento surgiu, seu cérebro pareceu congelar, e nada lhe vinha à cabeça.
— Já que vocês vão terminar de qualquer maneira, é melhor aceitar o que se pode aceitar. Você ainda é jovem, então precisa pensar no seu futuro.
Ela entregou a Yeonwoo um envelope.
— Este é um conselho que estou lhe dando pelo bem da Kim Soon-young-ssi.
Kim Soon-young era a mãe de Yeonwoo. Quando o nome de sua mãe saiu da boca dela, Yeonwoo olhou com ansiedade e conferiu o envelope diante de si.
Dentro havia um cartão de visita e documentos. O nome da pessoa desconhecida no cartão parecia ser o do assistente da mãe de Chahyun. E os documentos especificam meticulosamente o valor do apoio oferecido em troca do término com Chahyun e as condições para isso.
Um instante depois, quando Yeonwoo levantou a cabeça, a outra pessoa já estava se levantando do lugar. Ela recebeu o casaco e a bolsa que o funcionário trouxe e disse:
— É melhor não mencionar ao Chahyun que você me encontrou hoje.
— ……
— Foi bom te ver depois de tanto tempo. Vou esperar sua ligação.
* * *
Yeonwoo, que havia descido até o estacionamento, sentou-se no assento do motorista e reproduziu a conversa de antes.
“O Chahyun vai se casar no ano que vem.”
“Claro que o Chahyun sabe. É o casamento dele.”
Baek Chahyun tem alguém com quem se casar.
É muito repentino. Se for realmente verdade, como ele não soube até agora? Eles namoram desde a faculdade, o que dá quatro anos, e já moram juntos há mais de um ano. Mas…
[Onde você está? Não está na loja]
Na hora certa, chegou uma mensagem de Chahyun. Yeonwoo, que estava sentado no assento do motorista há muito tempo sem ligar o motor, encarou a tela do celular sem expressão.
Era uma mensagem do seu namorado de quatro anos, mas parecia estranha, como se tivesse sido enviada por um desconhecido.
Ele queria ligar na hora e perguntar se o que a mãe dele havia dito era verdade. Mas a razão que ainda restava, tênue, fez o julgamento de que era prematuro questioná-lo sem nenhuma prova.
A mãe de Chahyun podia ter mentido.
Em vez de responder, Yeonwoo respirou fundo. Sentia-se sufocado. Queria ir a algum lugar tranquilo para organizar os pensamentos…
Mas não havia para onde ir. Normalmente, ele só ia e voltava entre o café que administrava e sua casa, e a saída ocasional era apenas quando jantava com Chahyun.
Quando a vibração soou de novo, Yeonwoo virou os olhos com desânimo. As duas letras “Mãe” estavam na tela.
Era uma ligação que ele não queria receber naquele momento. Decidiu ligar depois e fingiu não ver a chamada da mãe. Se fosse urgente, ela deixaria uma mensagem.
Quanto tempo ele ficou sentado no carro sem se mover? Desta vez, recebeu uma mensagem do atendente do café.
[Chefe, quando você vem?] [Aquele cliente está aqui agora… e não para de perguntar onde o chefe está. Ele disse que vai esperar até você chegar, se você não vier. O que eu faço?]
O aperto em que o atendente se encontrava foi transmitido diretamente na mensagem.
Se “aquele cliente” era quem estava acampado no café de Yeonwoo exigindo que o chefe aparecesse, obviamente não era outro senão Baek Chahyun.
Chahyun continuava ligando, mas ele não tinha a menor vontade de atender.
Yeonwoo ignorou a chamada de Chahyun e enviou uma resposta ao atendente.
[Estou chegando agora]
* * *
Baek Chahyun e Hong Yeonwoo, que pareciam não ter nenhuma ligação na vida, se conheceram pela primeira vez no ginásio.
Por causa do pai, que era viciado em álcool e jogo e não lhes dava dinheiro para as despesas, a mãe de Yeonwoo vinha ganhando a vida como cuidadora desde bem cedo. Graças à sua juventude e ao temperamento meticuloso como cuidadora, depois de alguns anos, bastante gente queria contratá-la especificamente.
Por acaso, ela cuidou algumas vezes de pessoas de famílias ricas, e o trabalho continuou aparecendo por indicação. Chahyun também foi uma das crianças de quem a mãe de Yeonwoo cuidou.
Chahyun se manifestou como Alfa mais cedo do que a média, mas seus feromônios eram tão fortes em comparação com os dos colegas da mesma idade que ele precisava controlá-los com medicação. Por causa disso, sofria com frequência.
Se o desequilíbrio de feromônios experimentado durante a adolescência fosse infelizmente negligenciado, poderia levar a condições incuráveis para o resto da vida. O médico disse que ele deveria evitar contato de feromônios com outras pessoas o máximo possível até se estabilizar. Seguindo a recomendação, Chahyun foi isolado em uma casa de campo no interior, propriedade da família, durante as férias, e recebeu tratamento.
Foi então que a mãe de Yeonwoo foi cuidar de Chahyun. Ela não podia deixar Yeonwoo, que ainda estava no ginásio, sozinho por vários meses. Porque cobradores de dívida podiam aparecer em casa a qualquer momento, por causa das dívidas que o pai dele havia contraído.
Felizmente, a família de Chahyun permitiu que Yeonwoo ficasse com eles na casa de campo. Na época, Yeonwoo, como sua mãe, era Beta, e a diferença de idade entre ele e Chahyun, que estava no ginásio, não era tão grande. Julgaram que seria melhor para Chahyun viver com alguém da sua idade do que viver em isolamento extremo.
Chahyun se apegou bastante a Yeonwoo. Tanto que a família ficou impressionada.
Enquanto relembrava os velhos tempos, ele logo chegou ao prédio que era seu destino. Yeonwoo terminou de estacionar, saiu do carro e subiu até o primeiro andar.
O Neobel, o café com conceito de espresso bar administrado por Yeonwoo, ficava dentro do saguão de pé-direito alto do Edifício Heesung. E Baek Chahyun estava sentado torto na cadeira mais próxima do balcão.
— Quando é que o chefe daqui vem? Você entrou em contato com ele?
Ele estava enchendo o inocente atendente por causa do paradeiro de Yeonwoo.
— Acho que ele chega logo… Se o senhor esperar só um pouco mais…
Uma aura negra, de alguém que não deixaria passar ninguém que por acidente lhe pisasse nos nervos, emanava de todo o seu corpo.
Diferente de quando era jovem, as linhas faciais nítidas e mais densas do Baek Chahyun de vinte e sete anos exalavam naturalmente uma sensação de intimidação. Sua grande altura também contribuía para a aparência feroz.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna