↫─Capítulo ⚝ 11
↫─Things That Deserve To Die ⚝ 11
Kang Seok-joo o levou para uma área com muitos prédios antigos. Fileiras de lojas vazias com as palavras “Aluga-se” escritas nelas estavam localizadas longe da área central. Os becos complicados eram tão emaranhados quanto uma teia de aranha, mas conforme ele passava por eles, descobriu um prédio relativamente limpo.
Não havia câmeras ou pedestres em frente ao prédio, e havia apenas dois guardas vigiando a entrada.
Quando entrou, a dúvida sobre por que filhos de famílias ricas brincariam em um lugar assim desapareceu. O porão do prédio era verdadeiramente um paraíso, em contraste com o exterior pobre. Sem mencionar o interior vibrante e a iluminação, bem como a música penetrante que fazia seu coração disparar.
A fumaça de cigarro e maconha era espessa, e jovens viciados em álcool e drogas estavam emaranhados nus e sem vergonha. Havia também uma pequena piscina quando Ja-kyung entrou. Homens e mulheres riam e conversavam juntos na água.
— Este é o nosso novo esconderijo. O Diretor Kang provavelmente também não sabe deste lugar.
Kang Seok-joo sussurrou ao aproximar os lábios da orelha de Ja-kyung. Como se pensasse que estavam ficando próximos, o título mudou de hyung-nim para Diretor Kang. Uma mesa redonda e um sofá apareceram após passarem pela piscina e subirem os degraus rasos. Os amigos de Kang Seok-joo, que já haviam chegado, o cumprimentaram acenando com as mãos. Alguns já haviam aplicado pó branco na ponta do nariz, e suas pupilas estavam dilatadas, permitindo-lhes viajar entre o céu e o inferno.
Quando ele se sentou, a atenção de todos se voltou para Lee Ja-kyung em vez de Kang Seok-joo.
— Quem? Convidado?
— Seu amigo é de Hong Kong?
— Olhe para os óculos dele. Ainda tem gente usando coisas assim hoje em dia.
Uma mulher de shorts curtos e biquíni encarou Ja-kyung intensamente.
— Você parece bonito, por que usou isso? Tire-os. Quer que eu tire?
Enquanto ela estava prestes a tirar os óculos dele com seus seios grandes pressionados contra ele, Ja-kyung empurrou o corpo dela de volta e afastou as mãos dela.
— Não, está tudo bem.
— Veja como você é tímido. Você é tão fofo.
Seok-joo riu quando a mulher mostrou interesse direto em Ja-kyung.
— Ei, não flerte. O avô dele é um homem terrível.
— Mais do que o seu irmão?
As pessoas que estavam reunidas riram quando o nome do irmão foi mencionado. Por outro lado, o rosto de Kang Seok-joo azedou.
— Droga, sua garota louca. Por que você está falando daquele bastardo?
Ele sabia sem nem perguntar que o bastardo a quem ele se referia era Kang Il-hyeon. Um homem forte e corajoso se aproximou de Kang Seok-joo. Ele tinha uma tatuagem de duende no braço esquerdo e usava uma touca preta. Ja-kyung encarou a tatuagem por um longo tempo, sentindo-a familiar.
O homem que se apresentou como Choi Ki-tae trocou sussurros com Kang Seok-joo antes de se mudar para um lugar mais distante. Ele enfiou a mão no bolso e tirou um pequeno saco plástico. Tirou pílulas do saco, colocou-as em um prato e habilidosamente as moeu até virarem pó. Ele as deixou em uma proporção apropriada, misturando com o pó que já tinha e entregando a Kang Seok-joo.
Kang Seok-joo encostou o nariz e respirou fundo sem hesitação. Sua boca se abriu e seus olhos reviraram depois de um tempo. As pessoas ao redor se juntaram uma a uma enquanto ele se esticava no sofá, tremendo como alguém que ejacula.
Ja-kyung, que observava em silêncio, surpreendeu-se ao ver uma taça longa de champanhe aparecer na sua frente. O líquido amarelo pálido emitia bolhas. A pessoa que entregou a taça foi a mulher que estava prestes a tirar seus óculos.
— Beba. Vai fazer você se sentir melhor.
Ja-kyung sorriu educadamente e recusou. Era fácil se meter em problemas se você comesse o que lhe serviam em um lugar como este. A mulher colocou a taça de champanhe na mesa e a empurrou para o lado. Ela inclinou a parte superior do corpo e gentilmente envolveu o braço de Ja-kyung. Ja-kyung riu sem jeito enquanto ela esfregava seus seios volumosos com o perfume estonteante.
— Seu corpo é melhor do que parece.
A mão da mulher em seu braço escorregou e desceu pelo peito, estômago e um pouco mais para baixo. Suas mãos acariciaram a genitália dele por cima das calças. Ela fez contato visual e estava prestes a beijá-lo, então ele tirou a mão dela e se levantou. As sobrancelhas da mulher se franziram.
— Sinto muito. Meus pulmões estão ruins… Vou tomar um pouco de ar fresco e já volto.
A mulher segurou a mão dele.
— Vamos juntos?
Ja-kyung soltou a mão novamente desta vez. Ele não tocava em ninguém há algum tempo e a luxúria cresceu, mas agora não era o momento para isso. Ele sorriu se desculpando para a mulher e saiu contornando a mesa.
Kang Seok-joo estava bêbado, com as pupilas dilatadas, e nem percebeu que Ja-kyung estava saindo. No caminho para fora, Ja-kyung roubou um cigarro e um isqueiro de outra mesa e os colocou no bolso. A música alta desapareceu conforme ele subia as escadas para o térreo. Ele olhou para o guarda à frente e caminhou lentamente de volta na direção de onde viera.
Em vez de lojas, viu casas vazias enquanto caminhava. Nem todas estavam vazias e, em alguns lugares, havia uma luz fraca escapando ou o som da TV era quase perceptível. Ele caminhou um pouco mais, encostou-se na parede e tirou um cigarro do bolso. Colocou-o na boca e tentou acendê-lo, mas não saía faísca do isqueiro, não importa o quanto tentasse.
O gás provavelmente havia acabado. Quando ele o sacudiu, continuou o mesmo. Oh, porra. Ele jogou o isqueiro no chão, irritado. Trouxe até algo inútil como aquilo. Ele mordeu a ponta do cigarro com os dentes da frente com arrependimento, mas ouviu um barulho dentro do beco.
Ele estava curioso sobre quem havia saído da casa. Não tinha ideia de quem era, mas orou sinceramente para que fosse um fumante como ele. Ele caminha em direção ao som, segurando um cigarro entre os dedos indicador e médio quando uma pessoa pequena aparece. Uma cabeça colidiu com o peito de Ja-kyung em um piscar de olhos, e a pessoa olhou para cima surpresa.
O medo podia ser visto no rosto do jovem. Antes mesmo de compreender a situação, a outra pessoa aperta o chapéu com mais força e foge do local como se estivesse fugindo. Então, da direção de onde a pessoa veio, alguém abriu a porta de ferro e saiu, vasculhou a pilha de lixo, pegou uma sacola e entrou.
Ja-kyung virou-se. A sombra da garota que ele encontrara antes estava desaparecendo em outro beco ao longe. Ele jogou fora o cigarro que estava fumando e prosseguiu lentamente da mesma forma. A sacola que a garota carregava parecia ainda maior sob a luz da iluminação pública.
Membros magros e nus. Roupas que não combinam com a estação. Sapatos gastos. Olhos vazios dos quais a alma escapou.
Ja-kyung já tinha visto algo semelhante antes. Todas as manhãs, ele saía da cama e olhava no espelho. Eram os chamados transportadores. Eles forneciam drogas para aqueles que não podiam sair para comprar por conta própria, e era uma maneira de eles as jogarem em um local secreto e recolherem o dinheiro deixado. O motivo pelo qual os traficantes os usavam era simples. Eram fáceis de descartar.
Enquanto ele seguia, a garota gradualmente se transformava em suas próprias roupas.
— Escola? Que escola? Não seja louco e vá trabalhar. Seu bastardo inútil.
Ele era frequentemente espancado por um homem que dizia ser seu pai. Ele preferia deixá-lo morrer de fome se não quisesse trabalhar. Crescendo assim, ele ficava fascinado ao ver crianças de sua idade um dia. Vestindo roupas limpas. Sapatos limpos. Mãos dos pais acariciando os cabelos dos filhos. Quando voltava para casa, pensava nisso por alguns dias e dizia que queria ir para a escola, mas tudo o que recebia em troca eram espancamentos e xingamentos.
— Eu não deveria ter dado à luz a você. Meu destino teria sido melhor se eu tivesse simplesmente abortado você.
Ele foi espancado tão severamente um dia que sua perna fraturou. Ele foi fazer as entregas no dia seguinte usando a tala. Quase passou por um mau bocado nas mãos de um velho louco naquele dia. Naturalmente, ele não conseguiu reunir o dinheiro para as drogas, e sua mãe ficou furiosa e deu um tapa em sua bochecha, exigindo que ele pagasse pela droga vendendo o seu corpo.
Naquela época, Ja-kyung tinha apenas dez anos de idade.
— Pare.
Como não conseguia se libertar do passado, ele não viu que a faca havia tocado seu lado até que fosse tarde demais. Ja-kyung parou e ergueu as duas mãos na altura dos ombros. O oponente estava estranhamente quieto. Enquanto virava lentamente o corpo, um homem da mesma altura que ele usava um chapéu e encarava Ja-kyung.
— Você é um negociante?
Por onde ele parecia ser um? E você não seria repreendido se apontasse uma faca para um negociante real assim? Ja-kyung balançou a cabeça.
— Mas por que você está seguindo ela?
O homem estava vestido com um casaco preto, e as cicatrizes de queimadura em seu pescoço eram evidentes. Mesmo enquanto olhava para Ja-kyung, ele continuava olhando para o lado onde a garota havia desaparecido. O homem segurava a ponta da faca perto do seu lado como se estivesse prestes a esfaqueá-lo.
— Diga. Por que você a seguiu?
Ja-kyung respondeu com as mãos levantadas.
— Sinto muito… Só estou preocupado porque uma criança está andando sozinha por aí.
O homem fixou o olhar em Ja-kyung. Uma pessoa normal urinaria na presença de uma faca e da impressão dura de um homem, mas os olhos dele não estremeceram. Ele se desculpou, mas seu olhar sugeria o contrário. Era provavelmente digno de um prêmio. O homem estendeu a mão para Ja-kyung.
— Carteira.
Ja-kyung permaneceu imóvel. Ele debateu se deveria matá-lo ou deixá-lo viver. Parado em uma encruzilhada, o homem perseguiu Ja-kyung sem saber de nada.
— Carteira!
Isso mesmo, vamos nos livrar dele. Naquele momento, alguém gritou por trás. O homem na frente dele escondeu a faca atrás das costas e assentiu. Ja-kyung virou-se e percebeu que era o homem com a tatuagem de duende que vira no esconderijo. Choi Ki-tae, após jogar para o lado o cigarro que estava fumando, aproximou-se com um sorriso sarcástico.
— O quê. Por quê.
— Não é nada. Estou trabalhando, e este bastardo tem se comportado de forma estranha. Vou dar uma lição nele.
Choi Ki-tae deu um tapa na bochecha do homem com sua palma do tamanho de uma tampa de panela. O homem cambaleou para o lado, como se fosse cair, então se levantou novamente. A mão o esbofeteou mais uma vez.
— Este bastardo. Em quem você vai dar uma lição? Em quem!
Conforme ele batia mais, o rosto do homem ficava vermelho e inchava. O rosto do duende tatuado no antebraço de Choi Ki-tae ficava mais sombrio a cada golpe de seu braço. Aquilo sempre atrai sua atenção. Tatuagens de duendes eram comuns, mas esta era a primeira vez que ele via um formato assim.
Mas por que parecia familiar… Os olhos de Ja-kyung arregalaram-se enquanto observava. Ele então lembrou que já tinha visto a mesma tatuagem antes.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna