Episódio 157
Epílogo 2── ⋆⋅☆⋅⋆
E, assim como Yeonwoo temia no início, a casa atual era pequena demais para três pessoas morarem juntas.
No entanto, Yeonwoo parecia ser o único a pensar assim; Chahyun e Seoyun não pareciam ter nenhuma reclamação. Os dois eram inseparáveis, vivendo sempre grudados.
Chahyun era sempre extremamente paciente quando se tratava de Seoyun. Mesmo quando ele estava teimoso, chorando ou fazendo manha, ele não entrava em pânico e tentava descobrir o motivo. Morando juntos, Yeonwoo percebeu que ele era definitivamente muito mais meticuloso com os cuidados da criança do que ele próprio. Talvez por isso, com o passar do tempo, Seoyun passou a seguir ainda mais Chahyun.
Ele sentia um pouquinho de ciúme por causa disso, mas, por outro lado, sentia-se aliviado. Era visível nos olhos de Yeonwoo que ele cuidava de Seoyun com genuíno afeto.
Dessa forma, Chahyun integrou-se naturalmente à rotina diária de Yeonwoo e Seoyun como se sempre tivesse estado ali.
Certa madrugada tardia, Yeonwoo acordou com a garganta seca e uma sensação intensa de sede. Ao mesmo tempo, sentiu a respiração e o peso de Chahyun enquanto estava enroscado em seu corpo.
Piscando os olhos, Yeonwoo esperou sua visão se acostumar com a escuridão e, depois de um momento, removeu cuidadosamente o braço de Chahyun de sua cintura. Com isso, o homem se mexeu um pouco, mas não acordou, continuando a respirar de forma uniforme.
Tendo saído do quarto sozinho com sucesso, Yeonwoo seguiu para a cozinha.
Cada parte de seu corpo estalava como uma engrenagem enferrujada. Sob a luz fraca da cozinha, as marcas vermelhas que Chahyun havia deixado na pele de Yeonwoo ficaram expostas.
“Droga, porra. Hong Yeonwoo.”
“Haa, ah. Euh…”
“Shh. Fala baixo.”
Na noite anterior, ele havia mordido o lábio o tempo todo para conter os gemidos que estavam prestes a escapar, então a área ao redor de sua boca estava ressecada. Sua garganta também estava meio fechada e arranhando.
Yeonwoo pensou que demoraria um pouco mais até que voltasse a ter intimidade com Chahyun, mas aquilo fora um grande engano. Quando se cria um filho, acaba-se aproveitando qualquer momento livre para tudo.
O sexo não era exceção. Seu corpo estava em brasa o dia todo, e eles não podiam simplesmente deixar a oportunidade passar enquanto vigiavam o momento certo após a criança finalmente adormecer. Assim que tinham um tempo livre, os dois se atracavam como se tivessem combinado.
Yeonwoo relembrou os eventos secretos e lascivos de algumas horas antes e serviu-se de um copo de água morna. Em seguida, verificou se Seoyun estava dormindo bem no berço na sala de estar.
Depois de matar a sede, olhou o celular por um momento quando ouviu um baque vindo de dentro do quarto. Imediatamente, a porta do quarto se abriu com ímpeto e Chahyun saiu correndo.
— Hong Yeonwoo, Yeonwoo hyung?
— Por quê? O que aconteceu?
Surpreso, Yeonwoo correu até Chahyun e perguntou. Chahyun, que vinha tateando o caminho no escuro, parou abruptamente assim que encontrou Yeonwoo.
— Ah.
— Chahyun-ah?
Yeonwoo chamou o nome de Chahyun com cuidado. Ele podia sentir o outro homem respirando pesadamente.
— Haa, eu acordei e você não estava do meu lado. Pensei que você tivesse desaparecido…
— Por que eu desapareceria?
— ……
— Eu saí para beber água.
— Entendo…
Chahyun soltou um suspiro profundo em seguida e esfregou o rosto rudemente. Yeonwoo encarou em silêncio o rosto de Chahyun, parcialmente submerso na penumbra. Ele estendeu a mão e tocou o rosto do homem com cuidado; já havia suor frio em sua testa.
Yeonwoo pensou que ele pudesse ter tido outro pesadelo. Chahyun frequentemente se revirava durante o sono, verificando compulsivamente se Yeonwoo estava ao seu lado.
Depois de examinar Chahyun por um momento, Yeonwoo segurou o braço dele e o conduziu de volta ao quarto.
— Venha aqui.
Em seguida, deu tapinhas na cama, mandando-o deitar ao seu lado. Só então Chahyun liberou a tensão de seu corpo rígido e aninhou-se no flanco de Yeonwoo. Ele não pensou em seu próprio tamanho e encolheu-se como se estivesse amassando o próprio corpo, aconchegando-se nos braços estreitos de Yeonwoo.
O ferimento no pescoço de Chahyun agora estava quase curado. Recentemente, ele não havia se machucado nem tomado supressores. Ele também não tratara Yeonwoo de forma violenta, como Yeonwoo temia; apenas verificava obsessivamente se Yeonwoo estava ao seu lado. Exatamente como agora.
Enquanto afagava as costas dele e se perdia em pensamentos, Yeonwoo de repente percebeu que o ambiente estava impregnado com os feromônios de Chahyun. Os rastros eram ainda mais fortes porque a casa era pequena. No cobertor, no armário, na cozinha, no sofá. Ele podia sentir Chahyun em todos os lugares.
“Talvez haja alguma vantagem em a casa ser pequena.” Não, pensando bem, ela não era tão pequena assim. Aquele tamanho era perfeito para a nossa pequena família de três.
No entanto, esse pensamento não durou muito. Com o passar do tempo, a quantidade crescente de bagagem de Seoyun e os documentos de trabalho de Chahyun tornaram o apartamento de dois cômodos, que já era pequeno, ainda mais apertado e complicado. As compras de supermercado e o consumo duplicado de itens essenciais do dia a dia também contribuíram para isso.
Apesar disso, Yeonwoo ainda era o único que se sentia desconfortável com o espaço exíguo. Chahyun não parecia ter a menor reclamação sobre morar em um lugar muito menor do que seu apartamento original.
Mesmo assim, “será que não deveríamos nos mudar logo?” Yeonwoo vinha matutando muito sobre isso ultimamente.
Na verdade, ele tinha o edifício que recebera de Chahyun, e o dinheiro na conta bancária onde o aluguel se acumulava era considerável, então não seria difícil encontrar uma nova casa.
Ele não se dera ao trabalho de pesquisar direito porque achava que o dinheiro não era dele, mas agora que Chahyun estava morando com ele, não teria problema usar um pouco do que o outro lhe dera, não é? Assim que terminou de racionalizar, o plano de mudança tomou forma gradualmente.
— Acho que vou chegar tarde esta semana porque tenho muito trabalho, então não me espere e vá dormir primeiro. Mandarei alguém buscar o Seoyun separadamente.
Enquanto se preocupava com a nova casa, Yeonwoo recebeu esse aviso de Chahyun. Yeonwoo, que estava preparando o café da manhã para os três na cozinha, franziu a testa.
— Hora extra? Quão ocupado você está?
— O trabalho acumulou de repente. Também há reuniões contínuas por vídeo com as filiais no exterior.
— Você não recebeu alta há tanto tempo, não está exagerando demais?
— Tenho que lidar com o atraso de quando estive afastado, então não tem jeito.
Chahyun deu de ombros. Por alguma razão, ele reagiu como se fosse a coisa mais natural do mundo estar mais ocupado do que o habitual.
— A que horas você sai do trabalho?
— Vou ter que ver como as coisas vão desenrolar.
— Woong?
Seoyun inclinou a cabeça, ouvindo a conversa entre Chahyun e Yeonwoo. Chahyun, que o estava vestindo com uma roupa colorida com bordados de flores para ir à creche, sorriu para os olhos arregalados de Seoyun. Em seguida, acariciou a cabeça dele como se fosse a coisa mais fofa do mundo.
Yeonwoo relutantemente disse que entendia porque era trabalho, mas não pôde deixar de se preocupar com o fato de Chahyun estar se esforçando demais logo após a alta.
Naquele dia, como havia avisado com antecedência, Chahyun voltou para casa tarde da noite. Yeonwoo, exausto por ter cuidado de Seoyun sozinho pela primeira vez em muito tempo, não conseguiu esperar por ele e acabou adormecendo primeiro.
Ele se lembrava vagamente de Chahyun subir na cama e beijá-lo na bochecha, mas trocou algumas palavras ainda meio dormindo e apagou de novo sem sequer ver o rosto do outro direito.
Quando acordou na manhã seguinte, Chahyun já havia saído para trabalhar.
— Baek Chahyun?
Assustado, Yeonwoo tateou a cama e se levantou, mas, por alguma razão, o calor que sempre ocupava seu lado estava friamente ausente.
[Tive que sair cedo por causa de uma reunião matinal urgente]
[Desculpa]
Olhando para a mensagem de texto deixada em seu celular, parecia que ele havia saído cedo por causa do trabalho.
— O que é isso…
Yeonwoo esfregou os olhos e resmungou em vão na cama onde fora deixado sozinho.
A casa era tão pequena que ele planejara se mudar, mas tudo fora por água abaixo quando Chahyun ficou ocupado, fazendo com que Yeonwoo e Seoyun passassem vários dias sozinhos.
Chahyun mantinha uma rotina de chegar tarde e sair cedo, então quase não havia chance de eles se cruzarem. Yeonwoo tentou acordar várias vezes quando Chahyun chegava, mas não era fácil, pois ele era responsável pelos cuidados de Seoyun além do trabalho no café.
Quando Chahyun faltava na casa que já era cheia, o vazio parecia grande demais. Quando a rotina de levar Seoyun com ele para fechar o café foi temporariamente suspensa, o trajeto de volta para casa pareceu solitário demais. Parecia que ele já havia se adaptado à rotina agitada de uma família de três pessoas.
Chahyun sugeriu contratar uma babá em vez de ele chegar tarde, mas Yeonwoo recusou. Era apenas uma questão de consumo de energia, e não de falta de tempo para cuidar de Seoyun a ponto de precisar contratar alguém.
Aquele foi o dia em que ele completou exatamente quatro dias sem ver o rosto de Chahyun direito.
Yeonwoo fechou o café no mesmo horário de costume. Seoyun seria levado direto para casa da creche pelo secretário de Chahyun, então Yeonwoo foi para casa sozinho de transporte público naquele dia.
Assim que estava prestes a chegar em casa, Yeonwoo de repente se deparou com dois estranhos. Eles se aproximaram de Yeonwoo, que estava prestes a entrar no prédio, e se apresentaram educadamente.
— Olá, Hong Yeonwoo-ssi. Sou Shin Dongguk, advogado, representante do chefe de departamento Baek Chahyun. E esta é Lee Heeyeong, a pessoa encarregada das finanças.
— Sim…?
Yeonwoo, que olhava alternadamente para as duas pessoas que haviam aparecido de repente, deu um passo para trás sem perceber. Ele tinha más lembranças de estranhos aparecendo de surpresa. Mesmo que fossem pessoas enviadas por Chahyun.
✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna