•.¸ ♫ Capítulo 11.7
11. Fine (Parte 7/13)
O clima do início de março ainda era frio, mas dava para tomar um ar. Yejun, que passeava por cafés, livrarias e concept stores situados no beco, logo fixou o olhar na pessoa ao seu lado.
Quem caminhava em silêncio com a mão no bolso dava uma sensação bem diferente do habitual. Era por causa da jaqueta larga e do gorro que cobria metade do rosto. Aquele Sihu não parecia o diretor-presidente de um hotel de renome, e sim um jovem bonito que morava naquele bairro.
Fica bonito com qualquer coisa. Yejun disfarçadamente colou o corpo ao lado dele. Os ombros dos dois se encaixaram de leve e se separaram. Satisfeito só com o roçar de um instante, Yejun sorriu em silêncio. Então Sihu, que olhava só para a frente como que imerso em pensamentos, virou a cabeça na direção dele.
— De repente me lembrei.
— Sim, diga.
— De onde saiu o dinheiro pra comprar o alfinete de gravata.
— Eu trabalho, né. E além disso…
Yejun esperava por Sihu, que reagiria à frase seguinte.
— Também entrou o prêmio do concurso.
Sihu não se surpreendeu do tipo de arregalar os olhos ou abrir a boca. Esse tipo de expressão rica de emoção estava desde o início longe dele. Em vez disso, com o passo notavelmente mais lento, revelou a curiosidade sobre a fala de agora.
— Concurso?
— Sim, é OST de novela.
— Você também tinha interesse na área da TV.
— Se é relacionado a música, tenho interesse em quase tudo.
Yejun acrescentou como que de brincadeira.
— Devia cavar fundo só um poço, mas não tenho essa perseverança. Fico cavando raso vários lados.
— Alguém que cava raso ganha até um concurso? Não se diminua nem por educação.
— Haha.
Quando riu sem propósito, Sihu estalou levemente a língua. No rosto que achava aquilo um absurdo transparecia de leve um ar de alívio. Parecia ter percebido de novo que Yu Yejun não tinha o feitio de fazer esforço à toa.
— Ter ganhado o concurso, foi tudo graças a você, hyung.
Seguindo o beco, mudaram de direção para o lado. Para além do muro, os ramos de corniso balançavam ao vento. Yejun descobriu que a ponta dos botões de flor estava amarelada. Diante do pressentimento de que em poucos dias floresceriam flores amarelas, o coração se encheu de expectativa.
‘É primavera.’
— Deu uma bela dor de cabeça, o tempo todo em que trabalhei. Porque a emoção não estava se depositando direito.
O tema era amor. Essa emoção, eu nunca havia experimentado antes. Até antes de te conhecer, hyung, para mim, o amor era apenas história dos outros.
— E aí eu conheci você, hyung. Lembra do dia em que a gente se conheceu?
— Lembro.
Sihu ergueu de viés a boca.
— Com uma cara de CDF, e um cigarro na boca. Aquilo foi bem excitante.
— Eu também me senti atraído por você, hyung.
— …Não foi atraído, foi excitado.
— Tá bom. Eu também fiquei excitado por você, hyung.
— Você está ficando cada vez mais parecido comigo.
— Ahaha.
As covinhas surgiram de um jeito agradável.
— A partir daquele dia peguei o jeito. É que passei a saber que tipo de sensação botar.
Antes de sussurrar o último acréscimo, Yejun inspirou uma vez. O ar do início da primavera que entrava em sua boca era frio. Mas, como sabia que em pouco tempo se tornaria quente, ele apenas recebia com contentamento o ar gélido.
— Você é minha musa, hyung.
Nesse momento oportuno, diante do raio de sol que se despejava de frente, os cabelos de Yejun reluziram numa cor ainda mais clara. Sobre o rosto de Yejun, banhado de sol, pousou o olhar de Sihu. Ele fazia uma expressão em que se misturavam várias emoções. Era uma reação ao mesmo tempo atônita e acanhada, mas que não era de todo ruim.
— Está bem, cuide de me venerar bem.
Alguns segundos depois, a voz que saiu por entre os lábios de Sihu era impassível. Yejun, satisfeito só por ele não ter aversão, assentiu com força.
— …Seu irmão, se ouvir o que você disse, vai desmaiar. Que o nosso ‘bebê’ chame um tiozão de musa.
Ter dado acento só em ‘bebê’ era claramente para provocar Yejun. O calor se concentrou no rosto. Ao ouvir o apelido do irmão mais velho na voz de Sihu, não teve como não se constranger. Assim que pigarreou, Sihu o provocou mais uma vez.
— Bebê.
— Não faça isso.
— Quando o Yeonu e o meu irmão se casarem, como é que eu vou ter que te chamar? Concunhado solteiro?
Sihu parou os passos e se aproximou até bem ao lado de Yejun. Estava tão perto que, se descuidasse, os lábios chegariam a se sobrepor.
— A vida é imprevisível. Que chegaria até o dia de ser comido por alguém que vai ser concunhado solteiro.
Assim que o fôlego ameno tocou sua bochecha, a cabeça de Yejun ficou branca.
— Ah, você disse. Que eu não fui comido, e sim que fui eu que comi.
O sussurro suave e melíssono que acrescentava “é verdade” penetrou o buraco da orelha de Yejun.
— Comi seu talento com meu buraco de baixo, é.
Yejun, que estivera enrijecido feito uma estátua de gesso, tarde demais ergueu a voz.
— Por que você faz isso, de repente!
— Só provocando esse tanto é que você se atrapalha agora.
Pessoa de personalidade ruim. Yejun, com a bochecha avermelhada, franziu o cenho. Quando lhe lançou um olhar de “chega”, Sihu, como que satisfeito, tocou o próprio queixo.
— Yejun-ah.
— …
Achando que ele ia dizer outra coisa estranha, Yejun cerrou a boca. Sihu, com a mão direita, deu leves tapinhas no ombro de Yejun. Era um toque que trazia o sentido de “se acalme”.
— Toca a música pra mim. Quero ouvir.
Diante daquilo, o rosto de Yejun, que estava enrijecido de vergonha, logo se soltou. Ficou luminoso, como se velas tivessem se acendido dentro de seu coração. Nunca imaginara antes que ficaria tão contente só pelo fato de receber atenção.
— Toco pra você quando a gente chegar em casa.
Sihu meneou a cabeça e baixou a mão. Fitando as costas dele, que se pôs a caminhar primeiro, Yejun remexeu no próprio ombro. O lugar onde o toque dele pousara formigava.
As pupilas, tornadas de um castanho claro pela luz do sol, logo olharam para a mão de Sihu. O anseio de querer segurá-la sacudiu sua alma. Será que posso segurar? …Não posso, né. Sihu, filho do Grupo Sangwon, não podia ser considerado uma pessoa comum. Por isso era correto conter ao máximo comportamentos que atraíssem a atenção alheia.
Reprimindo a frustração, Yejun também moveu os passos. Pensando que, ao voltar para casa, a primeira coisa que faria seria segurar a mão dele.
Nesse momento, Sihu de repente virou a cabeça e emitiu um “hum” de sentido incerto. Diante da figura que fitava algo em silêncio, Yejun seguiu o olhar dele. Que os lábios se abrissem por conta própria foi algo que aconteceu em menos de dois segundos.
A loja, feita de vidraças grandes e transparentes, ostentava um interior asseado. Ainda assim, o rosto de Yejun foi ficando vermelho feito um tomate. Era porque, dentre as palavras estampadas no letreiro, ele avistou os caracteres ‘produtos adultos’.
— Ah!
Yejun, que sem se dar conta soltou um grito, cobriu os olhos de Sihu com a mão. Os cantos da boca de Sihu, que apreciava a loja em silêncio, se contorceram.
— …
— …
— O que você está fazendo.
Tudo diante dos olhos girava. O plano de mostrar só paisagens bonitas e agradáveis do bairro se desmoronara. Desde quando isso surgiu? Quando, afinal. Remexeu a memória, mas não lhe vinha nenhuma lembrança sobre a existência da loja de produtos adultos.
Foi quando os pensamentos se emaranharam. Sihu, que estava parado em silêncio, moveu os lábios.
— Concunhado solteiro, já pode tirar a mão.
Diante daquilo, Yejun hesitou e a muito custo baixou a mão. Ao contrário dele, com o ar de atrapalhado evidente, o semblante de Sihu era o mesmo de sempre. Pelo contrário, soltou um riso débil como se achasse aquilo engraçado e chegou a acrescentar uma frase.
— Olhando assim, bebê é bebê mesmo.
— Você… não fica nem um pouco constrangido?
— Essa agora.
— …
Essa agora? Yejun percorreu com os olhos as caixas que se viam para além da vidraça. Será que ele já usou? …Comigo ele nunca usou.
Sentiu de novo ciúme dos antigos parceiros dele, cujos rostos nem conhecia. Toda vez que se dava conta de que Sihu tinha muita experiência, o estômago revirava. Foi quando o cenho se franziu por conta própria diante da dor lancinante.
Sihu fez uma proposta inesperada.
— O quê. Quer experimentar?
— Hã?!
No instante em que ia dizer por reflexo que não era isso, Yejun fechou a boca às pressas. As pupilas, que se agitavam, se acalmaram e uma luz estranha começou a transparecer.
— …Se eu quiser experimentar, você deixa?
Diante da fala provocante, Sihu arregalou os olhos e logo esboçou uma expressão de quem achava aquilo divertido. Ele murmurou um “hmm” e cruzou os braços. Diante do perfil que fitava a loja em silêncio, o coração de Yejun bateu com uma velocidade intensa.
Bum, bum, bum.
Foi quando um tempo feito de tensão e excitação transcorria. No instante em que o fôlego lhe subia até a ponta do queixo feito alguém prestes a se afogar, Sihu fitou os olhos daquele Yejun. Nos cantos da boca que desenhavam um arco havia o sentido de que ele consentia.
Yejun esqueceu por completo o modo de respirar.
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Uma música de jazz encheu o espaço inteiro. Era uma música feita do som suave das teclas do piano, de uma bateria tocada leve feito uma pluma, e do som do violoncelo que se harmonizava com o piano pela técnica de pizzicato. Ouvindo a música, ao mesmo tempo branda e não sem certa viscosidade, Sihu deu seu parecer.
— Não é obsceno demais?
— A música é obscena?
— …Ugh.
— Ou… você está falando disto?
A voz que perguntava como um sussurro era afetuosa. Era uma voz melíssona, como se tratasse alguém prestes a dormir, mas as duas mãos, ao menos elas, se moviam com aspereza. Plot, plot. O que estava reluzente de gel pingando era de cor rosa.
Yejun ergueu aquilo, mostrando, e trocou olhares com Sihu. Quando fez uma expressão de “tudo bem?”, Sihu franziu o cenho e riu com fereza.
— Bancando o preocupado sendo que está excitado.
— …Estou preocupado de verdade.
— Senhor bebê, apague seus feromônios antes de falar.
Ele não perguntou o que havia com seus feromônios. Feromônios fortes demais para se fingir que não existiam escapavam do corpo inteiro. Eles grudavam viscosos na pele de Sihu, que estava recostado na cabeceira da cama.
Ainda que houvesse motivo para desagrado, Sihu não contorceu sequer uma sobrancelha. Diante daquele rosto sereno que ele queria transformar, a ponta dos dedos coçava.
— Você vive me provocando de bebê.
— Uht.
— E quem foi amarrado por esse bebê.
Assim que terminou de falar, Yejun encostou aquilo que tinha na mão na face interna da coxa de Sihu. Aquilo, que estimulava a pele emitindo um “vuum”, era nada menos que um vibrador.
Quem ficou com a bochecha vermelha diante do som do produto adulto redondo não foi Sihu, e sim Yejun. Ele queria segurar as rédeas, mas não estava dando certo. Só pelo fato de estar encostando um brinquedo entre as pernas de Sihu, que estava com os pulsos amarrados, a excitação subia demais.
Um som de risinho arranhou os ouvidos de Yejun. Sihu, com a cabeça inclinada de lado, erguia os cantos vermelhos da boca. Na figura cheia de folga não havia o menor sinal de tensão.
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(Continua na parte 8)
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna