Episódio 101
Capítulo 101── ⋆⋅☆⋅⋆
Depois que Yeonwoo desapareceu, o primeiro dia foi suportável, mas a paciência de Chahyun se esgotou a partir do segundo dia. E, no quarto dia, ele tinha perdido completamente o autocontrole.
Hong Yeonwoo tinha sumido sem deixar rastro, como se tivesse evaporado. Da última vez definitivamente não foi assim…
— …-nim.
Espera, da última vez? Como Hong Yeonwoo era naquela época?
— Chefe, o senhor está bem?
Quando uma dor de cabeça latejante o invadiu, Chahyun pressionou as têmporas. A administradora se aproximou e perguntou. Ela encarava Chahyun com um rosto que misturava medo e preocupação.
— O senhor não come nem descansa direito há dias… Por favor, coma alguma coisa hoje. Está bem?
Só então Chahyun tirou a mão da têmpora e contou os dias. Mal se lembrava de como os últimos dias tinham passado. Só o pensamento de que não encontrou Yeonwoo enchia sua cabeça.
Tinha certeza de que foi trabalhar por pouco tempo, mas não estava claro o que fez na empresa.
— Chefe? Sobre a refeição…
— Prepare a refeição.
Chahyun não sentia fome, mas assentiu mecanicamente. Quando a administradora desapareceu na cozinha como se fugisse, ele olhou de novo ao redor da casa de campo aberta. A casa vazia ainda lhe parecia estranha.
Como se tivesse entrado num espaço desconhecido, examinou o interior, e seus passos o levaram de repente ao quarto de Yeonwoo.
Era a primeira vez que entrava naquele quarto desde que Yeonwoo desapareceu. Secretamente, achava que estaria cheio de vestígios da partida dele, mas, surpreendentemente, não era diferente de antes.
Hong Yeonwoo não levou da casa de campo nem uma muda de roupa decente. Os objetos de valor que Chahyun lhe deu também estavam no lugar.
Só um boné velho, um par de sapatos, um colete de administrador roubado do segundo andar, a roupa que vestia naquele dia e uma bolsa eram tudo o que ele levou.
Ao passar para o quarto de Saebyeok, era a mesma coisa. O móbile, os sapatinhos e a touca que tinham escolhido juntos na loja de departamentos ainda estavam ali. A roupinha que Saebyeok deveria usar assim que nascesse também estava cuidadosamente colocada no lugar de sempre.
〈Bolhas Redondinhas〉.
Chahyun logo encontrou sobre a cômoda o livro ilustrado que comprou por impulso e cerrou os dentes.
Sentiu de novo a pressão apertando o pescoço e, inconscientemente, ergueu as unhas para agarrar o pescoço com força.
— Heok…
Tateou compulsivamente várias vezes, mas não conseguiu agarrar nada. Não havia nem gola o tocando, muito menos gravata. Mesmo assim, a sensação de sufocamento a cada respiração ainda não o largava.
* * *
O que o fez sair da casa de campo, onde ficou enfiado durante o fim de semana, foi uma mensagem do assistente.
[ Chefe. A entrevista com a babá está marcada para hoje às 16h.]
Chahyun, que estava à beira da loucura por não encontrar Yeonwoo mesmo depois de vasculhar cada canto, levantou-se assim que viu a mensagem. Tinha se esquecido completamente.
Com o parto de Yeonwoo iminente, ele tinha encontrado uma babá para cuidar de Saebyeok. Era uma babá experiente que cuidara de filhos de figuras influentes. A entrevista dela era hoje.
Só então Chahyun se levantou de onde estivera por tanto tempo. Era difícil acreditar que não sentira nenhuma motivação até aquele momento, mas terminou de se arrumar rapidamente. Não era exagero dizer que o corpo se movia sozinho.
Saindo da casa de campo sem demora, lembrou-se de que deveria encontrar a babá perto da empresa. Sentou-se no banco do motorista, pensando em passar na empresa por um tempo, já que o secretário Lee dissera que havia documentos para revisar.
Chahyun chegou à empresa pela estrada agora familiar. Depois foi ao escritório conferir os documentos que o secretário Lee mencionara.
Assim que saiu do elevador e ia abrir a porta, o assistente, que viera correndo ao trabalho depois de saber que Chahyun estava em Seul, o segurou.
— Chefe? O ferimento no seu pescoço…
O assistente, normalmente calmo, raramente demonstrava surpresa, e deixou a frase morrer, esquecendo-se de cumprimentá-lo. Só então Chahyun parou de entrar no escritório e tateou o pescoço.
Vinha coçando e arranhando constantemente ultimamente, então sentiu carne áspera, como se estivesse ferida.
— Seria melhor tratar antes de ir para a entrevista.
— Tudo bem.
Chahyun disse secamente, como se mandasse ele não fazer escândalo. Mas até o assistente, que normalmente obedecia às palavras de Chahyun incondicionalmente, não recuou desta vez.
— Como é uma entrevista com a babá, seria melhor pelo menos cobrir o ferimento.
— Eu disse que está tudo bem.
— Vou pegar remédio e curativos na enfermaria. Por favor, espere um momento.
Com isso, o assistente se virou e desapareceu sem permissão. Só então Chahyun entrou no escritório e conferiu o espelho pendurado numa parede.
Estava num estado mais horrível do que imaginara vagamente. A pele em volta do pescoço, que ele vinha rasgando durante todo o caminho até Seul, estava profundamente marcada pelas unhas. As manchas de sangue já tinham secado e manchado a roupa e a pele em volta do pescoço.
Sua aparência no espelho era claramente diferente de antes. A linha do maxilar estava proeminente porque não dormia nem comia direito, e os olhos brilhavam de forma doentia.
Ainda bem que não havia ninguém na empresa hoje, por ser domingo; se tivesse vindo trabalhar naquele estado num dia de semana, teria havido um alvoroço. Até para ele, sua impressão estava completamente diferente de apenas dez dias atrás.
Pensando bem, Chahyun percebeu que não se olhava direito no espelho ultimamente.
— ……
Ele olhou nos próprios olhos e encarou sua aparência terrível e estranha.
Como isso aconteceu? No início, ele só se sentiu atraído por Hong Yeonwoo. Começou a relação de forma leve porque se interessava pelo fato de ele ser um Ômega que namorou seu eu do passado.
Estava confiante de que poderia manipular facilmente um Ômega como Hong Yeonwoo, que não tinha nada e ainda por cima estava com uma criança. Mas por que estava naquele estado?
Mas a pergunta foi só momentânea, e logo ele tirou os olhos da própria aparência e se sentou na cadeira.
O assistente, que chegou logo depois, aplicou remédio no pescoço de Chahyun e colocou gaze. Graças a ter trazido, junto com o remédio, uma camisa nova que carregava para emergências, ele pôde trocar a camisa manchada de sangue. Parecia um pouco melhor do que antes.
Chahyun tentou revisar os documentos que o secretário Lee mencionara enquanto tinha tempo, mas era difícil se concentrar e não conseguiu ler direito nem uma página.
Por fim, chegou a hora de ir ao local da entrevista.
— Olá, chefe. Meu nome é Jung Aeseon.
A babá, que já estava sentada, levantou-se e cumprimentou Chahyun educadamente.
A entrevista, que começou imediatamente, foi tranquila no geral. O desejo da babá de assumir o trabalho era firme, já que o salário oferecido por Chahyun estava bem acima da média e as outras condições de trabalho eram decentes.
— Mas… um dos pais não vai vir?
A babá olhou de relance para o pescoço de Chahyun e perguntou sobre Yeonwoo. Normalmente, quem vai dar à luz vem à entrevista com a babá. Ou o casal vem junto.
Era a primeira vez que só um dos pais vinha, como Chahyun.
— Ele tinha outro compromisso e não pôde vir comigo. A perna dele está um pouco desconfortável no momento.
— Entendo. Espero poder conhecê-lo algum dia. Eu gostaria de perguntar com antecedência se havia algo especial que o preocupasse em relação à criação.
— Apresento depois. Ele vai voltar logo.
— Sim, entendo.
O pai que não pôde vir estava viajando? Mas ele disse que a perna estava desconfortável. A babá ficou intrigada com as palavras contraditórias, mas não se deu ao trabalho de perguntar em detalhes.
A entrevista terminou assim.
Falar sobre os cuidados pós-parto de Yeonwoo e a criação da criança com a babá o fez sentir como se despertasse de um torpor.
Aproveitando a ocasião, a cabeça de Chahyun, que vinha funcionando devagar como se estivesse pesada, começou a girar rápido.
No carro, voltando para a empresa depois da entrevista, Chahyun decidiu abordar Yeonwoo por uma perspectiva diferente.
— Sobre as instruções que dei antes.
Ele disse ao assistente, que segurava o volante.
— Sim, chefe.
— Há mais uma coisa que quero acrescentar.
— Diga, por favor.
— Quero que você investigue direito o Hong Yeonwoo desta vez.
O assistente ficou em silêncio por um momento, como se tentasse entender o sentido.
— O que o senhor quer dizer sobre o sr. Hong Yeonwoo…
— Tudo. Sem deixar escapar nada. Onde nasceu, como cresceu e, principalmente, quando eu o conheci.
Chahyun sentiu que era hora de preencher as memórias vazias.
Até agora, não se deu ao trabalho de descobrir o ponto de interseção entre seu eu do passado e seu eu atual, mas esse fora o maior erro. Porque a única pessoa que era a interseção entre seu passado e seu presente era Hong Yeonwoo.
Se ele conhecesse a fundo o Hong Yeonwoo que conheceu antes de perder a memória, não o teria perdido tão facilmente.
Precisava descobrir primeiro como Hong Yeonwoo conhecia a estrutura da casa de campo e a localização dos objetos.
Se ele já tinha estado na casa de campo no passado, tinha certeza de que encontraria ali uma pista do paradeiro de Yeonwoo.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna