•.¸ ♫ Capítulo 07.4
7. Smorzando (Parte 4/5)
Ao ficar ouvindo quieto, o piano de cauda e os discos que tinha em casa lhe vieram à mente de leve. Um anseio de querer estar em contato com aquilo brotou de repente. Sihu suspirou longamente de olhos fechados. Era um rosto que parecia cansado, mas, diferente de antes, sem qualquer traço desagradável.
Durante o retorno, os flocos de neve que esvoaçavam foram engrossando. Sihu apreciou os flocos de neve tão brancos que se viam nítidos mesmo na noite escura. Pensando que era um alívio o dia seguinte ser fim de semana, sem precisar trabalhar.
Foi enquanto olhava para fora da janela com aquele rosto indiferente. Pouco antes de entrar pelo portão principal do prédio, a boca antes reta de repente se contorceu.
— Espere um instante, pare.
Na voz que murmurava também transparecia surpresa. Assim que o carro parou bruscamente, ele abriu a porta traseira e saiu. O motorista, assustado, abriu a porta atrás dele.
— Diretor!
— Não se preocupe e volte para casa.
Sihu, ao dizer isso, sequer olhava para trás. Em vez disso, movia depressa as longas pernas, avançando para a frente. Rememorando a figura de alguém que vira de relance.
Não teria visto errado? No instante em que esse pensamento lhe ocorreu, Sihu avistou um homem parado não muito longe. Um homem em casaco, segurando um guarda-chuva — era Yejun.
— Yu Yejun.
Diante da situação inesperada, a voz acabou rachando de leve. Talvez por não ter ouvido, Yejun continuava olhando para cima na direção de algum ponto, guarda-chuva em punho. Sihu viu com clareza que havia preocupação estampada em seu perfil.
Bum, bum, bum.
Talvez assustado com a situação repentina, o coração batia depressa. Com o barulho intenso do pulso, a cabeça chegava a girar. No instante em que tentava se recompor do próprio abalo, Yejun virou a cabeça.
No olhar dele, que tocou os olhos de Sihu e escorregou para os lábios, transpareceu também surpresa. Foi só por um instante; logo Yejun irrompeu num sorriso radiante.
— Sihu-hyung!
Era uma coisa estranha. A escuridão densa, o inverno em que só esvoaçavam flocos de neve, era uma estação sombria como nenhuma. Ainda assim, Yejun a sorrir parecia transbordar de vida, como se estivesse de pé sob o sol.
Quando esse pensamento lhe ocorreu, o passo de Sihu ficou mais lento. Só com a presença daquele que tinha diante de si, o peito se encheu por completo. Diante da própria mudança, que não existia antes, os olhos se agitaram por conta própria.
Enquanto Sihu hesitava, Yejun chegou até seus pés. Tendo corrido às pressas, esticou a mão que não segurava o guarda-chuva. A palma grande e quente envolveu a face de Sihu. Logo, no rosto delicado despontou um ar de alívio.
— Por que não usa guarda-chuva? Assim você pega um resfriado.
— É você quem diz isso?
Murmurando como que cuspindo, Sihu também estendeu a mão e tocou o rosto do outro. Os dedos que percorriam cada canto logo beliscaram sua bochecha. Estava assustadoramente gelada, congelada.
— Ai.
— Faz quanto tempo que você melhorou do resfriado pra estar desse jeito?
Em vez de se justificar, Yejun estendeu o guarda-chuva que segurava na direção de Sihu. A neve branca molhava depressa seus ombros largos. Sem querer ver aquilo, Sihu agarrou com força o cabo do guarda-chuva.
— Use você.
— Use você, hyung.
— É pra você usar.
Uma força se concentrou nas mãos dos dois que seguravam o cabo. Enquanto disputavam num braço de ferro renhido, Sihu franziu a testa. Nunca na vida havia sido vencido por alguém na força. Nesse ínterim, Yejun ergueu a mão que tocara a bochecha e ajeitou o cabelo de Sihu.
Toc, toc — no gesto de sacudir a neve havia calor. O rosto era frio feito gelo, mas não sei como a mão era tão quente assim. Quando lhe lançou um olhar de estranheza, Yejun riu.
— Estava bem guardada no bolso.
— …O que você veio fazer aqui?
Mesmo diante da voz ríspida, Yejun não se ofendeu. Nos olhos de pigmentação clara, uma luz afetuosa se espalhou aos poucos. Mantendo os cantos dos olhos que caíam de modo bondoso, ele respondeu com calma.
— Disseram que estava nevando.
— …
— E aí me deu vontade de ver junto.
Um sussurro baixo, porém nítido, estimulou os ouvidos de Sihu. Então veio até aqui por causa disso? Que nada. Sem dúvida viera porque estava preocupado.
Diante do fato de que Yejun lera por inteiro o que ia em seu coração, Sihu teve o orgulho ferido. Por outro lado, sentiu também pena do garoto, que devia ter largado até os amigos para vir.
— Que bobalhão.
Em vez de expressar com franqueza suas emoções, Sihu emitiu uma voz gélida.
— Devia ter ligado. Por que fica só rondando aqui?
— Mesmo que ligasse, você não ia atender.
Yejun desenhou uma curva com os lábios cheios e bonitos.
— Eu sei de tudo.
— …
— Ficou sem graça, né? Quando você se assusta, a região ao redor dos olhos se contorce, sabia disso?
Como saberia. Sihu, por reflexo, quase cobriu os olhos, mas se conteve. Era absurdo o fato de estar sendo provocado por um garoto tão mais novo. Mas era mesmo uma coisa incompreensível. Devia ficar de mau humor, devia se eriçar todo, mas só lhe vinha o riso.
Sihu por fim soltou um “pff”, um som esvaziado. E, aproximando-se até bem diante dos pés do outro, envolveu-lhe as bochechas com as duas mãos. Aquecendo a pele fria feito gelo, abriu a boca.
— Sabe de tudo? Então adivinha.
Aproximaram-se. Aproximaram-se a ponto de dar para saber quão longos eram os cílios de Yejun, quão trêmula era a ponta do fôlego que escapava por entre seus lábios. Assim, com o rosto estendido até bem diante do dele, Sihu acrescentou baixo.
— O que eu estou pensando.
A voz, baixada uma oitava, já se afrouxara num tom brando. Yejun prendeu a respiração e fitou aquele rosto de Sihu. O olhar que percorrera as sobrancelhas e a região dos olhos escorregou pela face e examinou os lábios e o queixo. Só com aquele olhar que acariciava cada canto de seu rosto, a espinha de Sihu tremeu num arrepio.
— Sabe?
Era por isso que na voz que perguntava como num sussurro transparecia um ar de excitação. Um sorriso despontou e sumiu nos lábios de Yejun. Como se nunca tivesse rido, Yejun respondeu curto com uma expressão que ficara séria.
— …Sei.
— Então diz.
E, no mesmo instante, o que Yejun fez foi sobrepor os próprios lábios aos de Sihu. Talvez por ter ficado muito tempo exposto ao ar, o lábio inferior de Yejun estava áspero, encrespado.
Diante da textura que raspava a pele, Sihu estremeceu de leve os ombros. Foi só por um instante; ele botou a língua para fora e umedeceu os lábios do outro. Ao lambê-los de modo suave e vagaroso, Yejun soltou um “ah” de gemido.
Foi quando as duas mãos que seguravam as bochechas de Yejun se afrouxaram. Yejun inclinou a cabeça ainda mais fundo. A cada vez que as peles macias se esfregavam, a excitação se espalhava feito veneno. Engolindo o gemido que subia diante daquele calor incontrolável, Sihu correspondeu ao beijo do outro.
— Acertei?
Ao perguntar isso, Yejun já segurava a cintura de Sihu com a mão que não segurava o guarda-chuva.
— …Acertou.
Respondendo em silêncio, Sihu também baixou uma das mãos e envolveu as costas da mão de Yejun. A pele alheia sob sua palma estava fria.
Bobalhão e tolo, e por isso encantador, aquele garoto — dava vontade de trazê-lo para dentro de casa. Assim, o anseio de devorar aquele garoto por inteiro, da cabeça aos pés, penetrou fundo, até a medula dos ossos.
— Acertou.
Ao acrescentar com voz rouca, Yejun sorriu radiante. O rosto ruborizado de alegria era inocente como o de uma criança.
Bum, bum, bum.
O som do coração em disparada ressoou junto aos ouvidos. Sihu pensou que era um tremor provocado pelo desejo.
Sem sequer perceber que o matiz da emoção estampada em seu rosto talvez fosse ternura. Teimosamente.
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No mesmo instante em que a porta de entrada se fechou, Sihu, sem nem tirar os sapatos, beijou Yejun. O som da nuca de Yejun batendo na porta raspou-lhe a orelha. Sihu, com os lábios sobrepostos, ergueu a mão e tateou. Ao sentir a textura macia dos cabelos, acariciou-os vagarosamente.
Quando tocou a nuca do outro querendo dizer um “tudo bem?”, os cantos dos olhos de Yejun se curvaram. Com aquele sorriso nos olhos que pouco antes despertara o interesse de Sihu, ele moveu as duas mãos. As mãos grandes pareceram agarrar a bacia de Sihu e, no mesmo movimento, o puxaram para si, sobrepondo as partes de baixo dos dois corpos.
— Ugh, você…
Quando as regiões inferiores se esfregaram, o sexo de Sihu cresceu. Ao soltar um riso débil de sobrancelhas franzidas, Yejun o abraçou apertado. E então botou para fora a língua encharcada e lambeu a concha de sua orelha.
Diante dos arrepios que despontaram, as costas de Sihu se empertigaram. A carícia aplicada à área sensível era longa e viscosa. Os dois lábios mordiam o lóbulo e o provocavam com vagar. Um fôlego úmido subia do lóbulo até a parte de trás da orelha.
— Espera.
Talvez por não ter ouvido a voz que o continha, o ato não parou. A língua que lambia a orelha, sem que se notasse, começou a firmar a ponta. A língua afiada penetrou o buraco da orelha.
Sihu franziu o rosto e inclinou a cabeça para o lado, mas a língua entrou ainda mais fundo e firmou a ponta. Diante da sensação de um som d’água libidinoso grudando viscoso, um calor subiu de golpe.
Uma força se concentrou na mão de Sihu que tocava a nuca do outro. Ao agarrar-lhe a mecha de cabelo e puxá-la para trás, o pescoço de Yejun se dobrou. Mesmo diante da situação repentina, em vez de sentir dor, Yejun até desenhou um sorriso. Por entre os lábios curvados em arco a língua saiu e lambeu de leve a região ao redor.
Diante daquele jeito de agir como quem sente apetite, a excitação aumentou. Sihu, ainda segurando a mecha de cabelo, encostou os dentes na nuca de Yejun. Sentiu a pele sob os dentes se contorcer e pulsar.
Ele a mordiscou de leve e depois subiu seguindo a linha do pescoço. Os lábios dos dois, que quase se tocavam, trocavam fôlegos ofegantes. Ha, ha. A ponta do fôlego picotado tremia.
Sihu foi o primeiro a sobrepor os lábios. Depois de sugar o lábio inferior que provocara sua orelha, mordeu-o sem machucar. Yejun emitiu um “hum” e abriu os lábios. As línguas de um e de outro se enroscaram, e as regiões inferiores que se tocavam se esfregaram de modo grosso. Por causa da excitação que se ergueu depressa, Sihu se sentiu, como nunca, tomado de pressa.
— Ha, merd…
Como as emoções não se controlavam a seu bel-prazer, sem se dar conta ele emitiu um som agudo. Agarrou a mão direita de Yejun, que lhe segurava a cintura, e o arrastou para a sala. Os sapatos, arrancados com brutalidade, rolaram para todo lado, mas Sihu não lhes dedicou sequer um olhar.
— Tira.
Depois de dizer isso, Sihu também tirou o casaco que vestia. Yejun tirou a roupa com o olhar fixo no colete que apertava agradavelmente a cintura de Sihu. As roupas frias com cheiro de inverno caíram no chão, uma a uma. Diante de Yejun, que vestia só a calça, Sihu contraiu o pomo de adão.
De repente a garganta coçou. Quando o desejo, em vez da calma, encheu por completo sua cabeça, Sihu sentiu o impulso de preencher com alguma coisa a garganta coçando. Com aquilo longo e grosso, de veias que despontavam medonhas. Foi por isso que, de repente, se inclinou e arrancou a calça de Yejun.
— …Hyung.
A voz de Yejun que murmurava também estava empapada de excitação. Quando baixou o zíper da calça e tirou as ceroulas, junto com um cheiro intenso de corpo surgiu o sexo ereto e firme. Vendo a glande que reluzia límpida e úmida, a garganta apertou e o fôlego quase faltou. A lembrança de um dia ter sido trespassado por aquilo até a úvula ganhou vida.
— Hyung.
Yejun chamou mais uma vez e sobrepôs a mão às costas da mão de Sihu. Nos olhos castanhos que olhavam para baixo havia a pergunta “o que você está fazendo?”. Sihu respondeu abrindo a boca na direção do sexo.
Mas o que lhe entrou na boca não foi o pau, e sim um punhado de ar. Pouco antes de os lábios vermelhos tocarem a carne, Yejun recuou.
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(Continua na parte 5)
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna