↫─Capítulo ⚝ 10
↫─Things That Deserve To Die ⚝ 10
Ja-kyung, que estava se revirando na cama, abriu os olhos ao som de uma música vinda do lado de fora. Olhou para o relógio e viu que eram dez horas da manhã. Ele se levantou e sentou-se, esfregando o rosto. Com luzes piscando no teto do quarto, as câmeras de segurança ainda o vigiavam. Parecia que ele estava em uma prisão.
Ja-kyung saiu da cama e foi para a sala de estar. Ele estava intrigado sobre quem teria ligado a música de manhã, mas uma cabeça surgiu no sofá. Talvez fosse Kang Il-hyeon, mas o EDM alto não parecia ser o gosto dele.
— Quem é você?
O homem sentado ali virou a cabeça e olhou para Ja-kyung. Ele então se levantou e desligou a música. Era mais alto do que Ja-kyung imaginara e usava óculos escuros, mas a atmosfera era estranhamente semelhante à de Kang Il-hyeon. Dava para notar que ele era o irmão mais novo de quem Kang Il-hyeon falara ontem, mesmo sem perguntar.
— Você acordou? Você dormiu até tarde, então eu fiquei pensando se deveria te acordar.
Se ele estivesse realmente preocupado, não tocaria música até seus ouvidos quase estourarem. Por que ele simplesmente não entrou e o balançou? A palavra chegou à ponta da língua. Além disso, a outra parte falava informalmente sem se apresentar nem nada.
— Lave-se e saia. Tenho um lugar para ir com você.
— Onde… vamos?
— O segundo irmão me disse para levar você à exposição.
Quando Ja-kyung notou o canto dos lábios dele se contorcendo com despeito, presumiu que Kang Il-hyeon o havia forçado a fazer aquilo. Era o que ele tinha ouvido sobre o rapaz antes de vir para a Coreia. Vinte e um anos. O filho da terceira esposa, um viciado em drogas e fanático por festas.
Com certeza, vê-lo fungando o nariz era uma cena bastante familiar.
— E fale informalmente. Tenho a mesma idade que você.
Kang Seok-joo sentou-se novamente no sofá antes de ouvir a resposta da outra pessoa e ligou a música alta. Ja-kyung entrou no quarto porque ficaria irritado se dissesse qualquer outra coisa. Ele tomou um supressor de nicotina e tomou banho para se livrar de qualquer vestígio de sonolência.
Ja-kyung vestiu as roupas que trouxera consigo depois de se enxugar e secar o cabelo. Ele tem que trocar de roupa no banheiro por causa da maldita câmera de segurança. Colocou seus óculos de armação de tartaruga e olhou-se no espelho vestindo todas as suas roupas. Independentemente dos óculos, o padrão xadrez azul-marinho que parecia arrumadinho não era do seu agrado.
Ele balançou a cabeça e foi para o quarto colocar seu relógio. Comprara alguns itens caros para imitar o jovem mestre, um dos quais era o relógio. Ele teria que vender tudo quando terminasse. Nenhum deles era do seu gosto.
Kang Seok-joo se levanta com os pés sobre a mesa quando ele sai. Ele o seguiu escada abaixo, mas Kang Il-hyeon não estava em lugar algum. De acordo com o mordomo da casa, ele estava ocupado com o trabalho e saíra cedo pela manhã. Depois que Ja-kyung declarou que não gostava de arroz, o mordomo preparou torradas e salada para ele.
Kang Seok-joo sentou-se à frente de Ja-kyung, absorto em um jogo no celular, enquanto Ja-kyung fazia sua refeição. Sua testa acima dos óculos escuros vivia franzida e, se as coisas não saíssem como planejado, ele praguejava. Ja-kyung bebeu o suco que o mordomo fizera e o observou. O rapaz não conseguia manter os lábios quietos e parecia nervoso enquanto mastigava.
— Por que está me olhando?
Ja-kyung presumiu que ele estivesse distraído com o jogo, mas acontece que não estava. Enquanto mordia a torrada, Ja-kyung sorriu vagamente. Ele estava quase terminando de comer quando ouviu um barulho na sala de estar. Desta vez, quem seria? Ele se recostou na cadeira, surpreso ao ver Kang Il-hyeon se aproximando. Hein? Ele não tinha ido trabalhar.
— O senhor está aqui, senhor.
Kang Seok-joo deu um pulo de seu assento e enfiou o celular no bolso assim que ouviu as palavras. Ja-kyung, que estava sentado à frente dele, notou que os nervos dele ficaram tensos. Kang Seok-joo tirou os óculos escuros e inclinou a cabeça para cumprimentar Kang Il-hyeon.
— O senhor está aqui, hyung-nim…
Kang Il-hyeon não respondeu, puxou a cadeira ao lado de Ja-kyung e sentou-se. Após o cumprimento, Kang Seok-joo também se sentou e olhou para os olhos dele. A atitude que ele tivera há pouco havia sumido. Ja-kyung pousou a torrada que estava comendo e pegou o suco. Parece que a comida pesou com a aparição inesperada. A atmosfera estranha relaxou um pouco quando o mordomo interveio.
— Senhor. O senhor saiu do trabalho após apenas duas horas.
— Tenho algo que deixei no meu escritório. Eu gostaria de uma xícara de café, por favor.
O braço direito de Kang Il-hyeon estava naturalmente apoiado na cadeira em que Ja-kyung se sentava. Quando percebeu que o braço de Kang Il-hyeon estava encostando em suas costas, Ja-kyung propositalmente ergueu o tronco e aumentou o espaço. Kang Il-hyeon então o cumprimenta fazendo contato visual.
— Dormiu bem?
Ele se sentia desconfortável. Engoliu a comida na boca e assentiu.
— Sim… Obrigado…
O olhar de Kang Il-hyeon agora se voltou para Seok-joo.
— Vocês dois se cumprimentaram?
Kang Seok-joo estava inquieto como um cachorro que fez sujeira.
— Sim…
O rosto dele assemelhava-se ao de Kang Il-hyeon sem os óculos escuros, mas seus olhos eram completamente diferentes. Ele parecia retraído e tímido como um aluno sendo repreendido pelo professor. Ja-kyung não tinha notado antes, mas ele tinha uma cicatriz visível na têmpora.
O mordomo chegou com o café bem na hora, e Il-hyeon o pegou e se levantou. Sua mão, que estivera apoiada na cadeira, moveu-se para o ombro de Ja-kyung. Ja-kyung ficou rígido com o contato repentino.
— Kang Seok-joo.
Kang Seok-joo ergueu a cabeça como se estivesse pegando fogo. — Sim.
— Cuide bem de Yi An-gun.
— Tudo bem… hyung-nim.
Era divertido que um rapaz de vinte e um anos continuasse usando o título “hyug-nim”. Isso mostrava o quão desafiador era o relacionamento. Ou pelo menos era desconfortável. A mão no ombro caiu naturalmente. Kang Il-hyeon pegou a xícara de café e entrou após se despedir.
Ja-kyung moveu os ombros inconscientemente para afastar o calor. Após um pequeno suspiro, seu olhar encontrou Kang Seok-joo, que estava sentado à sua frente e, por um breve momento, sentiu um senso de unidade no rosto dele. Aqueles olhos pareciam ser uma representação de seu coração.
Você também… Kang Il-hyeon, aquele bastardo, você não gosta dele, não é?
***
Até pintar com os pés seria melhor do que isso. Ja-kyung pensou consigo mesmo enquanto olhava para o quadro que não conseguia entender de jeito nenhum. Era a pintura de um rosto humano, mas também tinha olhos na nuca. Ele se perguntou o que o artista queria dizer. Estava curioso sobre a intenção do artista. Garantir que você não seja atingido pelas costas? Se essa era a intenção, ele pretendia comprar um e pendurá-lo dentro de casa. A coisa em que ninguém deveria acreditar era o fato de que até uma criança no chão sabe de tudo.
Ja-kyung passou o dia inteiro andando com Kang Seok-joo. Após irem a Insa-dong para ver exposições e comprar lembranças, chegaram ao museu de arte administrado pelo grupo de navegação por volta da hora em que o sol se punha. Embora tivesse olhado fotos o dia todo, ele não estava nem um pouco interessado por ser um estranho ao assunto.
Sentiu pena da jovem vice-diretora que estivera explicando por um longo tempo. Ja-kyung andou mencionando que era formado em artes, então ele deve responder… Na melhor das hipóteses, ele assentia e, às vezes, dizia apenas frases sem alma, como “maravilhoso”, “legal” e “incrível”.
— Mesmo se eu pintar com os pés, pintaria melhor do que isso.
Ja-kyung olhou para trás ao ouvir a voz repentina. Kang Seok-joo, que tinha ido ao banheiro, chegou depois e compartilhou seus pensamentos sobre a pintura sem filtros. O sorriso no rosto da vice-chefe desapareceu enquanto ela ouvia o tom áspero, dizendo que seria melhor se ele pendurasse um desenho que fez quando tinha sete anos, ou para que diabos ele compraria e usaria aquilo.
— Quanto custa?
Kang Seok-joo perguntou, e a vice-chefe tentou sorrir.
— O senhor está falando da pintura?
— Não, quanto custa para dormir com você?
— O quê?
— Por que está fingindo que não entende? Estúpida.
O pescoço e as orelhas da vice-chefe ficaram vermelhos. Justo naquele momento, um funcionário chamou para informar que ela recebera uma ligação urgente. Ela tentou esconder o constrangimento enquanto se retirava educadamente e caminhava até a equipe. Kang Seok-joo estalou os lábios com audácia enquanto olhava para trás.
— Ela não parece deliciosa?
Kang Seok-joo ergueu e balançou o dedo mindinho quando Ja-kyung não respondeu.
— Aquilo é do Kang Tae-han. Você conhece o Kang Tae-han? Meu irmão mais velho. Existe uma razão para ela ter conseguido o cargo de vice-chefe aqui sendo tão jovem.
— …
— Devo pedir uma para você também?
— …
— Por que está me olhando assim? Você tem vergonha de falar sobre algo assim?
Ja-kyung estava perplexo sobre o porquê de ele ter perguntado se ele tinha vergonha, enquanto ele próprio fizera algo vergonhoso. Ja-kyung teria esmagado a nuca dele até os olhos saltarem se ele fosse um amigo próximo. Logo depois, Kang Seok-joo recebeu uma ligação. Ele estava ao telefone quase ao lado, e a voz da outra pessoa soava alto. Kang Seok-joo nem sequer considerou abaixar o volume.
— Quantas vezes eu tenho que te falar, porra. Eu disse que não podia ir.
— Por quê?
— Um convidado veio para minha casa, e meu irmão me pediu para cuidar dele.
— Que convidado? É uma mulher?
— É uma merda, seu imbecil. É um homem.
— Isso é ótimo. Peça para ele brincar junto. Choi Ki-tae vai vir com algo incrível hoje.
Os olhos irritados de Kang Seok-joo brilharam por um momento. Seu olhar fixou-se então em Ja-kyung. Ja-kyung afastou-se um pouco mais e contemplou outra pintura. Ele desligou o telefone e chamou por Ja-kyung após pensar um pouco.
— Ei… Qual era o seu nome mesmo?
Eles estiveram juntos o dia todo, mas Ja-kyung ficou surpreso por ele não conseguir se lembrar nem de três palavras do seu nome. Ele se perguntou se era porque ele usava drogas demais e seu cérebro ficou estúpido, ou se ele nascera com uma cabeça de pedra.
— Zhang Yi An.
— Sim, Zhang Yi An. Você precisa ver mais quadros?
— Por quê…?
— Eu preciso ir ver meus amigos por um tempo. Você quer ir comigo?
— Agora?
— Sim. Eu só tenho que ir e ficar sentado por um tempo.
— …
— Mas não conte para o segundo irmão.
— …
Como não houve reação de Ja-kyung, a expressão de Kang Seok-joo tornou-se ansiosa. Ja-kyung manteve a boca fechada, então Seok-joo tirou o relógio e o estendeu. Era um relógio caro, que valia mais de um bilhão de won. Era ridículo jogar algo assim para um cachorro que passava como se fosse um petisco.
— Condição para manter a boca fechada.
Ja-kyung encarou o relógio e assentiu com a cabeça. Não havia razão para recusar. Ja-kyung, também, estava ficando cansado de apreciar pinturas que nem queria ver. Assim que recebeu o relógio e o colocou no bolso, Kang Seok-joo disse que gostava dele, deu um tapinha em seu ombro e sorriu.
— Vamos lá.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna