•.¸ ♫ Capítulo 09
9. Feroce (Parte 1/4)
Feroce: com aspereza
Num dia raro em que o frio afrouxara, a paisagem da Ilha de Jeju era de uma beleza excepcional. Aquele lugar, onde se harmonizavam montanhas cobertas de neve branca e o mar azul, era um ponto turístico que inúmeras pessoas gostavam de visitar. Por isso era natural que empresas grandes e pequenas houvessem construído hotéis ali, como que em competição.
Dentre eles, o Hotel Sangwon era, sem dúvida, esplêndido. Situado à beira-mar, o Hotel Sangwon ostentava a combinação exótica de um prédio branco e coqueiros. Graças a essa beleza, além de ter sido escolhido como locação de filmes famosos, guardava também a história de várias conferências ali realizadas.
Ainda que houvesse motivo para sentir orgulho, o rosto de Sihu estava apático. Ele apenas observava, com uma expressão neutra, o fluxo de movimentos dos funcionários que se dava diante dele. Diante da situação de ter que fazer uma demonstração ante o diretor-presidente da matriz, os funcionários se moviam com destreza, reprimindo a vontade de desmaiar.
‘Impressionante, impressionante.’
Os gerentes do hotel, enfileirados atrás, suavam frio às escondidas.
‘Ele veio até aqui em pessoa? Bastava mandar outro executivo.’
‘Diziam que ele aprendeu cinco idiomas para gerir hotéis. Agora até faz perguntas em francês. Se a gente relaxar a guarda, se dá mal.’
Enquanto todos os funcionários tinham pensamentos parecidos, Sihu meneou a cabeça. E dirigiu o olhar à mulher de meia-idade que estava logo ao seu lado.
— O programa que passou a ser implementado desta vez. Peço que continuem cuidando dele com atenção daqui em diante.
— Claro, diretor. O que o nosso Sangwon apresenta como carro-chefe são os programas de entretenimento. Estamos empenhando todas as nossas forças nisso. Aliás, como o programa cultural do Ano-Novo Lunar foi muito bem recebido, estamos pensando em tornar o evento permanente também em março, que está próximo.
— Gostaria de ouvir a explicação sobre isso também. Posso ouvir durante o briefing?
— Claro.
Diante da conversa que fluía sem obstáculos, Sihu fitou a representante do Hotel Sangwon de Jeju diante de si. Ela sorriu de leve, mantendo a coluna ereta. Da pessoa que não se atrapalhava nem mesmo com as perguntas de Sihu emanavam experiência e competência.
O rosto de Sihu, que até então mantivera uma expressão profissional, se abrandou. Foi porque se lembrou dos dias em que, na época de universitário, recebera dela aulas de gestão. Recordando o passado em que fizera até a limpeza dos quartos para aprender ao menos uma coisa a mais, foi o primeiro a abrir a boca.
— …Também gostaria de ver de perto o serviço de catering.
— Vou conduzi-lo imediatamente.
Quando a representante fez um sinal com os olhos, os funcionários se apresentaram e começaram a explicar. Ouvindo dizerem que era uma honra poder demonstrar o serviço aprimorado deste ano, Sihu pôs-se a caminhar.
Diante do movimento da jovem representante, que caminhava altiva com a coluna ereta, as pessoas que estavam mais afastadas trocaram olhares em silêncio. Ficaram surpresas, de novo, com a atmosfera imponente, o modo de falar, a postura.
Enquanto recebia a atenção de inúmeras pessoas, Sihu manteve a serenidade. Contudo, em desacordo com a aparência impassível e calma, inesperadamente, seu estado não podia de forma alguma ser considerado bom. Era um segredo que nem mesmo o secretário particular, que estivera a seu lado por muito tempo, conhecia.
Sihu, fingindo tranquilidade, estalou a língua por dentro. Todo o corpo latejava, como se tivesse apanhado. As pernas que se estendiam longas em movimento sofriam, na verdade, uma forte dor muscular, e a coluna ereta também não parava de pontuar de dor.
Ele baixou os cílios longos e olhou para o próprio pulso esquerdo. O relógio que envolvia o pulso reluzia frio, refletido pela luz.
A única pessoa que sabia que a pele sob a pulseira estava inchada era o próprio Sihu. Os olhos, que fitavam o relógio em silêncio, se estreitaram.
Foi quando uma expressão estranha e difícil de decifrar cruzou seu rosto, rápida como um clarão. No instante em que pisou num degrau para descer, Sihu, sem se dar conta, emitiu um gemido baixo.
— Ugh.
Assim que soltou o som, um palavrão lhe veio à cabeça. Merda. Era desagradável o modo como o corpo tentava sem parar escapar do controle. Enquanto ele torcia os cantos da boca, o secretário ao seu lado arregalou os olhos.
Sihu, que não queria revelar a outrem sua situação incômoda, logo voltou ao rosto de expressão neutra. Contudo, em desacordo com o semblante sereno, o pulso que trazia o relógio, ao menos ele, tremia de leve.
‘Será possível?’
Na voz que ressoava em seu íntimo transparecia o absurdo.
‘Um Alfa, ainda gemendo de dor?’
‘Um Alfa’ referia-se a ele mesmo, Baek Sihu.
Sihu se irritava com a região inferior que latejava a cada vez que descia um degrau. Sobretudo o ânus, todo inchado, ardia ainda tanto que era difícil aguentar. Sihu cerrou os dentes e fechou o punho em silêncio. As unhas bem cortadas arranharam a pele.
O corpo sensibilizado o fazia recordar sem parar o que se passara. Tentou se concentrar apenas no trabalho, mas não estava dando certo de jeito nenhum.
Diante do passado que bruxuleava à sua frente, Sihu engoliu um suspiro. A pele sob os cantos afiados dos olhos ardia, avermelhada.
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Naquele dia em que Yu Yejun entrou em Rut, Sihu, em vez de dar-lhe o supressor, continuou o sexo.
Admitia que não havia sido racional. Claro que, para sentir culpa por isso, Baek Sihu não era uma pessoa moralmente correta. Como um Alfa completamente acometido, apenas saciava o próprio desejo sexual e racionalizava as próprias ações.
Afinal, o meio de resolver o Rut não era um de dois? Tomar o supressor, ou fazer sexo.
Eu apenas escolhi o sexo. Ao mesmo tempo em que sacio o meu desejo e trato o Yu Yejun.
Ao pensar assim, seu ânimo ficou ainda mais tranquilo. Sentindo alívio, Sihu passou o braço em torno da nuca de Yejun e o puxou.
— Hyung, depressa, ugh, sai.
— Que tal parar de me foder antes de falar?
Quando ele murmurou com suavidade, o rosto de Yejun se avermelhou. Ele sacudiu a cabeça com força e mordeu com força o próprio lábio. Por não ter conseguido controlar a força, o lábio inferior se rasgou com facilidade. Uma gota de sangue escorreu pelo lábio e pingou para baixo.
Sihu, ouvindo o som surdo do atrito que estourava, pac, paac, o beijou. A língua que se estendia longa lambeu os lábios ensanguentados. Se por causa da dor ou do prazer, o corpo de Yejun enrijeceu, duro feito pedra.
— …Huuf.
Foi só por um instante; Yejun inspirou fundo e moveu a cintura com ainda mais violência. Diante da força que socava, bum, bum, o sexo se enfiou fundo lá dentro.
A cada vez que as veias grossas esfregavam a carne interna, as nádegas de Sihu tremiam como que em convulsão. O líquido que se acumulara no vão das nádegas virou, sem que se notasse, uma espuma branca que pingava para baixo.
Até aí ia bem. Sihu possuía a resistência física inata de um Alfa dominante e, graças a isso, conseguia receber com facilidade um Alfa em Rut. Chegava até a demonstrar a folga de sorrir quando o pau de Yejun espetava seu ponto extremo.
O momento em que pensou que algo dera errado foi quando sentiu que aquele sexo estava longo, longo demais.
— Ugh, que loucura…
O sorriso começou a sumir do rosto de Sihu. Sobre o lençol da cama já rolavam camisinhas empapadas de sêmen. Eram os vestígios de Yu Yejun, que o fodera por mais de duas horas.
Consciente de que sua resistência estava se esgotando aos poucos, ele olhou para baixo. Yu Yejun movia os dedos, exibindo a região dos olhos ruborizada, avermelhada. O indicador e o médio, longos, entravam e abriam o interior de Sihu. O buraco, que estava suavemente afrouxado, emitia um som molhado e deixava entrever de leve a carne interna avermelhada.
Escorreu.
Sêmen branco escorria vagarosamente pelos dedos. Foi porque, na terceira vez em que uniram os corpos, Sihu impedira Yejun de colocar a camisinha. O motivo era que não conseguira suportar a cena do outro, que, de tão excitado, não conseguia colocá-la direito.
Ele havia mordido o lóbulo de Yejun e dito junto ao buraco avermelhado da orelha:
‘Faz sem, e pronto.’
A voz, tornada afiada, emendou depressa o acréscimo seguinte:
‘Afinal, nem dá pra engravidar.’
Assim que ele terminou de falar, Yu Yejun agarrou a bacia de Sihu e enfiou de uma vez. E, no presente, Yejun ainda remexia o interior com o pau nu.
— …Yu Ye…jun.
— …
— Vai de novo, huf?
Antes mesmo de soltar o acréscimo ‘não me diga que…’, os dois dedos entraram ainda mais fundo. A força com que fuçava a próstata inchada era habilidosa. Quando sua cabeça ficou branca, Sihu franziu o rosto com força. Sendo hoje a primeira vez que fizera aquilo, a capacidade de aprendizado era rápida demais.
— Ha, você, ugh…!
Chic, chic.
A cada vez que Yejun mexia os dedos, o buraco se abria e repetia contrações. Sihu sentia como um sonho, irreal, aquilo que se passava entre suas pernas. De tão sobrecarregado com a situação, ele acabou soltando um gemido dolorido. Diante do pensamento de que não aguentava mais, o coração começou a bater, bum, bum, como que tenso.
Contudo, Yejun não deixou em paz Sihu, que começava a se esforçar. Depois de observar o outro, que arfava com o peito subindo e descendo, agarrou-lhe a cintura e o virou. Sihu, que estava completamente sem forças, num átimo ficou de bruços, oferecendo apenas as nádegas.
Diante da posição por trás, que ele nem imaginava, os cantos dos olhos de Sihu ficaram ainda mais afiados. Não me diga…? Sua suposição se confirmou como verdade. Como um cão no cio a atacar, Yejun esmagou o corpo dele e enfiou o próprio membro.
— Hec!
As nádegas brancas, pressionadas, tremeram de leve. Em meio à exaustão, um prazer que subia de golpe se somou ao sofrimento. Sihu, de olhos arregalados, encarou o lençol.
O que raios é isto?
Por mais que o Rut tivesse chegado, ele fazia tanto assim?
E ainda a ponto de deixar um Alfa dominante sobrecarregado?
Quando sua cabeça se confundiu, Yejun moveu a região inferior com força. Quando o sexo, que recuara, se enfiou fundo no corpo, estourou um som afiado de atrito, ‘paac!’.
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(Continua na parte 2)
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna