↫─Capítulo ⚝ 30
↫─Things That Deserve To Die ⚝ 30
O céu noturno estava coberto de nuvens escuras como se estivesse prestes a chover, e o vento soprava bastante frio. Lee Ja-kyung deu uma olhada na bebida e nos petiscos que haviam sido deixados na mesa pelos funcionários. O coquetel doce com aroma de pêssego provavelmente pertencia a Lee Ja-kyung. E a bebida forte devia ser de Kang Il-hyeon.
Enquanto olhava para a piscina, ele pegou um pedaço de gelo do balde e o colocou na palma da mão. A cor da água da piscina mudava de várias formas por causa da iluminação que vinha do fundo. E uma música suave tocava no alto-falante ao lado.
Jogar gelo na piscina produzia um som de mergulho. Era divertido, então ele jogou mais alguns e se levantou. Ele colocou a mão na água e ela ainda estava gelada. Ele retirou as mãos e caminhou ao redor da piscina.
Kang Il-hyeon sugeriu que eles voltassem para casa, jantassem e depois se divertissem na piscina. Lee Ja-kyung recusou, dizendo que não gostava, mas Kang Il-hyeon nem fingiu ouvir. Ele já tinha encontrado o USB de qualquer maneira, não havia razão para ficar por perto dele de propósito. No entanto, pensou que se recusasse mais, seria provocado, então decidiu sair e fingir que estava sentado ali.
Lee Ja-kyung sentou-se na espreguiçadeira e deu um gole no coquetel trazido pela equipe. Tinha gosto de uma bebida não alcoólica. Ele não gostava de coisas doces, mas o sabor estava aceitável. Após esvaziar cerca de meia taça, ele pegou os canapés que foram servidos como petiscos. O funcionário explicou que o que havia por cima era caviar beluga. Um pouco de pó de ouro também estava polvilhado sobre ele.
Um mosquito voou e pousou em seu braço enquanto ele comia os petiscos. Ele deu um tapa e fez um som alto. Ele o espantou com uma careta. Ele tinha visto o repelente funcionar alguns dias antes, mas como a área era cercada por uma floresta, estava sempre infestada de mariposas e insetos.
— Você não vai nadar?
Um homem de roupão azul escuro se aproximou, mas ele não o reconheceu de primeira. Kang Il-hyeon saiu do banho com o cabelo solto cobrindo a testa. Foi a primeira vez que Lee Ja-kyung o viu assim desde que chegou, e ele parecia muito mais jovem. No entanto, ele não aparentava ter menos de 30 anos…
— Como estava o coquetel? O bartender mesmo quem fez.
Ele contratou um bartender hoje só para beber isso. Se houver algo que você queira, ele fará para você. Lee Ja-kyung não bebia muito de qualquer maneira, então duas ou três taças eram o limite. Enquanto saboreava o gosto, Kang Il-hyeon virou-se e tirou o roupão.
Enquanto pegava cerejas da taça de coquetel, o olhar de Lee Ja-kyung alcançou as costas dele e ficou fixo ali. Um corpo verdadeiramente impecável. Não havia gordura e o músculo era denso. Os ombros eram largos e as proporções eram incríveis.
Foi uma surpresa ele não ter uma tatuagem nas costas. Lee Ja-kyung achou que ele teria pelo menos uma tatuagem de dragão. Ele colocou a cereja na boca, e Kang Il-hyeon se virou. Os olhos de Lee Ja-kyung se arregalaram. Ele quase cuspiu a cereja. Ele queria perguntar o que ele havia colocado na cueca.
Kang Il-hyeon caminhou até ele e pegou uma taça de vinho.
— Saúde.
Parado de perto e estendendo a taça, a frente de sua sunga triangular estava bastante volumosa. Lee Ja-kyung se perguntou se era uma ereção ou se era sempre daquele jeito mesmo quando ele não estava excitado. Era difícil manter a expressão séria. O tronco de Lee Ja-kyung recuou lentamente para trás sem que ele percebesse.
— Você quer um pouco?
Kang Il-hyeon pegou a cereja de sua taça e a estendeu para Lee Ja-kyung, que olhou para cima surpreso.
— Você parece ter gostado.
Porra. Kang Il-hyeon falou com ele enquanto ele olhava para baixo. Ele desejava que pudesse ir nadar ou sentar por um tempo. Ele estava confuso sobre o porquê de esse homem estar fazendo aquilo bem na frente de seu rosto. Virar as costas o faria parecer consciente da situação, e permanecer naquela posição o irritava.
— Por que você continua dando olhadas para o meu pau?
Foi chocante e embaraçoso ao mesmo tempo. Quando Lee Ja-kyung olhou para ele, ele sorriu e ergueu a taça.
— Eu não dei olhadas… É porque está saltado desse jeito na minha frente…
— Deve ser uma ilusão de ótica. Parece que está saltado mesmo quando não está. Porque é muito grande.
— …
Na verdade, quando foi para a cama na noite passada, ele estava pensando em Kang Il-hyeon. Lee Ja-kyung sentiu um pouco de pena de Kang Il-hyeon por ele ter perdido a mãe quando jovem e ter que ser morto pelo próprio pai ao envelhecer. No entanto, a boca deste humano tem o talento de arruinar tudo. Mesmo se ele morresse, continuaria sendo um canalha.
Kang Il-hyeon virou-se, pousou a taça e foi para a piscina. A combinação da água escorrendo com o som dos insetos era agradável. Lee Ja-kyung sentou-se na espreguiçadeira e encarou Kang Il-hyeon. Seus músculos encharcados brilhavam ainda mais sob a luz.
Ele parecia uma pessoa diferente hoje com o cabelo solto. Ele mergulhou direto na água. Quando nadou até o fim da piscina, parecia mais um golfinho do que um humano. Ele não estava brincando quando disse que era bom em natação. Ele fez uma curva poderosa na frente da parede e não saiu da água até voltar ao ponto inicial.
Kang Il-hyeon emergiu da água e limpou o cabelo molhado, sorrindo brilhantemente para Lee Ja-kyung. Lee Ja-kyung não conseguiu nem piscar e ficou atordoado por um momento com a visão. Bonito. Bonito pra caralho. Ele tardiamente recobrou os sentidos e desviou o olhar.
Kang Il-hyeon saiu da piscina, pegou um roupão e o vestiu. Ele abriu a boca e xingou enquanto mordia o lábio inferior.
— Porra. Está muito frio.
Lee Ja-kyung, que bebia o coquetel, tinha dificuldade em conter o riso. Kang Il-hyeon se perguntou quando Lee Ja-kyung tiraria a roupa. Lee Ja-kyung ficou sentado ali com uma expressão fria mesmo depois de Kang Il-hyeon entrar na água gelada. Kang Il-hyeon sorriu e virou a cabeça para o lado antes de se aproximar e sentar na frente dele.
— É engraçado?
Lee Ja-kyung balançou a cabeça. Mas o riso não parava uma vez que começava. Ele não riu alto, mas a aparência de Kang Il-hyeon há pouco era humana demais. Lee Ja-kyung mordeu o lábio inferior, mas suas bochechas continuavam a tremer. Ele não conseguiu se conter, então enterrou o rosto entre as pernas.
— Você está rindo.
Lee Ja-kyung, que estava com o rosto enterrado entre as pernas, levantou a cabeça lentamente.
— Você realmente riu pela primeira vez.
Lee Ja-kyung sentiu como se tivesse levado um choque. Kang Il-hyeon segurava uma taça de vinho na mão enquanto contemplava a piscina calma. O som dos insetos estava especialmente alto porque ambos permaneciam em silêncio. Kang Il-hyeon chamou o funcionário após terminar o coquetel. O funcionário trouxe o próximo coquetel. Era como se o universo estivesse contido dentro da taça. Lee Ja-kyung sacudiu o copo e olhou para dentro maravilhado.
— Você não sente falta da sua mãe?
Ele soava como se estivesse fazendo uma pergunta a uma criança. Lee Ja-kyung balançou a cabeça diante da pergunta repentina sobre sua mãe.
— Falamos ao telefone todos os dias, então está tudo bem…
— Qual é a sensação?
— Sim?
— De ter uma mãe.
Lee Ja-kyung não respondeu. Qual é a sensação?
— É bom…
Ele estava confuso sobre o motivo de Kang Il-hyeon estar fazendo tal pergunta. Lee Ja-kyung sabia sobre a morte da mãe de Kang Il-hyeon. Ela se enforcou no parapeito da varanda do segundo andar. Lee Ja-kyung ponderou por que ela se mataria. Ele não achava que uma esposa rica teria problemas. O som agradável dos gafanhotos havia se tornado melancólico.
Kang Il-hyeon, que olhava indiferente para a superfície calma da piscina, voltou a falar.
— Quando olho para a piscina, penso na minha falecida mãe.
Kang Il-hyeon foi o primeiro a trazer à tona a história da mãe.
— Você deve ter nadado com sua mãe quando era jovem…
— Não. Ela tentou me matar me afogando na piscina.
— …
— E depois de um tempo, ela se enforcou e morreu.
— …
Kang Il-hyeon franziu a testa enquanto bebia o resto de sua bebida. Ele então voltou o olhar para Lee Ja-kyung.
— Eu entendo. Deve ter sido terrível viver com um homem de quem você não gosta e ter um filho como eu.
Por um momento, Lee Ja-kyung não soube o que dizer. Após um longo silêncio, Kang Il-hyeon olhou para o céu e murmurou. Oh, sinto falta da minha mãe.
O que há com ele… Naquela atmosfera séria repentina, Lee Ja-kyung estava sem palavras. Kang Il-hyeon virou a cabeça e olhou para Lee Ja-kyung.
— Eu gostaria que alguém me confortasse.
Ele olhou fixamente para Lee Ja-kyung, mas não havia um vestígio de tristeza em seus olhos.
— Eu quero ser confortado, Yi An.
Ele estendeu a mão com uma expressão sombria, como um cachorro na chuva, o que não combinava com ele. Ele nem parecia digno de pena, mas sim assustador. Lee Ja-kyung balançou a cabeça para os lados enquanto pegava a melancia servida como petisco. Considerando que ele quase morreu nas mãos dos pais, parece que ele também tinha muito a dizer. Kang Il-hyeon permaneceu em silêncio.
— Conforto.
Kang Il-hyeon continuou falando insistentemente, então Lee Ja-kyung virou as costas e comeu a melancia lentamente, fingindo não notar. Enquanto isso, mosquitos continuavam a grudar em suas mãos. Pensando bem, os mosquitos só atacavam Lee Ja-kyung. Mosquito, você também não gosta de Kang Il-hyeon, não é? Lee Ja-kyung queria perguntar se ele podia ter uma conversa. Kang Il-hyeon falou com ele enquanto espantava o inseto com a mão.
Kang Il-hyeon levantou-se com um cigarro na boca e estendeu a mão.
— Entre. Não suporto os mosquitos.
Lee Ja-kyung, que estava incerto, pegou a mão. Ele levantou-se devagar, mas foi puxado de repente. Hein? Ele tentou se equilibrar, mas estava um passo atrás. Em um instante, seu corpo mergulhou na piscina.
Quando emergiu na água com os braços balançando, viu Kang Il-hyeon fumando um cigarro aceso e sorrindo como um vilão. Lee Ja-kyung gritou furioso.
— O que você está fazendo!
— Eu gostaria que você tivesse feito isso.
Kang Il-hyeon tomou um gole de seu vinho e recuou enquanto acenava levemente com a mão. Ele disse a Lee Ja-kyung para pensar no que fez de errado ali e não sair até que tivesse feito isso, então se virou e foi embora. Lee Ja-kyung, que estava estupefato, descobriu mais tarde que seus óculos haviam desaparecido. Quando olhou, percebeu que estavam bem ao lado da melancia que acabara de comer. Ah, porra.
Ele saiu da água gelada. Estava rangendo os dentes e caminhando em direção à casa quando começou a chover. Lee Ja-kyung olhou para o céu com olhos ressentidos.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna