↫─Capítulo ⚝ 03
↫─Things That Deserve To Die ⚝ 03
Uma bolsa de dinheiro espalhada no chão estava cheia de dólares. O olhar de Wang Han, que estava organizando e dividindo a quantia, voltou-se para Ja-kyung, que estava sentado à mesa. Ele estava encarando uma foto desde que chegara. Era um novo pedido de Dmitry.
— Você vai mesmo fazer isso?
Ja-kyung permaneceu em silêncio. O homem na foto, vestindo um terno preto e uma gravata preta, estava quase sem expressão. Ele se perguntou o que seria aquilo. Um rosto em uma revista ocidental. Para ser exato, um comercial de cuecas? As feições que transbordavam testosterona eram bastante fortes, nítidas e ferozes para asiáticos.
Wang Han, que o observava, levantou-se de seu lugar e aproximou-se da mesa.
— Eu perguntei se você vai fazer isso.
Ja-kyung virou a foto e a mostrou para Wang Han.
— Bonito, certo? Você não acha que será divertido matá-lo?
— Bem.
— Ele tem vinte e nove anos, não parece bem mais velho? Ele parecia tão maduro.
— Então, você vai fazer isso?
Ja-kyung balançou a cabeça positivamente.
— Eu tenho que fazer. É dez vezes o preço anterior.
Wang Han sentou-se e falou com uma expressão solene.
— Eu não me importo, de verdade. Tudo bem matá-lo, mas você precisa entrar naquela casa e pegar alguns itens.
Como esperado, condições foram adicionadas já que a quantia era grande. Ele estaria menos preocupado em matar uma pessoa em circunstâncias normais, mas após matar o homem, ele precisava recuperar um item de um cofre escondido. Essa era a condição da transação.
Wang Han pegou a foto e examinou o rosto do homem. Ele pedira a um amigo para realizar uma investigação minuciosa sobre o sujeito. Kang Hoon era o líder da facção Sewon, uma antiga gangue dominante na Coreia. Kang Hoon casou-se com a filha de um político, expandiu seus negócios e tornou-se um empresário. Claro, ele ainda governa o submundo por trás das cenas.
Ele se casou mais duas vezes desde então e tem três filhos e uma filha. Seus três filhos trabalhavam para a empresa, e sua filha era médica. Kang Il-hyeon, o homem na foto, era o sucessor mais provável entre os três. Wang Han trabalhava nesse meio e conhecia todo tipo de gente, então podia fazer uma avaliação apenas olhando para ele. Os olhos e a aura que emanavam dele eram perigosos, e a intuição aguçada de Wang Han lhe dizia para evitar isso desta vez.
Além disso, de acordo com as fontes, esta não era a primeira tentativa de assassinar Kang Il-hyeon. Todas falharam, e nenhum dos executores sobreviveu. Mas, como de costume, Ja-kyung descartou isso como algo insignificante.
— Eu sou diferente. Eu sou o melhor.
— Eu sei. Mas e se você estiver em perigo?
— Eu vou morrer.
— Não diga isso levianamente. Qual é o seu sonho?
Quando ouviu a palavra “sonho”, Ja-kyung fechou a boca. Ele pretendia deixar esse trabalho quando completasse 30 anos. Ele também considerava a ilha onde planejava passar o resto de sua vida. Uma ilha deserta onde ninguém vive. Como havia tantos inimigos ao redor, seria conveniente ir para lá. Ele deve encontrar uma bela esposa, criar filhos, construir uma casa, cultivar a terra e viver confortavelmente. Ele nunca ensinaria seu filho a disparar uma arma.
— Vamos discutir isso quando eu voltar. Vamos cuidar desse homem primeiro.
Ja-kyung tirou um isqueiro Zippo do bolso e ateou fogo às fotos e documentos. O rosto de Kang Il-hyeon ficou distorcido e parecia zangado na foto. Ele se perguntou se ele teria essa aparência quando morresse. Ele estava um pouco animado com isso. Ele riu e jogou tudo no lixo. As imagens queimadas rapidamente se transformaram em um punhado de cinzas e desapareceram.
***
Era final de tarde e o sol estava se pondo lentamente quando o sedã preto chegou à vila de Yangpyeong após duas horas de viagem. Esta propriedade pertencia ao seu pai, o Presidente Kang, e era usada principalmente como um parquinho pelo seu filho mais novo, Kang Seok-joo, e seus amigos.
Quando abriu a porta da frente, ele viu pessoas limpando a piscina. Enquanto removiam os vestígios de carne e manchas de sangue que haviam caído aqui e ali, eles viram Kang Il-hyeon e imediatamente se levantaram para cumprimentá-lo. Acidentes como esse não eram incomuns, e era sempre responsabilidade deles fazer o acompanhamento.
— Vocês trabalharam duro.
Enquanto pisava nos degraus de pedra e subia, ele ouviu um grito vindo do interior antes mesmo de chegar à porta da frente. Havia xingamentos e o som de objetos sendo esmagados. Estava claro como as coisas estavam progredindo. Ele ainda tem energia, então deve estar correndo por aí como um lunático, o que não era incomum para ele.
Il-hyeon virou-se e perguntou a Tae-soo.
— Se eu matar esse bastardo, o velho vai derramar lágrimas de sangue?
Tae-soo não respondeu. Fosse sério ou não, ele mesmo poderia fazer isso.
— Não. Ainda não é a hora. Mesmo que ele morresse, eu só ficaria aliviado se o velho morresse também.
Um sorriso se espalhou pelo rosto de Il-hyeon e depois desapareceu, como se ele realmente tivesse imaginado matar o pai. Quando abriu a porta e entrou, como esperado, a situação à sua frente era uma bagunça. O sangue que caía no chão e a carne não identificada exalavam um terrível cheiro de peixe.
Il-hyeon respirou fundo. Hmm, o cheiro é bom. Uma camada espessa de sangue grudava na sola de seu sapato e pingava a cada passo. Quando os subordinados reunidos viram Il-hyeon, eles se dispersaram rapidamente, e Kang Seok-joo apareceu. Ele estava coberto de sangue, segurando um picador de gelo e agitando-a como um lunático.
— Fora! Saiam daqui, seus idiotas! Vocês querem morrer? Sabem quem eu sou?
Ele não tinha ideia de quem era ou onde estava, então Il-hyeon raciocinou que seria melhor ensiná-lo diretamente. Enquanto Il-hyeon se aproximava, Kang Seok-joo enfureceu-se ainda mais e brandiu seu picador de gelo. — Fora! Saia daqui, seu bastardo de merda! Fora! Eu vou te matar se não for embora!
Il-hyeon agarrou o pulso de Seok-joo enquanto evitava a ponta da armação pontiaguda e o torceu até fazer um som de estalo. — Aaaah! — O grito que parecia se quebrar durou pouco. Il-hyeon pegou o objeto que Seok-joo segurava e a pressionou contra sua têmpora.
Seok-joo nem conseguia respirar direito após o golpe e encolheu os ombros. Suas pernas fraquejaram e ele tentou se sentar, mas Il-hyeon o agarrou pelos cabelos e o forçou a ficar de pé novamente. Com os olhos cerrados, ele raspou a arma para baixo lentamente. Conforme a carne era rasgada, o sangue escorria e manchava os sapatos.
Kang Seok-joo tremia como um bezerro recém-nascido, como se não pudesse suportar a dor mesmo estando embriagado.
— Ah… Uh…!
Ele não suportou a dor e agarrou o braço de Il-hyeon, então uma voz de advertência baixa ecoou.
— Apenas coloque a mão nisso. Os próximos serão os seus olhos.
Kang Seok-joo foi incapaz de se mover e simplesmente manteve a boca fechada. Em agonia, lágrimas brotaram em seus olhos, e o branco de seus olhos ficou vermelho. Ele agora podia ver o homem à sua frente claramente. Seus olhos afundaram ainda mais quando o viu sorrir como o diabo.
— Hyu… hyung. Is… is… isso…
— Consegue me ver claramente agora?
— Si… sim…
Quando ele aplicou mais força, a ponta do picador de gelo curvou-se para dentro e penetrou. Na agonia de seus ossos esmagados, Seok-joo não conseguia nem gemer, e sua boca estava aberta como a de um peixe. Um sorriso sinistro cruzou o rosto de Il-hyeon enquanto ele observava seu meio-irmão lutando de dor.
— Você deve sempre responder educadamente, ok?
— Si… Sim…
O objeto pontiagudo que estava esmagando os ossos foi retirada naquele momento, assim como a mão forte que segurava o cabelo. Seok-joo soltou um suspiro que estivera prendendo e desabou no chão. A dor ainda estava lá, mas o medo e a vergonha chegaram ao mesmo tempo.
Il-hyeon estava olhando para Seok-joo quando ouviu um som vindo da porta da frente. Quando Il-hyeon se virou, viu um convidado que acabara de chegar e sorriu.
— Você está atrasado.
O homem de cabelos grisalhos era o secretário da mãe de Seok-joo, Kim Seon-young. Seu olhar caiu para Seok-joo, que caíra no chão e estava sangrando, e seu rosto logo escureceu.
— Você foi longe demais.
— Ouvirei meu pai me repreender separadamente na refeição de amanhã.
— Senhor.
— Diga.
— O senhor não deveria machucar sua família por qualquer motivo.
Uma das sobrancelhas de Il-hyeon ergueu-se de forma torta com a palavra “família”. Quanto mais ele pensava nisso, mais ele desprezava a palavra. Família. Família… Família. Mude isso para algo falso. Ele lambeu a ponta do picador com a língua enquanto escondia seus verdadeiros sentimentos e sorria para ele. Os olhos do Secretário Yoon tremeram em resposta à ação.
Il-hyeon rolou o sangue em sua boca com a língua para sentir o gosto antes de cuspi-lo no chão.
— Isso é estranho. Se o sangue é mais espesso que a água, por que tem um gosto tão insosso na minha boca?
— Senhor, se o senhor fizer isso de novo na próxima vez…
— O que acontece se eu fizer isso de novo?
Um olhar frio recaiu sobre ele. O Secretário Yoon fez uma breve pausa antes de dar meio passo para trás e baixar a cabeça.
— Eu passei dos limites. Peço desculpas.
— Como esperado, você é rápido em entender a situação. Caso contrário, isso já estaria cravado na cabeça do Secretário Yoon agora.
Il-hyeon riu e jogou a arma no chão. — É, foi uma piada inteligente, então não se ofenda. — O Secretário Yoon detestava Kang Il-hyeon, mas era incapaz de expressar seus sentimentos. Porque era verdade que Kang Seok-joo se envolvera em um grande acidente desta vez. Embora não estivesse em estado crítico, uma das partes feridas era filho de um político, e era compreensível que ele estivesse chateado, pois era responsabilidade exclusiva de Kang Il-hyeon resolver a situação.
— Então, eu vou indo. Limpem a bagunça. Como vocês sempre fazem.
Il-hyeon olhou para trás. Seok-joo permanecia prostrado em seu lugar. Il-hyeon deu a ele um sorriso muito gentil.
— Você fica tão fofo quando está calmo. Agora, você parece meu irmão mais novo.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna