Episódio 109
Capítulo 109 ── ⋆⋅☆⋅⋆
— Huff, huff….
Felizmente, ele tinha descido pelo caminho certo. Chahyun começou a ver a entrada da montanha que viu primeiro.
— Chefe?
O secretário, que esperava na entrada do Templo Nuvem Carmesim desde que recebera a ligação de Chahyun, se aproximou surpreso.
Ele não conseguiu esconder a expressão de choque, olhando alternadamente para Chahyun e para Yeonwoo nos braços dele, antes de abrir às pressas a porta traseira do carro.
O secretário sentou-se no banco do motorista e deu a partida. Chahyun deitou Yeonwoo no banco de trás.
— Os paramédicos vasculharam a área continuamente e voltaram há pouco. O senhor não atendia o celular, chefe de departamento, e havia limitações para o rastreamento de localização à noite…
— Explique depois e vá para o hospital. Rápido!
Chahyun o interrompeu e gritou. O secretário parou de falar e pisou imediatamente no acelerador.
Era tarde da noite, e quase não havia carros na estrada. O GPS começou a guiá-los, anunciando que levaria 10 minutos até o hospital.
— Mais rápido. Mais rápido.
Chahyun insistiu, ofegando. O secretário, como mandado, ignorou os sinais e acelerou, enquanto também conferia o estado de Chahyun pelo retrovisor. Era claro à primeira vista que ele não estava num estado normal.
Antes de tudo, o corpo inteiro dele estava coberto de sangue. O rosto e os braços estavam cheios de arranhões grandes e pequenos, e havia até sangue escorrendo da cabeça. Ele não conseguia nem começar a imaginar como ou de onde ele trouxera Yeonwoo montanha abaixo.
Chahyun massageava repetidamente os braços e as pernas frios de Yeonwoo ao seu lado, que estava inconsciente, e verificava seu pulso.
Então, como se não aguentasse, beijava a testa e o dorso da mão de Yeonwoo, murmurando palavras incompreensíveis.
Enquanto isso, Yeonwoo não se mexeu nem recuperou a consciência nem uma vez. Talvez porque tivesse perdido sangue demais, sua cor estava pálida. Quase parecia um cadáver.
O carro estava cheio do cheiro de sangue, da respiração ofegante e dos soluços de Chahyun.
— Aguente só mais um pouco. O hospital está perto, estamos quase lá.
Chahyun disse com a voz rouca, como se acalmasse uma criança. Não parecia importar que Yeonwoo não pudesse ouvi-lo.
O secretário desviou o olhar de Chahyun e conferiu o horário. Em meio dia, Chahyun teria que ir ao salão do casamento. Mas ele não tinha certeza se chegaria ao local a tempo. Tudo parecia incerto no momento.
Logo depois, o carro parou em frente ao prédio do pronto-socorro.
— Chegamos.
Assim que o secretário terminou de falar, Chahyun ergueu a cabeça bruscamente. Abriu imediatamente a porta do carro, pegou Yeonwoo e correu para o pronto-socorro.
— Ah!
Quando Chahyun entrou no prédio, um acompanhante que esperava com outro paciente gritou. Várias enfermeiras correram para a entrada.
— O que está acontecendo?
— T-tem um paciente de emergência aqui!
O interior ficou barulhento num instante. Yeonwoo sangrava muito, e Chahyun, coberto daquele sangue, parecia aterrorizante mesmo considerando que aquilo era um pronto-socorro.
— Onde está o obstetra daqui?
Chahyun perguntou à enfermeira. Depois de um momento de hesitação, a enfermeira o guiou rapidamente para dentro.
— Deite-o aqui. Quais são as circunstâncias da lesão?
Chahyun deitou Yeonwoo com cuidado na maca.
— Ele está grávido e caiu na montanha. Suspeito que o estado dele já estava ruim antes da queda, por causa do esforço excessivo.
Ele fechava e abria os punhos para falar o mais calmamente possível. Mas não conseguiu impedir completamente que a voz tremesse um pouco.
— E quais são os sintomas do paciente?
— Eu não acabei de dizer?
Chahyun franziu a testa e encarou a enfermeira como se não entendesse.
— Estou falando do senhor, paciente.
Naquele momento, um gemido escapou da boca de Yeonwoo, deitado na maca como se estivesse morto. Chahyun reagiu imediatamente.
— Eu estou bem, então, por favor, cuide dele primeiro. O obstetra já chegou?
Chahyun apontou para Yeonwoo, que tremia inconsciente, e apressou a enfermeira.
— O professor vai chegar logo. Este paciente pode precisar ir direto para a cirurgia, então o acompanhante precisa assinar primeiro o termo de consentimento cirúrgico.
A equipe médica, que verificava a pressão de Yeonwoo e a extensão do sangramento, se levantou com expressões sombrias.
— Assino agora mesmo.
Chahyun respondeu sem hesitar.
— Ah, antes disso, por favor, preencha primeiro aqui a ficha de informações do paciente.
Ele recebeu a ficha de cadastro do paciente que a enfermeira lhe entregou. Tinha que preencher nome, idade, tipo sanguíneo, histórico médico etc., o quanto soubesse.
Chahyun pegou a caneta e preencheu rapidamente as informações. A letra estava confusa por causa dos espasmos na mão, mas não era ilegível.
E, um pouco depois, um obstetra que acabara de chegar ao pronto-socorro começou a verificar o estado de Yeonwoo.
— O sangramento é grave, então vamos pular a NST, verificar o estado fetal com ultrassom e ir direto para a cirurgia. Exame de sangue?
— Concluído.
Diante das instruções do médico, a equipe médica ao redor se movimentou de forma ordenada, reunindo equipamentos.
— Doutor. Como está o Yeonwoo? Ele vai ficar bem?
Chahyun agarrou o médico com urgência e perguntou. O médico parou e estremeceu, examinando a aparência macabra de Chahyun. Pigarreou e abriu a boca.
— Só vamos saber depois do exame e da cirurgia. E…
O médico deixou a frase morrer. A paciência de Chahyun se esgotava.
— Fale.
— Dependendo da situação, pode haver casos em que tenhamos que salvar apenas um, o gestante ou o feto, na sala de cirurgia.
— Salve o Yeonwoo, não, o gestante.
Chahyun respondeu sem um momento de hesitação.
— A criança vai nascer saudável de qualquer jeito. Eu vou fazer isso acontecer, com certeza.
A promessa que fizera a Yeonwoo antes tinha sido apagada de sua mente havia muito tempo.
O médico olhou para Yeonwoo, de olhos fechados, e encontrou de novo o olhar de Chahyun.
— O senhor é o acompanhante de Hong Yeonwoo?
— Sou.
— O termo de consentimento…
— Já preenchi.
— Então vamos transferir o paciente imediatamente.
Diante das palavras do médico, a equipe começou a empurrar a maca em que Yeonwoo estava deitado.
Naquele momento, as pálpebras de Yeonwoo tremeram e se abriram.
— Hyung!
Chahyun, que observava Yeonwoo sem tirar os olhos dele, foi o primeiro a notar e gritou. Mas Yeonwoo, como se não tivesse ouvido a voz dele, mal conseguiu agarrar a manga do médico com as pontas dos dedos cobertas de sangue.
— Paciente Hong Yeonwoo. O senhor está consciente? Sabe do seu estado atual…
— …Salve… a criança… primeiro.
Uma voz fragmentada e confusa saiu da boca de Yeonwoo. Chahyun, como se ansioso, envolveu a mão de Yeonwoo e se inclinou para ouvir a voz dele.
— O quê? Por que, onde dói? Hein?
— …Heu.
— Estamos no hospital agora. Vamos direto para a cirurgia, então não se preocupe mais.
Mas as pupilas trêmulas de Yeonwoo ainda estavam fixas no médico, passando por cima de Chahyun.
— …Salve a criança primeiro.
Depois de mover os lábios várias vezes e forçar as cordas vocais, Yeonwoo pronunciou uma frase completa.
A respiração de Chahyun parou por um momento.
— Hong Yeonwoo!
— Se tiver que escolher… sempre, a criança primeiro.
Yeonwoo forçou os olhos que se fechavam e disse cada palavra com clareza. Seus dedos finos agarravam o jaleco branco mais desesperadamente do que nunca.
Chahyun ficou atordoado por alguns segundos, depois recuperou os sentidos e olhou para o médico.
— Ignore-o. O paciente não está em condições de tomar decisões racionais agora. Minha opinião como acompanhante deve prevalecer.
Diante da réplica de Chahyun, Yeonwoo balançou a cabeça e ofegou de dor.
— D-doutor. Aquela pessoa… não é meu acompanhante.
— Hyung!
— Eu não… ha, o conheço. Eu o vi pela primeira vez hoje.
Yeonwoo disse, agarrado ao médico. Houve um momento de silêncio no pronto-socorro, embora muito breve.
Chahyun olhou para Yeonwoo como se não conseguisse acreditar. Uma profunda sensação de traição e uma raiva que nunca sentira antes o engoliram.
Yeonwoo fingiu não notar até o fim o olhar de Chahyun sobre ele. Então, despertando à força a consciência que se apagava, conseguiu de algum jeito forçar a voz para fora.
— Salve a criança primeiro…
Em meio à dor dos órgãos se torcendo na barriga e ao medo de perder Saebyeok, Yeonwoo percebeu algumas coisas importantes.
Ele ainda não queria dar Baek Chahyun a mais ninguém. Na verdade, sentia um ciúme louco de Oh Yumin, que o teria amanhã. Era uma verdade que nunca pronunciara, mas, ridiculamente, era assim.
Mas também havia uma vantagem em entregar Chahyun a outra pessoa. Ele não era nada para Yeonwoo. Então ele poderia salvar Saebyeok. Porque Saebyeok era inteiramente filho dele.
Yeonwoo achou que foi sorte Chahyun não tê-lo escolhido, que ele tivesse até abandonado a posição de pai biológico de Saebyeok. Nunca fora tão grato quanto naquele momento por Baek Chahyun não ser o seu Alfa.
— Saebyeok… por favor, salve-o.
Yeonwoo, ofegando, já não tinha força para falar, então moveu os lábios e perdeu a consciência de novo. O peito de Chahyun inflou intensamente diante daquilo. Seus olhos ficaram vermelhos.
— De jeito nenhum! Operem o gestante primeiro.
O médico se lembrou de que o campo de cônjuge na ficha de cadastro de Yeonwoo estava vazio. Se Chahyun não era o cônjuge legal, não tinha autoridade para tomar nenhuma decisão em relação ao gestante e ao feto durante uma cirurgia de emergência.
— Vamos prosseguir com a cirurgia priorizando o feto, conforme a vontade do gestante, e transferi-lo imediatamente.
— O acompanhante diz que não!
Chahyun agarrou o médico, que ia entrar na sala de cirurgia.
— Ei! Não há tempo para isso!
O médico balançou a cabeça, como se tivesse decidido não lidar com Chahyun. Depois, junto com a equipe médica ao redor, empurrou rapidamente a maca de Yeonwoo e entrou na sala de cirurgia.
Chahyun correu atrás dele como um louco. Não, tentou correr atrás.
— Salvem o Hong Yeonwoo primeiro! Salvem-no!
Funcionários do hospital correram e detiveram Chahyun.
A confusão continuou por um tempo, mas Chahyun sozinho não conseguia romper o bloqueio de todos eles. Já estava exausto de carregar Yeonwoo montanha abaixo. Não sentia os braços e as pernas havia muito tempo.
Por fim, Chahyun, dominado pelos funcionários, caiu de joelhos no chão do corredor.
— Porra, me soltem! Eu sou o acompanhante do Hong Yeonwoo!
Mesmo com o corpo inteiro sendo prensado, a entrada da sala de cirurgia para onde Yeonwoo fora levado estava visível em sua visão, que se debatia violentamente. O corpo de Chahyun congelou enquanto ele gritava.
A placa “Em cirurgia” pendurada sobre a entrada brilhava em vermelho.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna