Episódio 103
Capítulo 103 ── ⋆⋅☆⋅⋆
— Devido a algumas mudanças nas medidas do cliente, recomendamos um novo ajuste, focando na cintura e na cava.
— Quanto tempo vai levar?
Chahyun perguntou, sem se dar ao trabalho de esconder a irritação. O alfaiate trocou olhares com o funcionário ao lado antes de falar.
— Considerando o tempo da prova depois do ajuste, pode levar várias horas…
— Não preciso da prova. Só ajuste para servir no tamanho.
Chahyun se encarou no espelho, vestindo um smoking que parecia mais folgado do que antes. Parecia alguém sem absolutamente nenhum interesse no casamento.
Enquanto o alfaiate hesitava, tentando escolher as palavras com cuidado, uma voz familiar ecoou na sala.
— Está tudo bem o noivo que vai se casar amanhã ser tão desinteressado?
Chahyun se virou na direção da voz e viu Baek Ha-hyun parada ali.
— O que você está fazendo aqui?
— Vim conferir o terno que encomendei. O casamento do meu dongsaeng é amanhã.
Baek Ha-hyun disse casualmente, olhando ao redor da sala da alfaiataria.
— Soube que você estava aqui, então vim te ver. O noivo e a noiva estão fazendo as provas e os preparativos separadamente do começo ao fim, então achei que você podia estar se sentindo sozinho.
— Você veio porque estava curiosa para ver o quão patético eu estou, não foi?
— Isso também é verdade. Mas ouvi dizer que seu amante se escondeu?
Chahyun desamarrou rapidamente a gravata-borboleta diante do comentário deliberadamente provocador e jogou o paletó para o alfaiate. Com o pescoço exposto, o olhar de Baek Ha-hyun se voltou para ele.
— Parece que você ainda não o encontrou.
— Vou encontrar em breve.
Chahyun respondeu com indiferença.
— Por que não o deixa ir? Ele está até grávido, e o filho nem é seu. Você pode estar irritado agora, mas talvez seja melhor deixá-lo ir, já que ele sumiu por conta própria.
Diante dessas palavras, os cantos da boca de Chahyun, que estavam inexpressivos, se torceram levemente. Ele não sabia por que todo mundo que encontrara nos últimos dias estava tão ansioso para provocá-lo.
Tirou com força as abotoaduras firmemente presas nos pulsos e arregaçou as mangas.
— Noona.
Depois se aproximou de Baek Ha-hyun.
— Pare de se meter nos meus assuntos. Eu fico de boca fechada sobre a sua vida pessoal, não fico?
— Fui à casa de campo fazer um favor para a mamãe. Como eu ia saber que o Hong Yeonwoo-ssi estaria lá?
Com Chahyun parado perto demais, as manchas de sangue que tinham atravessado a gaze branca enrolada no pescoço dele ficaram claramente visíveis. A julgar pelo tamanho das manchas, o ferimento era maior do que ela ouviu.
Baek Ha-hyun reconheceu os olhos negros e inorgânicos do dongsaeng fixos em seu rosto e logo desviou o olhar do pescoço dele.
— Se já viu o bastante do meu estado patético, vá embora.
— …Estou com medo demais para dizer qualquer coisa.
— Eu é que deveria ter medo, já que cresci apanhando de você, noona.
Chahyun recolheu o olhar afiado e jogou o cabelo para trás com força. Baek Ha-hyun soltou uma risada vazia, como se estivesse perplexa.
— Quando foi que eu te bati?
— Levei quatro pontos no joelho porque você me bateu quando eu estava no fundamental.
— Esqueça o passado e siga em frente.
— Não consigo esquecer.
— Ugh… Não vou mais me meter, então vá a Suyeonjae por volta do almoço. Os pais dos dois lados vão estar lá. Você não esqueceu que vamos nos reunir por causa do seu casamento, esqueceu?
Chahyun suspirou e desabotoou o botão da camisa que tocava seu pescoço. Reprimiu conscientemente a vontade de continuar tocando a área já ferida.
— Você nem foi ao encontro de família há algum tempo. A mamãe e o papai estão preocupados.
— ……
— Já que decidiu se casar, faça direito.
Baek Ha-hyun aconselhou como se soubesse de toda a vacilação de Chahyun.
— Até mais tarde.
Com essas palavras, ela saiu da sala.
Depois disso, a prova prosseguiu de verdade. O alfaiate responsável por Chahyun era tão obcecado pelo trabalho que parecia determinado a não permitir nem 1 mm de erro, medindo Chahyun várias vezes. Depois anotava algo muito detalhado no caderno que trouxera.
Quando o processo ficou mais tedioso e difícil de suportar, veio uma ligação do assistente.
—Chefe. Pode falar?
— Fale.
Chahyun fez sinal para o alfaiate parar um momento e atendeu o telefone.
—Descobrimos onde o sr. Hong Yeonwoo está.
— O quê?
Os olhos de Chahyun se arregalaram com a notícia que veio pelo alto-falante.
— Onde ele está? Tem certeza?
—Presume-se que ele esteja hospedado num templo em Gangwon.
— Num templo? Ele não estava no templo onde fomos da última vez.
Chahyun relembrou os fatos sobre Yeonwoo que descobriu nos últimos dias.
Yeonwoo era filho da cuidadora trazida quando Chahyun, que sofria de desequilíbrio de feromônios no primeiro ano do ensino fundamental, teve que passar as férias de verão na casa de campo em Gangwon.
Foi a primeira vez que os dois se encontraram. Chahyun não se lembrava, mas as pessoas ao redor na época diziam que os dois eram bem próximos. Para ser preciso, era mais correto dizer que Chahyun gostava muito de Yeonwoo, que era dois anos mais velho.
O motivo de Yeonwoo conhecer tão bem a estrutura da casa de campo era ter ficado lá com ele por mais de um mês naquela época.
Yeonwoo saía com frequência com a mãe, que era cuidadora de Chahyun, nos dias de folga dela, e Chahyun investigou todos os lugares que se presumia que os dois tinham visitado naquela época.
Restaurantes, parques, casas de conhecidos, cafés, templos. Sem exceção. Ele vasculhou todos esses lugares, esperando que houvesse uma pista sobre Yeonwoo.
Mas o paradeiro dele ainda era desconhecido. O mesmo valia para o templo.
—O templo que mencionamos da última vez era o Templo Cheongho, e o lugar onde a pessoa que esperamos ser o sr. Hong Yeonwoo está hospedada desta vez é o Templo Nuvem Carmesim.
— Onde fica isso?
—Também em Gangwon. Fica a cerca de uma hora da casa de campo. Enquanto procurava funcionários que trabalharam na casa de campo há 13 anos, finalmente conseguimos contato com uma ex-funcionária que atualmente mora no exterior.
— E então.
Chahyun agarrou o pescoço com a mão, como se estivesse sufocando. Sua respiração ficava cada vez mais difícil.
Como acontecera muitas vezes antes, talvez também não conseguisse encontrá-lo desta vez. Sabendo disso, era difícil manter a calma.
—A ex-funcionária testemunhou que se lembrava do sr. Hong Yeonwoo ter ido com a mãe a um pequeno templo chamado Nuvem Carmesim. Então, quando íamos investigar o templo, apareceu uma testemunha que disse ter visto alguém, presumivelmente o sr. Hong Yeonwoo.
— O que disseram?
—Disseram que viram um homem grávido no Templo Nuvem Carmesim. Disseram que ele parecia pálido e parecia ter dificuldade com as pernas.
O coração de Chahyun afundou por um momento. Ele tinha certeza de que a pessoa de quem a testemunha falava era Yeonwoo.
Respirou rápido e apertou o celular com força.
— Onde fica esse templo? Mande a localização, agora.
—Mandamos alguém há pouco, então assim que tivermos notícias…
— Não precisa. Vou eu mesmo.
* * *
A vida no Templo Nuvem Carmesim era tranquila. O dia ali começava com uma cerimônia budista antes do amanhecer, às 4 da manhã. Enquanto os dois monges conduziam a cerimônia, a Bodisatva da cozinha preparava uma refeição cedo na cozinha.
Yeonwoo costumava acordar cedo para acompanhar a rotina do templo, mas, por estar grávido, muitas vezes estava sonolento demais para se levantar.
Os monges nunca o forçavam a acordar cedo nem lhe lançavam olhares de desaprovação, mas ele tentava ajudar diligentemente como podia, varrendo o pátio de manhã, tirando as folhas caídas do pagode de pedra e enchendo a tigela de água para os pássaros beberem.
Depois voltava para o quarto e o limpava e arrumava sozinho. Seu tornozelo estava desconfortável, então esse era o limite.
O Templo Nuvem Carmesim era um pequeno templo localizado na encosta da montanha, então era visitado principalmente por moradores que viviam na região havia muito tempo. Graças a isso, o templo estava sempre quieto e calmo, como seu nome sugeria.
— Tem carne de novo hoje. Não precisam fazer isso…
Yeonwoo olhou de relance para o monge superior, envergonhado ao encontrar carne em seu prato no café da manhã.
— É preciso evitar matar desnecessariamente, mas a doutrina budista não proíbe comer carne a quem precisa de uma dieta equilibrada.
— Mesmo assim, de agora em diante, vou comer o mesmo que os monges.
— O monge Hyewon não comia carne quando era criança? Ele comia muito bem.
O monge superior usou como exemplo o monge Hyewon, que estava bem ao lado, como se não houvesse problema. O idoso monge superior às vezes tratava o monge Hyewon, muito mais novo que ele, como um neto. Exatamente como agora.
— Monge superior…
O monge Hyewon, que fora o primeiro a permitir que Yeonwoo ficasse ali, chamou o monge superior constrangido quando sua história de infância surgiu de repente.
— Enfim, fiel Seongju, por favor, pense primeiro na sua saúde.
— …Obrigado.
Yeonwoo não conseguiu argumentar mais e abaixou a cabeça.
Ele vivia ali sob o pseudônimo de Jo Sung-ju, não Hong Yeonwoo. Yeonwoo ainda se sentia constrangido sempre que era chamado de “Seongju”, como se tivesse escolhido o nome errado.
Logo começou a refeição, e todos ficaram quietos. Era regra básica não falar durante as refeições, então Yeonwoo esvaziou em silêncio o prato à sua frente.
Depois de terminar o café da manhã, Yeonwoo voltou para o quarto e começou a arrumar a bolsa. Ia ao hospital hoje.
Amanhã finalmente seria o casamento de Chahyun. A menos que tivesse havido alguma mudança na data escrita no convite, Chahyun se tornaria marido de outra pessoa amanhã.
Originalmente, ele ia fazer a consulta no dia do casamento, mas os movimentos de Saebyeok estavam cada vez mais ativos, e ele estava preocupado com as cólicas constantes na barriga.
Além disso, era inquietante se movimentar no dia do casamento. Se fosse Chahyun, achava que ele mobilizaria mais gente naquele dia do que nunca.
Yeonwoo, julgando que o dia anterior seria melhor do que o próprio dia, colocou cuidadosamente na bolsa dinheiro, agasalho, o celular e lanches.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna