↫─Capítulo ⚝ 04
↫─Things That Deserve To Die ⚝ 04
Cerâmicas e pinturas caras de galerias de arte eram exibidas ao lado de móveis antigos. Vasos de flores valiosas foram estrategicamente colocados por toda a casa, e os funcionários estavam ocupados transportando comida em carrinhos de serviço.
Um homem de meia-idade em um terno bem cortado estava entre eles e dirigia a multidão. Ele era o mordomo-chefe que cuidava de todos os assuntos domésticos. Enquanto ele orientava a equipe na montagem da mesa, alguém se aproximou por trás. O mordomo ajeitou os óculos para olhar para a pessoa. O homem que acabara de chegar era Kang Il-hyeon, o segundo filho desta casa.
— O senhor chegou, Diretor Kang.
— Já faz um tempo.
— O presidente disse que chegaria em 30 minutos com a esposa.
— Sim. Eu vou esperar.
O mordomo sorriu e depois baixou a cabeça. Então ele voltou a fazer o seu trabalho. Il-hyeon perdeu-se em pensamentos por um momento, observando as costas dele e as instruções meticulosas dadas à equipe com um pequeno movimento.
Ele estava se perguntando quantos anos tinha quando viu o mordomo pela primeira vez. Fazia tanto tempo que ele nem conseguia se lembrar. Como sua mãe ainda estava viva, deve ter sido há mais de 20 anos. Mesmo naquela época, ele não revelava seus sentimentos a ninguém. Mesmo quando sua mãe lhe dava um tapa no rosto, ele sempre sorria, como fazia agora.
O som de uma cadeira sendo puxada tirou Il-hyeon das antigas memórias. Kang Yoo-jung, que acabara de chegar, sentou-se ao lado dele. Ela estava vestida de forma simples, com jeans e uma camiseta confortável, e parecia cansada à primeira vista. Ao contrário dos três irmãos que trabalhavam na empresa, ela tinha uma profissão separada como médica. Ela dizia estar satisfeita com seu trabalho, apesar de viver dias exaustivos como médica cirurgiã.
— Achei que você não viria.
— Vim para te ver. Faz tempo que não nos vemos.
— Meu irmãozinho fofo. Venha aqui, vou te dar um abraço. — Ela estendeu a mão, Il-hyeon franziu a testa e empurrou o corpo dela para trás. Vendo aquele rosto, que não mudara em nada, ficar distorcido, Yoo-jung riu e gostou.
— Está se divertindo?
— Olhe no espelho. Eu estou me divertindo. Você entenderá como me sinto quando vir seu rosto distorcido.
— Hobby estranho.
— Não seja tão frio. Esqueceu que você e eu estamos no mesmo time?
Il-hyeon bufou. Time… Kang Yoo-jung era a única entre os irmãos que compartilhava a mesma mãe que Il-hyeon. No entanto, ela também não guardava boas memórias da mãe deles. A mãe era viciada em álcool e drogas, e nunca demonstrou afeto pelos filhos até o momento em que pendurou a cabeça no corrimão do segundo andar. Não era necessariamente culpa dela. Ela não poderia tê-los amado quando criança porque fora um casamento indesejado desde o início.
— Vocês dois chegaram cedo.
Kang Tae-han e sua esposa Park Seon-joo, que chegaram atrasados, juntaram-se à refeição. A maquiagem de Park Seon-joo tornou-se mais densa e suas roupas mais glamourosas, em contraste com ontem, quando ela distribuía refeições gratuitas. Park Seon-joo cumprimentou Yoo-jung de forma muito calorosa. Como cunhadas, elas se davam muito bem. Compartilhavam interesses comuns e, apesar da aparência externa, tinham personalidades calorosas.
— O presidente e sua esposa estão saindo.
Assim que o mordomo terminou de falar, as quatro pessoas sentadas nas cadeiras levantaram-se ao mesmo tempo. O Presidente Kang descia a longa escadaria circular com uma bengala, e Kim Seon-young, sua terceira esposa, que também era mãe de Kang Seok-joo, segurava seu braço e o apoiava.
Apesar de sua marcha desconfortavelmente suave, ela trabalhava incansavelmente para cuidar do marido. E atrás deles estava Kang Seok-joo, que tivera o picador de gelo pressionado contra sua têmpora na noite anterior por Kang Il-hyeon . O Presidente Kang sentou-se à cabeceira da mesa, com Kim Seon-young e Kang Seok-joo sentados ao lado dele.
— Todos sentem-se.
Kim Seon-young se sentou e virou-se para encarar Kang Il-hyeon assim que as palavras foram ditas. Seu olhar não vacilou mesmo enquanto esperava o prato principal ser servido. Pousando o copo de água que Il-hyeon estava bebendo, ele perguntou diretamente a Kim Seon-young:
— Mãe. A senhora tem algo a me dizer?
O tom era amigável, mas o clima na sala mudara. Il-hyeon sabia melhor do que ninguém que ela não poderia simplesmente ignorar o ferimento de seu amado filho.
— Você não deveria se desculpar primeiro antes que eu pergunte? É porque você fez um buraco no rosto de uma criança saudável.
O olhar de Il-hyeon desviou-se de Seon-young e foi em direção a Seok-joo, que estava sentado ao lado dela. Suas têmporas estavam cobertas com gaze. Quando seus olhares se encontraram, Seok-joo baixou a cabeça como uma presa diante de uma fera. Os olhos de Seon-young estreitaram-se bruscamente, e a voz que repreendia o filho ficou mais forte.
— Levante a cabeça. Você é um tolo? Você não fez nada de errado.
— Você pode pensar sobre isso. Kang Seok-joo, responda-me. Eu fiz algo a você que mereça um pedido de desculpas?
— …
— Responda-me. Se você quiser, posso fazer isso aqui mesmo.
Seok-joo moveu seu olhar ansioso de um lado para o outro. Quando ficava bêbado, sentia-se exaltado, mas estar ali sentado com a mente sã era como o inferno. Todos os olhos de seus irmãos o perfuravam como espinhos.
— Oh, não. Está tudo bem, Hyung. Porque a culpa é minha… Não há necessidade de você se desculpar…
Il-hyeon olhou para Seon-young com um sorriso triste no rosto.
— Viu? Não é minha culpa.
— Como você pôde…
— Parem com isso. O que vocês estão fazendo durante uma refeição?
Todos fecharam a boca diante das observações do Presidente Kang. Kim Seon-young tinha uma expressão triste no rosto enquanto olhava para o marido. Ela estava ciente de que ele tinha uma preferência particular por Kang Il-hyeon. Claro, ele tem boas habilidades e se parece exatamente com ele, então deve ser verdade, mas ela ficava irritada quando ele tolerava comportamentos tão excessivos às vezes. Ela mordeu o lábio inferior suavemente e cerrou o punho debaixo da mesa.
Quando o prato principal chegou e a refeição começou, a atmosfera um tanto rígida suavizou-se gradualmente. A maioria das conversas era sobre trabalho e, nesse ínterim, a história dos gêmeos de Tae-han e a história do hospital de Yoo-jung iam e vinham.
— Quando você disse que o filho de Zhang viria?
Tae-han, que bebia vinho, foi o primeiro a responder. — Amanhã.
— Onde ele quer ficar?
Il-hyeon, que cortava a carne, levantou ligeiramente a ponta da faca e disse: — Estou pensando em cuidar disso.
— Cuide bem dele. Ele é o filho de Zhang, então é como um irmão para você.
Il-hyeon sorriu brevemente ao ouvir a palavra “irmão”. Ele tinha irmãos para caramba.
— Eu cuidarei, pai.
Naquele momento, Seok-joo, que estava sentado na frente de Il-hyeon, entrou em sua visão. Ele estava se divertindo ao vê-lo estremecer toda vez que seus olhos se encontravam, e uma boa ideia subitamente lhe ocorreu.
— Provavelmente é melhor que Seok-joo cuide dele em vez de mim. Eles devem ter algo em comum porque têm a mesma idade.
A faca de Seok-joo, que cortava o bife, parou. Ele não tinha ideia de por que ele o apontara abruptamente. Ele levantou a cabeça e olhou para Il-hyeon, que segurava uma taça de vinho e sorria. Seok-joo sentiu calafrios e rapidamente desviou o olhar. Ele não tinha ideia do que Il-hyeon estava tramando, mas afiou sua faca em seu coração, jurando matar aquele humano com as próprias mãos algum dia.
***
— Sempre me interessei pela arte coreana. Por isso pedi ajuda ao meu avô.
Wang Han estalou a língua ao ver Ja-kyung falando como um robô. Não, os robôs de hoje teriam um desempenho melhor que aquele. Ele tinha que fingir ser outra pessoa para ficar na casa de Kang Il-hyeon, mas o disfarce deveria ser de um jovem mestre frágil.
Wang Han examinou Ja-kyung da cabeça aos pés. Sua pele estava próxima da cor de cobre, bronzeada pelo sol quente da Tailândia, e seus olhos eram tão intensos que penetravam através do vidro, apesar do fato de ele estar usando óculos. Além disso, havia uma cobra rastejando em seu ombro com a boca bem aberta; quem o veria como um jovem mestre frágil?
— Ja-kyung. Não saia de casa até deixar o país. Assim sua pele voltará a ser como antes.
— Pele?
— Você definitivamente tinha a pele pálida quando era mais jovem. Não, não estava assim quando você esteve em Xangai no ano passado. Ficar em casa por duas semanas seria melhor do que agora.
Ja-kyung franziu os lábios a ponto de seu queixo inferior ficar enrugado e pensou profundamente. Para obter acesso à casa do alvo, ele tinha que se passar por um homem de Hong Kong chamado Zhang Yi An. Ele era o afilhado da organização de Hong Kong, a Sociedade Negra, e depois que seu pai morreu quando ele era jovem, ele foi uma flor em uma estufa nutrida por sua mãe coreana e seu avô.
Ele era uma erva daninha em comparação. Uma erva daninha que poderia resistir a ser pisoteada e esmagada. Era a mesma coisa, mas a classe era diferente.
— Quem você acha que realmente encomendou isso?
Ja-kyung subitamente ficou curioso. Wang Han especulou que o cliente deveria ser um membro do próprio grupo. Uma pessoa que tem o poder de usar Dmitry como intermediário para contratar Ja-kyung para matar. Uma pessoa que poderia substituir o neto de um figurão. Alguém que não seria pego facilmente.
— Deve ser alguém da família.
Isso era uma ocorrência comum neste campo. Matarem-se uns aos outros entre familiares e amigos. O mesmo poderia ser dito sobre amantes. Não era nada mais do que enfiar balas no coração e na cabeça do amante com quem se estivera misturando os corpos até a noite anterior. Como resultado, Ja-kyung não confiava facilmente nas pessoas e evitava encontrá-las.
— Ele perceberá que escolher a mim foi uma boa decisão. É de mim que estamos falando.
Wang Han balançou a cabeça enquanto olhava para o rosto confiante de Ja-kyung.
— Com suas habilidades de atuação, você será pego logo.
— É realmente tão estranho assim?
Wang Han olhou atentamente para o rosto de Ja-kyung. Seus olhos eram grandes e claros, com pálpebras duplas finas. O formato de seus olhos mudava dependendo do observador. Os cantos de seus olhos eram mais vermelhos do que os de outras pessoas, então quando ele olhava para baixo, parecia digno de pena, e quando os erguia, subiam até o canto dos olhos e ficavam levemente sexy. As mulheres admiravam isso, no entanto.
— Bem… Relaxe um pouco os olhos. Como quando você acorda de manhã cedo.
Quando ele disse isso, Ja-kyung abriu bem os olhos e depois os fechou, relaxando os músculos oculares. Estava bom agora? Ele parecia relaxado, mas desta vez parecia relaxado demais. Wang Han balançou a cabeça, olhando para a pupila castanha que havia desaparecido através de suas pálpebras.
— Pare com isso.
— Então, que tal assim?
Ele agora estava brincando com os olhos, então Wang Han reclamou que, se ele ia usar aquele rosto bonito daquela maneira, deveria dá-lo a ele.
— Mesmo que seja o seu rosto, nunca revele seu corpo nu. Se ele notar as pequenas cicatrizes no seu corpo, ficará desconfiado.
Ao ouvir isso, Ja-kyung deu um sorriso absurdo e recostou-se na cadeira.
— Não se preocupe. Não há razão para eu tirar minhas roupas. Eu não vou seduzir Kang Il-hyeon.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna