Episódio 18
Yeonwoo desligou sem nem olhar bem. Imediatamente, uma nova mensagem de texto chegou.
[Você é louco? Como é que um Omega dorme num lugar assim sem nenhum medo???] [Atende o telefone]
Ele devia estar chocado com o estado da hospedagem. Yeonwoo bufou uma vez e saiu da tela que exibia a mensagem.
— Ah, porra.
Não, ele estava a ponto de sair, mas Chahyun ligou naquele momento, e o botão de chamada foi apertado por acidente.
Enquanto um Yeonwoo surpreso se atrapalhava com as mãos, a voz de Chahyun explodiu pelo alto-falante.
— Ei, se você vai embora, pelo menos vá para algum lugar decente, seu desgraçado louco. O que você está fazendo num lugar que tem cheiro de podre? Você está no seu juízo? Você tem consciência de que é um Omega?
A voz áspera de Chahyun, difícil de distinguir entre ameaça e sermão, continuou sem pausa.
E por causa de quem, hein??
Yeonwoo, irritado, retrucou, mesmo podendo simplesmente desligar.
— Enquanto fujo, eu devia ir para um hotel cinco estrelas, então?
— Vai! Você não tem dinheiro? Está duro? Então usa o meu cartão, seu moleque louco, em vez de se arrastar para um lugar de merda desses com as suas próprias pernas?
— Eu sou bobo? Eu obviamente seria pego. Você usaria, se fosse eu?
— Então por que você está fugindo? Onde você está agora, Hong Yeonwoo. Me diga com jeito. Se eu te pegar, você nunca mais vai sair sem a minha permissão.
Um arrepio percorreu a espinha de Yeonwoo com o aviso baixo de Chahyun. Suor frio escorria pelas costas de Yeonwoo. Mesmo não estando na frente dele, seus ombros ficavam se encolhendo. Era ainda mais assustador agora que ele sabia que aquelas palavras eram sinceras.
— Desgraçado louco. Por que eu estou fugindo? Porque você me trancou. Porque você agiu como um filho da puta louco!
— Merda, quem disse que eu ia te trancar para sempre? Eu só ia te manter até sexta-feira, quando você tem a reabilitação.
— Como eu posso acreditar nessas palavras? E mesmo nessa situação você está falando de reabilitação… Basta, vamos parar. Não me procure. Vou desligar.
— Parar o quê? Eu não terminei, não desligue.
— A gente nem está namorando mais, então não fale comigo de forma informal. Já estou irritado porque tenho que encontrar um quarto novo por causa de você…
— Se você precisa de um quarto, reserve um lugar decente. Mesmo que encontre, por que você iria encontrar um lugar daqueles…
— É, eu vou dar conta.
— Você não sabe que esses lugares estão infestados de Alfas desgraçados loucos? Vai para um hotel, simplesmente! Ou vem para casa. Se você vier para casa agora, eu te perdoo.
Perdoar? Quem está perdoando quem? Existe um limite para quão absurdo você pode ser. É um pensamento que não poderia vir da cabeça de uma pessoa normal.
— Chahyun-ah. Você não sabe o que “vamos terminar” significa? Significa que a gente segue caminhos separados. Por que você está sendo tão teimoso? Do momento em que você escolheu esse casamento, você me traiu.
Yeonwoo, frustrado, explicou num tom desesperado sem perceber.
— Eu não vou voltar para aquela casa, e não se preocupe com onde eu estou. Eu não tenho dinheiro para hotel, de qualquer forma…
— É por isso que eu estou te dizendo para usar o meu cartão! Aquele que você tem.
Que tipo de conversa é essa? Yeonwoo passou a mão pelo rosto cansado. Baek Chahyun era um filho da puta egoísta até o fim.
Não há utilidade em tentar persuadi-lo de forma racional.
— Se eu for para um hotel, você vai me pegar. Eu vou simplesmente dormir bem entre os Alfas cheirando mal.
— Você está louco? Porra! Porra, não. Se você realmente for, eu juro que vou matar todos aqueles desgraçados.
— Vou desligar.
— Yeonwoo-yah! Hyung! Hyung, eu não vou. Eu não vou te procurar, então só dorme num hotel.
Yeonwoo pausou diante das palavras urgentes, suplicantes. Nessa brecha, Chahyun continuou rapidamente.
— Eu não vou até você me permitir, então, se você não quiser vir para casa, só fica num hotel.
Diante da voz contida, Yeonwoo imaginou a expressão que Chahyun estava fazendo. Aquela hospedagem era realmente tão ruim assim?
Se você ia fazer tanto escândalo, por que simplesmente não deixou de se casar?
Essas palavras rodaram em sua garganta.
— Baek Chahyun.
No entanto, o que de fato saiu da boca de Yeonwoo foi outro assunto.
— …Me desculpe por ter te forçado a tomar comprimidos para dormir.
Na verdade, no momento em que atendeu o telefone, ele queria dizer essas palavras primeiro. Talvez fosse por isso que ele vinha suportando e respondendo às palavras teimosas de Chahyun até agora.
— Você…
Ele estava a ponto de perguntar se houve algum problema com seu corpo, se ele havia ido ao hospital.
— Te peguei.
Uma mão de repente se esticou por trás e agarrou o braço de Yeonwoo. Uma pegada familiar.
Conforme Yeonwoo virava a cabeça em choque, ele viu Chahyun, ofegante.
— Você…
Antes que ele pudesse nem abrir a boca, Chahyun abraçou Yeonwoo. Abraçou, não, “foi abraçado” era uma expressão mais apropriada.
Chahyun se apertou nos braços de Yeonwoo, que era menor que ele, e pressionou seus corpos juntos sem nenhuma fresta.
Surpreso demais, Yeonwoo levou alguns segundos só para captar a situação.
— Me diga essas coisas olhando direto para mim.
Chahyun abraçou Yeonwoo, que estava com os olhos arregalados e rígido, sem se mover nada, com força, e sussurrou.
— Como você chegou aqui… não. Solta.
Ele vinha o perseguindo enquanto falava no telefone? Ele não podia ouvi-lo ofegante, então não pensou que ele estivesse o seguindo.
— Você está machucado em algum lugar?
Chahyun, saindo dos braços de Yeonwoo, apalpou seu rosto e suas mãos, conferindo seu estado com minúcia.
— Não.
Assim que percebeu que estava sendo tocado, Yeonwoo empurrou sua mão, sentindo uma onda repentina de náusea.
— Se você fosse fugir, não devia ter baixado a guarda até o fim.
Chahyun agarrou a mão de Yeonwoo com ainda mais força, como se nunca mais fosse soltá-la. Yeonwoo varreu os arredores com olhos ansiosos, como se pedisse ajuda.
No entanto, nenhuma das muitas pessoas que passavam pelo beco prestou atenção a Chahyun e Yeonwoo. Como era uma área densamente cheia de bares, casais de pé bem juntos eram comuns.
Mesmo se ele gritasse por ajuda ali, Chahyun conseguiria arrastá-lo com facilidade.
E, quanto mais ele tomava consciência dessa realidade, mais náusea sentia dentro do peito.
— Você não parece estar machucado em nenhum lugar. Eu confiro o seu tornozelo depois, quando a gente chegar em casa.
— …Solta. Você disse que não ia me pegar. Você prometeu claramente.
Chahyun ignorou as palavras de Yeonwoo e fez um gesto para alguém. Logo, um homem à paisana se aproximou.
— Traga o carro aqui.
— Dizem que já está a caminho.
Assim que o homem terminou de falar, um sedã familiar se enfiou no beco. Chahyun, que havia subjugado com facilidade o Yeonwoo que se debatia, abriu a porta do carro ele mesmo.
Com uma mão impedindo-o de usar os braços, ele agarrou os dois pulsos de Yeonwoo e, com a mão restante, enlaçou o braço em volta de sua cintura e o empurrou para o assento de trás.
Conforme uma parte de seu corpo foi contida, a ameaça arrepiante de Chahyun passou por sua cabeça num flash.
“Se eu te pegar, você nunca mais vai sair sem a minha permissão.”
Ao mesmo tempo, um arrepio subiu pela nuca.
— N-Não, eu não quero, me solta…
Yeonwoo implorou, distorcendo a expressão. Chahyun retrucou com frieza.
— Entra. Eu sei que você está a ponto de entrar no ciclo de cio.
A pegada em seu pulso parecia ser amarrada por cordas grossas, sem conseguir se mover. O medo de que não conseguiria escapar pela própria vontade, não importava quanto se debatesse, o dominou.
Em seguida, a mesma impotência que ele sentiu quando estava preso no officetel se abateu sobre ele. A solidão que ele sentiu enquanto encarava sem fim a porta que não se abria, tudo isso reviveu de forma vívida.
Não. Eu não quero ser preso de novo.
Aquela frase desesperada relampejou em sua cabeça. Seu coração batia rápido, e sua visão estava tonta.
“Se você se casar, você tem que morar com aquela mulher, não é?”
“A gente decidiu morar separado. Vai haver uma casa onde nominalmente moramos juntos, no entanto.”
“…Entendi.”
“É um casamento arranjado. Um casamento que eu estou fazendo porque é necessário.”
Então e eu, depois que você se casar? O que acontece comigo? Por que você está me forçando a tolerar isso? Quem você é para mim…?
“Não sei agora, mas com uma cara de raposa dessas, ele é provavelmente um Omega, né?”, “Então ele vai seguir o destino da mãe.”, “Olha aquele pequeno já andando com a cabeça erguida. Igualzinho ao filho daquela vagabunda.”
Yeonwoo encolheu o pescoço com os cochichos que pareciam estar sussurrando em seu ouvido. As vozes frias e os olhares afiados que se haviam dispersado no passado ficaram mais nítidos do que o necessário.
Ele quis tapar os ouvidos. Não, quis cobrir o rosto. Mas estava preso por Chahyun e não podia fazer nada.
— Baek Chahyun, você prometeu! Você disse que não ia vir me pegar!
Chahyun se sentou lado a lado no assento de trás com Yeonwoo. Conforme o carro começou a se mover, Yeonwoo gemeu e gritou.
— Devemos retornar imediatamente à sua residência?
Como se não pudesse ouvir os gritos de Yeonwoo, o motorista perguntou a Chahyun.
— Não. Eu não vou! Se eu for lá, você vai me trancar de novo. Me… me solta.
Conforme a voz de Yeonwoo foi se apagando gradualmente, Chahyun soltou a força que apertava seu pulso.
— Feliz agora?
Yeonwoo se sentiu sufocado ao encarar o interior estreito e apertado do carro. Mesmo não havendo mais nenhuma força o pressionando, parecia que seu peito estava sendo esmagado.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna