Episódio 105
Capítulo 105 ── ⋆⋅☆⋅⋆
Yeonwoo o seguiu em silêncio.
Ficou desconcertado quando o monge Hyewon se ofereceu para vir, mas estar com ele o deixava muito menos ansioso. Mesmo com a possibilidade de Chahyun vir buscá-lo a qualquer momento, ele não se sentia particularmente nervoso.
Olhando para trás, a vida no Templo Nuvem Carmesim parecia bem confortável. Era um lugar tão isolado, afinal.
Viver ali todos os dias com uma rotina regular fazia as coisas que aconteceram com Chahyun na casa de campo parecerem um passado distante.
Se conseguisse dar à luz Saebyeok em segurança ali, depois do casamento de Chahyun amanhã, poderia conquistar o que mais desejava desesperadamente agora: manter a guarda de Saebyeok.
E esse dia realmente não estava longe.
— Fiel Seongju-nim.
Justo nesse momento, o monge Hyewon, que caminhava na frente, se virou e chamou Yeonwoo.
— ……
— Fiel?
— …Sim?
Yeonwoo, que estava perdido em pensamentos, respondeu com atraso.
— Por que está parado assim? As pernas estão doendo?
Diante da pergunta do monge Hyewon, Yeonwoo finalmente percebeu que tinha parado de andar e estava imóvel.
Yeonwoo caminhava pela cidade para pegar o ônibus até a entrada do Templo Nuvem Carmesim quando, sem perceber, parou em frente a um sebo.
〈Bolhas Redondinhas〉.
O livro infantil colocado em cima da pilha de livros chamou sua atenção.
Mesmo sabendo que o monge Hyewon o apressava, Yeonwoo estendeu a mão e o pegou. Era o livro que Chahyun trouxe à casa de campo, dizendo que comprou por impulso.
Yeonwoo sentiu uma dor formigante se espalhar dentro do peito ao segurar com força a capa desbotada.
— Vai comprar?
— Ah, só achei interessante por um momento…
— Pensando bem, o senhor vai precisar de livros quando a criança nascer.
Yeonwoo assentiu diante das palavras do monge Hyewon.
É verdade. Ele precisaria de livros para ler para Saebyeok quando ele nascesse. Embora não tivesse nenhum artigo de bebê agora e não pudesse comprá-los. Mas um livro não faria mal, faria?
— Chefe, vou levar este.
No fim, Yeonwoo comprou〈Bolhas Redondinhas〉.
Quando chegou ao Templo Nuvem Carmesim, o sol já estava se pondo. Quando viu a forma familiar do templo ao longe, sentiu alívio.
Em seguida, foi tomado pelo alívio de ter voltado em segurança sem ser pego.
Enquanto se aproximava lentamente da entrada do templo, o monge Hyewon, que vinha caminhando no ritmo de Yeonwoo, parou.
— Por que não vai entrar?
Yeonwoo, que também parou, perguntou.
— Tenho um assunto para resolver, então preciso descer de novo.
— Como? Então por que não disse antes…
— Fiquei preocupado em deixar alguém que não está bem andando sozinho. Agora que vi que o senhor chegou em segurança, vou descer.
— M-mas, se descer agora, vai ser tarde da noite.
— Estou acostumado com os caminhos da montanha, então não tem problema.
O monge Hyewon disse isso enquanto tirava o livro infantil que guardava em sua bolsa e o entregava a Yeonwoo.
Yeonwoo o recebeu com as duas mãos, já que o monge insistira obstinadamente em carregar ele mesmo o livro, achando que poderia ser pesado.
Ele se sentia estranho toda vez que via a ilustração da criança soprando bolhas e sorrindo.
— …Muito obrigado.
O monge Hyewon assentiu uma vez antes de voltar pelo caminho por onde tinham vindo.
Yeonwoo ficou olhando a figura dele se afastar por um tempo antes de finalmente entrar no templo.
No entanto, o clima lá dentro estava de alguma forma estranho.
* * *
Chahyun saiu da loja assim que terminou de falar com o assistente. O alfaiate, que esperava ao lado para terminar de tirar as medidas, ficou desconcertado, mas ele não tinha tempo de explicar a situação em detalhes naquele momento. Saiu deixando apenas a instrução de ajustar adequadamente e entrou imediatamente no carro.
Deu a partida e conferiu o celular, e havia uma mensagem. Era o endereço do templo enviado pelo assistente.
Templo Nuvem Carmesim. Nem pesquisando na internet aparecia muita informação sobre ele; era um templo muito pequeno.
Ele recebera alguns relatos vagos de avistamentos antes, mas era a primeira vez que os depoimentos sobre a localização e a aparência eram tão claros. A pessoa que lhe falara do Templo Nuvem Carmesim também era ex-funcionária da casa de campo, então era confiável.
Chahyun tinha tido certeza desde o momento em que recebeu a ligação do assistente. Desta vez, ele realmente encontti Hong Yeonwoo. E conseguiria trazê-lo de volta.
— O templo fica nas montanhas, então vai ser difícil subir. O senhor tem um compromisso importante amanhã, então seria melhor esperar a ligação da pessoa que mandei…
— Eu vou. Mande o endereço.
— …Entendido.
O conselho do assistente de que ele deveria tentar manter a agenda em Seul, já que o casamento era amanhã, não entrou nos ouvidos de Chahyun. Não havia outra opção a não ser ir ele mesmo.
Enquanto dirigia para Gangwon, sentiu os sentidos fracos que estavam adormecidos por um tempo despertando com nitidez. Todos os seus nervos estavam à flor da pele, o corpo formigando só com o nome de Hong Yeonwoo.
— Porra, por que tanto trânsito?
Mas sua paciência tinha se esgotado havia muito tempo. Chahyun agarrou o volante e soltou palavrões entre os dentes.
Queria ignorar todos os semáforos, mas até isso era impossível por causa do trânsito denso ao redor.
— Porra.
Era frustrante para ele, já que cada minuto e cada segundo eram urgentes. Estava ansioso que Yeonwoo percebesse algo e fugisse de novo enquanto o tempo era desperdiçado daquele jeito.
Sua expressão se contorcia ferozmente toda vez que o sinal ficava vermelho. Ao mesmo tempo, imaginações agourentas corriam soltas, agitando seus nervos à flor da pele. Cenas de Yeonwoo não estar lá quando ele chegasse, e ele próprio se decepcionando e procurando Yeonwoo sem fim de novo.
Só de imaginar, o peito pesava e o pulso disparava anormalmente. Ele já tinha soltado o volante que apertava com força e agora apertava o próprio pescoço com a mesma força.
— Hoo…
O ferimento que mal tinha cicatrizado se abriu de novo e começou a sangrar. Mas ele foi se sentindo melhor aos poucos. Os batimentos, que subiam como loucos, voltaram gradualmente ao normal.
Sentia o sangue escorrendo do pescoço pelo peito até dentro da camisa, mas não se importou nem um pouco.
Como o assistente disse, ele teve que estacionar o carro no pé da montanha e subir a pé para chegar ao templo.
Era uma tarefa fácil para Chahyun. Diferente do carro, que tinha que parar forçosamente em cada semáforo, ele podia ir tão rápido quanto quisesse.
Depois de se mover sem descansar um momento, Chahyun chegou ao destino num instante. Conferiu os caracteres chineses escritos na placa da entrada, “Templo Nuvem Carmesim”, e entrou.
Como ouvira, era um templo simples, quase sem nada para ver. Chahyun respirou fundo, tentando recuperar o fôlego entrecortado, e revirou os olhos ao redor para encontrar Yeonwoo.
— E-ei, o senhor está machucado? Está sangrando no pescoço!
Um dos visitantes, que por acaso viu Chahyun, se aproximou apressado e falou com ele. Mas Chahyun, como alguém que não conseguia ouvir nada, movia os pés rapidamente e só seguia a trilha de Yeonwoo.
— Ei! Quer que eu chame uma ambulância?
O visitante chamou Chahyun de novo.
— Quero falar com o monge daqui. Sabe onde ele está?
As palavras que finalmente saíram da boca de Chahyun não tinham nada a ver com a pergunta do visitante.
— Como? Se o senhor quer dizer o monge superior… eu o vi atrás do Salão Principal de Buda agora há pouco…
Chahyun se moveu antes de as palavras terminarem. Então encontrou um monge idoso prestes a entrar no Salão Principal de Buda e foi em sua direção.
— Monge. Com licença, há algo que gostaria de lhe perguntar.
— O que é?
O monge parou e se virou para olhar Chahyun.
— Estou procurando uma pessoa e queria saber se o senhor viu um homem com esta aparência.
Chahyun tirou da carteira uma foto de Yeonwoo e lhe mostrou. O monge superior olhou a foto de perto e balançou a cabeça.
— Nunca vi esta pessoa.
Chahyun olhou fixamente nos olhos do monge. O olhar dele era firme, sem o menor sinal de agitação.
Engoliu as palavras duras que estavam prestes a sair e abriu a boca.
— Vim até aqui depois de ouvir de uma testemunha que disse tê-lo visto aqui recentemente.
Chahyun entregou a foto de novo e de repente percebeu que as manchas de sangue em sua mão tinham passado para a foto como borrões.
— Ah, espere um momento.
Ele limpou rapidamente com as costas da mão. Mas não saiu tão facilmente quanto esperava. Quanto mais tentava limpar, mais seu sangue e suor sujavam o rosto límpido de Yeonwoo na foto.
Ele limpava desesperadamente o sangue do rosto de Yeonwoo na foto com a roupa, como um louco. Como se fosse algo nojento.
— Agora está bom. Gostaria que o senhor olhasse com mais atenção.
O monge superior olhou distraidamente para as ações de Chahyun, beirando a loucura, e então observou de novo a foto que lhe era apresentada.
— Este é um templo pequeno, então, se eu o tivesse encontrado, não teria como não saber. Desculpe, mas, mesmo olhando de novo, não conheço esta pessoa.
— ……
Chahyun ficou esgotado com as repetidas respostas negativas. Não reteve mais o monge superior e jogou o cabelo para trás com força. Seu corpo estava encharcado de suor de ter subido a montanha sem parar.
O suor que escorria pela linha do maxilar até o ferimento no pescoço deveria doer, mas ele ficou parado distraído, como alguém que não sentia dor, e apenas olhava fixamente para a foto na mão.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna