Episódio 10
— …Então é por isso?
Yeonwoo abriu os olhos, que estavam fechados, como se tivesse percebido algo. Alfas tinham ciclos de rut mais longos que Omegas. E, dependendo da pessoa e da situação, um Alfa com parceiro podia ter um desejo de posse mais forte.
Alguns Alfas tinham uma possessividade patologicamente forte. Havia até um tratamento para atenuar a agressividade relacionada a isso.
Chahyun poderia ter causado essa situação por causa disso?
Mesmo assim, aprisionar alguém como hoje era demais. No último rut, ele foi insistente com sexo ou demonstrou comportamento de não querer sair da cama, mas isso estava dentro da faixa que qualquer um poderia esperar.
No entanto, mesmo que não houvesse comportamento anormal, a situação atual era especial. Um término repentino e indesejado era uma história completamente diferente. Era o suficiente para estimular a possessividade do Alfa, que ficava amplificada durante o rut.
Abordando por esse ângulo, o comportamento anormal de Chahyun desde o dia anterior era, de certa forma, compreensível. Mas….
— Ele está assim mesmo não sendo rut ainda?
Yeonwoo murmurou para si mesmo sem perceber.
Se fosse assim, algo ainda maior aconteceria depois que o rut de verdade começasse. Ele já havia passado o rut com Chahyun várias vezes, mas nunca havia terminado durante o rut, então não podia prever o que aconteceria depois disso.
Além disso, se o ciclo de cio de Yeonwoo se sobrepusesse e ele estivesse preso assim, ele acabaria rolando dia e noite com Chahyun, que ia se casar com outra pessoa. Só restaria o instinto, independentemente de sua vontade.
Talvez Chahyun quisesse isso e estivesse tentando trancá-lo até seu cio acabar. Ele poderia ter julgado que, se ficassem colados um no outro, barriga com barriga, sem descanso por vários dias, a aversão dele ao casamento se diluiria e eles poderiam voltar a ser como antes.
De qualquer forma, cio ou rut, isso não daria certo. Yeonwoo concluiu.
Ele não queria mais nenhuma obsessão aqui. Ele já estava assim antes do rut, mas, se começasse de verdade, ele ficaria amarrado de pés e mãos.
Ele tinha que sair rápido, enquanto ainda tinha o celular.
…Mas como?
Antes de tudo, ele experimentou na própria pele que simplesmente ficar com raiva não funcionava. Enfrentá-lo com força também era impossível, por causa da diferença de físico.
“Eu não tive a intenção de te machucar. Eu fiquei com raiva por um instante ontem….”
Yeonwoo roeu as unhas, recordando a expressão de Chahyun quando ele se ajoelhou sobre um joelho diante dele, sinceramente sem graça.
Talvez fosse melhor acompanhar o humor dele de forma apropriada, em vez de ser forte demais….
* * *
Na manhã seguinte. Yeonwoo saiu da cama assim que abriu os olhos e abriu a porta da frente.
— Haa.
Como esperado, homens fortes guardavam a porta de novo hoje.
— O senhor não pode sair.
Ele não teve nem vontade de responder às palavras burocráticas, então bateu a porta. Moveu os passos e jogou o corpo exausto no sofá.
Por hábito, conferiu o celular e viu uma chamada perdida da mãe enquanto dormia. Ele não havia atendido o telefone alguns dias antes, então desta vez apertou o botão de chamada de imediato.
— Filho. Você está bem?
— Você ligou de noite. Aconteceu alguma coisa?
— Nada. Eu estava me perguntando o que o nosso Yeonwoo anda fazendo. E queria ouvir a sua voz.
— É a mesma coisa toda vez. Como está a sua coluna, mãe? Você disse que estava doendo.
— Minha coluna melhora se eu deixar em paz. Melhorou muito desde a cirurgia daquela vez. Você tem acompanhamentos em casa? Se não, a mãe vai….
— Não, mãe, sua coluna dói, então por que se incomodar com acompanhamentos? Eu estou bem.
— É mesmo? Eu quero ir a Seul levando acompanhamentos e ver o rosto do Yeonwoo. Depois de tanto tempo….
Yeonwoo, que estava deitado respondendo ao telefone, se levantou com as palavras da mãe de que ela viria a Seul.
— …Não, eu estou meio fora de mim esses dias. Venha depois.
— Aconteceu alguma coisa?
— Não é grande coisa, só…. Estou ocupado. De qualquer forma, se você for vir, venha no mês que vem ou no mês depois, não neste mês.
— Você não está se esforçando demais? Não tem nada errado, né?
— Não é nada para se preocupar…. Haa, alguma coisa assim. Enfim, eu te ligo de novo depois.
Quanto mais falava com a mãe, mais complicado se sentia. Ele podia ouvi-la resmungando pelo alto-falante como se tivesse mais a dizer, mas Yeonwoo fingiu não perceber e desligou o telefone.
Sua mãe não sabia que o filho namorava Chahyun. Então, quando ela vinha a Seul, eles geralmente se encontravam num officetel ou num café. Ele não podia explicar a situação atual à mãe, então isso era o melhor que podia fazer.
Além dessa questão, havia uma história mais complicada com sua família. Yeonwoo estava sem contato com o pai havia muito tempo, mas sabia que sua mãe ainda o contatava de vez em quando.
Seu pai, que continuava viciado em jogo, parecia estar recorrendo à mãe, e, como resultado, a maior parte do dinheiro que a mãe lhe dava vinha do bolso de Yeonwoo.
Não importava quanto ele dissesse para ela não fazer isso, sua mãe continuava ajudando o pai, então, em algum momento, Yeonwoo passou a se sentir desconfortável em contatar a mãe. Sentia-se sufocado toda vez que ela falava de dinheiro.
Depois de encerrar a ligação, Yeonwoo se deitou sem forças no sofá e encarou o teto.
No meio do caminho, a tia que geralmente fazia o trabalho da cozinha no apartamento trouxe arroz e acompanhamentos, mas ele só a cumprimentou brevemente e não conversou com ela de resto.
A tia, que era simpática no apartamento onde ele morava com Chahyun, hoje não puxou conversa com ele primeiro, por algum motivo.
Yeonwoo matou tempo esperando que Chahyun voltasse do trabalho à noite.
Mas, mesmo às sete, às nove e à meia-noite, Chahyun não veio. Também não houve contato.
Yeonwoo encarou sem expressão a porta da frente fechada na sala escurecida.
— O que ele está tentando fazer, de verdade?
Yeonwoo murmurou em vão. Ele havia esperado o dia todo, pensando em mudar de tática e tentar apaziguá-lo, mas, antes que percebesse, um dia havia passado.
Ele pensou que ele viria, no mais tardar, logo depois do trabalho, com certeza.
Deixado sozinho no espaço sem aquecimento, ele se sentiu infinitamente deprimido.
Por quê? Era porque ele havia ouvido que Chahyun ia se casar?
Conforme seus pensamentos chegaram a esse ponto, uma alucinação dele passando tempo com a pessoa com quem estava noivo, sorrindo, cresceu como uma nuvem em sua cabeça.
“Casar não significa que eu vou terminar com você.”
“Nada vai mudar. Esta casa vai continuar igual e eu vou continuar morando aqui.”
Chahyun falava com leveza sobre casamento. Mas Yeonwoo sabia melhor do que qualquer um que não era assim.
Yeonwoo, que nasceu fora do casamento, havia visto tudo o que sua mãe havia sofrido na sociedade.
Sua mãe ingênua foi enganada pelo pai dele, que fingia ser solteiro, e teve que suportar ser chamada de amante suja enquanto criava Yeonwoo sozinha. Onde quer que fosse, era sempre chamada de “vagabunda suja” por trás.
“Ouvi dizer que aquela mulher tinha um caso com um homem casado?”, “Meu Deus. Então ela é adúltera? Que sem-vergonha.”, “Ela roubou o marido de outra e ainda teve um filho. O que ela fez de tão certo?”
O pecado do pai de enganar sua mãe e não assumir responsabilidade pela criança foi obscurecido pela existência de sua mãe e de Yeonwoo. Os rótulos de vagabunda suja e filho ilegítimo só foram removidos quando seus pais registraram o casamento, quando Yeonwoo tinha nove anos.
O mundo é assim. Circunstâncias detalhadas não importavam. As pessoas eram marcadas pelo modo em que apareciam por fora.
Talvez Chahyun soubesse instintivamente dessa realidade injusta, e por isso falasse com facilidade sobre casamento. Porque ele sabia quão leve era a responsabilidade que carregaria. E Yeonwoo teria que carregar o custo integral de tolerar o casamento.
Ele se sentiu traído por Chahyun, justamente ele, estar tentando lhe dar uma posição tão dolorosa.
— ……
Yeonwoo passou a noite diante da porta da frente, preso em pensamentos escuros. No entanto, a porta hermeticamente fechada não se abriu até o amanhecer.
* * *
No terceiro dia de restrição de saída, Yeonwoo denunciou à polícia de novo, e desta vez os homens fortes que guardavam a porta confiscaram seu celular de uma vez.
— Devolvam o meu celular.
— Não posso devolver agora.
— Devolvam!
— ……
Não houve resposta. Ele bateu na porta fechada e gritou, mas não conseguia mais abrir a porta como quisesse, e havia perdido o meio de contatar qualquer pessoa.
Yeonwoo foi isolado no officetel com tanta facilidade.
A essa altura, ele percebeu a gravidade da situação. Não podia mais manter a atitude ingênua de que conseguiria sair se tentasse a sorte de forma apropriada. Chahyun realmente parecia que ia deixá-lo sair de lá só depois que seu ciclo de cio acabasse.
Cansado de enfrentar os homens fortes diante da porta da frente por várias horas, Yeonwoo desistiu de abrir a porta e voltou para a sala. Havia um arranhão fraco em seu pulso, onde havia sido raspado pela maçaneta enquanto lutava com os homens fortes. Yeonwoo esfregou o local sem expressão.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna