Episódio 158
Epílogo 3── ⋆⋅☆⋅⋆
Eles recuaram, querendo evitar deixá-lo desconfortável, e esperaram que Yeonwoo processasse a situação.
— Por que o senhor advogado e o gerente financeiro estão aqui tão de repente…? Pensei que o Chahyun estivesse na empresa.
— Por favor, desculpe nossa visita repentina. Temos documentos importantes para entregar ao senhor Hong Yeonwoo hoje, então não tivemos escolha a não ser vir até a sua casa. Importa-se de conversarmos dentro do carro por um momento?
O advogado, estendendo seu cartão de visitas, apontou para um carro prata estacionado em frente ao prédio.
Yeonwoo, completamente atônito, alternou o olhar entre os dois homens por um longo tempo. Em seguida, examinou com cuidado o cartão de visitas que acabara de receber.
— Só um momento. Então… isto é…
Yeonwoo folheou os grossos documentos colocados à sua frente, incapaz de pronunciar uma palavra sequer por alguns instantes. As informações que recebeu eram tão chocantes que ele não conseguia se concentrar nas palavras impressas nas folhas que segurava.
— Sim. Por favor, leve o tempo que precisar.
O gerente financeiro, sentado ao lado de Yeonwoo no banco de trás, esperou pacientemente e acrescentou:
— Está me dizendo que todos estes são documentos de propriedades sendo transferidas para o meu nome?
— Estes documentos incluem ações, fundos fiduciários e imóveis.
— Mas, não…
Yeonwoo, desistindo após tentar decifrar o conteúdo complexo, franziu a testa como se estivesse sentindo tontura.
— Eu nunca concordei com essa transferência?
Yeonwoo apontou o ponto mais crucial primeiro.
— ……
— ……
Nesse ponto, tanto o advogado, representante de Chahyun, quanto o gerente financeiro mantiveram silêncio. O fato de não conseguirem explicar o questionamento levantado por Yeonwoo significava que a transferência não havia sido realizada apenas por meio de procedimentos legítimos.
Ele não sabia como aqueles documentos haviam sido concluídos sem o consentimento da parte receptora, mas, considerando incidentes semelhantes no passado, não era algo impossível para Chahyun.
— Imaginamos que o senhor precise de mais tempo para revisar os documentos. Se tiver alguma dúvida ou não entender algo durante a leitura, por favor, entre em contato pelo número no cartão de visitas.
— Posso devolvê-los?
Yeonwoo deixou de lado os papéis que comprovavam a transferência de ativos colossais para o seu nome sem o seu consentimento e fez a pergunta que mais lhe intrigava.
Aquilo não era apenas um prédio ou uma casa sendo transferidos, como acontecera antes; tratava-se claramente de uma fatia expressiva do patrimônio pessoal de Chahyun sendo passada para Yeonwoo.
Naturalmente, Yeonwoo não tinha a menor intenção de aceitar aquilo de bom grado. Ele já queria ter devolvido o que Chahyun lhe dera anteriormente, mas aquilo era demais.
— Perdão?
— Tudo isso era do Baek Chahyun, não era? Posso simplesmente devolver para o Baek Chahyun do jeito que está?
O gerente financeiro assentiu como se já previsse a pergunta.
— A devolução por parte do beneficiário não é impossível, mas a retransferência acarretará impostos.
— Quanto?
— 40% do valor transferido. Naturalmente, haverá algumas deduções, mas a diferença não será significativa devido ao volume.
— 40%?
Por um segundo, Yeonwoo achou que tivesse entendido errado. Mas o gerente financeiro assentiu, confirmando que seu entendimento estava correto.
Espera. O que está acontecendo? Isso significa que eu teria que pagar quase metade disso em impostos.
Se Baek Chahyun já havia pago os impostos e transferido para o nome dele sem o seu consentimento, o montante total de dinheiro que sairia do seu bolso em taxas caso devolvesse tudo seria considerável.
Quanto mais pensava, mais sua cabeça latejava. Ele tinha muitas perguntas, mas estava confuso demais para saber por onde começar.
Embora não compreendesse absolutamente nada daquela situação, Yeonwoo mandou os representantes e o gerente financeiro embora em vez de perder mais tempo com eles, e ligou imediatamente para Chahyun.
— Alô.
— Volte para casa agora mesmo.
Yeonwoo resmungou brevemente em vez de perguntar sobre o motivo da notícia que acabara de receber. Houve silêncio do outro lado da linha por um instante.
— Estarei aí em uma hora.
Chahyun respondeu com calma, como se soubesse por que Yeonwoo estava ligando, e desligou em seguida.
Então, todo tipo de pensamento invadiu sua mente sem ordem alguma.
O que devo fazer? Isso tem a ver com o fato de o Chahyun estar chegando tarde porque estava ocupado? O que diabos o Baek Chahyun tem na cabeça…?!
— Uau.
Após voltar para casa e segurar Seoyun nos braços, Yeonwoo permaneceu perdido em pensamentos por um longo tempo, fazendo o garotinho se contorcer desconfortável.
— Ah, desculpa. Ficou desconfortável?
— Awoo woong.
— Precisa trocar a fralda, Seoyun?
— Woowo?
A fralda que ele checou às pressas felizmente ainda estava limpa. Seoyun parecia impaciente e, assim que foi colocado de volta no chão, começou a engatinhar rapidamente pela sala de estar.
Yeonwoo afastou os pensamentos complexos e preparou a comida de bebê para Seoyun. Enquanto almoçava tardiamente com o garotinho e começava a recolher a louça, o som da fechadura eletrônica sendo destravada ecoou.
Yeonwoo colocou Seoyun, que cochilava de barriga cheia, na cama e virou-se de imediato.
— Chegou? Baek Chahyun, o que diabos…!
Yeonwoo foi rapidamente até a porta da entrada para tirar satisfações sobre o que acontecera mais cedo. Ele estava prestes a abrir a boca para reclamar dos documentos intermináveis e da fortuna absurda transferida para o seu nome, mas, ao cruzar o olhar com Chahyun, foi forçado a paralisar.
— O que houve com o seu rosto?
Um curativo grande, que nunca tinha visto antes, cobria a maçã do rosto de Chahyun, a quem via direito pela primeira vez em quatro dias. Além disso, havia hematomas arroxeados ao redor de seu queixo. A mente de Yeonwoo apagou por um momento.
— Hã? Como você se machucou? Quem fez isso?
Yeonwoo esqueceu o que pretendia dizer originalmente, segurou o rosto de Chahyun e o bombardeou com perguntas.
— Vai castigar a pessoa se eu contar?
— Não brinque com a situação e me diga logo o que aconteceu.
— Meu pai me bateu.
— O… o presidente-nim?
Yeonwoo gaguejou involuntariamente quando uma pessoa inimaginável saiu da boca dele. Ao mesmo tempo, sua mente disparou. O que Chahyun poderia ter feito para apanhar do presidente Baek?
— Por que… espera. Não me diga que…
Yeonwoo franziu a testa e encarou Chahyun como se estivesse perplexo.
— Você nem contou aos seus pais sobre isso?
— É claro que não.
— Há.
Era de uma cara-de-pau inacreditável, mas a afirmação de Chahyun de que era óbvio não estava errada. Pais nenhuns concordariam facilmente com o filho solteiro transferindo uma fatia expressiva de seus bens para um completo estranho. Logo, é claro que ele não revelaria nada.
Se ele havia agido pelas costas daquela maneira e sido pego no pulo, era algo pelo qual merecia mesmo uns tapas.
— Seu pirralho louco.
— Hyung, o Seoyun está ouvindo.
— Haa. Você… eu vou ficar louco de verdade.
— E então, qual é a sua impressão?
— Impressão? É isso que você me pergunta agora? O que diabos estava passando pela sua cabeça…!
Yeonwoo ficou sem palavras diante da nonchalance de Chahyun. Estava furioso por ele ter tomado uma decisão daquela magnitude sem sequer consultar sua opinião. Poderia pelo menos ter conversado com ele primeiro.
Além disso, Yeonwoo jamais desejara compensações materiais ao namorar Chahyun. Sentia como se todos os seus sentimentos tivessem sido ignorados e julgados de forma arbitrária, além de achar desagradável a impressão de que o outro tentava resolver os conflitos entre eles na base do dinheiro.
— Quem… quem foi que te pediu dinheiro? Eu não preciso disso, então recolha tudo de volta.
— Me desculpe por ter resolvido sem perguntar. Mas havia um motivo.
— O motivo de dizer que estava ocupado com o trabalho também era mentira para esconder seu rosto machucado?
Yeonwoo fuzilou o rosto machucado de Chahyun com o olhar e esbravejou.
— Achou que alguém aceitaria isso feliz e diria muito obrigado? Eu não preciso de nada disso, leve de volta! E…!
— Uaaaaa!
Yeonwoo, que repreendia Chahyun, interrompeu-se ao ouvir o choro da criança. Diferente de Yeonwoo, que se assustara e congelara por um instante, Chahyun agiu com rapidez e pegou Seoyun no colo.
— O Seoyun deve ter tomado um susto. Não chore, desculpa.
Chahyun deu tapinhas nas costas do garotinho, consolando-o. Yeonwoo, recuperando a lucidez, acalmou a própria respiração e mordeu o lábio.
— Uaaaaaa!
Mesmo que a discussão entre os dois tivesse cessado rapidamente, Seoyun não parou de chorar com facilidade — provavelmente porque ficara muito assustado com os gritos de Yeonwoo, que ouvira pela primeira vez na vida.
Lágrimas brotaram rapidamente em seus olhos, escorrendo por suas bochechas macias até o queixo. Chahyun, sem saber o que fazer, limpou as lágrimas com o dorso da mão.
Yeonwoo, que raramente vira Seoyun chorar de forma tão sofrida ultimamente, também estava desnorteado. No momento em que viu o rostinho vermelho do garotinho, que abraçava o pescoço de Chahyun com força e tremia o corpinho, percebi que havia perdido a cabeça e alterado o tom de voz demais, sentindo uma culpa imediata.
Yeonwoo, controlando suas emoções, apressou-se em pegar um lencinho para secar as bochechas molhadas de Seoyun. Em seguida, tomou a criança dos braços de Chahyun e começou a niná-lo.
O pranto, que parecia irrefreável, logo diminuiu com o carinho de Yeonwoo. Seoyun, que se debatia nos braços de Yeonwoo, ergueu a cabecinha e encarou o rosto dele, como se quisesse verificar se a raiva do papai já havia passado.
— Já terminou de chorar?
— Woong…
Seoyun, que fitava o rosto de Yeonwoo, logo abriu um sorriso e acompanhou o movimento quando Yeonwoo sorriu de volta, fazendo uma careta brincalhona para animá-lo.
Yeonwoo soltou um suspiro de alívio ao ver a risada cristalina do bebê se espalhar pelo ambiente. Ao cruzar o olhar com Chahyun, esqueceu a raiva que sentia até segundos atrás e balançou a cabeça sem conter um riso soprado e suave.
Diante disso, Chahyun aproximou-se um pouco mais e inclinou-se para beijar o topo da cabeça de Seoyun.
Os documentos que o representante de Chahyun havia lhe entregado ainda jaziam espalhados de qualquer maneira no chão, mas nenhum dos dois prestou atenção neles naquele momento.
✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna