•.¸ ♫ Capítulo 10.4
10. Agitato (Parte 4/5)
Doyeong, que o alcançara sem que se notasse, agarrou seu ombro e o fez parar. Foi quando ele franzia a testa diante da pegada que quebrava sua concentração. A região dos olhos de Sihu se contorceu de leve.
— …
Sihu, com os dedos curvados num punho, olhava para algum ponto como se fosse trespassá-lo. O rosto, que não piscava sequer as pálpebras como que a julgar se aquilo era realidade ou não, estava frio.
Não muito longe estavam duas pessoas familiares. Yeonu, com um leve sorriso, dizia algo. Diante de Yeonu estava Yu Yejun.
Yejun meneava a cabeça, sabe-se lá achando o quê tão divertido. No rosto marcante, de cabelos castanhos e pupilas de pigmentação clara, havia um sorriso radiante. Sihu, tensionando o olhar, descobriu que havia covinhas na região dos cantos da boca dele.
Os dois irmãos, sem saber de nada, continuavam a trocar palavras. Foi quando Yeonu, olhando-o como se o achasse fofo, logo ergueu a mão e afagou a cabeça de Yejun. Em seguida, no gesto de dar tapinhas nas costas com a palma da mão, transparecia claramente o afeto de quem prezava o irmão mais novo.
Sihu, com a boca firmemente cerrada, desceu o olhar devagar. O olhar que escorregava para baixo estava agora fixo na mão de Yejun. Na mão esquerda havia uma sacola de compras estampada com as iniciais do shopping. E o que havia na mão direita era um celular.
‘Se diverte bem, hein.’
Refletindo sobre o que faria com aquele garoto, Sihu deixou escapar um riso débil. A ponta dos dedos começou a esquentar como se tivesse tocado fogo. No instante em que aquele calor subia pelo cotovelo e se espalhava pelo corpo inteiro, Yejun virou a cabeça.
— !
Talvez surpreso, os olhos de Yejun se arredondaram. Assim que viu o corpanzil enrijecer feito uma estátua de gesso, Sihu, sem se dar conta, moveu os pés. A cada passo, o som dos sapatos estourava frio.
— Hyung, se acalme e…
— Sai da frente.
Assim que Doyeong se aproximou como se fosse contê-lo, Sihu o empurrou para o lado. Talvez atrapalhado com o som entre os dentes que reprimia a fúria, Doyeong já não conseguiu segurá-lo. Nesse ínterim, Sihu se pôs diante de Yejun e apenas baixou os cílios.
— Ah.
Yejun emitiu um som de sentido incerto e escondeu para trás a sacola que segurava na mão. Assim que encarou o rosto que ia ficando vermelho de constrangimento, Sihu agarrou-lhe o braço. Diante da pegada que o enlaçava feito planta aquática, Yejun inspirou fundo.
— Sihu, hyung.
— Não era que o celular tinha quebrado?
— …
— Divertido, né?
Sihu, que dizia isso, ostentava agora um sorriso cínico.
— De tão divertido, estou quase ficando puto da vida.
O fôlego contido no murmúrio tremeu de leve. As pupilas de Yejun se agitaram com força. Contudo, mesmo em meio a isso, a sacola continuava escondida para trás. Diante daquela figura que escondia algo mesmo depois do reencontro, a irritação fervia. Foi por isso que feromônios saíram do corpo enfurecido.
Os feromônios, que normalmente ele controlava com naturalidade feito respirar, naquele instante em particular jorraram sem freio. Mais intensos que nunca, mais violentos que nunca.
Aquilo agarrou de imediato o ombro de Yejun. Diante do ataque de Alfa que esmagava seu corpo, haveria motivo para sofrer, mas Yejun não franziu o rosto nem uma vez.
Está aguentando? Sihu inclinou a cabeça de lado e estreitou os olhos. Foi quando uma luz gélida começou a rondar suas pupilas negras.
— Que situação é esta agora, ugh!
Quem fez o ato de Sihu parar foi ninguém menos que Yu Yeonu. Ele, que olhava atônito de um a outro, logo agarrou o próprio pescoço. Só ao ver a pessoa cambalear como que sofrendo é que Sihu recobrou a razão. Tarde demais, deu-se conta de novo do fato de que ele era ômega.
— Yeonu-hyung!
— Hyung!
Assim que os feromônios desapareceram, Doyeong abraçou Yeonu. O irmão mais novo, Yejun, também, atrapalhado, examinou o estado do próprio irmão.
Achando que, se ficasse ali, a situação só se complicaria, Sihu estendeu a mão para a frente. O lugar aonde a mão de luva preta se dirigiu foi nada menos que o braço de Yejun.
Enlaçando o braço grosso feito planta aquática, Sihu firmou os dedos. Diante da pegada forte, Yejun tornou a dirigir o olhar naquela direção. Abriu a boca como se fosse dizer algo, mas Sihu não quis ouvir.
— Cala a boca e vem comigo.
Ele, agarrando o outro, moveu os passos. Inesperadamente, Yejun não o conteve nem parou. Pelo contrário, diante da voz de Yeonu que o chamava, chegou a dizer o seguinte:
— Tudo bem, a gente se vê depois.
O jeito de falar suave e sereno era maduro. Diante da atitude serena, Sihu sentiu a fúria subir à cabeça. Sem compreender direito por que estava tão bravo assim.
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Foi quando, tendo saído do shopping, caminhavam sem parar pela calçada. Enquanto seguia em silêncio olhando só para a frente, de repente Yejun chamou Sihu.
— Hyung.
— …
— Sihu-hyung, para um pouco agora.
Tentou ignorar a voz que grudava em seus ouvidos, mas não foi fácil. Era porque Yejun, com a mão que não estava presa, agarrou o ombro de Sihu e o fez parar. Era uma pegada firme, difícil de repelir com facilidade.
Enquanto pensava em como se livrar daquilo, a sacola pendurada no pulso de Yejun entrou em seu campo de visão. Assim que ia fitá-la, Yejun soltou o ombro primeiro.
— Você parece doente.
— Que besteira é essa?
— Você ficou abatido, não percebeu?
Só ao ouvir aquilo é que Sihu percebeu que não verificara direito o próprio rosto ultimamente. Enquanto ele hesitava, Yejun fitou seu rosto. Sabe-se lá se para buscar algum sinal de doença, o olhar que percorria a linha que descia da bochecha ao queixo era insistente.
Se ele estava realmente abatido, a causa disso era toda aquele garoto. Diante da figura que fazia uma expressão preocupada sem nem saber disso, o estômago revirou. Sihu soltou friamente o braço que segurava. Mesmo diante do gesto gélido, Yejun, sem se importar, continuava a examinar apenas o seu semblante.
‘Bancando o bonzinho.’
Se não tivesse me encontrado, nem teria entrado em contato até o fim. Fora um idiota por ter se preocupado ouvindo a história de Yu Yeonu sem nem saber disso. Sem se dar conta do fato de que admitira ter ficado preocupado, Sihu ergueu de leve o queixo.
— Bebê.
— …Sim?
Diante do tratamento repentino, Yejun piscou os olhos com inocência.
— Você é chamado de bebê, né.
Era uma voz cheia de zombaria.
— Pelo seu irmão.
A bochecha de Yejun, que o olhava atônito, foi ficando avermelhada. Talvez por vergonha, o vermelho se espalhou até a concha da orelha e a nuca. Vendo que ele não conseguia negar, parecia que era mesmo chamado de bebê.
— Você é bem paparicado. Nunca vi irmãos se chamarem de bebê.
— …É porque a diferença de idade é grande.
Era uma resposta que não conseguia esconder o constrangimento. Sem se importar com isso, Sihu esboçou um leve sorriso com um “ah, sim”. Era um sorriso difícil de se chamar de agradável.
— Você entrava em contato direitinho, hein? Ligava com frequência perguntando onde o irmão estava. Enquanto pra este lado aqui vinha com essa de que o celular tinha quebrado, de que não dava pra entrar em contato.
Yejun moveu os lábios como se fosse dizer algo, mas Sihu não ouviu.
— Por que você está se fazendo de difícil, Yejun-ah.
A boca de Yejun, que ia se mover, enrijeceu. Sihu, que se aproximou mais um passo, revirou as pupilas para cima. O branco que se revelou de leve sob a íris dava uma sensação gélida.
— Bem que eu queria um pouco de docilidade. É que detesto parceiro que dá dor de cabeça.
— …
Os olhares dos dois se chocaram no ar com um estalo. A bochecha de Yejun, que até há pouco estava avermelhada, voltou ao estado original. As pupilas que examinavam o outro de cima a baixo, inesperadamente, não pareciam bravas.
Quem se irritou, pelo contrário, diante daquele olhar sereno, foi Sihu. Era difícil se livrar da sensação de que o outro lado ficara em posição vantajosa.
— …Esse maldito parceiro.
Quem primeiro dissipou o silêncio foi Yejun. Ele ergueu a mão, bagunçou os próprios cabelos e então cruzou o olhar com Sihu. No suspiro que escapava por entre os lábios havia um riso misturado.
— Não entendo por que você está tão bravo.
Nas pupilas de cor clara reluziu uma luz provocante.
— Sendo que você só me vê como parceiro de sexo.
A região dos olhos de Sihu se contorceu. Esse desgraçado atrevido. Depois de deixar uma pessoa esperando por duas semanas inteiras, e ainda vindo com a mentira de que o celular quebrou e por isso não fazia contato. Não entende por que ele está tão bravo assim?
— Você ficava bravo assim com os parceiros anteriores também?
A voz que murmurava bem baixinho tremeu de leve. Sihu, enfurecido, não compreendeu o sentido daquela comoção.
— Ou você fica bravo só comigo?
Diante do simples impulso de querer fechar aquela boca, a têmpora chegava a pontuar de dor.
Os dedos enluvados dele se curvaram num punho. No rosto que fuzilava Yejun daquele jeito despontou uma raiva afiada. Ao mesmo tempo em que os mesmos feromônios de antes envolveram o pulso de Yejun, subiram.
Diante dos feromônios que queriam subjugá-lo, os olhos de Yejun se estreitaram. O rosto pareceu enrijecer, e foi só isso. Foi quando Sihu sentiu algo estranho diante daquela reação que não se movia nem um pouco, feito rocha. De repente, algo inesperado tocou sob o queixo dele.
Um aroma suave, mas que não se podia chamar de fraco, envolveu sua nuca. Em seguida, o aroma que percorria cada canto do corpo eriçou os nervos de Sihu. Diante do ímpeto que rivalizava de igual para igual com os próprios feromônios, Sihu soltou um riso débil e baixo. A informação de que ele se manifestara como Alfa dominante lhe veio à mente tarde demais.
A uma distância em que bastava um passo para se tocarem, os dois fitavam apenas um ao outro em silêncio. À primeira vista pareciam figuras serenas, mas na verdade os feromônios ondulavam ferozes. Se houvesse um Alfa ou um ômega por perto, era uma intensidade capaz de provocar vertigem na hora.
Pouco depois, Yejun relaxou os ombros e soltou um longo suspiro. Por entre os lábios escapou um bafo branco e comprido.
— …Você também andou espalhando isso por aí em outros lugares?
— O quê.
— Feromônios. Estou perguntando se, mesmo depois de virar meu parceiro, você andou espalhando feromônios por aí.
— …
— Os ômegas devem ter gostado.
Sihu, com a cabeça inclinada de lado, franziu o cenho.
— Que atrevimento pra quem se manifestou faz tão pouco tempo. Deu uma comida no traseiro dos outros e agora é isso?
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(Continua na parte 5)
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna