↫─Capítulo ⚝ 01
↫─Things That Deserve To Die ⚝ 01
[Respire fundo, faça uma pausa por um momento e limpe sua mente.]
Ja-kyung estendeu um tapete de ioga em frente a uma grande janela, ergueu a parte superior do corpo e cruzou as pernas. A cada inspiração e expiração, a cobra de boca aberta em seu ombro direito se contorcia e se movia. A temperatura ao meio-dia estava próxima dos 38 graus, mas o apartamento de Ja-kyung estava tão frio que ele precisava usar mangas compridas.
A música de meditação continuava a tocar no alto-falante.
[Deixe a raiva, o ódio e todas as emoções negativas saírem do seu coração pouco a pouco.]
Houve uma presença na porta da frente, mas a consciência permaneceu constante. Ouviu-se o som de passos, seguidos por algo caindo ao lado. Somente depois disso ele abriu os olhos fechados para olhar a origem do som.
O que caiu no chão foi um jornal publicado esta manhã na Tailândia. O rosto do homem que Ja-kyung matou ontem à noite estava estampado na primeira página do jornal. Ele ouviu um bater de palmas lento vindo de cima de sua cabeça. Seu olhar, que estava fixo no artigo do jornal, subiu. Um homem alto e grande estava parado na frente dele. Era um chinês chamado Wang Han, e ele era como um irmão para Ja-kyung.
— Como esperado, você é incrível.
Yang Yang, um chinês que ganhava dinheiro na Tailândia através da prostituição e do tráfico de órgãos, foi encontrado morto em uma cama de hotel esta manhã. Ele foi baleado no lado esquerdo do peito com uma bala de 7,62 mm disparada do prédio oposto, que perfurou o vidro e atingiu seu coração com precisão, sem um centímetro de erro.
— As pessoas reagiram com entusiasmo quando ele morreu. Você deve ter feito muitas coisas ruins durante esse tempo.
Não importava o quão ruim ele fosse. Eu tinha uma encomenda, então o matei, e uma vez que tivesse o dinheiro, seria o fim da história.
— E o dinheiro?
Em resposta à pergunta de Ja-kyung, os lábios de Wang Han, que estavam sorrindo, tremeram.
— Onde está o resto?
Vendo Wang Han, que viera de mãos vazias com apenas um maço de jornais, Ja-kyung perguntou com um rosto confuso. Se tudo corresse como planejado, ele deveria ter os 300.000 dólares que recebeu em sua conta agora. Claro, em dinheiro vivo. Wang Han hesitou e gesticulou para a mesa atrás dele. Na mesa vazia havia um saco de hambúrgueres.
— Vamos comer isso primeiro. Ainda não é antes da manhã?
Wang Han caminhou até a mesa, tirou um hambúrguer de um saco de papel e colocou um canudo na coca-cola. A mesa era perfeita para duas pessoas. Ele até desembrulhou o hambúrguer para facilitar o consumo, mas Ja-kyung apenas ficou sentado encarando, como se não tivesse intenção de comer.
Wang Han esforçou-se para sorrir.
— Eu te entrego em breve.
Assim que ele terminou de falar, Ja-kyung se levantou e deixou seu lugar. Ele franziu a testa e parecia bastante insatisfeito. Com certeza, ele se virou em direção ao quarto em vez da mesa de jantar. Droga. Wang Han o seguiu com os olhos bem fechados.
Ja-kyung entrou no quarto e começou a selecionar uma das camisas penduradas na parede. Ele escolheu uma camisa havaiana com flores vermelhas. Ele gostava dela porque a comprou por um preço baixo em um mercado noturno há pouco tempo. Sua expressão ao abotoar a camisa parecia um pouco animada. Ele sempre tinha essa expressão no rosto antes de ir matar alguém.
— Onde você vai?
— Buscar o dinheiro.
— Acalme-se e me escute. Há uma razão para o que aconteceu.
Em vez de responder, Ja-kyung abriu a gaveta ao lado da cama. A pistola Beretta prateada brilhou.
— Diga-me, porque estou ouvindo.
Mas não foi a arma que Ja-kyung pegou. Em vez de uma arma, ele pegou o relógio ao lado dela. Era um relógio que agia como uma bomba-relógio. Mesmo que não destruísse um único edifício, poderia explodir toda a área circundante com apenas o apertar de um botão.
A expressão de Wang Han endureceu.
— Eu vou amanhã.
— Não. Eu vou buscar hoje.
— Você não precisa se incomodar. Não, eu estou indo agora mesmo. Você fica aqui.
Ja-kyung se virou e saiu, apesar do fato de Wang Han não ter terminado de falar. Wang Han lembrou-se do rosto do cliente mais cedo naquele dia com desespero. Era um chinês-russo chamado Dmitry, o líder de uma notória organização criminosa.
Ele sempre cumpria suas promessas com precisão, mas, por algum motivo, adiou o pagamento do saldo em três dias. Isso acabou sendo um problema mais sério do que o esperado. Quebrar uma promessa significa que o trabalho foi interrompido. Além disso, Ja-kyung não era do tipo que aguentava as coisas dando errado. Ele era um cara que contava cada minuto e cada segundo e cobrava juros.
Ja-kyung caminhou até a porta da frente e olhou para trás.
— Irmão, você não precisa vir.
— Por quê?
— Fique aqui e pegue a barata.
Ele ficou perplexo com a conversa absurda sobre a barata.
— O quê?
— Acho que vi uma barata deste tamanho de manhã.
Ja-kyung afastou o polegar e o indicador para mostrar aproximadamente o tamanho de seu rosto e esfregou as mãos na calça. Não. Ele realmente odeia isso. Wang Han sabia o quanto ele odiava baratas. Além disso, as baratas que viviam no Sudeste Asiático eram tão grandes que parecia que estavam caminhando em vez de rastejar. Mas de qualquer forma…
— Isso é importante agora?
— É tão importante para mim quanto receber o dinheiro. Mesmo que eu morresse, não conseguiria ser amigo delas. Estou te avisando por precaução, mas você tem que matá-las. Você não pode simplesmente borrifar o repelente como antes. Se elas aparecerem de novo, acho que não conseguirei dormir.
Ja-kyung, que havia saído após fazer um grande pedido, olhou para trás.
— Claro, isso se eu voltar vivo.
Ele brincou que poderia morrer. A porta se fechou e Wang Han, que foi deixado sozinho, esfregou o rosto. Um gemido saiu de sua boca. Mesmo que ele tivesse que segurá-lo mais, Ja-kyung não era o tipo de cara que o ouviria. Ele apenas esperava não encontrar o assassino no jornal na manhã seguinte.
***
Enquanto o chef trazia o macio bife de filé mignon, Dmitry começou a cortar graciosamente com garfo e faca. Um grande anel de joia brilhava em sua mão toda vez que ele cortava a comida. Dois homens bem constituídos estavam ao lado com metralhadoras, e vários homens levavam seus cães para vigiar a área.
O olhar de Dmitry foi atraído para o jornal à esquerda. Fora publicado esta manhã, mas a morte de Yang Yang, que era como um inimigo, foi publicada em um grande artigo. Enquanto o sorriso se espalhava em seu rosto, sangue vermelho fluía da carne e manchava o prato branco.
Os sucos se espalharam quando ele colocou um pedaço de carne na boca com o garfo. O congestionamento de mil anos parecia se dissipar à medida que o espinho em seu olho desaparecia. Ele limpou o sangue dos lábios com um guardanapo, saboreando o sabor incrível, e então, Bang! Um barulho alto pôde ser ouvido vindo da porta da frente.
Um Jaguar preto bem preservado avançou pelo quintal com uma força assustadora, ao mesmo tempo em que suas mandíbulas pararam de se mover enquanto mastigava a carne. Os homens dispersos se reuniram em uníssono para formar um grupo e apontar suas armas ao mesmo tempo em que o Jaguar parou bruscamente em frente a Dmitry.
Seu rosto franziu ao ver que o gramado meticulosamente mantido havia sido severamente danificado. A porta do motorista se abriu ao mesmo tempo em que a carne mastigada era cuspida. Um intruso saiu do banco do motorista com uma música alta que parecia rasgar os tímpanos. Todos os homens apontaram suas armas para o intruso, que estava vestido com uma camisa floral brilhante e óculos escuros.
Mas Lee Ja-kyung caminhou para mais perto com um rosto que indicava que ele não se importava com aquilo. Dmitry sinalizou para seus homens baixarem as armas. Lee Ja-kyung puxou a cadeira oposta e sentou-se como se fosse sua.
— Você vai comer?
Ja-kyung tirou os óculos escuros e os colocou sobre a mesa.
— Não vou comer, apenas me dê o dinheiro.
Os olhos castanhos de Ja-kyung brilharam com sensibilidade enquanto ele se sentava recostado na cadeira.
— É porque suas preocupações desapareceram? Seu rosto ficou mais brilhante da noite para o dia.
— Estava, mas não está mais muito bom. Eu esperava ter uma refeição tranquila, mas você a arruinou.
— Isso não teria acontecido se você tivesse feito o pagamento do dinheiro em dia. Graças a isso, os juros ainda estão acumulando pouco a pouco.
Após bufar, Dmitry pegou a faca e o garfo para cortar a carne em pedaços. Ele rapidamente deslizou a mão no bolso da calça. Apesar do fato de ninguém ter dado uma ordem, dezenas de armas foram apontadas para ele mais uma vez. Ja-kyung sorriu e enfiou a mão no bolso para pegar um cigarro e um isqueiro Zippo prateado.
— Assustados.
Depois de acender a ponta do cigarro, ele recostou-se languidamente em sua cadeira.
— Vou te dar três minutos. Ou eu levo sua vida e o resto do dinheiro.
Os homens de Dmitry focaram sua atenção na ponta do cigarro, que queimava em vermelho antes de se tornar cinza. Eles iam puxar o gatilho assim que vissem Lee Ja-kyung se mover. No entanto, eles não agiram precipitadamente. Nenhuma das pessoas que guardava rancor contra Lee Ja-kyung no passado sobreviveu. Eles não tinham ideia do que ele iria fazer porque ele era habilidoso tanto com bombas quanto com armas.
Ja-kyung apagou o cigarro após o último trago. O cigarro que saltou caiu bem em cima da carne no prato de bife.
— Acho que não está totalmente cozido. Cozinhe e depois coma.
Os lábios de Dmitry curvaram-se para cima.
— É por isso que gosto de você. Você não tem medo de nada.
Ja-kyung olhou para o relógio em vez de responder.
— Restam quinze segundos.
— Sem mencionar suas habilidades.
— Dez segundos. Há mais alguma coisa que você gostaria de dizer como testamento?
— E é por isso que…
— Cinco segundos.
— Vá para a Coreia e mate uma pessoa. Eu pagarei dez vezes o preço como um VIP.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna