Episódio 106
Capítulo 106 ── ⋆⋅☆⋅⋆
— Aliás, fiel-nim, como o senhor arranjou um ferimento tão grande no corpo? Parece que precisa de ajuda.
— Estou bem.
Chahyun limpou com força, com as costas da mão, o ferimento encharcado de suor no pescoço. A gaze tinha caído havia muito tempo enquanto dirigia, então ele parecia bastante macabro para pessoas comuns.
— O senhor já ouviu falar do nome Hong Yeonwoo?
Havia desespero na pergunta de Chahyun. Era o bastante para o monge, que não sabia nada da situação, notar os sentimentos dele. Mas o monge superior balançou a cabeça.
— Nunca ouvi esse nome.
— Ele é uma pessoa realmente importante para mim, então, desculpe, mas posso dar uma olhada no templo por um momento?
Chahyun, cerrando os dentes, pediu repetidamente sem desistir.
— O senhor pode entrar no Salão Principal de Buda, onde fazemos a cerimônia budista, mas o acesso ao alojamento dos monges, onde vivemos, é proibido.
— …Entendo.
Ele respondeu relutante. Logo, o monge superior, que ia entrar no prédio, parou por um momento como se tivesse algo mais a dizer.
— O Templo Nuvem Carmesim está aberto a todos os budistas. Mas, por favor, lembre-se de que, se demorar mais hoje, pode ser difícil descer a montanha depois do pôr do sol.
Observando as costas do monge superior enquanto ele se virava depois de explicar, Chahyun se moveu para examinar o templo.
O lugar onde faziam a cerimônia budista era pequeno, e o prédio que parecia ser usado como moradia também parecia ter só alguns cômodos, pelo tamanho.
Ocorreu-lhe que a pessoa que a testemunha viu talvez não fosse Yeonwoo. Era raro um Ômega masculino grávido, mas não inexistente. Além disso, quando o corpo fica pesado, as pernas tendem a ficar desconfortáveis. Talvez tivessem confundido com outra pessoa.
Mas ele não tinha intenção de voltar assim. Mesmo tendo perguntado ao monge superior várias vezes, ele vasculhou tenazmente cada canto do templo com o olhar fulminante.
Independentemente de como as pessoas o olhavam, ele revistou cada fresta do prédio, o banheiro, os bancos e até o interior do Salão Principal de Buda, sem deixar escapar um único ponto.
Ainda sem conseguir encontrar Yeonwoo, pisou no alojamento dos monges, que o monge superior não permitiu. Não era difícil entrar no espaço de moradia porque havia pouquíssimas pessoas. A porta também não estava trancada.
No entanto, todos os poucos cômodos estavam vazios. Ele não conseguia sentir os feromônios de Yeonwoo nos cômodos semelhantes, com cobertores cuidadosamente dobrados, e não conseguia ver nenhum pertence que se pudesse presumir ser dele.
— …Não pode ser.
Não pode ser. Hong Yeonwoo tem que estar aqui.
Chahyun murmurou para si mesmo, erguendo o cobertor de algodão no cômodo em que entrara sem permissão.
— O que o senhor está fazendo aqui?
Nesse momento, uma mulher com veste de monge passou e se aproximou rapidamente de Chahyun ao descobri-lo. Era a Bodisatva da cozinha, que cuidava principalmente dos afazeres domésticos do Templo Nuvem Carmesim. Sua voz, desconfiada de Chahyun, tremia levemente de medo.
Isso porque a impressão de Chahyun, que entrou sem permissão, era mais aterrorizante do que a de um maníaco.
A mulher parecia prestes a gritar a qualquer momento, então Chahyun largou o cobertor que estava revirando e se levantou.
— Peguei o caminho errado.
Deu uma desculpa superficial e saiu do cômodo.
Chahyun estava confuso. Por mais que revistasse o templo inteiro, não conseguia ver Yeonwoo. Não conseguia encontrar nem um vestígio.
Ele realmente não está aqui? Tenho que ir embora sem nada assim?
Chahyun, que estava convencido de que conseguiria trazer Yeonwoo de volta hoje, saiu lentamente do templo com um olhar vazio. Depois olhou para a paisagem abaixo da montanha e pressionou com força as têmporas. Sentia como se estivesse pendurado precariamente num penhasco.
Depois de pensar um momento, surgiu-lhe a esperança fútil de que poderia haver outros prédios ao redor do templo.
É isso. Se eu subir mais, talvez apareça alguma coisa. Outro prédio ou um templo.
Concluindo que tinha que conferir pessoalmente, Chahyun começou a subir a montanha de novo. Seus olhos escuros estavam cheios de uma obsessão cega por Yeonwoo.
* * *
A essa hora, as luzes do templo deveriam estar acesas, mas hoje os prédios estavam todos escuros. Yeonwoo olhou ao redor desconfiado ao entrar no Templo Nuvem Carmesim.
Além disso, não só o Salão Principal de Buda, mas também as portas do alojamento dos monges estavam todas fechadas. Até a porta da cozinha.
— Com licença… Bodisatva da cozinha-nim? Monge superior-nim?
Apesar do chamado de Yeonwoo, o interior do Templo Nuvem Carmesim estava em silêncio.
Era um horário em que todos os visitantes já tinham ido embora, então não havia necessidade de fechar as portas daquele jeito.
Ele foi primeiro ao Salão Principal de Buda, mancando, mas o monge que costumava conduzir a cerimônia budista lá até o jantar não estava à vista.
Yeonwoo então foi à cozinha procurar a Bodisatva da cozinha. Mas a cozinha também estava vazia.
— Para onde todo mundo foi…
Yeonwoo, exausto de um dia muito cansativo, desistiu de andar mais e voltou ao quarto. Ia largar a bagagem e tirar o casaco quando ouviu um som vindo da porta.
— Quem é…
— Fiel Seongju-nim!
Yeonwoo se virou surpreso, e a Bodisatva da cozinha cruzava a soleira com uma expressão ainda mais surpresa. Ela olhou ao redor do lado de fora da porta como alguém perseguido por algo e depois fechou a porta.
— Bodisatva da cozinha-nim. Onde a senhora estava?
— Ah, eu estava só conversando no quarto do monge superior… Aliás, quando o senhor chegou? Sem fazer barulho.
— Cheguei há pouco. Aconteceu alguma coisa? Todas as luzes estão apagadas.
Yeonwoo perguntou sobre o que vinha se perguntando.
— Ai, meu Deus, olha a minha cabeça. Vou ter que acender quando sair depois. Enfim… o senhor vai ter que jantar no quarto hoje.
— Como? Por quê?
— É que…
A Bodisatva da cozinha abriu a boca para dizer algo, mas a fechou de novo. Enquanto ela hesitava, o monge superior entrou no quarto de Yeonwoo.
— Bodisatva da cozinha-nim. Eu explico.
— Ah, monge-nim. O senhor explica?
Quando o monge superior assentiu, a Bodisatva da cozinha disse que tinha que preparar o jantar e saiu do quarto.
Yeonwoo não sabia o que estava acontecendo, então se levantou de novo sem desfazer a bagagem direito e cumprimentou o monge superior.
— Aconteceu alguma coisa enquanto eu estava montanha abaixo?
O monge superior, que normalmente lhe diria para se sentar porque as pernas estavam desconfortáveis, não disse nada hoje por algum motivo. Talvez não tivesse tempo para prestar atenção nisso.
— Hoje veio um visitante procurando o fiel Seongju-nim.
E, depois de um tempo, Yeonwoo congelou ao ouvir as palavras que saíram da boca do monge.
— …Como?
Ele ficou tão surpreso que levou alguns segundos para entender completamente as palavras.
— O que… o que o senhor disse? Alguém me procurando, veio…?
— Sim. Parecia que o fiel Seongju-nim ainda não queria se ligar aos laços mundanos, então eu disse ao visitante que não o tinha visto.
— Q-quem… que tipo de pessoa, por que, estava me procurando?
Yeonwoo gaguejou e se aproximou do monge superior para perguntar. Ouvindo a voz instável dele, o monge superior deu tapinhas leves em seu ombro como se dissesse para não se assustar demais.
— Era um homem muito alto, de feições marcantes. Não perguntei o nome, então não sei.
— ……
Yeonwoo sentiu um desespero como se todo o sangue estivesse sendo drenado do corpo. Sentiu como se o chão afundasse sob seus pés.
Perdeu a força nas pernas com o choque e se sentou com cuidado no chão, encostado na parede. Sem perceber, agarrou de novo a bolsa que colocara no chão.
— Era… um homem?
— Sim. Ele tinha um grande ferimento em volta do pescoço.
Um homem alto, de feições marcantes. Devia ser Baek Chahyun. Ele não sabia por que ele tinha um ferimento no pescoço, mas, se havia alguém que viria até ali perguntar por ele, era muito provavelmente Baek Chahyun ou alguém mandado por ele.
— Eu o mandei de volta há pouco, mas, por precaução, seria melhor o senhor jantar separadamente no quarto esta noite. A Bodisatva da cozinha vai trazer em breve.
Significava que ele não deveria sair do quarto, se possível, hoje. Yeonwoo assentiu distraído.
Depois que o monge superior saiu e Yeonwoo ficou sozinho no quarto, ele mordeu o lábio inferior, sentindo a mão que segurava a bolsa tremer. Respirou fundo, mas não conseguiu se acalmar.
Como ele foi pego? Como ele achou o caminho até aqui? Logo no dia antes do casamento.
Pensamentos sombrios invadiram sua mente todos de uma vez, tão avassaladores que ele não conseguia lidar com eles.
Chahyun foi mesmo mandado de volta? E se o monge superior também estiver do lado dele? Se Baek Chahyun quiser, não há motivo para não conseguir fazer do monge superior e do monge Hyewon seus aliados.
Mesmo sabendo que o monge superior não o enganaria em circunstâncias normais, os pensamentos negativos excessivos criados pela ansiedade paralisaram a razão de Yeonwoo.
Devo fugir agora? …Mas já está escuro. Se eu descer agora, posso me perder ou escorregar e cair.
— Não…
Yeonwoo murmurou, cobrindo a barriga saliente. Se fosse deixar o Templo Nuvem Carmesim, teria que esperar pelo menos até de manhã.
Yeonwoo, que descera a montanha ele mesmo hoje, sabia melhor do que ninguém o quanto era perigoso se movimentar à noite.
Ficou olhando o vazio e depois colocou de volta nos braços a bolsa que segurava. Então se perguntou a que horas deveria acordar e sair amanhã, caso deixasse o Templo Nuvem Carmesim, e o que deveria dizer ao monge superior.
Se Chahyun já encontrou este lugar, vai mandar alguém de novo, mesmo que tenha deixado passar hoje. Com certeza.
Então, ficar no Templo Nuvem Carmesim deveria ser só até hoje, no máximo.
— Ele disse que o mandou de volta. Então hoje vai ficar tudo bem…
Yeonwoo se agachou no canto, meio fora de si, e repetiu para si mesmo. Decidiu esperar assim e sair assim que o sol começasse a nascer.
Quanto tempo se passou? Ele começou a ouvir vozes fracas do lado de fora.
Pensando bem, disseram que trariam o jantar ao quarto em breve. Era estranho não haver notícia, mesmo tendo passado bastante tempo. Ia sair, pensando se o monge Hyewon tinha voltado, mas Yeonwoo mudou de ideia e abriu a porta com cuidado, com a luz do quarto apagada.
Quando espiou pela fresta da porta, a voz fraca ficou muito mais nítida.
— Eu disse claramente para não fazer isso, que seria difícil descer a montanha depois do pôr do sol, para ter cuidado.
Era a voz familiar do monge superior. Com quem diabos ele está falando? Não parecia voz de mulher. É o monge Hyewon, afinal?
Yeonwoo prestou atenção e mordeu o lábio inferior de ansiedade.
Logo depois, a pessoa que conversava com o monge superior falou. Aquela voz também era familiar. Mas não era a do monge Hyewon.
— Eu me perdi na montanha, então ficou tarde demais. É possível ficar só por uma noite?
Baek Chahyun. O sangue sumiu do rosto de Yeonwoo.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna