•.¸ ♫ Capítulo 11.12
11. Fine (Parte 12/13)
Diante do sussurro baixo, mas nítido, Sihu olhou para o rosto de Yejun. Então se deu conta de novo de que a distância entre eles era próxima demais. Conseguia sentir em detalhe tanto o quão rápido o peito colado do outro batia quanto a cor com que ondulavam as pupilas que o fitavam.
Nesse instante, o calor subiu pelo pescoço até o topo da cabeça. Logo Sihu, erguendo os dois braços, abraçou o pescoço de Yejun e o puxou. Os lábios de um e de outro se chocaram com aspereza.
Sihu, inclinando a cabeça de lado, empurrou a própria língua para dentro da boca aberta. Enquanto percorria a mucosa úmida, a mão do outro que agarrava sua cintura se moveu.
Túc, túc.
Os dedos soltaram os botões do paletó social e logo se enfiaram por baixo. Diante do toque que remexia sobre o colete, a espinha arrepiou.
Quando enrijeceu o tronco, o toque ficou ainda mais viscoso. A sensação de acariciar a cintura e subir e descer pela espinha incitava a excitação. Sihu, sem conseguir se conter, não teve senão que descolar a boca primeiro.
— Haa.
Yejun beijou a bochecha dele, que arfava com os ombros.
Chuá, chuá, chuá.
Os lábios que escorregavam seguindo a linha que descia da bochecha ao queixo eram suaves. Quando eles por fim se dirigiram à região da orelha, Sihu, contorcendo-se, recostou-se em Yejun.
‘Ah, merda.’
É bom a ponto de xingar. O beijo que se despejava assim que ele chegava do trabalho era arrepiante.
— Você, ugh, amanhã também vem cedo.
Quando murmurou com aspereza, Yejun deu risadinhas. A região que recebeu o fôlego ameno esquentou de golpe. Por reflexo, jogou a cabeça para o lado para se esquivar, mas Yejun não o poupou. Pelo contrário, como se tivesse previsto, encostou os lábios na nuca curvada. Diante da força que sugava com intensidade, o gemido não se conteve.
— Uht.
Yejun descolou o rosto e cruzou o olhar. Era uma aparência asseada em nada diferente do habitual, mas os lábios, ao menos eles, estavam reluzentes. Sihu, lançando o olhar naquela direção, pensou. Obsceno.
— E agora, como faz, amanhã tenho que ir trabalhar. É que preciso começar cedo…
— Larga.
— Não posso, tenho que ganhar dinheiro.
— Eu te dou dinheiro. Te dou, então toca piano aqui. A hora…
No instante em que ia dizer quanto lhe daria por hora, Yejun agarrou as duas bochechas dele. No instante em que ficou sem palavras, os lábios tocaram sua testa. Como se só aquilo não bastasse, Yejun o beijou incontáveis vezes na ponta do nariz, nas duas bochechas, e também nos lábios.
— …Você foi cachorro numa vida passada?
A voz que murmurava a muito custo nesse meio-tempo estava rouca. Yejun riu como se achasse aquilo divertido e recuou o corpo. Depois de agir como se fosse fazer sexo a qualquer momento, sem que se notasse, ostentava uma expressão inocente feito uma criança.
— Você disse que ainda não jantou, né?
Que jantar? Diante do toque viscoso, a cabeça não girava direito. O raciocínio, um desastre raro, perguntava ‘é pra eu te comer?’. Pouco antes de Sihu soltar aquelas palavras, Yejun disse, sorrindo timidamente.
— Fiz umas compras.
Só ao ouvir o acréscimo é que percebeu o cheiro de comida que enchia a casa. Diante da situação inesperada, a expressão de Sihu se desmanchou. Um som de riso baixo estimulou seus ouvidos.
— …Eu não te chamei pra você fazer as tarefas de casa.
— Ficar só esperando era difícil. Porque eu queria alimentar você logo, hyung.
A cada vez que Yejun tagarelava, uma vibração se espalhava de leve. O que seria esta emoção que se agitava no peito? A sensação de borbulhar feito espuma era estranha. Foi quando, sem saber o que dizer, apenas virou a cabeça para o lado.
Os lábios tocaram sua bochecha. Diante da textura de quem carimba com força, feito um selo, Sihu arregalou os olhos. Quando franziu o cenho sem necessidade, Yejun ergueu os cantos da boca com um “hum”. Era um rosto confiante, de quem sabia bem qual era o seu estado de ânimo. Ele logo apoiou a palma da mão sobre a clavícula de Sihu e deu leves tapinhas.
— Vai tomar banho.
O toque leve feito uma pluma fez a clavícula formigar. Quem descolou o corpo primeiro foi Sihu. Ele, que caminhava alguns passos até o banheiro, examinou Yejun de esguelha. Yejun, sem que se notasse, já ia e vinha com diligência na direção da mesa.
‘O que será que dá nele.’
Por que se meter a fazer o que ninguém pediu? Antes também fora assim. Assim que entrara em casa, quisera limpar antes de tudo. Era estranho ele fazer com frequência coisas que dão trabalho e são chatas, dedicando tempo e esforço. Estranho mesmo.
Sihu ergueu as costas da mão e esfregou a própria bochecha. A região onde os lábios haviam tocado de algum modo formigava.
Em meio a uma emoção indescritível, Sihu lavou as mãos. Quando se aproximou da mesa exalando aroma de sabonete, Yejun sorriu segurando uma panela. O borbulhar dentro do peito acelerou.
— Deixa eu aju…
— Já terminei, você só precisa sentar, hyung.
Sihu, depois de ficar de pé por um bom tempo, sentou-se vagarosamente. A comida servida parecia bem caprichada e gostosa. Ao imaginar Yejun, que fizera todas as compras e cozinhara com as próprias mãos, as costas da mão esquentaram.
Sihu, com o cenho franzido, moveu o olhar para os dedos de Yejun. Os dedos que empurravam o acompanhamento de carne para a frente dele, por sorte, estavam ilesos.
— E se você se machucar?
Yejun fez uma expressão de que não compreendia.
— Por que me machucar?
— Machuca. Se queimar, ou então se cortar com a faca.
A voz de Sihu, sem altos e baixos, era impassível.
— Da próxima não faça.
— Também faço com frequência em casa. Não sou iniciante, então não precisa se preocupar.
— Não faça em casa também, de agora em diante.
— Haha, e aí como faço? Passo fome?
— Basta contratar uma empregada. Vou mandar alguém que cozinha bem pra sua casa, tá? De agora em diante não use as mãos à toa. Você toca piano, então precisa ter cuidado.
Então Yejun, em vez de responder, com as costas retas, sorriu radiante. Lia-se o sentido mudo de “eu preparei a comida com esmero e o que recebo em troca é só bronca?”.
Quem começou a se constranger diante do sorriso bondoso foi Sihu. Veio-lhe, não sem razão, a sensação de estar perdendo para Yu Yejun.
— …O que você está fazendo, sem comer.
Na voz que fingia serenidade transparecia de leve um ar constrangido.
— Você primeiro, hyung, pegue os talheres. Precisa ter educação com os mais velhos.
— Mais velhos…?
— O senhor deve estar com fome, sirva-se então.
Era um tratamento cortês cheio de brincadeira. Sihu, achando aquilo um absurdo, franziu a testa e fuzilou Yejun sem raiva. Yejun estava contente. O rosto asseado e bonito estava cheio de vigor luminoso.
O poder daquele vigor era bastante intenso. Sihu, que observava, sem que se notasse, deu-se conta de que o absurdo se dissipava e de que ele se tornava contente junto.
‘Que sem propósito.’
Nem é criança.
Mesmo pensando assim, não conseguiu impedir que um riso débil escapasse por entre os lábios. Ele, sentindo uma emoção infinitamente positiva envolver o corpo, pegou os talheres. Achando que conversar despretensiosamente em vez de fazer sexo também não era ruim.
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Depois de terminar a refeição, Sihu pôs a música tocada por Yejun. A sala inteira se encheu de uma música de piano vagarosa e ao mesmo tempo intensa. Yejun se constrangeu, dizendo que ele não a ouvia com frequência demais. Ainda assim, era uma reação de que os cantos da boca se contorcerem não era de todo desagradável.
Enquanto ouvia deitado no sofá, Yejun se aproximou. Sihu, que ficou curioso sobre o que ele ia aprontar, olhou para cima deitado. Ele, vestindo um roupão branco e com as pernas longas esticadas, exalava uma sensação elegante e lânguida.
Yejun não esmagou nem pressionou aquele Sihu. Depois de sorrir uma vez para ele, que o fitava, de repente ergueu e envolveu a parte de trás de sua cabeça.
— …O que você está fazendo.
Sihu, que perguntava, logo percebeu a intenção do outro. Era porque, sem que se notasse, na cabeça e na nuca tocou não a mão, mas a coxa. Apoiando a cabeça sobre aquilo duro feito pedra, Sihu soltou um riso débil.
— Posso afagar seu cabelo?
— À vontade.
Quando permitiu de bom grado, uma mão pousou sobre os cabelos. O toque que acariciava devagar era bastante cuidadoso. Sihu, tomado pela languidez, fechou os olhos.
— Por que você toca tão de leve? Sendo que em outros lugares você morde e chupa direitinho.
— …Pois é, de repente fiquei tenso.
Talvez fosse verdade, pois a coxa em que ele estava apoiado se agitou de leve. Sihu, com um “hum”, ergueu os cantos da boca e virou o corpo para o lado. O calor de Yejun que tocava sua bochecha era quente.
— Você e o Yeonu.
Quando soltou uma frase, a mão que afagava seu cabelo parou. Sihu, ordenando que ele continuasse afagando, moveu os lábios.
— São bem parecidos.
— É mesmo? Nunca ouvi ninguém dizer que somos parecidos.
— Não a aparência, mas o jeito de agir.
— …Você encontrou o hyung?
— Encontrei. Disse pra ele me bater, se quisesse. E que, se quisesse me jogar um copo d’água, que fizesse.
— Nem pensar.
Um jeito de falar tornado resoluto ressoou em seus ouvidos. Sihu, com a bochecha apoiada na coxa, ergueu apenas as pupilas. A boca de Yejun, que olhava para ele de cima, estava enrijecida numa linha reta. Era uma expressão de aversão só de imaginar.
— Por que você disse uma coisa dessas? Não gosto que você apanhe de ninguém, hyung.
— Mesmo que a pessoa seja seu irmão de sangue?
— Sim.
A resposta sem hesitação lhe agradou bastante. Diante da sensação de que de algum modo venceu Yu Yeonu, os cantos da boca se ergueram. Nesse ínterim, Yejun suspirou baixo.
— Você disse pra eu não cozinhar porque as mãos se machucam. E aí você foi pensar em apanhar por aí, hyung?
— …Yu Yejun.
Yejun lançou um olhar de “fale”. No semblante que escurecera havia preocupação.
Sihu fitou em silêncio aquele rosto de Yejun. Os cílios eram longos e densos e provocavam uma sensação estranha.
— Por que você gosta tanto de mim. Por que gosta tanto assim de mim…
Os lábios que hesitavam se moveram de leve.
— Que vive fazendo só coisas fofas, que me deixam preocupado.
Assim que soltou as palavras, um leve arrependimento subiu. Acrescentar a segunda parte fora excessivo. Como coincidentemente a nota de piano ainda tocava, saiu uma sensação romântica demais.
‘Que loucura.’
Diante da sensação de ter, sem querer, virado o protagonista de um filme romântico, o rosto se franziu. Sihu, que se levantou, desligou a música ali mesmo.
— Você está preocupado?
Sem que se notasse, Yejun estava colado bem atrás. Era uma voz ao mesmo tempo contente e até terna.
Assim que o fôlego baixo grudou na concha da orelha, a espinha arrepiou. Quando ele não disse nada, Yejun começou a acariciá-lo por trás.
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(Continua na parte 13)
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna