Episódio 102
Capítulo 102 ── ⋆⋅☆⋅⋆
No dia seguinte.
Uma batida ecoou no escritório e, antes que Chahyun pudesse responder, a porta se abriu. Chahyun, que lia o relatório sobre Yeonwoo entregue pelo assistente pouco antes, apenas revirou os olhos para identificar a visita inesperada que entrou sem permissão.
— O que houve?
Ele falou calmamente com a mãe, sem demonstrar nenhum sinal de surpresa.
A mãe olhou fixamente para o filho, que estava com a gravata completamente afrouxada e sentado torto à mesa, e suspirou baixinho.
— Não consigo falar com você, então o que mais eu posso fazer? Sua pobre mãe tem que vir te procurar.
Rugas apareciam e desapareciam em sua bela testa. Chahyun tirou o celular devagar. Tinha três chamadas perdidas da mãe.
A primeira não viu e não pôde atender, e as outras duas deixou deliberadamente sem resposta. Mas não esperava que ela viesse até ali.
Chahyun deu de ombros uma vez e voltou os olhos para o relatório que lia. O documento continha a formação acadêmica de Yeonwoo, endereços anteriores e histórico básico.
O assistente disse que precisava de mais tempo para investigar outros assuntos incomuns ou as circunstâncias específicas de como Chahyun conheceu Yeonwoo, que era o que mais o interessava.
— Não venha ao encontro de hoje.
A mãe abriu a boca, quebrando o silêncio que durou um tempo.
— Por quê?
Só então Chahyun ergueu a cabeça direito. Então encontrou o olhar da mãe, que fazia uma expressão insuportável.
Chahyun inclinou a cabeça com indiferença, como se mandasse ela explicar logo o motivo.
— Por quê, você pergunta? Olhe o seu estado agora.
— O que tem de errado com o meu estado?
— Um rapaz que nem consegue se lembrar direito de nada dele por causa do acidente, por que diabos!
A voz da mãe se elevou. Ela provavelmente já sabia do estado recente de Chahyun por boatos. E por que tinha acontecido.
— O que falta para você estar fazendo isso? O casamento é daqui a poucos dias. Hein? O que você está fazendo, Baek Chahyun?
Enquanto a voz exaltada dela ecoava no escritório, Chahyun pensava no encontro de que acabara de ouvir falar. Na verdade, tinha esquecido que havia um encontro de família hoje.
Não era relacionado à empresa, e o contato viera pelo número pessoal dele, então nem o secretário nem o assistente sabiam do compromisso. Como os dois não o mencionaram, o compromisso já tinha sido empurrado para o fundo da mente de Chahyun, que ultimamente estava cheia apenas do paradeiro de Yeonwoo.
— Vou entrar no salão do casamento com os meus próprios pés, de qualquer jeito, então não interfira no resto.
Chahyun disse com indiferença, como se o casamento fosse assunto de outra pessoa.
— Se eu soubesse que isso ia acontecer, não teria deixado você conhecer aquele garoto.
A mãe balançou a cabeça, arrependida, e encarou Chahyun. Depois acrescentou, como se falasse consigo mesma.
— Eu devia ter separado vocês desde o início.
Ouvindo as palavras dela, Chahyun pensou que a mãe provavelmente sabia algo sobre Yeonwoo e o passado dele.
Devia perguntar agora? Teve esse impulso por um momento, mas logo desistiu. Mesmo que perguntasse, ela não responderia direito. Também não seria informação objetiva. Ele descobriria de qualquer forma pelo relatório que chegaria em breve.
— Ouvi dizer que ele está até grávido.
A mãe, sem suportar ver as feridas auto infligidas no pescoço dele, mal conseguiu controlar a voz irritada.
Era difícil para ela aceitar o fato de que seu brilhante filho maknae estava abandonando a família e o trabalho e vivendo como um louco por causa de um Ômega.
— Só traga a criança e termine com o Yeonwoo.
— …….
— Volte a si agora.
Chahyun tentou esconder a gravidez de Yeonwoo o máximo possível, mas já era uma fase em que ela era visível. Ele sempre ia ao hospital com Yeonwoo e, acima de tudo, Baek Ha-hyun tinha visitado a casa de campo, então ele já esperava não conseguir impedir que a gravidez chegasse aos ouvidos da mãe. Por isso, as palavras dela não eram surpreendentes.
Ele, que estava apoiado no braço sobre a mesa e encarava a mãe com indiferença, como se olhasse outra pessoa, endireitou a postura.
— Mãe. A senhora não deveria dizer coisas assim.
Chahyun disse com um sorriso raso. Sentiu de novo a dor fantasma do pescoço apertando e cobriu o pescoço com a mão.
Não havia nada comprimindo seu pescoço, mas a gaze cobrindo a carne era irritante.
— Andei pensando. Qual é o sentido de eu me casar com a Oh Yumin?
Chahyun murmurou, respirando fundo diante do sufoco que enchia o peito.
— Não é bom só para a mamãe e o papai?
— Como você pode dizer isso agora? Você…
— O motivo de eu ir para o salão que a mamãe preparou sem dizer uma palavra também é o Yeonwoo. Mas, se ele não estiver lá, não sei qual é o sentido de tudo isso.
— O quanto isso é importante…! Esqueceu o que aconteceu com a sua tia no fim?
— …….
— Chahyun-ah. Proteger o que se tem nunca é fácil.
— É mesmo? Mas por que sinto que já perdi tudo?
Chahyun franziu a testa e finalmente arrancou a gaze que estava presa ao ferimento. Então ficaram à mostra as cicatrizes onde a carne foi arrancada pelas unhas e coberta de crostas.
Ao mesmo tempo, o rosto da mãe ficou branco.
— Não é diferente do que aconteceu com a tia naquela época.
— Ai, meu Deus…. Baek Chahyun!
— Não vou pedir à mamãe para encontrar o Hong Yeonwoo para mim, então nunca mais o mencione na minha frente.
Chahyun amassou a gaze diante da mãe, horrorizada com a visão do ferimento, e a jogou no chão. E agarrou o pescoço como se não aguentasse mais.
Quando ergueu as pontas dos dedos e fez força, as crostas do ferimento foram empurradas pelas unhas e descascaram. Sentiu sangue morno escorrendo pelo pescoço, mas Chahyun não se importou. A pressão que parecia bloquear sua respiração finalmente diminuiu um pouco.
Com uma expressão muito mais aliviada, estendeu as pontas dos dedos manchadas de sangue e ligou para a sala do secretário.
—Sim, chefe.
— Minha mãe está de saída, então, por favor, acompanhe-a.
— Chefe. Ouvi dizer que o senhor ordenou uma investigação sobre o sr. Hong Yeonwoo.
Um momento depois. O secretário, que saíu a trabalho e voltou, entrou no escritório com os documentos que precisavam ser aprovados hoje. Entregou a pasta a Chahyun e mencionou a notícia que ouviu do assistente.
— Sim.
— Posso perguntar por quê?
O secretário olhou de relance para o pescoço destroçado de Chahyun e desviou o olhar. A camisa de Chahyun, que estava bem até poucas horas antes, estava manchada de sangue.
Era uma cena que ele via com frequência ultimamente, então não se surpreendeu e pensou que deveria trazer uma camisa reserva.
— Achei que agora podia ser surpreendentemente importante. Como ele viveu, quando e fazendo o quê eu o conheci.
— Se for sobre o primeiro encontro de vocês, acho que posso lhe dar uma resposta breve de antemão.
Diante disso, Chahyun fez um gesto como se mandasse ele falar.
— Pelo que sei, os senhores se conheceram na casa de campo em Gangwon quando o senhor estava recebendo tratamento em isolamento por desequilíbrio de feromônios, quando era jovem, chefe.
— Eu vi o Yeonwoo pela primeira vez naquela época?
— Sim. Na época, o senhor tinha catorze anos, chefe, e o sr. Yeonwoo era filho da cuidadora.
— Conte mais.
Chahyun franziu a testa. Sempre que tentava se lembrar do passado relacionado a Yeonwoo, sua mente ficava coberta por uma névoa espessa.
Nesse meio-tempo, algumas cenas fragmentadas apareciam e desapareciam vagamente, repetidas vezes.
— Só ouvi de passagem a conversa entre os dois, então não sei os detalhes. No entanto, se a cuidadora estava hospedada na casa de campo naquela época, imaginei que o sr. Yeonwoo teria visitado a casa com frequência.
— …….
Chahyun refletiu sobre as palavras do secretário por um tempo e depois abriu a boca.
— Descubra se havia alguém que o Yeonwoo encontrava com frequência enquanto ia e vinha da casa de campo naquela época.
— Entendido.
— Se houver algum lugar que ele visitava com frequência, inclua também. Seja pessoa ou lugar.
* * *
O dia antes do casamento.
Chahyun foi à alfaiataria para a prova final antes da cerimônia.
O cerimonialista e o alfaiate vinham entrando em contato pelo secretário, de forma irritante, dizendo que ele precisava fazer a prova duas semanas antes, mas, na época, ele estava tão preocupado com Yeonwoo que os ignorou.
Por fim, apenas um dia antes do casamento, Chahyun pisou relutante na alfaiataria.
— Olá, cliente Baek Chahyun. Vou acompanhá-lo.
Chahyun seguiu para dentro o alfaiate responsável pelo seu smoking. Logo depois, um funcionário trouxe chá.
— Quanto tempo. Mas o senhor emagreceu muito desde a última vez.
O rosto do alfaiate escureceu ao olhar de relance o contorno do corpo de Chahyun. Isso porque os hábitos de alimentação e sono de Chahyun estavam no pior estado ultimamente. Não era só ter emagrecido um pouco; estava mais para definhado.
A mente do alfaiate ficou complicada ao pensar em como ajustar o tamanho do smoking já existente.
— Senhor. Com licença, posso ver o ferimento no seu pescoço por um momento? Pode ficar desconfortável na hora da prova.
O funcionário que trouxe o chá notou uma grande gaze no pescoço de Chahyun e perguntou com cuidado. Chahyun, sentado no sofá, abriu a boca como se estivesse irritantemente.
— Está tudo bem.
— Mesmo abotoando todos os botões da camisa do smoking, não dá para cobrir tudo se for tão grande. E na cerimônia de verdade…
— Posso cobrir separadamente na hora, então traga primeiro o smoking pronto.
— Entendido.
E o resultado foi como o alfaiate temia. O smoking que ele provara antes estava grande demais para Chahyun. Se fosse pronto, talvez deixasse passar até certo ponto, mas era impossível pelos padrões de uma peça sob medida.
Além disso, não era um dia qualquer, era o casamento, então ele tinha que ajustar direito de qualquer jeito. Mas o problema era que o casamento era amanhã.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna