•.¸ ♫ Capítulo 11.5
11. Fine (Parte 5/13)
Tanto ao trocar de roupa quanto ao tocar piano, todos os nervos se concentraram nele. Nesse ínterim, o homem continuava a beber vinho. Era um rosto de aparência impassível, mas, aos olhos de Yejun, que o observara sem parar, o ar de embriaguez era facilmente legível.
O olhar afrouxado, a fadiga que ele já não conseguia esconder, a cabeça inclinada de lado.
Achando que ele ia desabar, aproximou-se dele. E revelou a afetuosidade que possuía por natureza.
— Você está bem?
O homem ergueu a cabeça. Nesse instante, a região dos olhos de Yejun se contorceu de leve. Ele puxara conversa com boa intenção, mas, assim que viu a bochecha avermelhada, o desejo subiu de repente. Veio-lhe à mente de novo o próprio sexo, que ficara duro depois de segurar a mão dele.
Junto com o impulso de querer agarrar aquele rosto, veio a autocrítica. Em vez de examinar o estado de uma pessoa embriagada, estar tomado apenas pelo pensamento de querer tocá-la. Era o instante em que a vida que ele confiava ter levado de modo moralmente correto se desmoronava.
Movendo a mão, estendeu um copo com água. O homem ainda o fitava, com o olhar fixo. O olhar que percorria seu rosto era viscoso demais e quente demais. Era a sensação de ter tido todas as emoções que se esforçara para reprimir completamente descobertas.
— Ainda tenho que tocar mais uma música. Não posso cuidar de você.
As pupilas negras do outro se estreitaram.
— Você, cuidar de mim?
Ao contrário do rosto de aparência assustadora, o jeito de falar, ao menos ele, era bastante brando. Yejun estava convicto de que ele se abrandara pela embriaguez. Pois no primeiro encontro havia um ar de incômodo difícil de tratar com displicência. Comparado àquele momento, o homem de agora parecia ter afrouxado até certo ponto a cautela.
…Era uma coisa bem agradável.
— …Você tem alguma música preferida?
De tão contente, Yejun, sem se dar conta, fez a proposta. A voz que perguntava de mansinho, mesmo aos próprios ouvidos, estava cheia de simpatia. Não tinha como não admitir que estava sendo atraído de modo incontrolável por aquele homem que via pela primeira vez. Yejun, que sentia querer grudar-se ao homem feito ímãs de polos opostos, engoliu um riso débil.
— …Não é que eu entenda muito de música.
E então o homem, apoiando a bochecha com uma das mãos, inclinou a cabeça de lado. No rosto belo demais pairava um leve sorriso.
— Mas, se estiver tudo bem, Piazzolla, .
Era uma escolha que combinava bem com ele. Pelas pupilas de Yejun, que se arredondaram, passou uma luz luminosa.
— .
— Consegue?
O nome do calor que subia pela ponta dos dedos era anseio. A vontade de sentar-se ali mesmo e tocar piano sacudiu sua alma. Nunca na vida recebera uma atração tão intensa.
Yejun, depois de examinar minuciosamente o rosto do homem, no qual ainda havia embriaguez, caminhou até o piano. Assim que pressionou uma nota com cuidado, os cantos da boca formaram um arco por conta própria.
Yejun, imaginando o rosto do homem que pedira a música, iniciou a apresentação. Os olhos que davam uma sensação fria e a pele branca lembravam o inverno. Só de imaginá-lo, a ponta dos dedos coçava. Foi por isso que a apresentação, que tentava criar uma atmosfera gélida, foi ganhando calor.
Os cílios longos de Yejun, baixados, se contorceram. Sem que se notasse, ele estava criando não um inverno, mas um verão empapado de umidade. Ainda que achasse que estava criando errado, não conseguia parar o movimento.
Era porque a textura do toque do outro em sua mão e o olhar que percorrera cada canto de seu rosto lhe vieram todos à mente. As bochechas começaram a corar, vermelhas.
‘Ah.’
Já havia se concentrado tão profundamente assim alguma vez? A ponto de a música que ele mesmo criava o pressionar e dificultar sua respiração. Achando que a nota que penetrava o buraco de sua orelha era de algum modo estranha, abriu os olhos. O lugar aonde as pupilas castanhas se dirigiram foi nada menos que aquele homem.
O homem, com as pernas longas cruzadas, fitava apenas Yejun. O olhar percorria insistentemente o rosto, o pescoço e a linha que descia do ombro ao peito de Yejun. Por um instante, uma sensação tão intensa a ponto de provocar vertigem golpeou seu peito com força.
Em meio à sensação de ter os cabelos eriçados, Yejun tornou a baixar o olhar para as teclas. De repente lhe veio um riso. Só pelo fato de o outro fitar apenas a ele, a temperatura corporal subiu ainda mais.
Ora, será que me apaixonei à primeira vista?
Pensou de brincadeira, mas, inesperadamente, foi difícil deixar passar como algo sem importância. Pelo contrário, a palavra ‘apaixonar’ permaneceu em seu peito e chegou a rodopiar sem parar. Nas pupilas, uma luz de compreensão ondulou feito onda.
Parece que é isso mesmo. Por aquele homem que lembrava o inverno, por aquela pessoa que, no primeiro encontro, soprara fumaça de cigarro em seu rosto e lhe fizera provocação sexual, parece que ele se apaixonara perdidamente.
Yejun, ainda com os cantos da boca erguidos, fechou os olhos. Inesperadamente, não lhe surgiu tanto a vontade de negar. Ele apenas recebia tal qual era a emoção que umedecia serenamente seu peito. Já que secretamente sentira curiosidade sobre o que era o amor, pensou em aproveitar a ocasião para descobrir ao menos um pouco.
Se o outro soubesse, sem dúvida teria aversão, chamando-o de louco. Dizendo que faz quanto tempo que se conheceram para ele já pensar que se apaixonou.
Por isso Yejun, em vez de arranhar o humor do homem, decidiu depositar a própria emoção na apresentação ao piano. Continuando a criar o esplendor do verão, Yejun soltou um riso débil. Ao sorriso que despontou em sua boca somou-se uma viscosidade que ele decidira não mais esconder.
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Yejun, rememorando o episódio daquela época, riu baixo. A sensação do passado foi despertada feito um raio e ressoou em seu corpo. A intensidade que recebera ao conhecer aquele homem, Baek Sihu, continuava até o presente.
Será isto o amor? Parando por um instante a faca de fruta com que descascava uma maçã, ele mergulhou nos pensamentos. O coração batia com uma velocidade ainda mais intensa. Só de ruminar a palavra ‘amor’, o corpo reagia.
Soltando um som esvaziado, Yejun baixou a cabeça. Os cabelos castanhos suaves balançavam sobre a testa. O seu ‘amor’, ao contrário do dos outros, exalava uma sensação sombria e perigosa. Era porque vinha acompanhado do desejo de tê-lo só para si, dominá-lo e esmagá-lo por completo.
Isso, ele desejava Sihu. Se pudesse, queria pressioná-lo e enfiar o próprio sexo dentro do corpo dele. Queria abrir à força o buraco que apertava com força e se conectar a ele. O anseio de esmagar e possuir à sua vontade aquele homem, o mais admirável do mundo, se ergueu com força.
Yejun sabia bem que esta emoção negra não era simplesmente por ter se tornado alfa. Para se considerar um desejo de dominação de alfa dominante, ele já vinha guardando esse anseio no peito desde muito antes.
‘Se o hyung soubesse, não me deixaria em paz.’
Como ele reagiria se ouvisse a confissão de que, desde o início, ele quisera esmagá-lo? Talvez lhe agarrasse o cabelo ou a gola. E então esboçaria aquele sorriso peculiar cheio de zombaria, dizendo que ele era atrevido.
Só de imaginar, a região inferior esquentou. Aquele rosto, que acreditava sem dúvida estar em posição superior, tinha um charme que despertava o desejo toda vez.
— Haha.
Riu alto, diante da sensação de ter virado um animal no cio. Foi quando sentiu um sinal de presença atrás de si. Sem que se notasse, Sihu estava de pé bem atrás dele.
— Ah, hyung.
— O que você está fazendo.
A voz que murmurava era mais frouxa que de costume. Parecia imerso na languidez que a manhã proporcionava.
Yejun decidiu não dar a resposta de que ficara de pau duro imaginando ele. Era porque, mais do que a vontade de descontar nele seu desejo baixo, era maior o desejo de ser bem-quisto.
Por isso, neste momento, seria mais adequado deixar transparecer uma sensação pura do que mostrar um lado safado. Confiando em seu instinto, Yejun esboçou o sorriso nos olhos que Baek Sihu gostava.
— Estou descascando maçã.
— …Você sabe descascar maçã?
— Sim, aprendi com meus pais. Vamos comer juntos, dizem que maçã comida de manhã faz bem à saúde.
E então Yejun soltou de leve uma voz brincalhona.
— Você tem que cuidar da saúde, hyung.
Era um acréscimo que ele fizera por saber que abusar até esse ponto era visto como algo fofo. De fato, Sihu soltou um riso débil, como se achasse aquilo um absurdo.
— Está preocupado com a saúde de um alfa agora?
— A gente nunca sabe o que pode acontecer com as pessoas.
— Sujeito engraçado, cuidado que ainda beliscam sua bochecha.
Beliscar a bochecha. Era uma resposta que, embora impassível, transparecia carinho. Sihu esticou o braço comprido e pegou a bandeja com as frutas.
— É só colocar na mesa, né?
— Eu faço.
— Deixa. E você também pousa a faca já. Que sofrimento é esse sozinho logo de manhã?
Sihu, que recusou de modo impassível, logo pousou a bandeja sobre a mesa. Tlim, tlim. Em meio ao silêncio sereno, apenas o som de pousar a xícara de chá ressoou.
Os cantos dos olhos de Yejun, que observava, se curvaram em forma de meia-lua. O fato de Sihu estar dentro de seu espaço o deixava contente de novo.
Uma pessoa que um dia não quisera nem dizer o próprio nome, agora, com familiaridade, pousava a xícara de chá em sua casa. Era algo que ele nem imaginava antes. Ao descobrir a tranquilidade que transparecia no perfil de Sihu, seu ânimo já se aqueceu como se tivesse bebido o chá.
— Sorrindo de novo.
Sihu emitiu uma voz indiferente. Contudo, Yejun percebeu de imediato que o canto dos lábios rosados se erguia de leve.
— É que estou contente.
Respondeu de imediato, como se tivesse esperado por isso. Uma sensação de cócega rodopiava sobre a língua. Sem conseguir se conter, acrescentou uma frase.
— Contente por você, hyung.
Queria falar com naturalidade, mas não estava dando certo. Yejun percebeu de imediato que, no instante em que ouviu com os próprios ouvidos as palavras que saíram de sua boca, deixara transparecer o tremor. Diante do acanhamento, a região da nuca esquentou.
Sihu, com o olhar fixo naquele Yejun, deu uma mordida na maçã. Junto com um som ‘craque’, os lábios vermelhos se umedeceram.
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(Continua na parte 6)
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna