Episódio 11
Depois de ter meu celular tomado, fui dominado pela ansiedade, o que fez de zombaria a minha crença presunçosa de que eu conseguiria suportar. A sensação de estar completamente cortado do mundo exterior era extremamente solitária e desagradável.
No espaço silencioso, apenas o tique-taque do relógio ecoava ritmadamente. Pelas fendas daquele silêncio, vozes antigas que eu havia esquecido até agora se infiltravam, uma a uma.
“Qual é o traço da criança?”, “Mesmo que a gente não saiba agora, com uma cara de raposa dessas, ele não seria um Omega?”, “Então ele vai seguir o destino da mãe.”, “Olha só, já andando com a cabeça erguida mesmo sendo novo. Igualzinho ao moleque louco daquela vagabunda.”
Era a mesma coisa naquela época. A mãe ia trabalhar e não voltava até tarde da noite, e Yeonwoo a esperava em casa o dia inteiro. Quando não conseguia mais suportar ficar sozinho no quartinho por mais de doze horas, ele saía com cautela e vagava por ali. Para ver se sua mãe estava vindo.
Os vizinhos que passavam diziam uma ou duas palavras enquanto olhavam Yeonwoo. Como se ele merecesse ser tratado daquela forma. Toda vez que isso acontecia, Yeonwoo fingia não ouvir nada e voltava para o quartinho, isolando-se.
Na época, Yeonwoo pensava que estava preso dentro de uma caixinha. Sentia-se sufocado e abafado, não importava onde estivesse. Mas ele não havia aprendido a sair, então tinha que ficar ali mesmo sem querer.
Naquele tempo, o tique-taque do relógio no quartinho ficava desagradavelmente ecoando em seus ouvidos o dia inteiro.
Eu pensava que já havia esquecido todas essas lembranças. Mas eu as recordei de forma bem vívida.
Yeonwoo, que estava sentado imóvel no sofá, de repente se levantou num salto. E pegou o relógio pendurado na parede e tirou as pilhas.
— ……
Só então tudo ficou em silêncio. O ruído dentro da minha cabeça também.
Mas eu falhei em me separar completamente das lembranças daquela época. Como naquele tempo, Yeonwoo ficava encarando sem fim a porta fechada do officetel. Esperando que Chahyun a abrisse.
De repente, me senti triste ao perceber que a minha situação talvez não fosse diferente de quando eu era criança. Se Chahyun por fim se casasse com outra pessoa, eu teria o mesmo destino da minha mãe, exatamente como os vizinhos diziam.
O que eu fiz de errado? Eu só queria ser uma pessoa respeitável. O pensamento de querer estar ao lado de Chahyun com a cabeça erguida é um desejo que eu não ouso sonhar? A ponto de merecer esse tratamento?
Yeonwoo encarou sem expressão o relógio de parede e as pilhas que havia separado por um longo tempo.
Se cochilei ou não, os arredores de repente escureceram. Yeonwoo, que estava encolhido no sofá, piscou devagar e conferiu o relógio digital.
Já havia passado da meia-noite. Chahyun, que havia arbitrariamente confinado Yeonwoo ali, não tinha vindo procurá-lo de novo hoje.
Graças ao cochilo, o humor deprimido havia melhorado, mas, em seu lugar, a raiva tomou conta. Raiva de Baek Chahyun, que não só o estava traindo, como também lhe oferecia pessoalmente um lugar para ser criticado pelo mundo.
O que eu deveria fazer nessa situação? Yeonwoo ponderou profundamente.
— Haa.
Como eu decidi evitar gritar ou fazer escândalo por enquanto, respirei fundo para acalmar a fervura por dentro.
— Ei.
Yeonwoo, que havia decidido sair de lá custasse o que custasse, foi até a porta da frente. Porque uma forma de recuperar o celular dos homens lá fora lhe veio à cabeça.
— Por favor, me deixem ligar para o Baek Chahyun. Vai levar só um instante.
Quando ele disse isso para a porta, surpreendentemente, a porta que não havia se movido o dia inteiro se abriu.
— Diga-me se houver qualquer desconforto.
— Eu falo sobre isso direto no telefone.
Quando ele disse que iria contatar Chahyun, o homem devolveu de bom grado o celular confiscado. O homem observava Yeonwoo em silêncio, como se lhe dissesse para ligar na sua frente.
Olhando de relance para ele, Yeonwoo ligou para Chahyun.
— Alô.
Apesar da madrugada, Chahyun atendeu o telefone de imediato. Sua voz estava clara, como se ele não tivesse dormido nada.
— Meu tornozelo dói.
Yeonwoo disse, extraindo a voz mais fraca possível. O homem que estava ali de guarda se sobressaltou com a voz excessivamente diferente da que havia acabado de ouvir.
Mas Yeonwoo não se importou. Agora que decidi fugir, decidi ser sem-vergonha.
— Como é a dor?
Chahyun perguntou de volta na hora.
— Não sei. Fica pulsando. Está rígido….
— Como está a aparência? Está inchado?
— Não. Mas dói tanto que eu não consigo dormir nada.
— Você consegue andar? Eu vou sair agora, então vamos nos encontrar no hospital. …Não. Eu vou até aí.
A voz ansiosa cravou-se claramente nos meus ouvidos.
Ir ao hospital tão de madrugada com uma doença fingida é um pouco demais. Fiquei sem graça porque senti que havia piorado as coisas quando joguei as palavras para chamar Chahyun.
Mas, por outro lado, ir ao hospital não parecia uma má ideia. Vou aproveitar essa oportunidade para conseguir coisas que possam ser necessárias depois. Yeonwoo, que virou a cabeça rapidamente, respondeu obediente.
— Está bem.
— Só aguenta um pouco mais. Não esqueça de tomar os analgésicos prescritos.
— …Venha rápido.
— Estou indo agora. Não fique de pé, senta ou deita.
Chahyun apressou. O interior retorcido ficou um pouco mais aliviado com a reação agitada de Chahyun.
Vendo isso, é verdade que ele ainda me ama….
Mas por que Baek Chahyun vai se casar com outra pessoa?
Por que ele está me dizendo para tolerar isso?
Por quê?
Eu sabia que era uma pergunta inútil agora, mas não conseguia parar o pensamento que uma vez havia brotado.
Yeonwoo, que estava sentado sem expressão, de repente se levantou num salto como se tivesse lembrado de algo. Acendeu as luzes internas e abriu a gaveta ao lado da cama.
Depois de revirar vários itens diversos, um frasco de remédio familiar veio à sua mão.
— Achei.
Remédio para atrasar o ciclo de cio.
Fiquei feliz que o que eu costumava tomar ainda estava aqui.
Se o ciclo de cio vier na data prevista, as coisas vão ficar mais complicadas aqui. Supressores não funcionam sempre de forma perfeita e, nesse caso, podem ser mais prejudiciais. Um remédio de atraso é mais seguro.
Yeonwoo engoliu o remédio de atraso sem água e recolocou o frasco na gaveta. Ao mesmo tempo, os passos de Chahyun foram ouvidos na porta da frente.
* * *
Chahyun carregou Yeonwoo ele mesmo, colocou-o no carro e seguiu para o hospital. Seu tornozelo estava bem, mas ele se sentiu um pouco sem graça por ser carregado por ele enquanto fingia estar doente.
Chahyun dirigia e não parava de perguntar sobre os sintomas, então era difícil arrancá-los. Exceto quando seu tornozelo ficou gravemente machucado no passado, ele raramente havia sentido dor séria, então não conseguia descrever a dor em detalhes.
Eu me perguntei se ele havia notado que eu estava mentindo e por isso perguntava com mais insistência, então olhei a expressão de Chahyun. Ele segurava o volante e se concentrava no que eu dizia com um rosto ansioso. Felizmente, ele parecia acreditar em mim sem reservas.
Chegamos ao pronto-socorro e nos disseram para esperar um pouco. Com a ajuda de Chahyun, Yeonwoo se sentou numa cadeira, e Chahyun se sentou ao lado dele.
— De agora em diante, não falte à reabilitação e vá sem falta.
— Está bem.
— Se eu não puder ir com você, vou designar alguém para ir com você.
— Quem você vai designar?
Yeonwoo encarou seus pés e os de Chahyun lado a lado e perguntou de repente.
— O secretário.
— Por que você está designando o seu secretário para os meus assuntos?
— Foi por isso que eu o contratei.
— ……
— Porra, mas por que ninguém está vindo?
Menos de cinco minutos haviam passado desde que nos sentamos na sala de espera do pronto-socorro, mas Chahyun perdeu a paciência de forma impaciente.
— Olá, Diretor.
Naquele momento, um médico de jaleco branco se aproximou rapidamente, com boa sincronia.
— Você deveria vir rápido quando há um paciente.
Chahyun retrucou de forma um tanto irritada.
— Sinto muito por tê-lo feito esperar tanto. Ouvi dizer que o tornozelo dele está incomodando. É o mesmo lado da última vez?
— Ele caiu há três dias. Torceu na hora, mas a dor não passou.
— Vamos fazer um exame primeiro.
O médico e a enfermeira conduziram Yeonwoo gentilmente até a sala de exames. Chahyun encarou a figura de Yeonwoo se afastando.
Os resultados dos exames eram óbvios. Era uma doença fingida desde o começo, então não havia como haver nada particularmente errado.
Era verdade que ele havia caído alguns dias antes e sentido um pouco de rigidez, mas já fazia tempo que ele havia se recuperado.
O médico provavelmente não podia dar um parecer de que não havia problema a Chahyun, que acreditava nas palavras de Yeonwoo de que ele ainda sentia dor e ficava pressionando as pessoas.
No fim, ele disse as coisas óbvias, dizendo que os músculos pareciam ter sido surpreendidos e recomendando minimizar o uso da articulação e fisioterapia por alguns dias. E também colocou uma tala no tornozelo.
— Eu não conseguia dormir porque ficava doendo. Por favor, prescreva remédio para dormir também.
— Vou prescrever. Por favor, sente-se lá fora um instante.
Como havia uma distância considerável entre a sala de exames e a sala de espera do pagamento, Chahyun disse para ele ser carregado de novo. Yeonwoo tentou recusar, mas tinha medo de ser pego fingindo doença se andasse de forma estranha, então se deixou carregar obediente.
Mesmo sendo um homem adulto igual a ele, Chahyun não parecia achá-lo pesado de forma alguma, e se levantou com Yeonwoo nas costas e caminhou até a sala de espera sem nem tomar um ar.
Ele o baixou com cuidado na cadeira, como se estivesse manuseando um bebê. Só então Yeonwoo notou as roupas de Chahyun.
A aparência de vestir um casaco sobre o pijama era bem ridícula. Fiquei ainda mais sem graça porque eu sabia que ele normalmente prestava muita atenção à moda, mesmo com o comportamento sendo péssimo.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna