•.¸ ♫ Capítulo 11.3
11. Fine (Parte 3/13)
Depois de tomar banho e sair, Sihu franziu de leve o cenho. Yejun ia e vinha com diligência pela sala. Sihu, observando o roupão que ele vestia esvoaçar, separou os lábios.
— O que você está fazendo?
Era uma voz que não escondia o ar de quem acha aquilo um absurdo. Quando ele se aproximou, o semblante de Yejun ficou luminoso feito raio de sol. Era uma figura que parecia morrer de contentamento só por trocarem olhares.
Sihu, com a toalha sobre o ombro, examinou o entorno. As peças de roupa que estavam espalhadas estavam dobradas de modo agradável, e as guimbas e as cinzas de cigarro que enchiam o cinzeiro também haviam desaparecido. Diante da situação que se dera enquanto ele tomava banho, não teve como não soltar um suspiro.
— Coisas assim, basta mandar alguém fazer.
— Não é nada difícil. Só organizei um pouco.
— Ontem também eu disse. Que não te trouxe pra limpar.
Acabara fazendo o precioso filho da casa alheia limpar. Sihu, que estalava a língua, de repente teve a região dos olhos contorcida. De súbito, lhe veio à mente o irmão mais velho de Yejun, Yu Yeonu.
Ele jamais teria imaginado que aquele irmão caçula que ele adorava tanto tivesse relação com este lado aqui. A têmpora latejou. Ainda não tinha nem ideia do que devia dizer a Yu Yeonu e Baek Doyeong.
Quando vários pensamentos complicavam sua cabeça, Yejun começou a arrumar o sofá. Diante da figura que ia de novo limpar a casa alheia, o cenho de Sihu se franziu.
— Eu disse pra não…
No instante em que ia agarrar seu pulso para impedi-lo, Yejun, como se esperasse por isso, agarrou a mão de Sihu. Enquanto ele hesitava diante dos dedos entrelaçados, Yejun o sentou no sofá. Quando ele piscou os olhos diante da situação repentina, um som de riso ressoou acima de sua cabeça.
— Onde está a pomada que compramos da última vez?
— …Pomada pra quê?
Em vez de responder, Yejun moveu as pupilas com pressa. Diante do raio de sol que se empurrava janela adentro, aqueles olhos reluziam ainda mais límpidos.
Sihu sentiu que ia se enfeitiçar diante daquele rosto que exalava vigor feito o sol de verão. O que seria esta emoção que se agitava desde dentro do peito? Enquanto era tomado por uma sensação estranha, Yejun por fim avistou os remédios que estavam sobre o aparador.
Dentre eles, pegou uma pomada em tubo e ajoelhou-se sobre um dos joelhos diante de Sihu. Observando de cima a cena dele abrindo a tampa, os olhos de Sihu se estreitaram. Como Yejun estava ajoelhado, ele teve a sensação de estar recebendo um pedido de casamento.
Diante da situação em que ele parecia prestes a lhe estender não uma pomada, mas um anel, ele franziu as sobrancelhas. Era uma reação mais atrapalhada do que o normal.
— Deixa eu passar um pouco no seu joelho.
Havia suavidade no sussurro de que “agora há pouco vi que estava levemente ralado”. O gesto de passar o remédio no joelho também. As sobrancelhas de Sihu, que estavam tensionadas, retomaram sua forma original.
— Você sabia, né?
— O quê?
A voz de Yejun ainda era afetuosa.
— Que sou o segundo filho do Grupo Sangwon?
— O Hyeonseok que te contou?
— Não, na verdade eu tinha visto nas notícias. Deu pra saber logo mesmo sem o Hyeonseok-hyung dizer.
Como era algo que ele até certo ponto já esperava, não se surpreendeu muito.
— E que seu irmão e o meu estão namorando? Isso você também sabia?
— Isso eu sabia desde muito antes. Descobri quando estava no exército, que os dois estavam namorando.
— Mesmo sabendo você continuou me encontrando?
— Os irmãos são os irmãos, e nós somos nós.
As pupilas castanhas que cruzavam o olhar reluziam.
— Não é?
Ia perguntar por que ele não dissera antes, mas desistiu. Fora o próprio Sihu quem não queria que ele soubesse de suas informações. Sem dúvida foi por consideração a ele que não deixou transparecer. Se por deferência, ou por não querer atrair uma raiva inútil, ele não sabia.
Ele, soltando uma gargalhada, agarrou o queixo de Yejun e o ergueu. Yejun, que se deixou segurar docilmente, curvou os cantos dos olhos feito lua crescente.
— Yu Yejun, que atrevido. Escondeu direitinho.
O sorriso de Yejun se adensou. Ele inclinou a cabeça de lado e lançou um olhar límpido. A emoção que transparecia nas pupilas de cor clara era confiança. No instante em que cruzou aquele olhar, Sihu percebeu o coração do outro.
Yu Yejun agora sabia. Sabia do fato de que Baek Sihu não teria como abandoná-lo.
— Hyung.
Os dedos que acariciavam o joelho desceram. Uma voz bastante séria não era comum. O que lhe veio à mente sem querer foi a confissão que ele fizera no passado. O sussurro que, embriagado de calor, murmurava sem parar que gostava dele ressoou em seus ouvidos.
Sihu soltou a mão que agarrava o queixo dele. Assim que o fez, Yejun, como se soubesse, com naturalidade envolveu as costas da mão dele e encostou o próprio rosto na palma. Da parte agarrada, uma sensação arrepiante desceu e fez cócegas em seu cotovelo.
— Eu…
Yejun, em vez de emendar logo a fala, fechou a boca. A julgar pela boca que formava um arco, era claro que ele demorava de propósito.
Diante do sorriso insinuante, Sihu franziu de leve a região dos olhos. Teve forte o pressentimento de que ele ia fazer uma segunda confissão.
E aí o que eu respondo?
Por olhar para baixo, as pupilas, meio ocultas pelos cílios, se agitaram de leve. A cabeça que na empresa lidava com serenidade com qualquer coisa, agora não girava de jeito nenhum. Quando sua mente estava emaranhada feito um novelo de linha embolado, de repente Yejun se ergueu sobre os joelhos.
Sihu, sem se dar conta, prendeu a respiração. As pupilas arregaladas viram quem beijara sua bochecha. Yejun estava de olhos fechados, com um rosto sereno. No instante em que viu os cílios longos e densos, o coração de Sihu bateu de um jeito estranhamente rápido.
Quem primeiro afastou o rosto foi Yejun. Depois de completar um beijo fofo como nada, comparado ao sexo da noite anterior, sorriu. O riso límpido era fresco feito uma maçã verde.
— Posso tocar piano? Quero que você ouça.
O que saiu por entre os lábios de Yejun não foi uma confissão. Ainda assim, Sihu permanecia enrijecido, com a boca firmemente cerrada. Uma voz afetuosa tocou de leve seu lóbulo, toc, toc.
— Pra você, hyung.
Só ao ouvir o acréscimo leve feito uma pluma é que Sihu conseguiu mover o corpo. O jeito de falar com que soltou as palavras ao se levantar era bastante impassível.
— À vontade.
Era um murmúrio seco, mas no qual transparecia uma tonalidade inédita. Talvez tendo percebido a cor contida naquela única frase, Yejun ficou contente, mostrando até as covinhas.
Sihu, fingindo não ver, virou o corpo e caminhou até a mesa. Para matar a sede que surgira de repente.
Mesmo enquanto abria a geladeira e tirava a jarra de água, a sensação estranha não desaparecia. Pelo contrário, aquela emoção de identidade desconhecida apenas inchava feito um balão.
Sihu supôs que aquilo que fazia todo o seu corpo formigar seria desejo. Havia muitos pontos que não batiam para se considerar assim, mas ele insistiu teimosamente que seu pensamento estava certo.
Foi quando Sihu se deu conta de que estava parado, imóvel, apenas segurando a jarra de água. Os cantos da boca, que estavam em linha reta, desabaram para baixo.
‘Que loucura.’
Fora apenas um beijo leve, de raspão. Não fizera coisas mais viscosas e piores incontáveis vezes? Era um absurdo o fato de ter enrijecido feito um garoto que recebia o primeiro beijo.
Foi quando ele soltou um “ha” de riso débil e baixo. No instante em que ia franzir o rosto, um som de piano pousou em seus ouvidos. Era uma nota tão suave que a força concentrada entre suas sobrancelhas se dissipou. Sihu, esquecendo o fato de que ia beber água, virou o corpo.
O que entrou em seu campo de visão foram as costas de Yejun. Ele estava sentado no banco do piano, vestindo um roupão branco igual ao de Sihu. Uma música suave e flexível, como água escorrendo, ressoou.
Foi só por um instante; Yejun tirou os dedos. Em meio a um silêncio de uns dois segundos, ele meneou de leve a cabeça para o lado. Sihu captou no olhar o instante em que os cabelos castanhos balançavam de leve.
A apresentação, que parara por um instante, foi retomada. Ao contrário do início vagaroso, desta vez era uma nota de jazz alegre e luminosa. Sihu, que ouvia em silêncio, logo percebeu ser uma música familiar.
Ainda que tivesse sido variada em jazz, carregava a atmosfera adorável original. Yejun, que tocava livremente, de repente virou a cabeça. Diante da situação inesperada, Sihu acabou trocando olhares com ele.
Ainda com os dedos em movimento, Yejun riu em silêncio. As covinhas surgiram de um jeito agradável. O semblante límpido provocou uma ondulação no coração de Sihu, que se acalmara por um instante.
Yejun tornou a dirigir o olhar para o piano. Enquanto ele se concentrava na apresentação, Sihu apertou a mão que segurava a jarra de água. Sem nem perceber que as veias sobre as costas da mão saltavam, azuladas.
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História Extra
1. Yu Yejun
Yejun pensava. O que é o amor?
O motivo de ter passado de repente a se importar com um campo pelo qual não tinha nem interesse foi ninguém menos que seu irmão mais velho.
O irmão, doze anos mais velho, era uma pessoa madura, mas que exalava uma atmosfera enrijecida. Ao caçula Yejun ele dava muito afeto, mas às demais pessoas, com frequência, traçava uma linha invisível. Vendo o primogênito, que não deixava de ter um lado inflexível, os pais diziam, como que lamentando, o seguinte:
‘Casar, quem dirá, ele não vai conseguir nem namorar.’
A cada vez, o irmão apenas esboçava um leve sorriso, sem dizer nada. Era uma reação em que transparecia um ar cortês, mas indiferente.
Um dia, aquele irmão tão impassível se apaixonou. A cada vez que estava de pé ao lado do namorado, ele soltava um sorriso radiante que nem à família costumava mostrar. Era uma figura em que transbordavam juntos vigor luminoso e afeto. Então o outro o fitava como que enfeitiçado e sorria junto.
Yejun, apreciando o afeto que transparecia nas pupilas dos dois, pensou mais uma vez.
‘O que é o amor.’
Sempre havia muita gente ao redor de Yejun. Família e amigos, e inúmeras outras pessoas.
Yejun, de personalidade fundamentalmente afetuosa, prezava por eles. Mas nunca amara alguém tão profundamente como se não houvesse outro no mundo, como o irmão e seu namorado.
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(Continua na parte 4)
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna