•.¸ ♫ Capítulo 09.3
9. Feroce (Parte 3/4)
‘…Ele é Alfa?’
Quando lhe foi dado tempo para pensar, só então houve lembranças que lhe vieram à mente. De fato, havia momentos em que Yu Yejun lhe dava uma impressão de algo não muito claro.
O aroma que de repente o fizera estremecer, a altura e o porte que ultimamente haviam disparado, e a gripe febril de que sofrera dias antes.
Ele próprio, no passado, também experimentara um estado parecido antes de se tornar um Alfa dominante. Sofrera por um bom tempo, sentindo desconforto com o corpo que ficava pesado feito ferro. Que aquilo não fora uma indisposição, e sim, na verdade, uma etapa para se manifestar como Alfa dominante, ele soubera graças aos exames físicos periódicos.
— Ah.
Um suspiro baixo escapou de sua boca. Embora fosse raro, havia casos de alguém se tornar Alfa ou ômega de modo tardio. Talvez Yu Yejun…
Ele virou a cabeça na direção da porta. Lá fora se ouvia, ainda que fracamente, sinal de presença. Sihu agarrou o roupão que deixara por perto e o vestiu à toa. E, sem nem amarrá-lo com o cordão, abriu a porta e saiu.
— Ugh.
Tentou fazer o rosto mais impassível possível, mas não levou nem três segundos para fracassar. Foi por causa do aroma de feromônios que, assim que abriu a porta, feriu fundo seus pulmões. Depois de dar alguns passos, ele logo baixou a cabeça profundamente.
Que aroma de feromônios é este, tão denso? Nunca se comovera assim com o aroma de nenhum Alfa. A única pessoa com feromônios fortes o bastante para rivalizar de igual para igual consigo era o próprio irmão mais novo e igualmente Alfa dominante, Baek Doyeong.
E ali estava ele, sobrecarregado com o aroma que envolvia a sala inteira. Diante de uma sensação que não se podia chamar de agradável, o corpo esfriou.
Veio-lhe à mente o choque de quando aquele aroma agressivo pressionara sua úvula. Ao mesmo tempo, lembrou-se por completo do arrepio de quando o sexo duro e ardente esmagava a próstata, e da sensação precária de quando as entranhas pareciam explodir diante do tamanho do pau inchado.
— Sihu, hyung.
Um timbre que parecia reprimir algo com força despertou os sentidos de Sihu. Yejun estava de pé ao lado da mesa, mordendo com força o próprio lábio inferior.
É um rosto à beira do choro. Teve o pressentimento de que ele ia se ajoelhar e implorar a qualquer momento.
Não teve como não soltar um riso débil. Mesmo exalando feromônios que diziam “quero te derrubar e te violar agora mesmo”, o rosto, ao menos ele, sendo tão dócil, tão manso, era uma coisa bem engraçada.
— Quem visse ia achar que fui eu que te ataquei.
Quando ele rompeu o silêncio com um timbre sem altos e baixos, as pupilas de Yejun se agitaram. Sihu ergueu vagarosamente um dos cantos da boca. Era um sorriso em que transparecia, não pouco, o sentido de “que absurdo”.
— Quem comeu o buraco de trás do hyung, foi você, Yejun-ah.
Tlim!
O que ressoou ruidosamente no chão foi uma colher de chá. Sihu percorreu a mesa com os olhos. Sobre a mesa cinza estavam espalhados vários objetos. Cartela de comprimidos, pomada, um copo do qual subia fumaça quente em espirais.
De onde raios saíra aquilo? Terá ido a alguma farmácia enquanto ele estava desacordado? Enquanto o fitava em silêncio, uma voz cautelosa pousou em seus ouvidos.
— …É que tinha um cartão-chave.
— Ah.
Sem dúvida se referia ao cartão-chave que ele deixara sobre o aparador. Parecia que ele tivera a sorte de ver o cartão-chave que Sihu nem se lembrava de quando deixara ali. Conseguiu mesmo sair, pensou Sihu, enquanto Yejun acrescentava palavras.
— Eu quis levar você ao hospital. Mas…
— Mas?
Diante do jeito de repente hesitante, Sihu tornou a encarar seu rosto. Quando lhe lançou um olhar de “continue falando”, Yejun baixou as pálpebras na direção do chão. Os cílios longos e o sinal de pele se harmonizavam e exalavam uma atmosfera melancólica.
— É que você disse que não podia, hyung.
Sihu, que ia perguntar ‘eu?’, logo fechou a boca. Foi porque se lembrou vagamente de ter murmurado tais palavras num estado do qual não se sabia se era sono ou desmaio. A têmpora pontuou de dor e uma lembrança enevoada feito névoa cruzou sua mente.
‘Hyung!’
A voz que ressoara estridente em seus ouvidos estava choramingando. Diante do chamado úmido, Sihu, que recobrara os sentidos por um instante, olhara para Yejun. Ele estava com o celular junto à orelha, fitando apenas Sihu como se fosse trespassá-lo. O que havia nas pupilas de pigmentação clara era medo.
Diante daquele Yejun, Sihu movera os lábios. Para dizer que, se fosse chamar uma ambulância, deixasse pra lá. Que hospital, de jeito nenhum.
‘Claro que não pode.’
Desmaiar por ter sido penetrado por trás. Entrar num hospital naquele estado era pior do que morrer. E era grande a probabilidade de ser flagrado por algum jornalista de má índole no meio do caminho. Não era difícil imaginar um boato de que o segundo filho do Grupo Sangwon quase morrera durante o sexo.
Enquanto franzia o rosto, Sihu de repente aguçou os nervos na direção da região inferior. Algo escorria por uma das coxas e caía para baixo. Para que aquilo não caísse no chão, Sihu juntou o vão entre as coxas. A carne grudou e estourou de leve um som molhado, ‘chac’.
Yejun, que até então examinava sem parar a cor de Sihu, fez uma expressão preocupada. O semblante com que estendia às pressas o copo com as duas mãos estava pálido feito a lua diurna. Parecia acreditar que o culpado de tudo aquilo era ele mesmo.
— Pra mim não precisa.
Sihu recusou com um aceno de mão. Embora fosse um tom impassível, as pupilas de Yejun se agitaram como as de uma criança que levara uma bronca severa.
— Vou chamar um motorista, então pegue aquele carro e vá ao hospital.
Ao acrescentar “agora mesmo”, uma tosse leve acabou escapando. Sihu, que ia tossir alto, mordeu os lábios e se conteve. Era porque o olhar que tocava sua bochecha estava úmido, molhado.
‘Assim ele vai chorar.’
É fofo e dá pena. Contudo, não podia se aproximar e abraçá-lo agora. Era por causa dos feromônios Alfa de Yu Yejun que cobriam o espaço inteiro.
O aroma que ondulava trazia uma sensação feroz e instável. Era difícil garantir o que aconteceria no instante em que se tocassem. E, para ser esmagado de novo pelo garoto, sua resistência estava esgotada havia muito.
— A meu ver, você é um Alfa tardio.
— Eu…?
— Isso, e talvez até um Alfa dominante.
A boca de Sihu, que murmurava, se torceu de leve.
— Yu Yejun.
— …Sim.
— Prepare-se para sair.
— E você, hyung, o que vai fazer?
— Eu, por quê?
— O seu estado não está bom, não é?
A região dos olhos de Yejun, ao dizer isso, se avermelhou. Era uma cor semelhante a uma maçã bem madura.
— Me desculpe.
— …
— Me desculpe, hyung.
Sihu sentia dois impulsos. A compaixão de que precisava consolá-lo; o prazer de querer, de verdade, fazê-lo chorar. Achava que o rosto lindamente ruborizado, banhado em lágrimas, seria bem agradável de se ver.
Ele, que mantivera o silêncio por um bom tempo, relaxou os ombros.
— Você sabe que o tardio fica instável por um tempo, né? Não dá pra saber quando outro Rut vai vir.
No instante seguinte, Sihu, sem se dar conta, acabou hesitando.
— …Vamos combinar de não nos vermos até você se estabilizar.
Assim que terminou de falar, o que sentiu foi pena. Sihu franziu o cenho, estranhando a própria emoção. Sabe-se lá por que, tinha um gosto amargo na boca. Enquanto pensava que sentia cada coisa estranha, Yejun inspirou fundo.
— Ah…
A expressão de Yejun, que soltou um som solitário, estava desmoronada. Era o rosto de alguém que fora abandonado.
Sihu não disse que também sentia pena. Trocar esse tipo de conversa e criar um clima de acanhamento era algo que dispensava. Em vez disso, agarrou o roupão e o abriu para o lado. O peito, o flanco e a barriga revelados estavam cobertos de marcas de dente. Alguns lugares, mordidos com força excepcional, estavam até roxos.
Diante dos vestígios do sexo violento, Yejun cerrou o punho. No rosto que franzia, transparecia claramente um ar de arrependimento. Encarando aquela figura carregada de culpa, Sihu assentiu de leve.
— Sim.
Quem rompeu o silêncio foi Yu Yejun. Ele foi o primeiro a dar um passo para trás, afastando-se de Sihu.
— Vou fazer assim.
Até o motorista chegar e ele sair de casa, Yejun manteve a distância de Sihu. Sem dúvida era um sinal de que não cometeria de novo um acidente como o da noite anterior.
Deixado sozinho, Sihu ergueu uma das mãos e bagunçou o próprio cabelo. Veio-lhe tarde demais o arrependimento de que talvez devesse ter falado com mais carinho. Ao mesmo tempo, veio-lhe também a indignação de que, tendo ele apanhado a ponto de desmaiar, por que teria de tratá-lo com carinho.
Em meio a um estado de emoções misturadas, Sihu pegou o copo que estava sobre a mesa. A essa altura, a água que havia no copo esfriara e estava morna. Bebendo um gole, examinou as cartelas de remédio ainda espalhadas. Não era difícil imaginar a figura de Yejun, que, apavorado, saíra correndo para fora.
Escorreu.
O líquido que atormentava a coxa desde há pouco por fim escorreu pela perna e caiu. Sihu, com a água na boca, baixou a cabeça. Nas pupilas negras se espalhou um riso de quem acha aquilo um absurdo.
‘Acontece cada coisa comigo.’
O que entrou em seu campo de visão foi uma gota de sêmen branco. O sêmen que caíra no chão sem dúvida estivera dentro de suas entranhas. De quanto ele teria jorrado para ainda restar lá dentro? Veio-lhe forte o pressentimento de que Yejun talvez fosse mesmo um Alfa dominante.
‘Eu gosto de você.’
Ao recordar o sexo violento, veio-lhe junto à mente a confissão que Yejun fizera em algum momento. Sihu, que rememorou o sussurro constrangedor como nada, tensionou o espaço entre as sobrancelhas. Tentou esquecer, mas a lembrança apenas se repetia de modo ainda mais vívido.
Eu gosto de você, eu gosto de você, eu gosto de você.
— Nem sabe distinguir amor de tesão.
Soltando um monólogo seco, Sihu bebeu mais um gole de água. O líquido, que não se podia chamar de morno, desceu pela garganta. E, mesmo em meio a isso, a voz jovem e desajeitada, na qual se intrometera uma respiração áspera, continuava a atormentar os ouvidos de Sihu.
‘Eu gosto de você.’
Sihu pousou o copo sobre a mesa. A nuca comprida daquele que nada dizia estava levemente avermelhada. Era uma reação que o próprio Sihu não percebeu.
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(Continua na parte 4)
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna