Episódio 16
Finalmente, Chahyun adormeceu. Yeonwoo se ergueu da cama, seu corpo uma bagunça de fluidos corporais.
Ele havia colocado dois comprimidos para dormir na bebida de Chahyun, mas, durante toda a sessão de sexo, Chahyun não deu nenhum sinal de adormecer, fazendo-o pensar que não estavam funcionando. Ele se perguntou se deveria remarcar ou pensar em outro plano.
Então, depois do terceiro clímax, Chahyun, que vinha abraçando a cintura de Yeonwoo e fechando os olhos brevemente, começou a respirar de forma regular.
Levou mais tempo do que o esperado, mas, considerando que Yeonwoo sempre apagava primeiro depois do sexo, os comprimidos definitivamente tiveram efeito.
Yeonwoo encarou Chahyun, profundamente adormecido no sofá, por um instante antes de se limpar e se vestir. Então, entrou no quarto e enfiou o celular, os cartões, o documento e algumas mudas de roupa na mochila.
Por fim, depois de pegar um boné e uma máscara, Yeonwoo terminou de se preparar para sua fuga rápida.
Agora, só restava sair. Antes de deixar o apartamento, Yeonwoo conferiu mais uma vez se Chahyun ainda estava dormindo.
Seu rosto de linhas bem definidas era vagamente visível na escuridão, os olhos pacificamente fechados. Os comprimidos para dormir devem ter sido bem fortes, já que a respiração de Chahyun não vacilou nem depois de Yeonwoo ter circulado pela casa por vários minutos.
Yeonwoo encarou Chahyun, que parecia tão pacífico ao contrário do seu próprio interior caótico, por um tempo antes de finalmente ser atraído para o seu lado.
Ele queria ver Chahyun uma última vez.
— ……
Então, é assim que a gente acaba.
Seu peito ficou quente. Ele odiava Chahyun por escolher outra pessoa e abandonar os quatro anos que passaram juntos, mas concluiu que a culpa era dele mesmo e que era certo deixá-lo ir.
“Adeus.”
Yeonwoo articulou em silêncio. E então, conforme se virava.
— Hong Yeonwoo?
A voz profunda de Chahyun ecoou pela sala.
Sobressaltado, Yeonwoo congelou. Chahyun estava apertando os olhos, olhando para cima, para Yeonwoo.
— Onde você vai?
Que droga. Ele tinha que sair de lá rápido.
Yeonwoo se virou às pressas.
Tum!
Mas, assim que deu um passo, seu braço foi agarrado. Chahyun, que havia caído do sofá, agarrou Yeonwoo rapidamente mesmo em seu estado sonolento.
Enfraquecido pelos comprimidos para dormir, ele ergueu o olhar para Yeonwoo com olhos surpresos, ao ver Yeonwoo carregando uma mochila e tentando sair de casa.
— Onde você pensa que vai, Hong Yeonwoo!
— Solta.
Em pânico, Yeonwoo sacudiu o braço que estava agarrado. Normalmente ele não teria se movido, mas o braço e o tronco de Chahyun balançaram bastante por causa dos efeitos do medicamento.
O movimento foi tão violento que o boné que Yeonwoo usava caiu no chão.
— Porra, o que é isso. Por que meu corpo…
Yeonwoo tinha certeza de que conseguiria se livrar de Chahyun se tentasse mais algumas vezes.
— Solta!
— Não, você não pode ir.
Chahyun cerrou os dentes e continuou agarrado. Mas, quando Yeonwoo o empurrou com toda a força, sua mão finalmente perdeu a pegada.
Apanhando rapidamente o boné do chão, Yeonwoo correu em direção à porta da frente.
— Hong Yeonwoo!
O som de um estrondo ecoou pela sala de novo. Chahyun, que se apoiava com dificuldade nos braços, conseguiu agarrar o tornozelo esquerdo de Yeonwoo.
Seu pé, que estava a ponto de dar um passo à frente, ficou preso, e Yeonwoo perdeu completamente o equilíbrio e caiu. Era o mesmo desenrolar da última vez.
Não. Se ele fosse pego assim, seria realmente o fim.
Todos os nervos de Yeonwoo foram consumidos pelo medo.
— Ah!
Yeonwoo se debateu com toda a força, mas Chahyun não soltou o tornozelo que havia agarrado, mesmo sendo atingido pelos membros de Yeonwoo que se agitavam.
— Está doendo! Está doendo, Baek Chahyun!
Yeonwoo gritou, soluçando como se estivesse tendo uma convulsão. Então, Chahyun se sobressaltou e reflexivamente soltou a pegada por completo.
— Ah, desculpa…
Nessa brecha, Yeonwoo conseguiu se levantar. No breve momento em que se levantou, Chahyun tinha um olhar estranho no rosto que ele nunca havia visto antes. Era próximo de uma expressão assustada.
— Huf.
Assim que Yeonwoo calçou os sapatos, abriu a porta da frente. Atrás dele, ele podia ouvir Chahyun, que agora se erguia com dificuldade apoiando-se na mesa.
Antes que ele pudesse alcançá-lo, Yeonwoo correu como louco pelo corredor.
— Hong Yeonwoo!
— Haa, haa.
— Hyung! Não vá, por favor. Yeonwoo hyung!
O som dele chamando ecoou por todo o corredor, mas logo a porta da frente se fechou e o som foi completamente cortado.
Apenas a respiração pesada de Yeonwoo e o som de seus passos na escada restaram no corredor.
Ele escapou. Ele realmente conseguiu.
Como esperado, não havia ninguém guardando a frente do prédio. Agora, ninguém podia parar Yeonwoo.
Yeonwoo, que havia saído correndo do condomínio num instante, moveu as pernas sem descanso.
— Haa, ha. Hoo…
O alívio e a sensação de libertação eram os maiores, mas a culpa remanescente pesava em seus passos. Ele estava incomodado com a expressão de Chahyun, que ficou extremamente assustado por ter machucado seu tornozelo de novo.
…Bobo. Foi o pé esquerdo, perfeitamente bem, que foi agarrado.
A voz que o chamou com desespero até o fim ainda ecoava em seus ouvidos, mas ele não podia voltar agora.
* * *
Ele parou de correr com moderação, antes que seu tornozelo fosse forçado.
Como não pretendia usar o cartão por um tempo, Yeonwoo primeiro sacou dinheiro numa loja de conveniência perto de casa. Então, entrou na estação de metrô.
No shopping subterrâneo, que já estava aberto apesar da madrugada, ele comprou um boné e uma jaqueta novos e trocou de roupa.
Então, pegou o metrô e deixou o bairro rapidamente.
Yeonwoo estava bastante incomodado por ter fugido sem um plano. Ele não era alguém que devia estar fugindo. Ele não havia cometido nenhum crime, mas estava nessa situação porque estava fugindo do ex-namorado.
Yeonwoo, que chegou à região central da cidade, ergueu o olhar para o céu onde o sol nascia lentamente, enterrou o boné bem fundo e caminhou rápido.
Logo, ele viu letreiros vistosos de estabelecimentos de hospedagem aqui e ali nos becos. Motéis, pensões, hospedagens de longa permanência e assim por diante.
Ele tinha que encontrar um quarto para ficar por enquanto. Hotéis que exigiam documento foram excluídos primeiro, porque podiam se tornar alvo de Chahyun.
Era ilegal fornecer a identidade de um hóspede a outros, mas isso não valeria para Chahyun. Ele era o filho maknae do presidente do Grupo Heesung, afinal.
Além disso, se ele fosse o tipo de desgraçado que entendia esse bom senso, não teria de repente trancado o namorado em casa.
Então, os únicos lugares onde ele poderia ficar sem documento eram estabelecimentos precários.
Yeonwoo havia ficado em lugares assim com sua mãe bastantes vezes quando era pequeno, então sabia mais ou menos para onde tinha que ir.
— É possível ficar aqui por uma semana?
Depois de olhar em volta do beco, ele entrou num estabelecimento onde muitos diaristas pareciam se hospedar.
— Claro.
O dono, que estava jogando Go-Stop no computador do balcão, olhou de relance para Yeonwoo e respondeu com indiferença.
Yeonwoo esticou o pescoço para não parecer ingênuo. E enterrou o boné ainda mais.
— Quanto é?
— É 120 mil wons por uma semana. Um quarto com cama e janela é 150 mil wons.
— Me dê um quarto com cama.
Yeonwoo tirou dinheiro da carteira. Só então o dono, que vinha encarando o monitor todo o tempo, se virou e revirou a gaveta.
E se pedirem meu documento? Eu escolhi de propósito um lugar que não pediria.
Yeonwoo revirou os olhos, ansioso.
— Aqui, a chave.
Depois do pagamento, o dono entregou a chave do quarto sem nenhuma explicação adicional.
— Obrigado.
Yeonwoo, aliviado, recebeu a chave.
— O banheiro é compartilhado?
— Claro. A cozinha é lá.
O dono apontou grosseiramente a direção com a mão. Yeonwoo assentiu e caminhou até o corredor onde estavam os quartos.
O quarto era um espaço pequeno de menos de três pyeong. Uma cama e uma escrivaninha eram todos os móveis. O papel de parede amarelo tinha cheiro de mofo.
A coberta estava dobrada com cuidado, mas ele não sabia quando havia sido lavada.
— …Eu consigo dormir aqui?
Ele definitivamente lembrava de ter ficado em lugares assim quando era muito pequeno, mas agora não tinha certeza.
Yeonwoo suspirou ao colocar a mochila que carregava na cama.
O que Chahyun estava fazendo agora? Provavelmente havia saído para procurá-lo.
“Hyung! Não vá, por favor. Yeonwoo hyung!”
A imagem dele lutando para se levantar ficava insistindo em sua cabeça. Sentia-se desconfortável por dentro por causa da culpa.
Foi demais colocar comprimidos para dormir na bebida dele? Talvez ele tenha colocado demais.
Ele colocou dois comprimidos porque um parecia fraco… E se Chahyun tiver problemas de saúde depois?
— Ah, sério. Estou preocupado…
Yeonwoo cobriu a cabeça e suspirou. A imagem residual de Chahyun não desapareceu por um longo tempo.
⛧°. ⋆༺♱༻⋆. °⛧
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna