↫─Capítulo ⚝ 12
↫─Things That Deserve To Die ⚝ 12
Tac, as pedras lançadas se amontoaram sob o muro. Agachado à beira da estrada, Ja-kyung pegou uma pedra com suas mãos sujas e a jogou contra o muro. Tênis com solas gastas entraram em cena. As calças com as bainhas curtas não bloqueavam o vento frio, e o suéter também estava gasto, com as mangas desfiadas.
As crianças que passavam com suas mochilas se assustaram ao ver Ja-kyung jogando pedras. Ficaram assustadas quando seus olhares colidiram e correram. Fantasma bebê. Era assim que as crianças o chamavam. Ele ganhou esse apelido porque sua família era mais ativa à noite do que durante o dia, mesmo que não soubessem o que sua família fazia.
— O que você está fazendo aqui?
Um homem alto saiu de trás do muro e abriu a porta. Mesmo ao ver a pilha de pedras sob o muro, o homem não o repreendeu. Em vez disso, voltou para dentro da casa e lhe entregou um pão. Ele era um chinês que residia ali muito antes da família de Ja-kyung chegar. Ele dizia ter um filho mais velho que Ja-kyung, que vivia na China com a mãe e a avó.
Quando Ja-kyung recebeu o pão, ele o rasgou e o enfiou na boca. O homem às vezes saía e trazia algo para Ja-kyung comer quando ele estava com fome. Alimentava-o principalmente com pão e ocasionalmente o trazia para dentro de casa para cozinhar ramen. No entanto, todas as vezes, o pai de Ja-kyung ficava zangado e o repreendia por tentar seduzir o filho de outra pessoa.
— Coma devagar. Você vai ter indigestão.
Pela manhã, ele olhou na geladeira, mas não encontrou nada para comer. Seu pai havia saído para o trabalho três dias antes e não havia retornado, e sua mãe estivera mergulhada em álcool e drogas por vários dias, sendo incapaz de se levantar.
— Você é tão… sem sorte.
Um homem com o sobrenome Wang tirou um cigarro do bolso, colocou-o na boca e o acendeu. A fumaça branca subiu no ar logo em seguida. Ja-kyung engoliu o último pedaço de pão e olhou fixamente para o homem que havia acendido o cigarro.
— O quê. Você quer fumar?
O Sr. Wang perguntou com um sorriso, e Ja-kyung assentiu. Seus olhos se arregalaram e depois voltaram à posição original. Após pensar por um momento, ele fez sinal para Ja-kyung vir. Quando se aproximaram, ele passou a ponta do cigarro para Ja-kyung.
— Continue sugando.
Ele sugou o mais forte que pôde, com os lábios grossos franzidos em um círculo. No entanto, uma tosse irrompeu quase imediatamente. Seus olhos arderam e seu nariz ficou congestionado. Acima dele, uma mão enorme bagunça seu cabelo com risadas.
— Viu. Você não está fazendo nada de bom.
Quando Ja-kyung viu o sorriso amigável, teve um breve pensamento de quão bom seria se ele fosse seu pai. Ele também tinha inveja do filho dele, que estava na China. Quando terminou de fumar e entrou na casa, Ja-kyung seguiu pelo beco e subiu para sua residência.
A casa de Ja-kyung ficava no topo do beco. No meio do beco, havia uma escadaria alta e íngreme, uma área perigosa onde se poderia perder a vida em um escorregão. No inverno passado, um homem idoso caiu aqui, quebrou o pescoço e acabou morrendo.
Quanto mais se aproximava de sua casa, menos animado ficava em retornar. Ele ouviu um barulho estranho vindo de dentro do lar ao empurrar a porta de ferro sem pintura. Quando Ja-kyung notou sapatos estranhos sob o piso antigo, ele parou. Parece que um convidado chegou.
— Ah, ah, oppa, mais, mais, hein? Chupe mais.
— Ei, sua vadia de merda. Você gosta? Hein? Eu sou melhor que o seu marido, certo?
Ja-kyung sentou-se no chão e o chutou com seus tênis gastos. A voz sufocada de sua mãe parou, e o som dos dois prendendo a respiração foi ouvido junto com o gemido do homem.
Ele comeu o pão rápido demais. Sentiu vontade de vomitar, então esfregou o estômago, e a porta velha abriu com um estrondo alto, como se estivesse prestes a cair, e um cara apareceu. Ele já tinha visto o rosto do homem que subia as calças algumas vezes antes.
— Ei. Seu bebê está aqui.
O homem ia estender a mão e tocar a cabeça de Ja-kyung, mas ele não gostou, então se esquivou. O homem sorriu e tirou um cigarro do bolso. O rosto de um duende sombrio estava esculpido no ombro do sujeito, cujo tronco estava exposto.
O duende tinha quatro chifres no total. Havia dois na testa e dois no queixo. E os olhos eram de um vermelho brilhante. Aqueles olhos pareciam estar o encarando, então Ja-kyung rapidamente desviou o olhar.
Então, um choque atingiu a nuca dele. Seu corpo cambaleou para frente como resultado do tapa.
— Você está vagando por aí desde manhã e agora entra rastejando!
Ele não respondeu, então ela o esbofeteou no rosto. Sangue escorreu do seu nariz. Ja-kyung limpou o sangue que pingava e olhou para a mãe. Cobrindo os seios protuberantes com a roupa, ela pegou um cigarro ao lado do homem e fumou.
O homem riu e jogou o esfregão para Ja-kyung. Limpe tudo com isso. Em vez de pegar o esfregão, Ja-kyung encarou o homem. O homem não se importou, mas sua mãe disse que não gostava dos olhos dele e chutou Ja-kyung com os pés.
Um corpo fino como um graveto rolou no quintal. Um céu azul claro entrou em cena. O sol estava escaldante e abrasador. Ele culpou o céu pelas lágrimas que pareciam cair.
***
— Você está bem?
Quando os olhos de Choi Ki-tae encontraram os seus, Ja-kyung afastou as velhas memórias, ergueu levemente os cantos da boca e assentiu. O homem que havia apontado a faca para seu estômago foi espancado quase até a morte e, após mal conseguir ficar de pé, pediu desculpas e saiu, deixando apenas o homem com a tatuagem de duende no braço à sua frente.
— Seok-joo não está em condições de te levar para casa agora, então ele me pediu para fazer isso. Fico feliz por ter saído cedo. Por pouco não aconteceu algo pior.
— Então eu vou pegar um táxi.
Quando estava prestes a sair após se despedir, o homem segurou o braço de Ja-kyung. Ele olhou para o rosto do duende pendurado no braço dele mais uma vez.
— Amigo do Seok-joo é como se fosse meu amigo. Eu te levo em casa.
— Obrigado, mas eu recuso… Eu posso ir sozinho.
— É chato para mim também, mas não posso evitar. Se algo acontecer com você, não apenas Kang Seok-joo, mas todas as pessoas que estavam aqui hoje serão destruídas. Não estou brincando. Eu vou morrer de verdade. Não preciso te dizer quem é, preciso?
Os olhos afiados de Choi Ki-tae se arregalaram enquanto ele ria. Parecia estar apontando para Kang Il-hyeon. Ja-kyung escolheu desistir rápido porque não achava que Choi Ki-tae recuaria mesmo que discutissem mais. Choi Ki-tae caminhou para frente, fazendo sinal para que o seguisse. Olhando para o seu jeito de andar, parecia que ele não tinha bebido nem usado drogas. Um carro esportivo branco estava estacionado em frente à loja assim que retornaram. Quando o guarda abriu a porta, Ja-kyung entrou no banco do passageiro e afivelou o cinto de segurança.
Quando ele se virou, o encosto estava totalmente reclinado. Enquanto Ja-kyung procurava pelo botão para retorná-lo à posição anterior, Choi Ki-tae, no banco do motorista, inclina o tronco e estende o braço em direção ao botão. Os lábios de Ja-kyung ficaram próximos aos ouvidos de Choi Ki-tae, pois o tronco deste foi virtualmente pressionado contra o dele. Um perfume forte emanava dele.
— Sinto muito. Eu fiz isso uma vez no carro durante o dia.
— …
— Sexo.
Choi Ki-tae endireitou o corpo e sorriu abertamente.
— Você já fez em um carro?
Choi Ki-tae riu e disse que já sabia quando Ja-kyung balançou a cabeça. O carro começou a se mover, deixando o beco apertado e entrando rapidamente na estrada principal. Mesmo sendo tarde da noite, havia muitos carros indo e vindo. Choi Ki-tae ocasionalmente olhava para Ja-kyung enquanto dirigia.
— Ouvi dizer que você é de Hong Kong.
— Sim…
— Você fala coreano bem.
— Minha mãe é coreana.
— Então você é mestiço?
— Sim.
Choi Ki-tae conversou com ele a maior parte do caminho para casa, e Ja-kyung assentia ou simplesmente respondia. Quando a conversa estava ficando entediante, o carro parou em um sinal vermelho. Ja-kyung parecia cansado, tirou os óculos por um momento e esfregou os olhos. Ele então notou Choi Ki-tae, que estava sentado ao seu lado, acariciando os próprios lábios e olhando para ele.
— Se eu tivesse o seu rosto, eu tiraria os óculos.
Ja-kyung colocou os óculos de volta.
— Sabe a garota que sentou ao seu lado mais cedo? Ela é uma modelo de comercial popular hoje em dia. Ela também é uma pessoa excelente.
Ja-kyung lembrou-se da mulher que o estava apalpando.
— Se ela tivesse flertado daquele jeito, qualquer um teria caído. Parece que você tem um padrão mais alto do que aparenta?
Ja-kyung não respondeu desta vez também.
— Ou você gosta de homens?
Quando o sinal mudou, o carro começou a se mover novamente. Ja-kyung imediatamente balançou a cabeça. Não. Ele adivinhou o que o outro ia perguntar. Parecia estranho desde que ele ajustou o encosto. Ele já tinha visto muitos casos assim na vida, então não se incomodou muito. Exatamente como Wang Han disse, seu rosto era atraente tanto para homens quanto para mulheres.
Ele assentia vagamente às perguntas que o outro ocasionalmente lançava, ou passava para um rápido sim ou não até que o carro chegasse perto da casa de Kang Il-hyeon. O homem no banco do motorista ficou levemente tenso conforme se aproximavam da casa de Kang Il-hyeon.
Ele parou o carro em frente ao portão principal e olhou para a casa através do para-brisa. Dois guardas estavam descendo os degraus para investigar a visita de um carro incomum.
— Não acredito que construíram uma casa em um lugar tão remoto como este. Não é estranho? Certo?
Cuide-se. Choi Ki-tae segurou o braço dele quando ele ia abrir a porta e sair. Então tirou um cartão de visitas da carteira e o entregou a Ja-kyung.
— Este é o meu contato pessoal. Não dou para qualquer um, então aceite.
Ja-kyung, que manteve os olhos no cartão, ergueu a cabeça e encontrou os olhos de Choi Ki-tae.
— Ligue-me se precisar de algo. Eu te dou um desconto.
O que você estava vendendo com desconto? Drogas? Ou era o seu corpo? Ele raciocinou que, se não aceitasse, o homem o manteria ali por mais tempo, então pegou o cartão. Então, justo quando estava pronto para abrir a porta, uma figura imponente apareceu na frente dela. Choi Ki-tae primeiro murmurou e cuspiu um pequeno palavrão ao perceber que era Kang Il-hyeon. Então saiu do banco do motorista e o cumprimentou com a cabeça quase no chão.
— Olá, Diretor.
A calma de alguns momentos atrás desapareceu. Ja-kyung, que desceu um pouco atrasado, assentiu. Kang Il-hyeon estava fumando um cigarro em frente ao portão, mas mesmo no escuro, os olhos que encaravam Choi Ki-tae não eram agradáveis. Choi Ki-tae também estava preocupado porque estava ciente da situação.
Kang Il-hyeon, que ele esperava que entrasse após ser cumprimentado, colocou a mão no bolso e deu um passo lento escada abaixo. Não era nada demais, mas era aterrorizante. Ele estendeu a mão para Ja-kyung conforme se aproximava.
— O que você acabou de receber.
Os olhos de Ja-kyung se arregalaram levemente. A película do vidro era escura, e ele ficou intrigado sobre como o outro viu. Vendo sua expressão fria, decidiu que seria melhor entregar logo, então tirou o cartão do bolso e o entregou. Kang Il-hyeon o segurou entre os dedos indicador e médio enquanto se virava para encarar Choi Ki-tae. Choi Ki-tae baixou a cabeça, aterrorizado pelo olhar intenso.
— Garotinho.
— Sim…
Tac, o cartão de visitas saltou da mão, atingiu o rosto de Choi Ki-tae e caiu.
— Nem pense em vender drogas para os meus convidados. Você terá problemas.
Apesar da humilhação, Choi Ki-tae desculpou-se imediatamente em vez de dar desculpas. Como se isso não bastasse, Kang Il-hyeon esfregou o cigarro que segurava no peito de Choi Ki-tae. Fumaça subiu de sua camiseta com capuz, e sua pele queimou sob o tecido.
Choi Ki-tae baixou a cabeça, cerrou o queixo e franziu as sobrancelhas. Kang Il-hyeon jogou o cigarro no chão antes de se virar e se afastar do portão. Ja-kyung seguiu instantaneamente atrás dele sem qualquer hesitação.
Continua…
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna