↫─Capítulo ⚝ 02
↫─Things That Deserve To Die ⚝ 02
Havia uma fila interminável no pátio da igreja onde o refeitório gratuito fora montado, e as pessoas se amontoavam ao redor da mesa azul assim que os assentos ficavam vazios. Um dos voluntários foi capturado pela lente do Repórter Yoon, que filmava aqui e ali.
O homem de avental verde era um sujeito bonito que se destacava de longe. Ele era alto, bem constituído e sorria com simpatia para as pessoas.
— Ele é bonito.
O Repórter Kwak, que comia um sorvete ao lado dele, olhou na mesma direção.
— Kang Il-hyeon?
— Quem diria que aquele homem é um gângster. Olhando para a carcaça, dá para notar que ele é mais do que apenas um ator, não é?
— Se há uma coisa que o distingue de outros atores, deve ser o fato de que ele realmente corta as pessoas.
O Repórter Yoon desviou o olhar da câmera e olhou para seu veterano, o Repórter Kwak.
— Você viu isso?
— Preciso ver para saber? Todo mundo sabe que o negócio dele é uma empresa de fachada para gângsteres. Você sabe que um membro da Assembleia Nacional cometeu suicídio há três anos e foi encontrado morto, certo? Isso é tudo…
— Vocês trabalharam duro. — Um homem apareceu entre os dois que conversavam secretamente e lhes entregou uma bebida vitamínica. O homem sorria o mais brilhantemente possível, mas seus olhos e a energia que exalava eram incomuns. Nas costas da mão do homem, havia inúmeras pequenas cicatrizes que nem mesmo os anos conseguiram apagar.
— Aguardo ansiosamente pelo artigo de vocês. Estamos fazendo muitas coisas boas.
O homem fez contato visual com o repórter Kwak e deu ênfase às palavras “coisas boas”. O Repórter Kwak, que estava nervoso, pegou duas bebidas rapidamente e respondeu com um sorriso forçado. O homem à sua frente era um secretário que trabalhava para Kang Il-hyeon. Em termos de hierarquia da organização de secretariado, aquele sujeito seria como o braço direito.
Qual era o nome dele… Park Tae-soo?
Park Tae-soo, que apareceu do nada e lhe entregou uma bebida, assentiu e depois desapareceu. O Repórter Kwak baixou a voz em direção ao Repórter Yoon.
— Ei, ele ouviu isso agora?
— E se ouviu? Não é como se eu tivesse inventado alguma bobagem.
O Repórter Kwak subconscientemente limpou o suor da testa.
— Estou suando? Ficou óbvio que eu estava nervoso?
— Por que você está com tanto medo? Quem iria te matar?
Ao mencionar matá-lo, o Repórter Kwak encarou a bebida em sua mão. Se ele a jogasse fora, eles poderiam ver, e ele se sentia desconfortável com a ideia de bebê-la. Enquanto ele pensava sobre isso, o Repórter Yoon, que estava ao seu lado, abriu a tampa e bebeu. Ele estendeu a mão para impedi-lo, mas ele já havia bebido tudo.
— Ei. Por que você está bebendo isso? Eu suspeitei que houvesse algo nela.
O Repórter Yoon apontou para Kang Il-hyeon, que servia com um sorriso. Park Tae-soo, que acabara de entregar a bebida a eles, estava parado ao lado dele, e Kang Il-hyeon, que estava ouvindo, encarava o Repórter Yoon e o Repórter Kwak. Surpreso, o Repórter Kwak virou as costas silenciosamente e chamou o Repórter Yoon.
— Droga. Por que ele está olhando para cá?
— Bem, eu também estou curioso.
O Repórter Yoon deu um gole em sua bebida e acenou com a cabeça em agradecimento. Kang Il-hyeon sorriu educadamente e entregou comida para as pessoas na fila mais uma vez. Quando ele fazia contato visual com os sem-teto um por um, sorria e até apertava as mãos daqueles que ocasionalmente estendiam a mão, ele parecia um político.
— Que porcaria, isso é sujo.
Kang Tae-han, que tirou os óculos, despejou bastante álcool nas mãos e as esfregou novamente. Ele estendeu a mão para receber a gratidão dos sem-teto por preparar a refeição. Ele até a lavou bem com água, mas a sensação desconfortável não desapareceu.
— Eles são como baratas. Eles simplesmente correm para cá porque estão felizes por estarmos dando comida de graça.
Ele cospe no chão e tira um cigarro do bolso. Um subordinado parado por perto aproximou-se rapidamente e acendeu o fogo. Ele inalou a fumaça do cigarro e exalou no ar abafado.
Apesar de ser maio, o tempo estava escaldante. Falava-se muito na TV sobre este verão ser a pior onda de calor de todos os tempos, mas, de certa forma, a mesma notícia sempre surgia por volta dessa época.
Um pouco mais longe, seu irmão mais novo, Kang Il-hyeon, tirava fotos com os voluntários. Tae-han sorriu zombeteiramente ao ver seu irmão fingindo ser uma boa pessoa. Bastardo nojento. Depois de tirar fotos, ele se despediu dos voluntários, tirou o avental e o entregou ao subordinado parado ao seu lado.
Eles conversaram por um tempo antes de caminharem para onde Tae-han estava. Eles atraíam a atenção de todos com seus quase 1,90 metro de altura, esqueleto forte e tipo físico ocidental. As mangas da camisa estavam dobradas para revelar um antebraço sólido, e o formato dos músculos mudava a cada movimento do braço. Era por isso que as mulheres babavam ao ver o que eles faziam. Ele era um tremendo azarado.
Kang Il-hyeon, que se aproximara dele, pegou uma garrafa de água e umedeceu a garganta.
— Você não é bom em atuar? Poderia ser um ator a essa altura.
Kang Il-hyeon jogou a garrafa de água que bebera na lata de lixo quando Kang Tae-han foi sarcástico.
— Pare de envergonhar as pessoas com seu sarcasmo. Eu fui até o repórter mais cedo.
Seu tom era um pouco mais frio, pois era um tom mais baixo que o de uma pessoa comum.
— Repórter? Quem?
Il-hyeon tirou um cigarro, acendeu-o e lançou um olhar oblíquo para Tae-han. Kang Tae-han, que usa óculos, escoltou sua mãe para fora dos Estados Unidos. Além disso, ele sempre tinha a testa franzida, o que o deixava nervoso. Quando ele exalou a fumaça do cigarro naquele rosto, as rugas se aprofundaram entre as sobrancelhas.
Tae-han tossiu com a fumaça que subia e praguejou.
— E, por favor, sorria um pouco na frente das pessoas. Não é como se alguém fosse te bater se você sorrir.
— Essa é a sua especialidade. Você sorri o quanto quiser.
Il-hyeon fumou o cigarro e o arremessou para frente.
— Vamos superar isso. Você tem que estar em sintonia com suas mãos e boca para comer.
Os olhos de Tae-han se arregalaram ao ouvir essas palavras. Embora tivessem mães diferentes, ele não podia deixar de se sentir ofendido por seu irmão oito anos mais novo lhe dando lições regularmente. Ele o batia de cabeça para baixo para que se arrependesse de seus erros quando era mais jovem, mas ficou difícil fazer isso depois que ele cresceu e ficou maior.
Ele ponderou sobre a última vez que batera em Kang Il-hyeon. Talvez quando ele estava na primeira série. Mesmo assim, por algum motivo, houve gritos e pisoteios impiedosos sobre ele. Mas aquele dia foi diferente. Kang Il-hyeon, que estava sendo espancado, pegou a faca que a governanta segurava e a enterrou na lateral de Tae-han, então ele teve que ser levado para a sala de emergência.
Às vezes ele se lembra daquele momento. Kang Il-hyeon estava claramente sorrindo.
— Se você me bater mais uma vez, hyung, o próximo será o seu coração.
Kang Tae-han e seus irmãos gângsteres cresceram sem uma gota de sangue nas mãos desde a infância. Kang Hoon, seu pai, comia, bebia e se embriagava na terra fértil que cultivara, e não havia como lutar contra um homem mais forte sem ser pisoteado.
No entanto, Kang Il-hyeon era diferente. Mesmo tendo crescido da mesma forma, ele se tornou violento e astuto como uma pessoa que sempre ansiava por sangue. Apesar de fazer inimigos por toda parte, seu trabalho era feito com perfeição, e ele permanecia leal ao seu pai, o Presidente Kang. Isso também irritava Tae-han.
Enquanto relembrava as antigas memórias por um momento e estragava seu humor, a esposa de Tae-han, Park Seon-joo, que terminara de cumprimentar os voluntários, caminhou com um passo digno. Ao contrário do habitual, observando seu penteado e maquiagem bem feitos, Tae-han bufou novamente desta vez. Havia outros atores aqui também.
— Você fez um ótimo trabalho, querido. O jovem mestre também.
— A cunhada fez a maior parte do trabalho duro. Você parece mais bonita hoje.
Ela sorriu e cobriu a boca ao ouvir o elogio do cunhado. Tae-han, que estava por perto, sorriu com desdém mais uma vez. Ela estava se divertindo. Park Seon-joo fixou o olhar e o encarou por um tempo, mas Tae-han fingiu não ver e se virou.
Então Park Tae-soo aproximou-se cautelosamente com um celular.
— Senhor. Acho que deveria atender o telefone.
Kang Il-hyeon atendeu a chamada. A vida apareceu em seus olhos por um breve momento enquanto ele ouvia a outra pessoa e depois desapareceu.
— Estou saindo, então mantenha tudo sob controle.
Il-hyeon entregou seu celular após terminar a chamada e instruiu Park Tae-soo.
— Traga o carro. Estou saindo agora mesmo.
Quando Tae-soo desapareceu imediatamente, Tae-han perguntou por curiosidade.
— Onde você vai?
Il-hyeon sorriu friamente.
— Nosso irmão mais novo causou um acidente. E é um bem grande.
Ah, aquele idiota. Tae-han cuspiu os palavrões primeiro, sem hesitação. Eles tinham um meio-irmão que era um fardo para a família. O rapaz, que acabara de completar 20 anos, estava envolvido na vida noturna, mas mais recentemente envolveu-se com drogas e frequentemente causava escândalos.
— Hyung, eu vou primeiro. Vejo vocês no jantar de amanhã. Vão para casa em segurança, os dois.
Após despedir-se educadamente, Il-hyeon caminhou até seu carro que estava estacionado no pátio dos fundos da igreja. O sorriso em seu rosto desapareceu completamente e ele tornou-se frio como um cubo de gelo. Tae-soo, que estava esperando, abriu a porta do assento traseiro e imediatamente moveu-se para o banco do motorista.
— Quem está ferido?
— Seis pessoas têm ferimentos leves e uma está inconsciente. Houve uma briga antes do esfaqueamento. Felizmente, o filho do Senador Seo não ficou gravemente ferido.
Il-hyeon solta um breve xingamento e instrui Tae-soo.
— Ligue para o Senador Seo. Diga a ele que o verei à noite.
— O que o senhor vai fazer com o amigo inconsciente?
— Livre-se dele. É uma dor de cabeça se ele acordar.
— Sim, senhor.
Seus dedos no apoio de braço moviam-se como se ele estivesse planejando um desastre. Seus dedos em movimento pararam, e seus olhares se encontraram no espelho.
— Não. Mantenha-o vivo por enquanto.
Se ele o mantiver vivo, será útil mais tarde. O carro deu a partida e o olhar de Il-hyeon foi atraído para fora da janela. Uma briga estourou depois que várias pessoas saíram juntas, beberam e usaram drogas, e foram levadas para o hospital. Se ele analisasse, não havia ninguém inocente ali, então não importava se alguém morresse. Era o mesmo com Kang Seok-joo. Era apenas irritante que ele tivesse mais trabalho a fazer.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna