•.¸ ♫ Capítulo 11.6
11. Fine (Parte 6/13)
— Por que você gosta de mim?
Só depois de comer um pedaço da maçã é que Sihu soltou a pergunta. Diante da pergunta inesperada, Yejun arregalou os olhos. Quando ele demonstrou uma reação de “não esperava por isso”, Sihu inclinou a cabeça de lado. A franja, que baixara depois do banho, se espalhou sobre a testa.
— Fiquei curioso. Por que você gosta tanto assim de uma pessoa mais velha, pensei.
— Você não é mais velho, hyung.
— Comparado a você, sou. Você tem vinte e quatro anos.
— Não é tanta diferença assim.
Quando ele retrucou sem pudor, Sihu soltou um som de riso esvaziado.
— Então por que você gosta de mim? Porque a compatibilidade na cama é boa?
— …
— Porque sou bonito?
No jeito brando de falar transparecia um ar velado de quem queria que o outro se atrapalhasse. Toda vez que Sihu mostrava um lado maroto, Yejun se surpreendia de novo. Era porque era uma figura que não combinava nem um pouco com a aparência dura feito rocha.
— Posso marcar um dia e fazer uma apresentação?
A surpresa logo se transformou em contentamento. Yejun sempre era tomado pelo desejo de ir além toda vez que Sihu brincava. Assim como agora.
— O quê, vai fazer um PowerPoint?
— Pode ser?
— …Você é o tipo que faria de verdade, então não sei o que dizer.
— É porque tenho muito a dizer, sobre por que gosto de você, hyung.
— Muito?
— Sim.
Só de motivos que lhe vinham à mente na hora, já eram vários. Quando olhava para o hyung, uma emoção quente brotava sem parar. Quando depositava essa emoção na apresentação, criava-se um resultado tão bom que satisfazia até a ele mesmo.
Além disso, não era só por lhe dar inspiração que sentia afeto. Ele gostava da sua delicadeza, que fingia irritação, fingia tédio, agia com frieza, mas sempre o examinava com constância. Gostava tanto da figura de cabelo bem ajeitado e roupas elegantes quanto da figura de agora, exalando aroma de sabonete e afrouxada.
Gostava da voz baixa e serena, das costas da mão branca com veias azuladas saltando, da orelha que, inesperadamente, era zona erógena.
Um sorriso despontou na boca de Yejun. Gostava. Do Sihu-hyung, gostava.
— Eu detesto esse tipo de afeto.
Pouco antes de a emoção de cor esplêndida se adensar ainda mais, Sihu o barrou. Ele baixou os cílios longos e negros.
— É pesado e viscoso. Que aversão.
— …
— Se controle, Yu Yejun.
Puc.
A ponta afiada do garfo espetou a maçã. Antes de levá-la à boca, Sihu tornou a olhar para Yejun. As pupilas negras se agitaram de leve de um lado para o outro.
Yejun compreendeu a comoção dele. Por isso, assim que cruzou o olhar com ele, acabou rindo.
— Por que está rindo.
Na voz que perguntava transparecia de leve um ar de estranhamento. Yejun, em vez de responder de imediato, ergueu o garfo e espetou a pera.
— Come pera também, é bem doce.
— Estou perguntando por que você está rindo.
— Rio porque estou contente.
Yejun estendeu o garfo para a frente, como se mandasse pegar. A pera, refletida pela luz da lâmpada fluorescente, brilhava apetitosa. Ainda assim, Sihu apenas franziu o rosto, como se ela fosse uma fruta envenenada.
— Faz dois meses você não era assim, hyung. Ficava irritado, mandando eu não bancar o namorado.
— …Agora também é a mesma coisa. Eu disse pra você se controlar.
— Não tem irritação, na sua voz. E ainda por cima você chegou a perguntar por que eu gosto de você.
Diante da observação de Yejun, a região dos olhos de Sihu se contorceu. Era uma reação que parecia ao mesmo tempo atrapalhada e de quem achava aquilo um absurdo.
— Considero um avanço e tanto. Estou contente.
Uma voz baixa e suave, como um sussurro, ressoou no silêncio.
— É que fico curioso pra saber até onde você vai me aceitar, hyung.
— O jeito de fazer as pessoas rirem também varia.
Sihu ergueu os cantos da boca e usou um jeito de falar cínico. No instante em que ia sentir uma leve frustração diante da boca erguida de viés, Yejun tensionou os olhos. No instante em que descobriu que a concha da orelha do outro estava avermelhada, um calor incontrolável se ergueu.
‘Está vendo, hyung.’
As pupilas castanhas reluziram feito a estrela d’alva. O nome daquela luz era esperança.
‘É um avanço e tanto mesmo.’
Que chegasse o dia em que você fica com as orelhas vermelhas diante da minha confissão. O coração começou a bater com uma velocidade ainda mais intensa.
Sentindo o júbilo inchar redondo feito um chiclete, Yejun inclinou o tronco para a frente. Diante daquela figura, Sihu, que estava à sua frente, franziu o cenho. Mesmo diante da atitude cautelosa, Yejun sorriu, radiante.
— Sihu-hyung, hoje é fim de semana, né?
— …E daí?
— Fica comigo, o dia todo.
E então balançou de leve, de um lado para o outro, o garfo que espetara a pera. Sihu, em vez de pegá-la, soltou um riso débil.
— A gente já ficou junto a noite toda. Ainda é pouco?
— É pouco. Eu gosto de você, hyung. É natural querer ficar junto o tempo todo com quem a gente gosta.
— …
Sihu fez uma expressão de quem ficara sem palavras. Os cantos da boca, que desenhavam um sorriso de personalidade ruim, desabaram numa linha reta. Era uma reação de quem não imaginava que Yu Yejun avançaria de modo tão ativo.
Yejun, examinando o fato de que o lóbulo dele ainda estava avermelhado, perguntou com afeto.
— Você não pode pegar o garfo?
— Se está pesado, pousa.
— Ah, será que é porque eu ofereci com uma mão só?
Fingindo não ouvir o “o quê?” que Sihu devolvia, Yejun ergueu a outra mão. E então, segurando o garfo com as duas mãos, estendeu-o com respeito. Assim que disse com cortesia “sirva-se”, os cantos dos olhos de Sihu se ergueram.
— Quer morrer?
— Ahaha.
— Se abusar mais uma vez eu vou embora assim mes…
— Tá bom, não vou fazer.
Sobre a mão de Sihu que pegava o garfo, Yejun disfarçadamente encostou os próprios dedos. Sob os dedos, sentiu o movimento que se contorcia do outro.
— Não vou fazer, então fica comigo.
— …
— Sihu-hyung, hã?
Que a temperatura corporal do outro, ao encostar, tenha subido, será apenas impressão dele? No instante em que ia confirmar se era verdade ou não, Sihu pegou o garfo e recuou a mão. Diante da figura que sorria franzindo as sobrancelhas, o coração de Yejun palpitou.
— …Você sabe que seu rosto é bonito, Yu Yejun.
Objetivamente falando, o rosto de Yejun estava longe de ser bonito. Ainda assim, dizer uma coisa dessas significava que Sihu o via com bons olhos. Como sabia disso, Yejun, em vez de negar ou se constranger, se levantou com naturalidade.
Yejun caminhou na direção de Sihu, que estava à sua frente. Sihu deu uma mordida no pedaço de pera e ergueu a cabeça. A bochecha que ostentava uma linha afilada estava agora estufada.
Yejun não conseguia se conter diante daquela figura afrouxada dele, que aparecia de vez em quando. Foi por isso que curvou o corpo e encostou os lábios naquela bochecha.
Chuá.
Descolou os lábios emitindo um som leve. Sihu permanecia enrijecido, de olhos arregalados. Pouco antes de ele perceber a situação, Yejun tornou a baixar a cabeça. Desta vez, sobrepôs os próprios lábios aos de Sihu. Quando se sobrepuseram com suavidade, o sabor doce da fruta umedeceu a ponta da língua.
Diante do doce agradável, um riso subiu. Yejun, em vez de rir de modo límpido, segurou as bochechas dele com as duas mãos e o beijou mais duas vezes. Chuá, chuá.
— …Cof, hã.
Assim que Yejun descolou o corpo, Sihu de súbito tossiu. Ele, que pigarreava, estranhamente não conseguia cruzar o olhar. O rosto franzido com força estava carrancudo, mas Yejun não se assustava, pois sabia que a concha da orelha dele estava avermelhada.
— Você é bem estranho, hyung. Faz sexo direitinho, mas fica com vergonha de um beijo?
O fato de conseguir agora soltar a palavra ‘sexo’ com naturalidade foi tudo por causa de Baek Sihu. Ao contrário da aparência elegante, ele soltava palavras vulgares com frequência e deixava Yejun atrapalhado. Sexo, pau, buraco de trás. Para Yu Yejun, que sempre levara uma vida correta, eram todas coisas estranhas como nada.
Claro que estranhá-las também já era coisa do passado. O Yejun de agora aprendera a falar de modo tão vulgar quanto Sihu. Dobrando os joelhos, acrescentou de propósito mais uma frase.
— Nem foi língua, por que essa reação?
— Prefiro que seja língua.
— É mesmo?
Sihu recuperou depressa a serenidade. Apagando num átimo a figura desalinhada, esboçou uma expressão tranquila.
— Yejun-ah.
A voz que o chamava era gentil.
— Não deixe transparecer demais que gosta tanto de chupar. Se continuar assim, ainda vou fazer você chupar meu traseiro.
Yejun não se atrapalhou.
— Posso chupar o períneo também?
Ele juntou saliva de vontade de chupar de novo aquela região carnuda e protuberante. Yejun, como que provando que não era conversa de brincadeira, botou a língua para fora e lambeu o próprio lábio inferior. Sihu, que fitava aquele Yejun em silêncio, esticou o braço comprido.
Ele não fez o gesto de agarrar o pescoço de Yejun e empurrá-lo para entre as próprias pernas. Em vez disso, dobrando até os joelhos, apenas agarrou com força a bochecha do garoto que estava com o olhar no nível do seu. Quando Yejun franziu o cenho, um som de riso ressoou de leve na concha da orelha.
— Não abusa.
A voz baixa era surpreendentemente grave e sexy. Sihu se levantou do banco e bagunçou o cabelo de Yejun sem parar. Os cabelos, eletrizados de estática, balançavam.
— Vamos passear.
— Passear?
— Você disse pra ficar junto o dia todo. Ficar só aqui é sufocante.
Era um jeito de falar impassível, mas nele transparecia afeto. Diante das palavras de que ele faria a sua vontade, o júbilo subiu pela espinha de modo arrepiante. Yejun, sem conseguir conter o contentamento que estourava feito fogo de artifício, logo o seguiu.
— Vamos fazer assim! Hyung, eu te empresto uma jaqueta. Sai vestindo algo confortável!
Quando o seguiu de perto, os ombros de Sihu tremeram de leve. Yejun, que olhou de esguelha para o perfil, descobriu que o outro mordia levemente os lábios. Era, para qualquer um, a figura de quem reprimia o riso com força.
‘…Gosto muito disto.’
Era difícil aguentar aquela expressão comprimida com força. Yejun grudou-se ao lado dele e o beijou de modo sonoro. Levou uma cotovelada no peito, mas até aquilo o deixou feliz.
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(Continua na parte 7)
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna