↫─Capítulo ⚝ 13
— Things That Deserve To Die ⚝ 13
Ja-kyung abriu a gaveta de cabeceira e guardou o relógio que recebeu como suborno de Kang Seok-joo. Ele foi primeiro ao banheiro para tomar um banho e trocar de roupa. Lembrou-se da tatuagem que vira mais cedo enquanto esfriava a cabeça sob a água gelada. No dia em que viu seus pais pela última vez, um homem com a mesma tatuagem e um grupo de pessoas chegaram à casa deles.
Eles agrediram impiedosamente os três membros da família, incluindo Ja-kyung. Cobriram seus olhos que desfaleciam, amarraram suas mãos e pés e os levaram para algum lugar. Quando chegaram, viram-se em um armazém sem luz. Seu pai desapareceu no primeiro dia, e sua mãe desapareceu no segundo. E então veio a noite sombria do terceiro dia… Alguém abriu a porta e entrou no armazém.
Surpreendentemente, era o Sr. Wang, que morava no mesmo bairro. Ele saiu do armazém carregando o jovem Ja-kyung ensanguentado em seus braços. Na entrada, Ja-kyung viu dois homens caídos, desmaiados. E um braço saindo de um barril logo ao lado. Unhas pintadas de vermelho com manicure. A pulseira de joias baratas que sua mãe sempre usava brilhava no pulso dela.
Por um breve momento, Ja-kyung perdeu-se em velhas memórias enquanto observava o fluxo de água caindo no chão do banheiro. Ele então mordeu os lábios. Não era ressentimento por terem matado seus pais. Afinal, se seus pais não tivessem morrido naquele momento, ele mesmo poderia ter acabado matando-os eventualmente.
Ele precisava de uma bebida para levantar o humor após um longo dia. Foi até a sala de estar para pegar uma cerveja na geladeira e bebê-la, mas Kang Il-hyeon entra e senta no sofá. Era mais ou menos o que ele esperava, então pousou a cerveja e caminhou até ele. Embora Kang Il-hyeon fosse o dono da casa, ele achava desconfortável o homem entrar e sair o tempo todo.
— Venha e sente-se por um momento.
Ja-kyung foi para o lado oposto de Il-hyeon e sentou-se.
— Peço desculpas por hoje. Eu deveria ter avisado Seok-joo um pouco mais, mas a culpa é minha.
— Não… Graças ao Diretor, eu aproveitei a exposição.
— Sério?
Não era para estar do lado de Kang Seok-joo. Mesmo que o rapaz acabasse sendo morto por Kang Il-hyeon, isso não tinha nada a ver com ele. No entanto, como havia recebido recentemente um relógio caro, ele não conseguia simplesmente ignorar o assunto por completo. Ele deveria dar apenas uma pequena ajuda.
— Foi divertido conhecer amigos da minha idade.
— Bem… Isso é inesperado.
— Sim?
— Por mais que eu pense sobre isso, não acho que ele seja uma boa companhia para Yi An.
— Não… Não foi ruim. Ele foi gentil comigo.
— Fico feliz se for esse o caso. Mas você sabe disso, certo? Tudo bem brincarem juntos, mas você não pode cruzar a linha. Caso contrário, perderei o prestígio diante do seu avô, que depositou confiança na minha família.
— Sim… Eu sei…
Kang Il-hyeon assentiu com um sorriso no rosto, dizendo que estava satisfeito.
— Então vamos parar de falar sobre hoje. Vou descer e descansar.
Il-hyeon levantou-se, e Ja-kyung, que estava hesitando, levantou-se junto e o chamou.
— Diretor. Tenho uma pergunta… Disseram que removeriam as câmeras de segurança do quarto, mas elas ainda estão lá.
— Bem, você está se sentindo muito desconfortável?
— Sim… Eu acho… Já é frustrante ficar em casa, e ainda há câmeras no quarto…
Ja-kyung surpreendeu-se ao ver a expressão sutilmente fria de Kang Il-hyeon. Ele não deveria ter dito que ficar em casa era frustrante. Arrependeu-se imediatamente e tentou inventar desculpas, mas Il-hyeon assentiu com a cabeça como se estivesse de acordo.
— Foi frustrante? Na minha casa?
— Oh, não. Não é necessariamente assim, mas…
— É frustrante porque não é grande o suficiente. Eu deveria tê-la construído maior.
— Por favor… Não é isso…
— A culpa é minha. Eu deveria tê-la construído maior.
Um idiota psicótico fazendo comentários sarcásticos com um rosto sorridente. Porra. Ele não queria lidar com isso. Estava praguejando por dentro, mas precisava tentar algo assim.
— Para ser honesto, é um pouco frustrante… Sinto que estou sendo vigiado mesmo enquanto durmo… Além disso, como tenho interesse em design de interiores, gostaria de conhecer a casa… É difícil porque tudo está trancado…
Kang Il-hyeon inclinou a cabeça levemente. Eles se encararam e Ja-kyung abriu os olhos o mais inocentemente que pôde, sem desviar o olhar fixo.
— Onde você gostaria tanto de ver?
Bem, Ja-kyung não sabia. Vamos ver se ele teria permissão.
— O porão…?
Hum. Ja-kyung ficou um pouco preocupado ao ver a expressão inabalável de Kang Il-hyeon. Ele não deveria ter dito aquilo. Il-hyeon ficaria desconfiado. Ele deveria ter esperado pelas impressões digitais. Enquanto passava por todos esses pensamentos, relaxou o rosto e assentiu suavemente com a cabeça.
— Você deveria ter me dito antes. Não há razão para eu não lhe mostrar.
Ja-kyung sorriu enquanto cerrava os dentes molares. Foi uma reação inesperada. Era como o mordomo dissera: se quisesse saber, deveria perguntar ao Diretor, pois ele lhe diria.
— Gostaria de ir agora?
— Eu… Ouvi dizer que é um espaço privado… Posso realmente ir?
Ele estava ficando um pouco assustado. Il-hyeon, que estava um pouco mais afastado, aproximou-se dele. Ja-kyung, que estava nervoso, tentou recuar, mas parou e olhou para cima. O olhar dele caiu diagonalmente.
— Eu odeio pessoas cujas palavras e ações são diferentes.
— Sim?
— Seus olhos estão ansiosos para ir, mas por que sua boca está mentindo?
— …
— Se você quer ir, eu te levo agora.
O que está acontecendo.
— Você gostaria de ir?
— … Sim, eu gostaria.
O canto firme dos lábios de Kang Il-hyeon ergueu-se gentilmente. O que restava a Ja-kyung era soltar um suspiro abafado enquanto se virava para segui-lo. Estava aliviado por as coisas estarem se tornando simples, mas a ansiedade rastejava como uma névoa.
***
Kang Tae-han, que encarava a xícara de chá fria com uma expressão indiferente, ergueu a cabeça. Kim Seon-young, sua madrasta, estava mexendo no anel de joia em seu quarto dedo à frente dele. Uma pilha de fotos que ela trouxera há pouco estava sobre a mesa.
Zhang Yi An, que viera de Hong Kong e chegara recentemente à Coreia.
Ele estava agora residindo na residência de Kang Il-hyeon, e foi relatado que passou o dia com Kang Seok-joo.
Kang Tae-han deu uma olhada. Ela solicitou que se encontrassem em um café na periferia de Seul, mas o lugar estava vazio, sem funcionários ou clientes. Apenas seu secretário favorito, Yoon, estava de pé em um lado da loja. Após Kang Tae-han ajeitar os óculos, devolveu a foto de Zhang Yi An para Kim Seon-young.
— Eu ouvi o que a madrasta disse. Infelizmente… não quero ouvir mais nada.
Kim Seon-young pegou um cigarro e um isqueiro. Dizem que, conforme as pessoas envelhecem, suas mãos e pescoços ficam enrugados, mas este não parece ser o caso dela. Ela recostou-se na cadeira, fumando um cigarro com seus dedos lisos, e lançou um olhar lânguido para Kang Tae-han.
— Isso significa que não importa se o Diretor Kang assumir como sucessor?
Os olhos astutos de Kang Tae-han ficaram distorcidos. Um dos diretores que acreditavam nele e o apoiavam já havia desaparecido, e ele estava preocupado. Foi logo determinado que o trabalho fora feito por Kang Il-hyeon. Era inconcebível para um diretor administrativo eliminar um dos contribuintes mais importantes para o desenvolvimento de uma corporação.
Apenas a confiança total do Presidente Kang tornou isso viável. Conforme o boato crescia, o restante do conselho de diretores ficava apreensivo, e outros acionistas, que eram neutros, começaram a especular se o coração do Presidente Kang estava pendendo para o seu segundo filho, Diretor Kang.
Ainda assim, a afirmação que ela fez agora era ridícula.
— É impossível removê-lo.
Ele era um convidado estrangeiro, neto de uma organização proeminente de Hong Kong, e seu pai fora um amigo próximo do Presidente Kang durante toda a vida. Ela queria que ele se livrasse dele para que ela estivesse segura? A imprudência de Kim Seon-young provocou riso. Ela tinha algo a dizer, então ele esperava que fosse algo assim desde o momento em que ela pediu para se encontrarem…
— Eu não pretendo matá-lo. Quero dizer, vamos apenas dar umas cutucadas em alguns pontos.
Kim Seon-young estava longe de ser uma esposa elegante, talvez por ter crescido com pais que amavam apostar dinheiro.
— Isso pode tornar nossa posição difícil.
— Não somos nós que estaremos em apuros, é o Diretor Kang. Pelo menos o presidente não estará do lado dele desta vez.
A organização de Hong Kong, que era vista como parceira próxima, teve um impacto significativo na decisão do Presidente Kang de nomear Kang Il-hyeon como seu sucessor, apesar da oposição dos diretores. Eles preferiam que Kang Il-hyeon assumisse e conduzisse os negócios com eles em vez do filho mais velho, Kang Tae-han. Era por isso que a visita de Zhang Yi An era mais do que apenas uma visita amigável.
— É imprudente. Se algo der errado, você consegue lidar com ele?
Ela esfregou o cigarro no cinzeiro e o apagou. Puxou a cadeira um pouco mais para perto e sentou-se, apoiando os braços na mesa e inclinando o tronco para frente.
— Então, que tal isto?
— …?
— Que tal nos livrarmos do Diretor Kang de uma vez por todas?
Uma das sobrancelhas de Kang Tae-han ergueu-se. Era um plano ridículo.
— Eu protejo meu filho, você mantém sua posição.
Os sentimentos dela eram completamente compreensíveis. Kang Il-hyeon, em contraste com ele, que ignora o acidente de Kang Seok-joo, realmente parecia alguém pronto para matar. A intensidade aumentou; na última vez foi a testa de Kang Seok-joo, mas Kang Il-hyeon poderia cortar sua garganta na próxima. Ela deve ter reconhecido que Kang Il-hyeon poderia realmente matar o filho dela como resultado deste incidente.
— Você não conhece o Diretor Kang? Aquele bastardo vai subir de volta mesmo que caia no inferno.
— Quero dizer, vamos por um caminho um pouco mais fácil.
Kang Tae-han tirou um cigarro, mas não o acendeu. Se algo der errado, é o fim do jogo.
— Se algo der errado…
— Não vai acontecer.
— Como pode ter certeza?
— Porque contratei os melhores especialistas nesta área.
Havia até um toque de triunfo em seu rosto sorridente. Kang Tae-han, que estava mastigando a ponta do cigarro, quebrou-o e jogou-o no chão. Olhou para a foto e verificou o rosto de Zhang Yi An novamente. Vinte e um anos. Ele ainda é jovem.
Ele fez as contas em sua cabeça. Não era uma má ideia cortar os membros de Kang Il-hyeon antecipadamente, embora fosse arriscado, em vez de apenas ficar parado assim. Vamos apenas fingir que trabalhamos juntos com moderação. Se algo desse errado, ele poderia culpar Kim Seon-young.
— Então somos um time. Certo?
Ela sorriu e estendeu a mão. Kang Tae-han hesitou por um momento antes de pousar a foto e apertar a mão dela. Isso mesmo. Era um time. Estava um pouco ansioso, mas quando imaginou Kang Il-hyeon sendo destruído e desmoronando, a ansiedade desapareceu e uma estranha sensação de prazer percorreu seu rosto.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna