Episódio 156
Epílogo 1── ⋆⋅☆⋅⋆
E assim, os três seguiram para casa juntos, mas havia uma coisa que Yeonwoo havia deixado passar.
— Devo deixar a bagagem aqui mesmo?
Após chegarem em casa, Chahyun colocou a pequena bagagem que trouxera na sala de estar. Yeonwoo o observou e assentiu com um segundo de atraso. Em seguida, olhou ao redor do apartamento de dois cômodos onde vinha morando com Seoyun, sentindo que o espaço em que vivia de repente se tornara apertado após a entrada de Chahyun com suas coisas.
Só então Yeonwoo percebeu que aquela casa era pequena demais para os três viverem juntos.
Antes, Chahyun costumava ir visitá-los, cuidar de Seoyun por um tempo e depois ir embora, mas fazer com que ele trouxesse sua bagagem e passasse a morar ali permanentemente era uma história completamente diferente.
“Será que fui precipitado demais ao pedir para ele morar comigo?”, pensou Yeonwoo, quando Chahyun falou de novo.
— Devo dormir no sofá?
Ele se deitou no sofá, encolhendo o corpo, e olhou para cima, encarando Yeonwoo.
Yeonwoo balançara a cabeça imediatamente. Chahyun estivera hospitalizado até pouco tempo atrás. Além disso, o sofá daquela pequena sala de dois cômodos era pequeno demais para ele esticar as pernas e dormir confortavelmente.
— …É claro que você deve dormir na cama.
Portanto, Yeonwoo não teve escolha senão dar essa resposta.
Chahyun sorriu como se já esperasse por isso e replicou: “Sério?” Yeonwoo assentiu com uma expressão um pouco preocupada.
— É só essa a sua bagagem?
— É.
A bagagem de Chahyun consistia apenas em algumas roupas dentro de uma bolsa de viagem e dispositivos eletrônicos, como um notebook.
Antes mesmo de desocupar a bolsa direito, ele pegou Seoyun familiarmente no colo e foi para a cozinha preparar a comida de bebê.
— Kyaa, kyaak!
Seoyun ficou animado e se debateu nos braços de Chahyun. Não era para menos, afinal, ele estava radiante por ver de volta o Chahyun a quem tanto esperara em frente à porta de entrada.
Quando ele afundou o rosto nas bochechas rechonchudas e no pescoço do bebê, soprando de leve, Seoyun gargalhou, jogando a cabeça para trás e dizendo que fazia cosquinha. As risadas estridentes da criança ecoaram por toda a casa.
Para evitar atrapalhar o momento dos dois, Yeonwoo preparou um café em silêncio de um lado. Depois de encher o freezer com gelo e fazer dois Americanos gelados, entregou um deles a Chahyun, que aceitou o copo.
— Obrigado.
— E o trabalho?
— Vou ter que voltar a trabalhar a partir da semana próxima.
— Você está bem?
— Como pode ver, estou ótimo.
— ……
Quando Yeonwoo o encarou com desconfiança, Chahyun tornou a falar:
— Ah. Devo tirar licença-paternidade? Até o Seoyun crescer um pouco mais…
— Não, do que você está falando? Não foi isso o que eu quis dizer. Não há necessidade disso.
Chahyun assentiu, sem graça diante da recusa firme de Yeonwoo. Em seguida, Yeonwoo acrescentou:
— Ele já está indo bem para a creche agora, então está tudo bem. É difícil ver uma criança em casa o dia todo.
— Eu não me importo.
Ainda assim, não era não. Chahyun parecia já ter se esquecido do que havia feito ao próprio corpo. Dizer uma coisa dessas menos de um dia após ter recebido alta do hospital…
Yeonwoo balançou a cabeça de novo. Ele não devia exagerar por enquanto, e cuidar da criança em casa o dia inteiro estava totalmente fora de cogitação.
Yeonwoo dissera aquilo porque queria que Chahyun descansasse, mas ele parecia não ter a menor intenção de fazê-lo.
Ele começou a ir trabalhar alguns dias depois de ter tido alta do hospital e fazia questão de abrir um espaço à tarde para buscar Seoyun na creche. Depois, como se fosse a coisa mais natural do mundo, ia direto ao café.
Só depois de deixar os dois em casa é que ele retornava ao trabalho. Se não pudesse ir por causa de seus compromissos, sempre enviava um motorista ou o secretário.
No começo, aquele excesso de zelo parecia incômodo, mas, com o tempo, acabou se tornando natural. Yeonwoo não precisava pegar transportes públicos complicados e, acima de tudo, era muito mais tranquilo para o seu corpo.
— Yeonwoo-ssi, cheguei. Como você tem passado?
Yeonwoo, que se preparava para organizar o fechamento à medida que o horário limite se aproximava, ergueu o rosto ao ouvir a voz da florista.
— Olá. Não tenho te visto muito por aqui ultimamente. Tem estado ocupada?
— Muito. É a época, então o movimento tem sido extremo.
— Não tenho te visto na frente da loja também.
— Porque tenho ficado lá no fundo fazendo buquês e arranjos florais feito louca. Posso pedir um Americano gelado?
— Sim. Só um instante.
Assim que anotou o pedido, Yeonwoo começou a extrair um café e a encher um copo para viagem com gelo. Nesse exato instante, outra pessoa entrou no estabelecimento.
— Ainda não terminou?
Era Chahyun. Agora ele já estava habituado a ver Seoyun confortavelmente acomodado em seus braços.
— Aba!
— Chegou? Já vou terminar de limpar.
— Tem algo em que eu possa ajudar?
— Não precisa. Quer entrar e sentar um pouco?
Enquanto Yeonwoo conversava com Chahyun, a florista o encarava com os olhos arregalados, surpresa. Não era comum ver um homem tão grande de terno segurando um bebê e carregando uma bolsa de maternidade no ombro.
— Quem é este…?
A florista perguntou com um segundo de atraso, e Chahyun virou o rosto em direção a ela.
— Olá. Eu sou o… bem.
Ele hesitou, tentando encontrar uma forma de se apresentar.
— Ele é o pai do nosso bebê.
Yeonwoo se apressou em acrescentar, percebendo que Chahyun estava travado, sem saber o que dizer. Só então a florista assentiu, compreendendo.
— Ah, com razão! Olá, eu sou a florista aqui em frente.
— Sou Baek Chahyun.
Chahyun, que ficara momentaneamente tenso com as palavras de Yeonwoo, sorriu e a cumprimentou.
— Muito prazer. Eu me perguntava a quem o Seoyun puxou, mas ele é a cara do pai. A propósito, você e o Yeonwoo-ssi formam um casal lindo. Ele vem aqui sempre, como é que só hoje vim te conhecer?
— Pois é. Vou ter que vir aqui te visitar sempre que precisar comprar flores daqui em diante.
— Oh, eu adoraria!
— Se você veio tomar café, eu te pago uma xícara.
— Não precisa se incomodar…
Chahyun continuou conversando com a florista em um tom fluido que ele costumava não usar com estranhos. Yeonwoo, reparando que o rosto da mulher estava levemente corado, fuzilou com o olhar o homem que sorria e puxava assunto sem parar.
Ele ainda estava tirando o cartão do bolso, como se estivesse falando sério sobre pagar o café dela.
— Eu ofereço o café por conta da casa.
Yeonwoo abriu um sorriso forçado enquanto entregava o Americano gelado que acabara de colocar no copo. Em seguida, lançou mais uma olhada cortante para Chahyun.
Chahyun, apoiado casualmente no balcão com Seoyun em um dos braços, parecia a pessoa mais feliz do mundo. Ao contrário de seu habitual comportamento gélido, os cantos de sua boca se curvavam de um jeito irritante.
Por causa disso, o humor de Yeonwoo permaneceu péssimo durante todo o fechamento após a saída da florista.
Quando ele recusou toda e qualquer ajuda e continuou se movendo atarefado sozinho, Chahyun finalmente percebeu que Yeonwoo estava chateado.
— Sério, não tem mesmo nada em que eu possa ajudar?
— ……
Chahyun sentava e levantava enquanto ninava o fofo Seoyun, rondando Yeonwoo repetidas vezes. Yeonwoo sentia que ele o observava de soslaio, mas fingia não notar.
— Hong Yeonwoo.
— ……
— …Hyung, eu fiz alguma coisa errada?
E ainda tem dúvida?
— Não.
Em vez de confessar a verdade, Yeonwoo negou prontamente.
No fim, quando ele terminou o fechamento sozinho por teimosia e saiu do café, deu de cara com Chahyun segurando Seoyun em um braço, a bolsa cheia de pertences do bebê no outro ombro e a bagagem de Yeonwoo na outra mão. Seoyun segurava a bochecha de Chahyun — que era idêntica à dele— e a amassava como se fosse massinha, deixando a fisionomia dele cômica.
Ainda assim, ele continuava sendo um Alfa deslumbrante para quem quer que o visse. Mesmo daquele jeito, as pessoas na rua viravam o pescoço para encará-lo ao passar.
— Haha.
Yeonwoo não conteve o riso e acabou gargalhando. Ao ouvir isso, a testa de Chahyun se franziu bruscamente.
— Por que você está rindo?
— Nada.
— Não existe isso de “nada”.
Yeonwoo balançou a cabeça e seguiu andando na frente. Em seguida, estendeu a mão para Chahyun, que vinha logo atrás.
— Anda logo.
— ……
— Vamos para casa.
— Woong!
Seoyun respondeu em alto e bom som com seu balbuceo de bebê no lugar de Chahyun. Chahyun encarou a mão estendida de Yeonwoo por um instante, antes de se aproximar e apertá-la com firmeza.
— Mas por que você estava bravo?
Chahyun perguntou em um sussurro, colocando força na mão que segurava, mas Yeonwoo apenas balançou a cabeça e ficou em silêncio. Sentiu-se infantil por ter sentido ciúmes de algo tão banal.
Vendo o sorriso nos lábios de Yeonwoo, Chahyun logo riu como se aquilo já não importasse e seguiu o caminho de volta para casa.
✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna