Episódio 12
Yeonwoo riu, e Chahyun ergueu uma sobrancelha como se perguntasse por quê.
— Por que você está vestido desse jeito?
— Roupas? Ah.
— Você parece um bobo.
— Você pode falar isso agora, mesmo?
— Você podia ter vindo devagar, por que se apressou?
Ele se sentiu estranho. Baek Chahyun sentado numa cadeira de hospital com roupas ridículas e o cabelo desgrenhado.
E Baek Chahyun, que o havia aprisionado arbitrariamente e dizia que ia se casar com outra mulher.
Ele o odiava e, ainda assim, o amava.
Eram emoções conflitantes, emoções que ele não queria sentir.
Chahyun se ocupou dele e colocou a bolsa de compressa que havia recebido do médico no tornozelo de Yeonwoo. Ele não se importava nem um pouco com o fato de as pessoas no hospital olharem para eles ao passar.
Olhando para ele, naturalmente teve esse pensamento fraco. Poderia ser que ele estivesse excitado demais por causa da influência do rut? E por isso cometeu um erro?
Diga que é isso, Chahyun-ah.
Ele queria encurralá-lo e implorar a ele naquele instante. Ele queria compreendê-lo.
Mesmo sabendo que não devia.
Conforme a expressão de Yeonwoo endureceu, o toque de Chahyun ficou mais cuidadoso, pensando que era por causa da dor.
Logo, Chahyun terminou de aplicar a bolsa de compressa, levantou e se sentou ao lado dele. Ele passou o braço em volta dos ombros de Yeonwoo e o puxou para perto, abraçando-o com força.
Yeonwoo foi puxado sem resistência enquanto ele o trazia, apoiando a cabeça em seu ombro.
— Ainda dói?
Chahyun sussurrou, beijando o topo de sua cabeça. Como se sentisse pena de Yeonwoo estar com dor.
— Não…
— Mesmo que seja incômodo, aguenta um pouco. Eu coloco a bolsa de compressa de novo quando a gente chegar em casa mais tarde.
Ele falava como se tivesse bastante prática. Pensando bem, Chahyun era quem se dedicava mais à reabilitação, desde a época em que ele machucou o tornozelo até agora.
Embora houvesse algumas sequelas, era inteiramente graças a ele que ele conseguia levar a vida diária até esse ponto.
Era por isso que a decisão de Chahyun era ainda mais revoltante. Seu estômago se torcia de traição.
— Ficar assim me faz lembrar da antiga casa de campo.
— ……
— Ainda que os papéis tenham se invertido.
Chahyun se referia à época em que ele tinha febre ou náusea por causa do desequilíbrio de feromônios.
Originalmente, a mãe de Yeonwoo era quem devia cuidar de Chahyun, mas muitas vezes, quando ele ficava doente de noite enquanto sua mãe dormia, Yeonwoo cuidava dele no lugar dela. Porque não queria que sua mãe acordasse.
Ele levava remédio para ele, trocava suas roupas empapadas de suor, enxugava seu corpo e cuidava dele ao seu lado a noite inteira.
Chahyun gemia, mas ia adormecendo gradualmente quando ele afagava seu cabelo.
Nos dias em que o estado de Chahyun estava bom, os dois subiam ao segundo andar e dobravam aviõezinhos de papel, competindo para ver quem conseguia fazê-los voar mais longe. Era uma brincadeira infantil para garotos do ginásio, mas Chahyun em especial se divertia.
Talvez fosse porque ele reagia com mais intensidade até a estímulos pequenos, por causa da situação frustrante em que não podia sair.
— …Acho que sim.
Naquela época, ele sempre sorria de forma bonita e o chamava de hyung. O Chahyun que ele reencontrou como universitário não chamava mais Yeonwoo de hyung. Ele o chamava principalmente de “você” ou pelo nome.
— Que tal isto, em vez disso?
Yeonwoo de repente se lembrou do folheto do hospital que havia recebido no consultório do médico alguns minutos antes. Ele tirou o folheto do bolso e dobrou rapidamente um aviãozinho de papel, e Chahyun riu.
— Aviõezinhos de papel de muito tempo atrás.
— Fico me perguntando se você já cresceu e não gosta mais deles.
— Eu já cresci há muito tempo.
— Acho que sim. Baek Chahyun cresceu demais.
Enquanto ele murmurava como se estivesse decepcionado, Chahyun arrancou o aviãozinho de papel dele. E puxou o corpo de Yeonwoo para si de novo.
Yeonwoo inalou profundamente os feromônios no abraço caloroso de Chahyun. Ele brincou com as mãos, hesitou e então perguntou o que vinha se perguntando.
— Por que você não veio para casa ontem e hoje?
Ele pôde sentir o corpo dele se retesar.
— …Eu pensei que você odiaria se eu fosse.
— Entendi.
— Você esperou por mim?
— ……
Por algum motivo, seus lábios ficaram secos com a pergunta de Chahyun.
Yeonwoo se sentiu um bobo por ainda não conseguir soltá-lo por completo.
— Paciente Hong Yeonwoo.
Assim que Yeonwoo estava a ponto de responder, a enfermeira chamou seu nome. Desta vez também, Chahyun se levantou no lugar dele.
— Vamos para casa em vez do officetel.
Yeonwoo disse a Chahyun, que havia recebido a receita.
Chahyun, que ficou parado ali, rígido como se congelado por um instante, logo sorriu.
— Está bem.
Vendo os cantos de sua boca subindo com desenvoltura para os dois lados, o coração de Yeonwoo doeu.
Ele havia se tornado um adulto seco e endurecido agora, mas, quando sorria tão radiante, o frescor que ele guardava na adolescência ainda se revelava do mesmo jeito.
O fato de Chahyun ainda ter resquícios do seu antigo eu deixou Yeonwoo em dificuldade.
* * *
Yeonwoo abriu os olhos com a presença que sentiu ao seu lado. Chahyun, que havia acordado primeiro, estava tirando as roupas.
— …Você vai trabalhar?
Yeonwoo perguntou com a voz ainda sonolenta. Chahyun voltou o olhar para a cama em que ele estava deitado e assentiu.
— Tenho que ir. Haa, eu não quero ir.
— ……
— Como está o seu tornozelo? Ainda dói?
Só então Yeonwoo olhou seu tornozelo. A bolsa de compressa enrolada sobre a tala estava morna, como se Chahyun a tivesse trocado mais uma vez durante a noite.
— Um pouco.
— Alguém vai te levar ao hospital à tarde. Fisioterapia.
— Você?
— Eu tenho trabalho, então não posso ir com você.
Yeonwoo piscou com peso os olhos, que ainda não estavam totalmente despertos, e ergueu o olhar para Chahyun. Ele segurava uma gravata. Por algum motivo, Chahyun sempre endurecia a expressão com seriedade quando dava o nó na gravata. Às vezes até parecia determinado.
Seu interior vinha ficando tão complicado nos últimos dias, mas Chahyun era o mesmo de sempre. Ele havia até tomado seu celular e o trancado no officetel, mas não parecia se importar. Yeonwoo abriu a boca, achando aquilo injusto.
— Aquela pessoa.
— Quem?
— A mulher com quem você vai se casar.
Chahyun, que estava dando o nó na gravata, parou e então lançou um olhar frio a Yeonwoo.
— Qual é o nome dela?
— Por quê?
— Estou curioso.
— Mesmo se eu te disser o nome dela, você não vai conhecer.
A mesma reação da mãe de Chahyun deixou Yeonwoo amargurado. Era isso, alguém como ele não deveria nem saber o nome dela? As respostas de mãe e filho eram cruéis.
— Você tem que morar com aquela mulher quando se casar, não é?
Diferente de antes, a atmosfera ficou fria. Chahyun abotoou o paletó com uma expressão vazia.
— Isso pelo menos você pode me contar, não é?
Yeonwoo disse numa voz contida. Soou como se ele estivesse falando consigo mesmo.
— A gente decidiu morar separado. Vai haver uma casa onde nominalmente moramos juntos, no entanto.
— …Entendi.
— É um casamento arranjado. Um casamento que eu estou fazendo porque é necessário.
Yeonwoo enterrou o rosto no travesseiro. Sentiu-se patético por estar com dor só porque ele havia perguntado e ele havia respondido.
— Não significa nada além disso. Certo?
— ……
— Yeonwoo-ah.
— Me chame de hyung.
Enquanto ele murmurava com o rosto ainda enterrado no travesseiro, ouviu o som de Chahyun se aproximando. Yeonwoo aguçou os ouvidos.
Logo, sentiu Chahyun o abraçando por trás, como se o envolvesse enquanto se deitava na cama. Sentiu os feromônios e o odor corporal de Chahyun de forma intensa.
Chahyun ficava chamando seu nome como se o pressionasse, enterrando os lábios atrás de seu pescoço.
Depois de um tempo, Yeonwoo perguntou de novo.
— E os filhos, então?
— Não sei. Não tenho interesse.
Chahyun respondeu com uma voz que não evocava emoção alguma.
— Então você não precisa ter ciúme.
— ……
As emoções em brasa que ele havia suprimido tão bem irromperam de novo. Ele quis empurrar Chahyun para longe naquele instante e dar um soco naquele rosto bonito.
No entanto, parou no pensamento, porque havia aprendido que uma atitude violenta não funcionava com Chahyun.
Yeonwoo recordou o sexo que tinha com Chahyun. Ele era sempre cuidadoso com a contracepção. Provavelmente não era mentira que ele não tinha interesse em filhos.
Mas, mesmo que ele dissesse isso agora, as coisas mudariam se uma criança nascesse entre ele e a pessoa com quem se casasse. Não ter interesse não significava que ele odiasse.
Só de imaginar ele se tornando marido e pai de outra pessoa fazia seu coração doer. Como se estivesse sendo apunhalado com uma arma afiada.
Ele já havia decidido deixar Chahyun de qualquer forma, então era um apego desnecessário.
Yeonwoo percebeu de novo quanto realmente amava Baek Chahyun.
— Me mostre seu rosto.
Chahyun sussurrou a Yeonwoo, que estava teimosamente deitado de bruços. E fez com que ele virasse o corpo para si.
Yeonwoo se moveu obediente conforme ele fazia. Chahyun ergueu os cantos da boca como se gostasse daquela reação. E subiu em cima de Yeonwoo e disse com os olhos cheios de desejo:
— Eu quero fazer.
— É de manhã.
— Como você consegue ficar tão gostoso de comer até de manhã? É tudo culpa do Hong Yeonwoo.
— …Não fale “você” para o seu hyung.
— É justamente porque você é o hyung que meu pau está duro desde manhã.
Dizendo essas coisas de baixa qualidade, Chahyun o beijou. Seus lábios tocaram seu queixo, seu pescoço e sua clavícula de forma densa.
— Ah, essa doçura está me deixando louco.
— Para com isso.
— Hmm. Mas os seus feromônios estão muito fracos? Se está quase no seu ciclo de cio, deveria vir um cheiro terrivelmente excitante daqui.
Chahyun, que vinha enterrando o nariz na clavícula de Yeonwoo, murmurou como se estivesse intrigado. Mesmo assim, ele continuou lambendo cada parte de sua pele clara com a língua.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna