Episódio 108
Capítulo 108 ── ⋆⋅☆⋅⋆
— Hã, o quê… por quê….
Yeonwoo gaguejou, conferindo o que estava na mão. Diante da cena, Chahyun se abaixou e agarrou a mão de Yeonwoo.
— O que há com você?
Só então Yeonwoo o notou e balançou a cabeça horrorizado, puxando o corpo para trás. No entanto, Chahyun, sem se importar com a rejeição, tentou verificar o estado de Yeonwoo.
— Me solta! Não faça isso!
Yeonwoo se livrou dele, recuperou rapidamente os sentidos e começou a fugir de novo de joelhos. Enquanto avançava a custo com gestos desajeitados, a palma da mão, que se apoiava nas folhas caídas, afundou de repente para baixo.
— Aaaah!
Perdendo completamente o equilíbrio, Yeonwoo rolou e caiu em algum lugar.
— Hong Yeonwoo!
Chahyun, que vacilara por um momento diante do sangue na mão, saltou tardiamente para agarrá-lo, mas Yeonwoo, que estivera bem à sua frente, desaparecera como se engolido pela terra.
Chahyun usou às pressas o celular para iluminar embaixo. Folhas caídas salpicadas de gotas de sangue foram iluminadas, e bem à sua frente ele viu um declive onde o terreno tinha cedido.
— Isso está me deixando louco.
Chahyun nem conferiu a profundidade antes de saltar. Mal conseguia ver à frente, então não havia outro jeito.
Com o som de galhos, folhas e terra despencando, ele rolou e caiu em algum lugar.
— Hngh, urgh…. A barriga, dói.
Ouvindo o gemido de Yeonwoo por perto, Chahyun se levantou abruptamente e se aproximou dele. Felizmente, o declive não era muito alto, mas era uma altura que podia ser bastante perigosa para um grávido.
— Hong Yeonwoo! Consegue se levantar?
Chahyun perguntou, agarrando o ombro de Yeonwoo.
Yeonwoo, que lutava para afastá-lo pouco antes, só gemia, segurando a barriga. Nem parecia perceber que Chahyun estava ao seu lado.
Chahyun, que estivera focado apenas em perseguir Yeonwoo, foi reconhecendo gradualmente a gravidade da situação.
Então Yeonwoo tinha caído na montanha no meio da noite e estava sangrando.
A partir daquele momento, Chahyun sentiu as pontas dos dedos congelarem.
— Yeonwoo-yah, o que foi? Hein?
Yeonwoo ainda não respondia. Iluminando com a lanterna do celular, ele viu que mais sangue escorria do baixo-ventre do que antes. A área de sangue vermelho-escuro encharcando a calça tinha aumentado.
O rosto de Yeonwoo, molhado de suor frio, não tinha cor nenhuma. Além disso, o corpo inteiro tremia como se tivesse calafrios.
— Porra.
Chahyun se abaixou às pressas para verificar o pulso de Yeonwoo.
— Dói…
Só então uma voz fraca chegou a custo ao seu ouvido. O coração de Chahyun disparou descontroladamente diante do som fraco.
— …Espere um pouco. Vamos para o hospital agora mesmo.
— ……
— Hein?
Chahyun perguntou de novo, ansioso, mas não houve resposta. Ele parecia meio fora de si, de olhos fechados e tremendo.
Chahyun engoliu um palavrão e ligou para o secretário Lee.
— Secretário Lee.
O outro atendeu imediatamente, mas não se ouviu nenhum som do alto-falante por um tempo.
— Secretário Lee!
—…Chefe? Pode falar.
A voz do secretário só foi ouvida depois de alguns segundos, porque o sinal era instável na montanha.
— O Yeonwoo está machucado. Chame uma ambulância agora mesmo.
—Para onde devo mandar? Por favor, me diga a gravidade dos ferimentos….
— Ah.
Chahyun, ao telefone, percebeu de repente de novo que aquilo era na montanha. Além disso, não conseguia ver nada à frente. Assim que sentira os feromônios de Yeonwoo no Templo Nuvem Carmesim, tinha corrido atrás dele sem considerar a direção ou o caminho.
E ainda por cima descera imprudentemente para onde Yeonwoo acabara de cair, então sabia ainda menos a direção.
— Hngh….
Naquele momento, Yeonwoo, que perdera a consciência, gemeu. Chahyun segurou firme o corpo convulsionado de Yeonwoo. Manteve a compostura e calculou friamente a situação atual.
Mesmo que chamasse uma ambulância agora, o carro não conseguiria entrar, então um helicóptero teria que decolar. No entanto, resgates de helicóptero são limitados à noite por problemas de visibilidade.
No fim, alguém teria que subir pessoalmente e, considerando a descida, era impossível saber quantas horas levaria o resgate.
A forma mais rápida de levar Yeonwoo ao hospital na situação atual era ele mesmo carregar Yeonwoo montanha abaixo.
— Posicione paramédicos na entrada do Templo Nuvem Carmesim. Vou descer com o Yeonwoo agora.
Chahyun, que tomou a decisão em poucos segundos, terminou de dar instruções ao secretário e desligou unilateralmente. Depois pegou Yeonwoo nos braços e se levantou.
— Aguente só mais um pouco.
— ……
Ele sussurrou para Yeonwoo, mas não houve resposta.
O corpo de Yeonwoo, sem força, continuava pendendo para baixo. Ele não conseguia carregá-lo nas costas por causa da barriga saliente, então tinha que andar segurando-o nos braços.
Chahyun sustentou Yeonwoo firmemente com os braços e começou a descer. Tentou garantir a visão com a luz segurando o celular numa mão, mas isso arriscava deixar Yeonwoo cair.
A contragosto, colocou o celular de volta no bolso. Até então, Chahyun estava confiante de que, mesmo sem enxergar à frente, conseguiria sair da montanha se descesse.
— Hah, hah.
Já tinha passado bastante tempo desde que se apressava daquele jeito.
A direção ainda não estava clara, e Yeonwoo, que tremia e gemia de vez em quando, tinha ficado quieto em algum momento.
Chahyun, que caminhava como se corresse segurando Yeonwoo, ficou ansioso e abaixou a cabeça.
— Hong Yeonwoo, acorde.
— ……
— Mesmo que doa, fique acordado. Hein?
Chahyun falou com a respiração ofegante. Yeonwoo não se mexia nem um pouco. Nem respiração, nem gemido.
Com a presença de Yeonwoo desaparecendo completamente, Chahyun começou a ficar cada vez mais com medo.
— Hong Yeonwoo! Me diga como a barriga dói, qualquer coisa. Hein?
Chahyun sacudiu com cuidado Yeonwoo nos braços, insistindo.
— Chahyun…ah.
Então, depois de um tempo, os lábios de Yeonwoo se abriram com uma respiração entrecortada.
— Sim, diga.
Ele respondeu, continuando a descer sem descanso.
— Eu, dói tanto….
Diante dessas palavras, Chahyun sentiu uma dor esmagadora dentro do peito.
As mangas da camisa dele estavam manchadas havia muito tempo com o sangue que Yeonwoo perdera. Era natural que doesse, tendo perdido tanto sangue.
Chahyun apressou ainda mais o passo.
— Só um pouco, aguente só mais um pouco. Estamos indo para o hospital agora.
— ……
— Hein? Hyung, por favor, me responda.
— …O nosso Saebyeok, e se acontecer alguma coisa com ele….
A voz de Yeonwoo estava embargada de dor e soluços.
— Eu, eu não fiz nada direito por ele….
— Não chore.
Chahyun apertou ainda mais os braços, abraçando Yeonwoo com firmeza.
Percebeu tardiamente que suas mãos tremiam incontrolavelmente. Não só as mãos. O corpo inteiro tremia de medo.
No entanto, tudo o que podia fazer naquele momento era segurar Yeonwoo mais fundo nos braços.
— Eu te disse. Aconteça o que acontecer, vou garantir que o Saebyeok nasça saudável.
Chahyun disse com firmeza, sem parar o passo. Tinha que concentrar toda a atenção para não demonstrar que também estava com medo.
— Eu te prometi que faria isso acontecer de qualquer jeito. Lembra?
— ……
— Diga que lembra, hyung. Por favor….
— Eu, acho que subi… longe demais.
Yeonwoo soluçou, cobrindo a barriga. Lá de baixo, algo pegajoso e morno vazava de vez em quando. Toda vez que isso acontecia, sentia como se o coração fosse parar.
Saebyeok, que estava ativo até então, não se mexia mais. Mais do que a dor na barriga, que parecia matá-lo, era mais agonizante não conseguir sentir os movimentos de Saebyeok.
Yeonwoo piscou, sentindo a respiração ofegante de Chahyun enquanto seu corpo sacudia, e o suor dele caindo constantemente sobre seu corpo. Ao redor estava escuro, mas os passos de Chahyun eram implacáveis. Como se ele enxergasse à frente.
Ele não sabia quanto tempo tinha passado. Só sentia frio, dor e pena de Saebyeok.
Se ao menos tivesse seguido Chahyun em silêncio quando foi pego. Então nada teria acontecido com Saebyeok. Por que insistiu em subir tão alto por teimosia? Mesmo sabendo que nunca conseguiria escapar completamente de Chahyun.
Mesmo com a consciência se apagando, a mente de Yeonwoo estava cheia de pensamentos ruins.
— É culpa minha. Se acontecer alguma coisa com o Saebyeok, é tudo…, hngh. Tudo culpa minha….
— Não. Por que seria culpa sua, hyung?
Chahyun cerrou os dentes. A rigor, isto era….
— O Saebyeok tem que… urgh, ser salvo, Chahyun-ah. …Tá?
— Só precisamos descer mais um pouco.
— Você, cumpra a sua promessa.
— Sim. Nada vai acontecer. Vamos estar no hospital logo, então não se preocupe, hyung. Com nada.
Mas nem Chahyun, que dizia isso, tinha certeza de nada. Se estava indo na direção certa, ou quanto mais teria que descer.
Enquanto o som de pisar em folhas caídas e a respiração ofegante de Chahyun continuavam a se alternar sem fim.
— Kghk!
O pé de Chahyun, que vinha se movendo sem descanso, prendeu-se numa raiz de árvore. Era um lugar onde o terreno mudava bruscamente, então havia muitas pedras e raízes grossas ao redor.
Chahyun lutou para recuperar o equilíbrio, mas era impossível segurando Yeonwoo.
No fim, seu corpo pendeu para a frente e mergulhou direto no chão.
Antes de o corpo tocar o chão, ele mal conseguiu abraçar Yeonwoo. Logo, impactos pesados atingiram em sequência as costas, os braços e a cabeça de Chahyun.
— Ugh…!
Ele não podia hesitar por ter caído. Sabia que tinha que se levantar imediatamente, mas surgiram tontura e dor na cabeça, que bateu em algo duro.
Chahyun não teve escolha a não ser deixar Yeonwoo no chão por um momento, ele que não o separou do corpo durante toda a descida. Franziu a testa e a tocou .
— Uurgh….
Então, ouvindo o gemido de Yeonwoo, se assustou e tateou o chão com as mãos na escuridão.
Tinha acabado de deixá-lo por perto, mas não conseguia sentir Yeonwoo, talvez porque tivesse perdido completamente o senso de direção por causa da dor de cabeça. As mãos de Chahyun, ainda tremendo como se não fossem dele, revolviam repetidamente o chão de terra.
— Não, não…. Hyung? Hyung, por favor.
Depois de tatear várias vezes, Chahyun finalmente encontrou o corpo deitado de Yeonwoo e lembrou-se tardiamente do celular, revirando o bolso.
Depois de se esforçar para não deixar o celular cair várias vezes, porque as mãos tremiam demais, acendeu a lanterna.
Examinou rapidamente o rosto e o corpo de Yeonwoo e, felizmente, ele não parecia ferido. No entanto, sua cor estava excessivamente pálida. Como a de um morto.
— Hah.
Chahyun balançou a cabeça, respirando como se negasse o pensamento que acabara de lhe ocorrer.
Ergueu Yeonwoo do jeito que estava. O corpo de Yeonwoo estava quente e molhado. Era porque estava encharcado de suor frio e sangue. Aquela sensação levou Chahyun a um medo ainda maior.
Quando ia dar outro passo, outra dor de cabeça o atingiu e seu corpo cambaleou, mas desta vez ele aguentou desesperadamente.
— Desculpe. Não vou cair de novo.
Ele murmurou, pressionando a bochecha contra a bochecha de Yeonwoo, que ficara quente de febre. Na verdade, repetia palavras semelhantes sem nem saber o que dizia.
— Estamos quase lá, então aguente só mais um pouco. Estamos mesmo quase lá….
Chahyun ignorou a dor de cabeça, que parecia uma sovela perfurando as têmporas, e começou a descer a montanha de novo.
O coração parecia prestes a explodir. Ele ainda não conseguia ver o caminho e não sabia se era a direção certa. Mas as pernas se moviam sem descanso.
Rápido. Mais rápido. Era tudo em que conseguia pensar.
E, milagrosamente, luzes fracas de postes começaram a aparecer à sua frente.
⛧°. ⋆༺♱༻⋆. °⛧
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna