Episódio 17
No dia seguinte.
Ao contrário de suas preocupações, Yeonwoo dormiu profundamente um dia inteiro naquele quarto pobre.
Ele não havia conseguido dormir no dia anterior ao anterior porque tinha que ir ao pronto-socorro de madrugada, e no dia anterior ficou com falta de sono porque estava ocupado atendendo aos caprichos de Chahyun até o amanhecer.
Ele parecia ter acordado no meio para ir ao banheiro ou comprar algo na loja de conveniência porque estava com muita fome, mas não lembrava com clareza. Ele apenas enchia o estômago com comida de loja de conveniência e depois adormecia de novo como se desabasse.
— Quantas horas eu dormi?
Uma voz contida fluiu da boca de Yeonwoo enquanto falava consigo mesmo.
Assim que estava um pouco acordado, ele se lavou e saiu. As instalações de banho eram tão ruins que ele pensou que deveria trocar de hospedagem o quanto antes.
Yeonwoo, que chegou a uma área central um pouco afastada de onde estava hospedado, ligou seu celular, que estava desligado. Então, uma pilha de notificações soou de uma vez.
Claro, Baek Chahyun respondia pela maior parte delas.
Primeiro, ele ignorou todas as chamadas perdidas e mensagens dele e conferiu antes o contato do atendente do Neobel.
Depois de escapar do apartamento no dia anterior, ele havia deixado às pressas uma mensagem dizendo que talvez ficasse inacessível por alguns dias. Estava curioso para saber se algo havia acontecido nesse meio-tempo.
[Chefe! Eu e o Mun-gi fechamos hoje] [(Foto)] [(Foto)] [Limpeza da cozinha e do salão completa, assim] [Descanse!!]
Como Yeonwoo estava supostamente de licença por um tempo, já que estava preso em casa, a loja estava funcionando bem por conta própria.
Yeonwoo, caminhando por um beco lotado, entrou num café grande, pediu uma bebida e se sentou.
Certo. Agora, vamos pensar no que fazer daqui para frente.
Antes de tudo, parece que seria melhor se desfazer do officetel de alguma forma. Chahyun o havia dado a ele e, agora que eles terminaram, ele estava um pouco reticente em entrar e morar lá. Não sabia quando ele poderia vir procurá-lo. Era certo não se aproximar daquele lugar até que o ciclo de rut de Chahyun acabasse.
E o café. Ele também teria que organizar isso gradualmente, mesmo que não de imediato. O café foi praticamente montado com o investimento de Chahyun, do ponto à abertura da loja. Se quisesse continuar trabalhando ali, teria que continuar se deparando com Chahyun…
Chahyun realmente o deixaria continuar trabalhando lá mesmo depois de se casar com outra pessoa? Não só seria desconfortável, mas havia uma alta possibilidade de que Chahyun não deixasse passar.
Talvez piorasse e ele fosse pego e aprisionado de novo. De qualquer forma, ele não veria um bom final.
O lado bom era que Yeonwoo tinha mais dinheiro que outros da sua idade. Não muito, mas ele havia se beneficiado de morar com Chahyun.
Ele recebeu um officetel e um carro, e o café tinha um aluguel mensal realmente baixo. Na época da abertura, ele discutiu por muito tempo com Chahyun, que dizia que ele podia fazer negócio sem aluguel mensal, e encontraram um meio-termo, e o valor atual foi estabelecido, mas era menos da metade do preço de mercado. Era como fazer negócio de graça.
Ele também nunca havia realmente pagado despesas de vida. Sempre usava o cartão de Chahyun.
Ele tinha dinheiro guardado o suficiente para se esconder por um tempo e se preparar para procurar emprego de novo ou se preparar para outra coisa.
Conforme o passar do tempo, Chahyun vai gradualmente perder o interesse nele. A razão pela qual ele vinha sendo anormalmente obcecado nesses últimos dias era porque ele havia dito que queria terminar enquanto o rut dele se aproximava. O momento foi ruim.
“Aquela pessoa.”
“Quem?”
“A mulher com quem você vai se casar. Qual é o nome dela?”
“Por quê?”
“Estou curioso.”
“Mesmo se eu te disser o nome dela, você não vai conhecer.”
“E os filhos, então?”
“Não sei. Não tenho interesse.”
Uma vez que o rut passasse e os preparativos para o casamento começassem de verdade, ele estaria ocupado demais para nem procurá-lo. Yeonwoo tinha certeza.
Porque é essa a extensão dos sentimentos dele, Chahyun não quer se casar com ele.
Se Chahyun o amasse tanto quanto ele amava Chahyun, ele nunca teria escolhido casar com outra pessoa.
Então Chahyun está destinado a esquecê-lo algum dia.
Se Chahyun não o soltar mesmo depois de o ciclo de rut acabar e o tempo passar. Então ele talvez possa pedir ajuda à mãe de Chahyun.
De qualquer forma, é ela quem quer que ele se afaste de Chahyun. Ele está disposto a ir embora sem levar um centavo, e, se ela souber quão louco o filho dela está agindo, ela pelo menos vai fingir que o impede.
Yeonwoo conferiu mais uma vez para se assegurar de que o cartão de visita que a mãe de Chahyun havia lhe dado estava a salvo em seu bolso.
Vamos só nos esconder e aguentar um pouco.
* * *
Depois de almoçar fora, Yeonwoo saiu para encontrar um lugar melhor que a hospedagem em que estava atualmente. No entanto, não foi fácil, porque lugares com instalações decentes exigiam identificação com rigor.
Conforme Yeonwoo voltava à sua hospedagem sem obter nada com todo aquele esforço, pressionou os ombros rígidos. Seu corpo doía porque o colchão era afundado demais.
Ao entrar no prédio da hospedagem, o dono, que assistia à TV no balcão, chamou Yeonwoo.
— Ei, vem cá um instante.
— Sim? Tem alguma coisa errada?
— Qual é o seu nome?
— Por que essa pergunta repentina sobre o meu nome…
Yeonwoo conferiu de forma sútil a expressão do dono. O dono coçou o pescoço com indiferença.
— Nada, eu ouvi que um goshiwon no bairro vizinho foi arrombado hoje.
— Ah.
— Estou perguntando por precaução, para confirmar. Você sabe que a gente deve conferir isso quando você faz o check-in, né? Me mostre a sua carteira de identidade, se você tiver.
— Deixei meu documento no trabalho.
Yeonwoo engoliu em seco e inventou uma mentira.
— Você tem emprego?
— Sim. Eu começo amanhã.
— Está bem, então. Qual é o seu nome?
Tem algo estranho.
O dono agia com naturalidade, mas sua atitude com Yeonwoo estava sutilmente diferente da de ontem.
Yeonwoo sentiu instintivamente uma atmosfera perigosa.
Sentiu que tinha que sair de lá imediatamente.
— Kim Jun-yeong.
— Está bem, Kim Jun-yeong-ssi. Traga seu documento amanhã.
— Sim.
— Que tipo de jovem deixa uma coisa assim para trás?
Encerrando a conversa, Yeonwoo manteve a compostura e entrou em seu quarto.
E, assim que fechou a porta, começou a arrumar as coisas de novo. Na verdade, não havia muito para arrumar. Só algumas roupas, um envelope com cartões e dinheiro, e seu documento.
Com a mochila no ombro, Yeonwoo enterrou o boné bem fundo, exatamente como quando chegou ali pela primeira vez, e saiu para o corredor. Ele planejava deixar a hospedagem como se estivesse saindo para uma refeição.
Mas ele viu uma figura familiar no balcão.
— Loucura.
Era Baek Chahyun.
Como ele o encontrou tão rápido? Um xingamento saiu involuntariamente.
— O nome dele é Kim Jun-yeong? Você tem certeza de que veio ao lugar certo?
Yeonwoo apagou sua presença e recuou em silêncio, mas Chahyun, que tinha um sentido aguçado como um animal, virou a cabeça de forma brusca.
— …….
Ele não sabia de onde veio aquela velocidade, mas Yeonwoo se escondeu dentro da esquina no momento exato.
Felizmente, Chahyun não viu Yeonwoo e continuou falando com o dono.
Nesse meio-tempo, Yeonwoo saiu correndo na direção oposta de onde Chahyun estava.
Uma coisa boa era que essa hospedagem tinha uma porta dos fundos. Se você abrir a porta dos fundos que dá para o telhado, há uma escada estreita que desce.
Yeonwoo abriu a porta com cuidado e saiu, agarrando o corrimão da escada íngreme e estreita e descendo. Normalmente, ele teria medo de perder o apoio, mas agora não sentia nada. Estava apenas cheio do pensamento de sair de lá o quanto antes.
Então, houve um bam! e o som de uma porta enferrujada abrindo por trás. Sobressaltado, Yeonwoo se retesou e virou a cabeça.
— Hah.
Chahyun de alguma forma havia notado e estava indo atrás dele.
Ele não viu Yeonwoo, que estava descendo a escada, e olhou para cima, para o caminho que levava ao telhado.
Nesse meio-tempo, Yeonwoo desceu até o primeiro andar e chegou ao chão.
— Hong Yeonwoo! Por que você não vem aqui?
Chahyun, que descobriu Yeonwoo com atraso, gritou de cima. Diferente de Yeonwoo, ele desceu a escada íngreme a passos largos, pulando três ou quatro degraus por vez.
Yeonwoo começou a correr pelo beco como louco.
Ainda assim, ele conhecia bem o caminho porque havia se hospedado nessa hospedagem por um dia. Yeonwoo correu na direção do lado com o máximo de pessoas possível. Assim, seria difícil para Chahyun encontrá-lo na multidão.
— Ah, o quê.
— Desculpe.
Enquanto corria sem pensar, ele entrou no centro da área central da cidade. O beco, onde os letreiros iam se acendendo um por um conforme o sol começava a se pôr, estava apinhado de gente que havia saído para jantar. Era o lugar perfeito para se esconder.
Ele deveria se misturar aqui e entrar num café que aparecesse.
Os passos de Yeonwoo desaceleraram gradualmente conforme ele se sentia aliviado por ter escapado de Chahyun em segurança.
Então sentiu o celular vibrar no bolso. Só agora havia percebido que vinha recebendo chamadas há um tempo. Quem ligava era, claro, Chahyun.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna