↫─Capítulo ⚝ 17
↫─Things That Deserve To Die ⚝ 17
Ja-kyung saiu do táxi e começou a subir a colina. A luz dos postes da cidade atraía uma variedade de insetos. Uma mariposa do tamanho de uma mão voou perto de seu rosto, fazendo Ja-kyung golpear o próprio rosto e fugir em pânico.
Apesar de não ser longe de Seul, a casa de Kang Il-hyeon ficava afastada da cidade como uma ilha remota. Havia muitas áreas arborizadas por perto, e caminhar sozinho lhe dava uma sensação de solidão. Seus passos tornaram-se mais pesados à medida que se aproximava da grande mansão.
Um SUV branco estava estacionado em frente à casa. Ele se perguntou se havia algum convidado. No caminho para o portão principal, Park Tae-soo avista Ja-kyung primeiro e corre apressado.
— Onde você estava? O Diretor está esperando há muito tempo.
— Esperando por mim… Por quê?
— Vamos entrar primeiro.
Ao ser questionado sobre o motivo da espera, ele não respondeu e levou Ja-kyung para dentro. Ele estava calçando os chinelos em frente à porta de entrada quando ouviu um barulho alto. Foi olhar e viu uma estranha sentada no sofá da sala.
Com o longo cabelo preso em um rabo de cavalo, ela usava apenas uma camiseta branca e jeans, mas era uma mulher bonita o suficiente para atrair atenção. Até Ja-kyung, que achava já ter visto muitas pessoas bonitas, perdeu o juízo por um momento. Ela se levantou do assento e aproximou-se de Ja-kyung com os braços estendidos.
— Yi An? Prazer em vê-lo.
Sem tempo para recuar, ela o abraçou e deu tapinhas em suas costas. O cheiro de xampu cutucou a ponta do nariz dele. Depois que ela o soltou, estendeu a mão, e Ja-kyung esfregou a palma na calça e segurou a mão dela. Os dedos dela eram longos e retos, e a pele era macia.
— Bem-vindo à Coreia. É a segunda vez que te vejo desde que você era pequeno, e você é tão bonito. Não é verdade, Il-hyeon-ah?
Il-hyeon-ah? Ja-kyung teve uma ideia aproximada de quem ela era ao vê-la pronunciar o nome de Kang Il-hyeon com tanta naturalidade. A irmã mais velha de Kang Il-hyeon. Kang Yoo-jung. Uma cirurgiã que também era sua única irmã de sangue. Mas ela era mais deslumbrante do que ele imaginara. Após um momento, ele encontrou o olhar de Kang Il-hyeon atrás dela. Ele estava sentado no sofá de braços cruzados e com uma expressão sombria no rosto. Ele não tinha ideia de por que Il-hyeon o encarava com aqueles olhos. Ele não gostou, mas não podia demonstrar, então apenas sorriu.
Yoo-jung arrastou Ja-kyung para o sofá.
— Meu Deus, você cresceu tanto. Nós nos conhecemos antes, você se lembra?
— Oh, não…
— Bem, você era muito jovem na época. Nos conhecemos durante uma reunião em Tóquio, e Yi An estava agarrado às pernas de Il-hyeon enquanto chorava.
— Diretor Kang… Ouvi dizer que ele me bateu antes.
— Você ouviu isso. A personalidade dele é distorcida desde pequeno. Como você pode ver agora, nada mudou, então Yi An-gun, por favor, entenda isso.
— Não… Seja legal comigo.
Ja-kyung disse algo que não pretendia, mas Yoo-jung acenou com a mão dizendo que não havia necessidade disso.
— Ele é meu irmão, então eu o conheço bem. Neste caso, eu normalmente diria a ele para ser legal com os outros, mas parece que não consigo proferir essa palavra.
Ela falava de Kang Il-hyeon abertamente. Ja-kyung sentiu um suspiro de alívio. Ele ergueu os cantos dos lábios sem perceber, mas ao encontrar os olhos de Kang Il-hyeon, rapidamente escondeu sua expressão.
— Vá embora se já terminou seus assuntos. Já está tarde.
Yoo-jung fez beicinho e disse para ele olhar a atitude de Il-hyeon. Apesar do seu lamento, ela prontamente pegou sua bolsa e se levantou. Então sorriu abertamente para Ja-kyung.
— Então, até amanhã.
Amanhã? Os olhos de Ja-kyung se arregalaram.
— Meu pai convidou Yi An para jantar. A família inteira estará lá, então você pode vir junto com o Diretor Kang.
O olhar de Ja-kyung deslocou-se naturalmente para Kang Il-hyeon. Ele talvez pudesse descobrir quem encomendou a morte de Kang Il-hyeon se fosse lá. O jantar inesperado era estranho, mas por outro lado, ele estava curioso sobre o cliente. Ele podia ter uma ideia pelo arquivo, mas era apenas uma suposição.
— Então eu vou.
Yoo-jung caminhou em direção à porta da frente, acenando em despedida. Ja-kyung estava dividido entre acompanhá-la até a saída ou não. Depois de pensar um pouco, Kang Il-hyeon o chamou. Ele fez sinal para que ele viesse e se sentasse, então ele se moveu para o lado oposto e sentou-se. A casa estava mais silenciosa hoje. Não havia funcionários, nem mesmo o residente que ele via com frequência. Ele coçou o pescoço enquanto olhava ao redor.
— Sua irmã é muito bonita.
— Onde você esteve?
— Com o irmão mais novo do diretor… Voltei depois de passear…
— Meu subordinado disse que você não estava lá.
Ele esperava ser reportado, mas ficou nervoso quando foi questionado sobre isso.
— Depois de passear, saí por um tempo e caminhei sozinho…
— Você está evitando os dois guardas à sua frente?
Os olhos de Ja-kyung se arregalaram como se fosse a primeira vez que ouvia aquilo.
— Perdão? Eu não os vi. Diretor, o senhor mandou alguém me seguir?
Ja-kyung fez uma expressão de insatisfação de propósito. Isso mesmo, não importa o quão poderoso Kang Il-hyeon fosse, Zhang Yi An era um convidado importante para ele. Não havia necessidade de manter um perfil baixo. Kang Il-hyeon olhou para Ja-kyung com uma expressão que ele não saberia descrever. Ja-kyung então olhou nos olhos dele.
— Diretor. Estou aqui há algum tempo… Terminei meus estudos e, como estive restrito por tanto tempo, vim aqui para relaxar e me divertir. Mas acho que é demais não poder me mover à vontade…
Ele continuava encarando seus olhos sem responder. Por quê. O quê. Ja-kyung não sabia o que ele faria enquanto o olhava daquele jeito. Kang Il-hyeon assentiu primeiro.
— Tudo bem. Minha interferência foi um pouco exagerada. Não é grande coisa, pois você já é adulto. Não me importo se você andar por aí. Mas não pode fazer isso sozinho. Só é permitido se mover em dupla ou mais pessoas, seja com Kang Seok-joo ou com um dos meus subordinados. Eu vou te proteger enquanto Yi An estiver aqui. Fiz a mesma promessa ao seu avô.
— Isso… Eu nem sou menor de idade.
— Não, mas se houver um problema, há muita coisa pela qual terei que assumir responsabilidade. Então, por favor. Não por Yi An, mas por mim. Certo?
No fim das contas, isso significa: não o envergonhe. Ja-kyung assentiu em concordância, temeroso de ser repreendido se continuasse a falar. Queria subir rapidamente e descansar. Ja-kyung levantou-se e correu para as escadas assim que Kang Il-hyeon ordenou que ele saísse. Mesmo enquanto subia a escada em caracol, Kang Il-hyeon estava sentado no sofá observando Ja-kyung atentamente.
Ele desabotoou a camisa que estava sufocando seu pescoço assim que entrou no quarto do segundo andar e deitou-se na cama. Então ele parou. A câmera de segurança estava montada no teto. Ele sentou-se e franziu a testa. Kang Il-hyeon disse com a própria boca que chamaria alguém para removê-la, mas ela ainda estava lá.
Ele correu para o primeiro andar, mas Kang Il-hyeon não estava em lugar nenhum. Dirigiu-se pelo corredor até o quarto dele. Seus passos desaceleraram quando outro pensamento entrou em sua mente. Nesse meio tempo, ele sabia onde ficava o quarto de Kang Il-hyeon, mas nunca pudera sequer olhar lá dentro.
Vamos entrar e dar uma olhada. Ele parou em frente ao quarto, lambendo o lábio inferior. Bateu na porta, mas não houve resposta. Justo quando ia bater uma segunda vez, a porta abriu com um clique e Kang Il-hyeon apareceu. Sem qualquer desordem, ele ainda vestia as roupas que Ja-kyung vira há pouco. Ele dormia daquele jeito?
O olhar dele desceu lentamente do rosto de Ja-kyung e alcançou a abertura da camisa.
— Qual o problema?
— Tenho algo para lhe dizer. Posso entrar por um momento…?
Isso mesmo. Kang Il-hyeon abriu a porta de boa vontade. Ja-kyung gritou de alegria internamente. Havia uma sala de estar interna, e o layout era semelhante ao quarto de Ja-kyung no segundo andar. Se havia algo diferente, era uma atmosfera mais rígida e sombria. Dois tubarões magníficos nadavam lentamente no enorme aquário que ocupava uma parede. Seu olhar varreu o interior enquanto se sentava sob a orientação dele.
— Aceita um chá?
— Oh, não.
— Então álcool?
— Não, eu não posso beber…
— Bem. É uma pena.
Era estranho para eles estarem frente a frente em um espaço tão pequeno. Ja-kyung tentou ao máximo não pensar no que havia acontecido no dia anterior.
— Você disse que tinha algo a dizer. Diga.
— O senhor disse claramente que removeria a câmera de segurança… Ela ainda está lá.
— Sério?
Ele parecia não ter ideia. Mas seu funcionário não poderia ter esquecido a ordem.
— Mas existe algum motivo para removê-la?
Ja-kyung rangeu os dentes molares. Já havia explicado várias vezes, e fora o primeiro a falar sobre isso esta manhã, então por que ele estava fazendo isso? Ele sorriu inocentemente, tentando não ofendê-lo tanto quanto possível.
— O senhor está fazendo isso de propósito?
— O quê?
— Para me irritar…
— Eu sou um psicopata? Para assediar as pessoas sem motivo.
Ja-kyung contraiu os lábios. Ele mal conteve a raiva, mas sua voz inevitavelmente subiu.
— Então por que está deixando daquele jeito? Pense bem, Diretor. Como se sentiria se alguém estivesse te encarando enquanto você dorme?
— Eu não me importo.
— Eu me sinto confortável quando tiro todas as minhas roupas para dormir. É por isso que nunca durmo confortavelmente aqui.
— Tire-as e durma confortavelmente.
— …
— Pense como se fosse sua casa.
A respiração dele tornou-se cada vez mais pesada. Ele gritou internamente e imaginou-se batendo os punhos na mesa. Esse idiota provavelmente gostava muito dele. Talvez a proteção fosse uma desculpa, e ele realmente quisesse espioná-lo. Ele não estava apalpando com as palmas das mãos, mas poderia estar tentando apelar para algo. Sua expressão degradou-se à medida que o pensamento avançava nesse ponto.
— Diretor.
Kang Il-hyeon sorriu suavemente, embora o tom da voz de Ja-kyung fosse ríspido por si só.
— Sinto muito. Não faça essa cara. Todas as câmeras serão retiradas amanhã. Eles não puderam vir porque algo aconteceu com a empresa responsável. Eu fiz uma pequena brincadeira porque era divertido ver você ficar zangado.
Que bastardo.
— E…
Kang Il-hyeon pausou por um momento. Ele seriamente… não sabia o que fazer com esse bastardo.
— Estou curioso.
Il-hyeon pegou a cigarreira sobre a mesa. Puxou o cinzeiro para frente de Ja-kyung, abriu a cigarreira e tirou um cigarro. Ja-kyung perguntou secamente.
— Sobre o que o senhor estava tão curioso?
Kang Il-hyeon pegou o cigarro que escolhera e respondeu casualmente.
— Por que existe uma tatuagem no ombro do tão chamado jovem mestre gentil?
— …
O contra-ataque inesperado deixou Ja-kyung sem palavras. Os olhos castanhos atrás dos óculos tremeram como ondas.
— Você fala educadamente, mas por que seus olhos atrás dos óculos são tão arrogantes?
— …
Kang Il-hyeon sorri enquanto fuma.
— Estou curioso, então tenho que ser paciente?
Ja-kyung estava sufocando, e suas palmas sobre os joelhos haviam se fechado espontaneamente em punhos. Sua boca estava seca e um suor frio escorria por sua espinha. No minuto em que a luz vermelha de aviso piscou nos pensamentos de Ja-kyung, Il-hyeon acionou o isqueiro. A chama azul do isqueiro oscilou e desapareceu, deixando uma nuvem de fumaça de cigarro à frente dele.
Enquanto Ja-kyung encarava a fumaça do cigarro com a boca fechada, Il-hyeon fez uma cara de quem descobrira algo interessante.
— O quê. Não me diga que você também fuma?
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna