Episódio 110
Capítulo 110 ── ⋆⋅☆⋅⋆
A respiração de Chahyun ficou ofegante diante da luz vermelha que perfurava suas retinas. A cor primária vívida era a mesma que escorria do corpo de Yeonwoo pouco antes, e suas entranhas se reviraram.
— Não…
Chahyun murmurou, ofegando. Tinha que correr e agarrar um médico, convencê-lo. Mas as pernas e os braços estavam presos por pessoas, e ele não conseguia se mover um centímetro.
Eram só alguns passos, mas, quanto mais Chahyun se debatia, mais as pessoas o seguravam com força.
Seu corpo, gasto como sucata, não conseguia dar nem um passo. Mas Chahyun não desistiu e se debateu, tentando se libertar.
Então se assustou com a visão que de repente ficou turva e balançou a cabeça violentamente. Justo quando achou que estava perdendo a consciência, forçou os olhos e, num piscar, algo morno molhou sua bochecha e caiu em gotas.
Ao mesmo tempo, a visão clareou, mas só por um momento. Por mais que balançasse a cabeça e piscasse, as lágrimas que subiam roubavam constantemente o foco.
— D- doutorr! O que fazemos com este homem?
— Precisamos arrastá-lo para fora. Segurem firme!
— Sim, sim!
— Ali, empurrem-no mais um pouco para a frente!
Chahyun resistiu à força que tentava empurrá-lo para fora do hospital.
O que devia fazer? Chahyun, que sempre tinha soluções adequadas para os problemas que surgiam, aguentou desesperadamente e não parou de pensar.
Mas, quanto mais fazia isso, mais clara ficava a realidade de que era tudo tarde demais.
Ele não podia deixar o lado de Yeonwoo e convencer o Yeonwoo inconsciente a mudar de decisão.
O médico não o reconhecia como acompanhante. Mesmo tendo estado ao lado de Hong Yeonwoo por quatro anos inteiros.
…Não, espera. Só quatro anos? Não podia ser.
— …Keuk!
Chahyun franziu a testa diante da dor de cabeça intensa que perfurava fundo seu cérebro, tentando desesperadamente lembrar a resposta para sua pergunta.
Então algo que cobria suas memórias como uma densa névoa marinha se ergueu, e as imagens residuais lá dentro foram ficando mais nítidas.
Treze anos. Sim, ele conhecia Hong Yeonwoo havia exatamente treze anos. Tinham namorado por quatro anos inteiros e morado juntos por mais de um ano.
Baek Chahyun e Hong Yeonwoo eram mais próximos um do outro do que qualquer outra relação.
Aquele sorriso branco era todo dele, e as respirações que ele exalava, as lágrimas que às vezes brotavam e escorriam de seus olhos também eram posse sua, e o pulso que acelerava toda vez que os corpos se tocavam era todo dirigido a ele.
Mas ali não havia como provar nada disso. Por mais que gritasse, a verdade não chegava até eles.
— Se tiver que escolher… incondicionalmente, a criança primeiro.
— P-professor. Aquela pessoa… não é meu acompanhante.
— Eu não… haa, o conheço. Eu o vi pela primeira vez hoje.
Com apenas uma negação de Yeonwoo, tudo virou nada. Tão facilmente.
— Se causar mais confusão aqui, vamos chamar a polícia.
Chahyun, que gritara e se debatera em vão, acabou sendo arrastado para fora do prédio. Os funcionários do hospital que conseguiram empurrar Chahyun para o asfalto deixaram um aviso e se viraram.
— Como o hyung pôde fazer isso comigo…? Na minha frente…
Quanto mais se lembrava da voz que o negava e do olhar desviado, mais o estômago se revirava de dor, como se tivesse engolido espinhos.
Mas ele não tinha intenção de ficar parado. Assim que se viu livre das contenções, Chahyun se levantou.
— …Quem disse que vocês podiam? Abram a porta! Tragam o médico de volta!
Ele bateu na porta como se tivesse perdido o juízo, mas a porta trancada por dentro já não permitia que Chahyun pisasse lá dentro.
— Chefe? O que aconteceu?
Justo nesse momento, o secretário de Chahyun se aproximou surpreso.
Ele tinha explicado a situação ao assistente em Seul, se preparado para vários cenários possíveis e estava a caminho do pronto-socorro. Agora que passava da meia-noite, precisava compartilhar a situação atual em detalhes, já que hoje era o casamento.
Além disso, como o hospital era pequeno e a cirurgia talvez não fosse possível, precisava limpar até certo ponto o interior do carro manchado de sangue antes de voltar a Seul.
Depois de terminar essas tarefas, ele tinha entrado em contato com Sang-gyun como último recurso. Estava preocupado que ele não atendesse depois da meia-noite, mas, felizmente, conseguira falar com ele rapidamente.
Ele explicara brevemente a situação, e Sang-gyun respondera que procuraria com urgência um pronto-socorro em Seul que pudesse fazer a cirurgia imediatamente e ligaria de volta. Isso tinha sido pouco antes.
— Secretário Lee!
O secretário de Chahyun não conseguiu esconder a expressão surpresa e examinou o chefe.
Não tinha notado quando o vira na entrada da montanha, porque estava desconcertado, mas as roupas de Chahyun estavam rasgadas em vários lugares. Ele carregara Yeonwoo montanha abaixo sem nem enxergar a trilha, então parecia ter sido arranhado por galhos. Por algum motivo, o tecido da camisa no ombro estava completamente rasgado.
Ele não fazia ideia de por que Chahyun, coberto de sangue, tinha sido expulso do pronto-socorro. Ele era claramente um paciente que precisava de tratamento.
Acima de tudo, o que mais desconcertou o secretário foi que seu chefe estava chorando.
Chahyun enxugou com indiferença o rosto encharcado de lágrimas com as costas da mão e se aproximou do secretário.
— Secretário Lee, vá lá e diga a eles. Diga que eu sou o acompanhante do Hong Yeonwoo.
— Como está o sr. Yeonwoo?
— Foi para a cirurgia. Mas disseram que vão salvar a criança primeiro em vez do Yeonwoo. Eu disse claramente que não, mas eles não parecem querer ouvir. Deve ter alguma coisa errada.
Chahyun despejava palavras de forma incoerente. O secretário parou por um momento, escolhendo as palavras antes de abrir a boca.
— …Se o sr. Yeonwoo foi para a cirurgia, seria melhor o senhor também receber tratamento, chefe.
— Eu estou bem, então, secretário Lee, entre logo e diga a eles! Diga para abrirem esta porta agora mesmo.
Chahyun batia com o punho na porta à sua frente, dando instruções imprudentemente. Tinha perdido completamente a razão.
— Rápido!
— Chefe, por favor, acalme-se primeiro…
— Aqueles moleques malucos de merda vão salvar a criança em vez do Yeonwoo. Não faz sentido. Eu disse que não, eu disse que não ia permitir!
Chahyun, que gritara, fulminou ferozmente com os olhos vermelhos cheios de lágrimas.
— Eu, o amante dele, não vou permitir!
Chahyun agarrou o secretário pela gola e rosnou. Os ouvidos do secretário zumbiam com o grito estrondoso.
— Eu sou… o amante do Hong Yeonwoo… Heuh… Aqueles moleques malucos que não sabem de nada…
Logo, a voz dele foi diminuindo, e um soluço como o de uma fera escapou dos lábios de Chahyun.
Chahyun rangeu os dentes e murmurou, sentindo de repente um estranho descompasso nas palavras que pronunciara.
Quanto mais mastigava a palavra “amante”, que regurgitara da garganta, mais estranha ela parecia. A implicação daquela palavra soava leve demais.
Então tentou pensar em outra palavra, mas não conseguiu.
Amante. Algo que pode acabar com apenas um término, algo que pode ser negado com um “não o conheço”.
Era uma palavra extremamente superficial, que nem sabia o que tinha acontecido com Yeonwoo, que entrara na sala de cirurgia. Era simples e leve demais para conter todo o tempo e as emoções que Baek Chahyun e Hong Yeonwoo tinham vivido.
Amante. Porque ele era o amante de Yeonwoo.
Era por isso que ele não podia atravessar aquela porta agora. Chahyun tremia, dominado pela impotência.
— Chefe.
O secretário, que vinha amparando Chahyun para impedi-lo de desabar, abriu a boca.
— O sr. Oh Sang-gyun ligou. Expliquei a situação por alto há pouco, e ele perguntou se havia uma sala de cirurgia em Seul para onde se pudesse transferir o paciente imediatamente…
Diante dessas palavras, Chahyun ergueu a cabeça bruscamente e arrancou o celular da mão do secretário. Sim, Oh Sang-gyun. Por que não tinha pensado em entrar em contato com Sang-gyun?
Chahyun, tomado por uma esperança inesperada, atendeu o telefone.
— Hyung.
Precisava explicar rapidamente o quanto Yeonwoo estava machucado, mas as palavras embaraçadas no peito não se soltavam facilmente. Sentindo um nó na garganta, Chahyun cerrou os dentes e apertou o celular.
—Eu soube. Conheço um médico que pode operar agora mesmo, então, se a situação ficar difícil, faça só os procedimentos de emergência e venha direto para Seul.
Era definitivamente uma declaração esperançosa, mas Chahyun sentiu desespero até com aquelas palavras.
— Não… Eu não posso entrar.
Ele não podia entrar no hospital. Não só na sala de cirurgia onde Yeonwoo estava, mas nem as palavras de que Yeonwoo precisava ser salvo podiam ser transmitidas.
Os meios para salvar Yeonwoo, as qualificações, ele tinha jogado tudo fora no passado.
— O-o que eu faço? Você é médico. Porque você é médico, diga a eles para salvarem o Yeonwoo primeiro. O Yeonwoo primeiro…
—Acalme-se. A cirurgia? Está acontecendo?
— Está. Mas o Yeonwoo disse que salvariam a criança em vez dele. O médico disse que faria isso sem a minha permissão, mas eu, eu disse que não. Eu disse com certeza…
—Haa, o que você está dizendo. Se a cirurgia começou, você tem que esperar. …Passe de novo para o seu secretário.
— Deve ter alguma coisa errada…
Chahyun murmurava palavras incompreensíveis segurando o celular.
Sang-gyun, julgando ser impossível ter uma conversa com Chahyun, suspirou e procurou o secretário. Mas Chahyun só balançava a cabeça frouxamente e repetia o que dissera.
—Baek Chahyun! Você acha que isto é brincadeira?
Sang-gyun ergueu a voz e cortou as palavras de Chahyun.
—Faz sentido alguém que não é da família decidir sobre uma questão tão importante numa situação de emergência? Claro que vocês têm que seguir a vontade do Yeonwoo. Foi ele mesmo que escolheu.
— Eu disse que não. Eu disse que não ia permitir.
—Se a cirurgia começou, não há nada que você possa fazer agora. Tudo o que você pode fazer é torcer para que o Yeonwoo e a criança saiam vivos.
Os músculos da mandíbula de Chahyun se contraíram, sem conseguir aceitar as palavras de Sang-gyun de que não havia nada que ele pudesse fazer.
— …Não minta.
—Eu te avisei. Avisei para você não vir me incomodar depois. Você devia ter resolvido direito ou o casamento ou o Yeonwoo antes de isto acontecer!
Sang-gyun o repreendeu com uma voz fria sem precedentes.
—Recomponha-se, Baek Chahyun. Você chegou a este ponto fazendo tudo o que queria, e agora vai ficar teimando?
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna