•.¸ ♫ Capítulo 11.11
11. Fine (Parte 11/13)
2. Baek Sihu
Sihu sabia bem que estava longe de levar uma vida com consciência. Aliás, se ele fosse uma pessoa de consciência, jamais teria dado em cima de Yu Yejun. Fumasse ou não, tivesse ou não um rosto asseado e agradável de ver. Não teria como ter sentido desejo por um garoto muito mais novo que ele.
Como já admitira esse fato havia muito, Baek Sihu não sentia grande peso na consciência quanto à relação entre ele e Yejun. Apenas, de vez em quando, soltava alguns risos débeis, achando que fora loucura mesmo.
‘Incômodo.’
Aquele Baek Sihu agora, de repente, sentia um desconforto. Ele, diante da emoção que espetava seu coração, pensou mais uma vez.
‘É incômodo.’
O causador que fazia os nervos de Sihu se eriçarem sem parar era um homem que estava de pé não muito longe. O outro guardava o silêncio, com as duas mãos juntas com cortesia. Era um rosto de aparência à primeira vista impassível, mas os olhos vistos por trás dos óculos estavam cheios de preocupação.
Sihu, com o rosto franzido, inclinou a cabeça de lado. Depois do incidente no shopping, Yeonu não tocava em nada relacionado a ele. Mesmo quando por acaso se encontravam, apenas o cumprimentava com formalidade, como secretário de Baek Doyeong e como membro da empresa. Lançando apenas um olhar de quem tinha muito a dizer, mas não conseguia.
A atitude do outro, que nada dizia, era sufocante. Retrucou por dentro que o irmão dele também estava aproveitando, mas não sentiu alívio. Diante da irritação, os cantos dos olhos se ergueram nervosos. Diante do rosto tornado carrancudo, a pessoa ao lado sussurrou baixo.
— Estamos em reunião. Precisa controlar a expressão.
Era o homem que ostentava um sorriso radiante como nada, o irmão Baek Doyeong. Com o olhar fixo no executivo que fazia o briefing, Doyeong moveu apenas os lábios.
— Nosso pai é perspicaz pra caramba. Pode começar já a investigar seu passado, hyung.
— …Que eu chegasse até o dia de ouvir de você que preciso controlar a expressão.
— Se entendeu, então reflita.
— …
Diante do murmúrio do irmão, que caçoava de modo detestável, o desagrado se adensou. Contudo, não teve como não admitir que era uma fala minuciosamente correta. Que chegasse aos ouvidos do pai e a coisa crescesse era algo cansativo só de pensar.
Sihu, depois de examinar uma vez o rosto do pai, que ouvia com seriedade, arrumou a expressão. Ter que se preocupar com várias pessoas fazia a fadiga subir.
Seria bom deitar na cama e ficar remexendo o cabelo de Yu Yejun. Como as pessoas que encontram tranquilidade acariciando o pelo de um cãozinho, ele também queria remexer em Yejun e repousar. Só de imaginar, parecia sentir na mão o cabelo quente e macio de Yejun.
‘…Quente, e fofo.’
Macio, e afetuoso.
Recordando uma a uma as expressões relacionadas a Yu Yejun, Sihu soltou um longo suspiro. Os músculos faciais, que estavam enrijecidos, se soltaram e nos cantos da boca pairou um leve sorriso.
Graças a isso, Sihu conseguiu encontrar um estado sereno. O mesmo valeu quando conversava com os executivos após a reunião, quando cumprimentava o pai, e também quando barrou Yu Yeonu, que tentava sair do lugar.
Sihu, de pé diante de Yeonu, que enrijecera de susto, com um rosto decoroso, mas não sem o ar soberbo peculiar, puxou conversa.
— Me dê um soco.
— Hã…?
— Ou quer me jogar um copo d’água? Trago um copo com água?
Diante da fala repentina, as pessoas atrás de Sihu trocaram olhares. ‘Copo d’água?’
Em meio à atmosfera atrapalhada, Doyeong curvou os cantos dos olhos.
— Fazer isso aqui vai ser um problema.
E então Doyeong fez um sinal com os olhos aos secretários de Sihu. Os secretários, que por instinto perceberam que algo fora do comum havia acontecido, logo saíram junto com as demais pessoas. Quando a porta da sala de reunião se fechou e restaram apenas os três, Sihu cruzou os braços.
— Me bata.
— …Não.
Yeonu, que silenciava, por fim murmurou como que soltando um suspiro. Sihu inclinou a cabeça.
— Não é uma oportunidade que aparece a qualquer hora. É que não tenho o feitio de me deixar bater.
— Yeonu-hyung, quer que eu faça no seu lugar? É só dizer.
Doyeong, sorrindo alegre, colou-se ao lado de Yeonu. Transparecia claramente a reação de que, ao mesmo tempo em que se penalizava com a preocupação do namorado, achava aquela situação bastante divertida.
— Eu, que estou namorando o Doyeong, com que direito iria censurá-lo?
Sihu compreendeu de imediato a fala do outro. Do lado dele também eram um casal com grande diferença de idade, dava no mesmo. Queria dizer que ele, muito mais velho que Doyeong, não tinha o direito de fazer nada contra Sihu.
Sihu supôs que ele fosse uma pessoa que pensava demais. Os outros, fosse cuspir no próprio rosto ou o que fosse, antes de tudo ficariam bravos. Dizendo como ele ousava tocar num irmão muito mais novo.
— O senhor sabe, né? Que o Yejun voltou pra própria kitnet.
— Sei.
Como não saberia. No último fim de semana também passara o dia inteiro ali com Yejun. Se ele soubesse do fato de que Yu Yejun o amarrou e esfregava o pau no vão de seu peito, que reação este homem teria?
— Ele disse que, se eu for ficar bravo, que fique bravo só com ele. Que sou eu que fico correndo atrás por gostar.
— …O Yejun disse isso?
— Sim.
Talvez o calor subisse, pois Yeonu apoiou a testa com a palma da mão. O relógio no pulso reluziu, refletido, límpido. Quando dirigiu o olhar naquela direção sem querer, Yeonu emitiu uma voz cansada.
— Ele disse que devia muitos favores ao senhor. Que o senhor o ajudou quando o rut veio, também? Podia ter levado a um acidente grave, mas o senhor impediu, obrigado.
— …
— Peço desculpas também. Como o Yejun deve ter ficado correndo atrás do senhor, sem dúvida foi um incômodo.
Sihu, com um rosto de quem ouvia cada coisa absurda, piscou os olhos vagarosamente. E se deu conta de que estava desagradado com a atitude tão cortês do outro. Por isso ele descruzou os braços e soltou um riso débil esvaziado.
— Favores, é, hmm.
Enfiou uma das mãos no bolso da calça. Naquele estado, a postura de inclinar de leve o tronco na direção de Yeonu era bastante arrogante.
— Sobre quando o rut veio ao Yejun. O senhor sabe o que eu fiz naquela hora?
— O que…
— Não dei o supressor. De propósito.
Ele articulou com nitidez, como que mandando saber que não ouvira errado.
— Não deixei de dar por achar que o supressor não fosse funcionar. Foi, em boa parte, por causa da minha ganância.
Yeonu, como se não compreendesse, tensionou o espaço entre as sobrancelhas.
— É que fiquei curioso. Se aquilo era mesmo um rut, por que um garoto que era beta teve um rut.
Sihu acrescentou com suavidade.
— Se fosse mesmo um rut, o que aconteceria a partir dali. Surgiu a curiosidade. E foi por isso que deixei quieto.
— Por que o senhor está dizendo isso de repente?
— Quero dizer que o senhor não precisa se desculpar. Ao contrário do que o senhor pensa, eu sou um baita, filho da mãe.
— …
Um silêncio pesado pousou. Yeonu, talvez confuso, tinha as pupilas se agitando de um lado para o outro. Era uma reação de quem não sabia que reação demonstrar naquela situação.
Sihu compreendeu o estado de espírito complicado dele. Yu Yejun sem dúvida devia ter defendido com todo o afinco que só ele era o mau. Mas, na verdade, não era isso. Que ele, em vez de dar remédio ao garoto em rut, deixara quieto.
— Se quiser me bater, é só entrar em contato a qualquer momento.
Quem quebrou o silêncio foi Sihu. Yeonu, que até então tinha um rosto aturdido, mordeu com força os lábios. A sombra que existia sob seus olhos se adensou ainda mais.
— Por que o senhor vive dizendo que vai apanhar?
— Digo pra evitar mal-entendido. Não é que eu tenha o fetiche de apanhar.
Sihu disse com serenidade, com uma voz sem altos e baixos. Talvez atrapalhado, a bochecha de Yeonu num átimo ficou vermelha. Diante do rosto em que transparecia um ar constrangido, Sihu sorriu em silêncio.
— É brincadeira. Vou me retirar primeiro, tenho um próximo compromisso logo em seguida.
E então, endireitando de novo as costas, acrescentou devagar.
— Lamento que as coisas tenham ficado assim.
No ‘lamento’ havia sinceridade. Ele jamais imaginara que Yu Yejun fosse o irmão de sangue de Yu Yeonu. Se ao menos a aparência fosse parecida, teria percebido logo. Recordando o rosto de Yejun, que, ao contrário do irmão, tinha uma sensação suave, Sihu estalou de leve a língua.
— Hyung.
Ele ia caminhando primeiro para a porta da frente da sala de reunião. Quem deteve os passos de Sihu foi, inesperadamente, Doyeong. Até então ele apenas observara em silêncio, como que interessado. No ar, os olhares dos dois irmãos se chocaram com um estalo.
— Você não tem a intenção de terminar com o Yejun?
Doyeong acrescentou “não disse que lamentava?” e desenhou um sorriso nos olhos. Era um olhar de quem já sabia que resposta viria à sua pergunta.
A sensação de ter o íntimo trespassado não era agradável, mas não havia jeito. Sihu ergueu de viés um dos cantos da boca.
— É por isso que estou mandando ele me bater.
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Assim que entrou pela porta, um cumprimento alegre ressoou em seus ouvidos.
— Chegou?
Os olhos de Sihu se afrouxaram languidamente. Quem puxou o cumprimento estava de pé diante da porta, com as duas mãos juntas com cortesia. Era uma figura feito um cãozinho que recebe o dono que voltou do trabalho.
Se eu criasse um cachorro, seria esta sensação? Todos os nervos do corpo se afrouxaram e se soltaram, amenos.
— Estava mesmo esperando?
— Porque você quis, hyung.
Era como Yejun dissera. Diante do impulso que subira de golpe, Sihu enviara uma mensagem.
[Vai pra casa antes e espera.]
Era uma ordem unilateral que não levava em conta a agenda do outro. Ainda assim, Yejun, longe de se desagradar, respondera o seguinte:
Yu Yejun [Por quê? Porque quer ver meu rosto logo?]
Diante da pergunta ao mesmo tempo atrevida e sem pudor, um riso débil subiu. Com o passar dos dias, Yu Yejun ia ficando cada vez mais marotamente descarado. Se ele já era assim, ou se estava mudando, ele não sabia. Sentindo o cóccix coçar sem motivo, ele respondera o seguinte:
[Isso.]
— Você disse que queria ver meu rosto. Não foi?
— Já respondi de dia.
— É que quero ouvir de novo na sua voz.
— Que pena. É que não gosto de responder duas vezes.
No instante em que os sapatos estavam meio tirados, diante de uma força firme e forte, a cintura se curvou. Foi só por um instante que cambaleou; um calor quente o abraçou.
Recebendo o abraço de surpresa, Sihu virou a cabeça para trás. Os sapatos, tirados às pressas, rolavam. Quando estalava a língua, um “hyung” carregado de riso grudou em sua bochecha.
— Você quis mesmo me ver?
— Não abusa.
— Eu quis te ver, hyung.
— …
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(Continua na parte 12)
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna