↫─Capítulo ⚝ 18
↫─Things That Deserve To Die ⚝ 18
— Você pode experimentar.
Kang Il-hyeon entregou a Ja-kyung o cigarro que estava fumando. Ja-kyung permaneceu em silêncio. Talvez ele tivesse percebido. Se sim, até que ponto? Seu olhar estava concentrado no cigarro que Il-hyeon segurava, mas um milhão de pensamentos passavam por sua mente. Nada poderia ser decidido agora. Ele sorriu brevemente e recusou a oferta.
— Meus pulmões são ruins…
— Mentira.
Kang Il-hyeon sorriu e recuperou o cigarro, esfregando-o no cinzeiro para apagá-lo enquanto Ja-kyung tossia e dispersava a fumaça flutuante com as palmas das mãos. Ele cruzou os braços contra o sofá e encarou Ja-kyung intensamente. Ja-kyung tossiu novamente, cobrindo a boca com as costas da mão e examinando os olhos de Kang Il-hyeon.
— O senhor vai contar ao vovô?
Il-hyeon não respondeu. Ja-kyung fez uma expressão preocupada.
— Não conte a ele. Se ele souber que eu tenho uma tatuagem, vai me dar uma bronca…
Sua voz falhou como a de uma criança sendo repreendida pelos pais. O outro despejou bebida no copo ao lado dele após enchê-lo com gelo. O líquido castanho preenchia metade do copo transparente. Ja-kyung olhou para ele ansiosamente, esperando que dissesse qualquer coisa. Ele tomou um gole sem dizer nada.
— Qual é o problema?
— O senhor sabe… que tipo de pessoa ele é.
— Bem, o velho é antiquado.
O som do gelo movendo-se dentro do copo estava bem alto. Ja-kyung assentiu com uma expressão sombria no rosto.
— Isso mesmo… Superprotetor demais… Por isso, às vezes… é sufocante…
Kang Il-hyeon estava em silêncio enquanto balançava o copo na mão.
— Foi divertido vir aqui e sair com pessoas da minha idade… É um intervalo revigorante. Na verdade, em Hong Kong… eu nem consigo imaginar…
Ja-kyung baixou as sobrancelhas e fez uma expressão triste. Ele lambeu os lábios várias vezes e suspirou enquanto interpretava Zhang Yi An. Quando uma pessoa está em crise, a atuação surge naturalmente. É por isso que os instintos de sobrevivência são assustadores. Wang Han achava difícil ensiná-lo antes.
— Porque foi assim que meu pai morreu… Eu sei que o vovô se preocupa demais. Mas eu sou um adulto agora. E então, quando o diretor afirmou que havia designado secretamente alguém para me vigiar… foi por isso que fiquei ainda mais zangado… Não parece muito diferente de viver em Hong Kong. É sufocante…
Seus olhos estavam vermelhos e ele se curvou para falar. Il-hyeon esvaziou todo o álcool restante, e Ja-kyung esperou um pouco antes de continuar.
— O diretor deve ter se sentido da mesma forma que meu avô… Foi imprudente da minha parte ficar zangado… Sinto muito.
Ele mordeu o lábio inferior e baixou os olhos com uma expressão de desculpas. Ele estava silencioso como um morto. Quando olhou para cima, notou Il-hyeon verificando algo no telefone. Ele estava fazendo outra coisa enquanto deixava as pessoas nervosas. Il-hyeon olhou para Ja-kyung enquanto mexia no aparelho.
— Sinto muito. É uma ligação importante.
— Sim…
— Vamos parar por aqui. Durma bem.
Il-hyeon levantou-se e fez uma ligação para algum lugar. Enquanto falava sobre um negócio, ele entrou no quarto e desapareceu. Ja-kyung, que fora deixado sozinho, olhou ao redor da sala fechada com uma expressão perplexa. O quê. Ele criou uma atmosfera estranha agora pouco. Ja-kyung tentou até derramar lágrimas.
Ele se levantou e encarou o ponto onde Il-hyeon havia desaparecido. Suas pernas estavam ligeiramente relaxadas sem que ele percebesse. Quando ele saiu, a governanta aproximou-se e perguntou se ele queria comer lanches.
— Não. Está tudo bem.
— Por quê? Você ainda tem idade para comer lanches.
Essa idade já passou há muito tempo. Ele não tentou enganá-la, mas sorriu sem jeito e recusou a oferta. Ele se lembrou da avó de Wang Han ao olhar para ela. Ja-kyung mudou-se para a China para morar com a família de Wang Han, onde conheceu a avó dele.
Mesmo que fizesse muito tempo que ela morrera, a figura sentada no pequeno quintal fazendo tricô era inesquecível. Ela se preocupava com Ja-kyung e oferecia muitas palavras úteis. Ela também instalou em Ja-kyung os valores de praticar o bem e viver. Ele não tinha ideia de que praticar o bem seria matar pessoas.
Ja-kyung, que caminhara até o segundo andar, entrou no banheiro e suspirou de alívio. Era o único lugar na casa onde ele podia passar o tempo confortavelmente. Ele relembrou a situação que tivera há pouco. As palavras, ações e expressões faciais de Kang Il-hyeon.
Ja-kyung se perguntou quando Il-hyeon vira a tatuagem. Provavelmente foi quando a camisa que ele usava no porão ficou bagunçada. Talvez ele tivesse visto algo mais. Il-hyeon olhava para ele com desconfiança em um dia, depois olhava como um irmão próximo no outro, e Ja-kyung não conseguia ter uma pista.
Ele tirou os óculos e abriu a torneira da pia para lavar o rosto. Encostou-se nela e olhou para si mesmo no espelho. Enquanto a água escorria, havia uma sensação persistente de tensão em seu rosto. Ele colocou a mão no bolso da calça para pegar o telefone e sentou-se na banheira.
Muito tempo depois que o sinal passou, a voz de Wang Han foi ouvida.
— O que você está fazendo a esta hora?
— Liguei porque tenho algo para perguntar.
— O que há de errado com a sua voz? O que está acontecendo?
— Por favor, descubra quem encomendou este trabalho.
Wang Han permaneceu em silêncio, como se estivesse confuso. Se um pedido chega por meio de um intermediário como Dmitry, em vez de um pedido direto, ele nunca deveria perguntar ou questionar sobre o cliente. Mesmo que não estivesse especificamente declarado no contrato, era uma regra implícita nesta indústria. Ja-kyung nunca a quebrou durante uma tarefa.
A voz de Wang Han estava muito nervosa, pois ele achava que algo estava errado.
— O que aconteceu?
— Não, nada ainda.
— Como assim nada ainda? E não tem como o Dmitry te dizer isso.
— Se você nao me disser, eu te devolvo o pagamento adiantado e vou embora.
— Ja-kyung.
— Estou falando sério.
Wang Han não fez mais perguntas. Ele também estava inquieto desde o início, então assumiu que havia um motivo para Ja-kyung fazer isso. No entanto, começar um trabalho e desistir no meio era arriscado. Quando os boatos se espalhassem, haveria um preço a ser pago em termos de confidencialidade do cliente, fosse em dinheiro ou no próprio corpo.
— Tudo bem. Tudo o que tenho que fazer é descobrir o mandante.
— Por favor. Vou desligar.
Depois de desligar, Ja-kyung colocou o telefone no bolso e olhou para si mesmo no espelho.
— Você fala educadamente, mas seus olhos atrás dos óculos são tão arrogantes.
Seus lábios se apertaram. Parece ridículo, mas naquele momento, ele se perguntava se Kang Il-hyeon era o cliente. Seria inesperado se outros ouvissem isso. Havia muitas pessoas que encomendavam a própria morte.
No entanto, não era sem razão. Logo após começar este trabalho, ele foi contratado por um famoso dançarino russo que tinha um caso com a esposa de um político. O homem, que acreditava que não poderia ter a mulher completamente, ficou deprimido e acabou solicitando que Ja-kyung o matasse.
No dia em que a mulher e o marido dela foram ver uma apresentação, ele pediu para ser brutalmente morto na frente da multidão. Ele queria que a mulher se sentisse culpada pelo resto da vida. Não, mesmo que ela não se sentisse culpada, ele queria que ela se lembrasse dele para sempre. Eventualmente, o dançarino morreu, e isso foi noticiado na mídia por um tempo.
Seguindo isso, a mulher também aparecia frequentemente na mídia. Apesar dos desejos do homem, a mulher estava sorrindo e parecia estar feliz. Ela afirmou anteriormente que aquele era o momento mais feliz de sua vida, e esperava que continuasse a ser assim.
No entanto, Kang Il-hyeon nunca foi o tipo de pessoa que viveria na memória de alguém ou daria a vida por vingança. Ele não tinha certeza se era para ameaçar ou tirar a vida de alguém como garantia. Esfregou o rosto molhado com as mãos. Ele gostaria de poder abrir a cabeça de Kang Il-hyeon e ler sua mente.
***
Depois de sair do banheiro, Il-hyeon escovou o cabelo molhado e vestiu calças confortáveis. Então foi para a sala de estar para alimentar e observar os tubarões de estimação no aquário. Ele sorriu orgulhosamente por um tempo porque gostava de como os dentes afiados mastigavam a comida. Ele então caminhou até a geladeira, pegou duas latas de cerveja e voltou para o quarto.
Sentou-se no sofá, abriu uma cerveja e usou o controle remoto para ligar a TV. A tela muda de propaganda para o vídeo da câmera de segurança quando o botão é pressionado. O vídeo exibia dezenas de filmagens de dentro e ao redor da casa. Um vídeo do quarto de Zhang Yi An aparece quando ele pressiona o botão novamente.
Zhang Yi An estava deitado em sua cama, movendo o corpo e mudando de postura, pois não conseguia dormir. Il-hyeon bebeu cerveja enquanto mantinha o olhar fixo na tela. Ele até ria de vez em quando, como se estivesse assistindo a um programa de TV.
Zhang Yi An, que estava rolando de um lado para o outro, levantou-se da cama. Il-hyeon pensou que ele precisava usar o banheiro, mas então ele tirou a camisa. Ele sabia, por ter tocado nele, que o corpo de Zhang Yi An era mais forte do que pensava, e não havia gordura. Ele lambeu o lábio inferior com a língua depois de encontrar uma tatuagem no ombro direito dele.
— Era uma cobra.
Ele a vira no porão, mas não tinha confirmado o formato exato até agora. O outro tira a camisa e a calça, e então se deita apenas de cueca. Foi uma pena que a cor da pele não tenha sido revelada devido à função de visão noturna.
Yi An não conseguia dormir mesmo depois de tirar a roupa e rolar de um lado para o outro. Cobriu o corpo com um cobertor e o chutou novamente. Até ontem ele ainda estava consciente das câmeras e era cuidadoso, mas agora não tinha medo de ser pego por elas.
Então, em algum momento, seus movimentos diminuíram, e ele se encolheu como um feto e adormeceu. Il-hyeon amassou a cerveja vazia, pegou o controle e desligou a TV. Depois que as outras luzes foram apagadas, restou apenas uma luz no quarto.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna