•.¸ ♫ Capítulo 07.2
7. Smorzando (Parte 2/5)
[Se estiver mal, vá ao médico.]
Yu Yejun [hyung]
Yu Yejun [Eu já disse que estou bem de verdade.]
Na mensagem que respondia de imediato transparecia um jeito sem graça. Sihu sorriu, dobrando os olhos que se curvavam com naturalidade. Sorrindo lânguido, ele vestia um traje impecável. Camisa branca, gravata com borda dourada e um colete preto que apertava firme a cintura. Abaixo disso, as pernas em calça social se estendiam longas.
O funcionário que recebera o casaco se curvou com cortesia e o conduziu. Sihu seguiu atrás dele com familiaridade. No corredor silencioso, o som dos sapatos ressoava de modo ameno.
O funcionário parou diante de certa porta de correr e bateu de leve. Em seguida, no instante em que abria a boca como se fosse dizer algo, a porta se abriu primeiro. Quem estava lá dentro acenou até com a mão, recebendo Sihu. Era seu irmão, Baek Sihyeon.
— Entra. Passou aperto pra vir com esse frio.
Pouco depois, a porta se fechou e os dois irmãos ficaram frente a frente, sentados sobre almofadas de seda. Sihu, que não dissera nada até o funcionário sair, abriu a boca tardiamente.
— Chegou cedo.
E, ao dizer isso, examinou distraidamente a roupa do irmão. Vestido do mesmo modo, num traje social, a gravata marrom e o colete realçavam sua impressão asseada. Sobretudo, o alfinete que ornava a gravata, feito de granada e ouro, caía perfeitamente para dar um toque de destaque.
Com o olhar fixo na granada que reluzia sob a luz, Sihu emitiu um “hum” grave. Vendo que o olhar continuava a ser atraído, parecia estar na hora de comprar um novo alfinete de gravata. Enquanto ele considerava vários modelos, o irmão assentiu com a cabeça e respondeu.
— Acabei chegando cedo por acaso. Ah, o pai também disse que chega logo. Acabou de entrar em contato.
— …
— A propósito, Sihu, você sabe por que o pai chamou a gente, não sabe?
Sihu retirou o interesse do alfinete e fitou os olhos do irmão. Quando lhe lançou um olhar de “como assim?”, o irmão o encarou como se um pouco surpreso e então sorriu.
— Ah, você não sabia. Com razão estava calmo demais.
Apesar do tom gentil, algo se retorceu ligeiramente por dentro. De algum modo incomodado, Sihu apertou entre as sobrancelhas.
— E você? Sabe por que ele chamou?
— Sei, sim.
— …Sabe?
— É, parece que ele só contou pra mim. Como eu posso passar pra você, então…
O irmão acrescentou um pedido de desculpas, do tipo lamentando não ter podido avisar antes. Sihu, com olhos apáticos, ergueu apenas um dos cantos da boca. Não era nada de mais que o surpreendesse, nem que o irritasse. O pai, atarefado com os negócios, sempre notificava só o irmão desse jeito.
— O motivo de ter chamado é…
Nesse instante, o som de uma batida ressoou dentro da sala. Os irmãos, que viraram a cabeça ao mesmo tempo, logo se levantaram. Ao abrir a porta, quem surgiu foi o pai dos dois.
Diferente dos filhos em trajes sociais, o pai vestia roupas cinzentas de montanhismo. Ostentando ombros largos e um tronco robusto que saltavam aos olhos, o pai soltou um riso grave.
— Por que se arrumaram tanto assim?
E então fez um sinal com os olhos ao chefe de gabinete e aos seguranças que estavam atrás dele. Bastou um único sinal para que as pessoas, entendendo a intenção, se retirassem depressa. O pai, presidente Baek, fechou ele mesmo a porta e sentou-se ao lado do irmão.
— Da próxima vez venham à vontade. Tsc, tsc, uns cabeças-duras. Se fosse o Doyeong, teria vindo com uma jaqueta acolchoada por cima e pronto.
Sem que sua expressão mudasse nem um pouco, Sihu retrucou.
— O Doyeong exagera na medida.
— Isso é verdade. Aquele pirralho é do contra mesmo. Bom, esse lado dele é até fofo, não é?
— …
— Não precisa que os três filhos sejam todos exemplares. É preciso ter um caçula desses pra dar sabor à vida, ora, ora.
Sem se identificar muito com aquilo, Sihu apenas baixou os olhos. O irmão, de bom feitio, concordou em seu lugar com um “é fofo, sim”. Graças a isso, num clima já mais leve, o presidente Baek tirou o blusão de montanhismo.
— Aquele presidente Gi, disse que gostava de montanhismo, mas era tudo mentira. Nem chegou à metade do topo e já ia desabando. Tsc, tsc, um homem que é presidente de uma empresa, com o físico tão fraco assim.
— O senhor foi fazer trilha com o presidente Gi?
O presidente Baek assentiu à pergunta do filho mais velho. Depois bebeu o chá de um só gole e fitou Sihu. Sob as sobrancelhas grossas, os olhos reluziam afiados como uma lâmina bem amolada.
No olhar que esquadrinhava o rosto do filho havia a intenção de procurar por algo. Sihu recebeu aquele olhar do pai com serenidade. Ao guardar um silêncio decoroso, o pai desenhou um sorriso sem som. Era um riso do qual não se podia ler a emoção.
— Hum.
— …
— Nosso Sihu tem boa aparência, isso tem.
Dizendo algo de sentido incerto, o pai assentiu. Sihu, sob o olhar que tocava sua face e seguia para a linha do queixo e os ombros, ergueu o bule de porcelana. Sobre a taça vazia, o chá caiu traçando uma parábola.
— Está se virando bem sozinho, não está?
Uma voz mais suave roçou os ouvidos de Sihu. Era uma pergunta afetuosa, dessas que só se faria a um universitário que acabara de começar a morar sozinho.
‘…Essa agora.’
Não era como se tivesse acabado de se emancipar. Nem fazia anos que não via o rosto do pai. Morava sozinho havia mais de seis anos e, nem três dias antes, tinham se encontrado a trabalho.
Mesmo quando conversaram na sala da presidência, nada de significativo fora percebido. Aquele pai, de repente, agia de modo bem suspeito. Recordando o olhar que parecia observá-lo, Sihu inclinou a cabeça.
Ao ostentar sem disfarce uma expressão de “não entendo”, o sorriso do pai se adensou. Longe de se incomodar, era um rosto onde transparecia um orgulho indecifrável. A desconfiança começou a apertar ainda mais o peito de Sihu.
— É que seu rosto parece abatido.
— …
— Morar sozinho é cansativo, não é?
Seria a intenção de mandá-lo voltar para a casa da família? Os olhos de Sihu se estreitaram. No ar, os olhares de pai e filho se chocaram com um estalo.
Os dois, de aparência surpreendentemente parecida, tinham também a personalidade em que mais se assemelhavam um ao outro. Era por isso que, mesmo trocando olhares carregados de dúvida, nenhum dos dois revelava logo o que trazia por dentro.
— A comida precisa sair logo, não é? Depois de ir até a montanha e voltar, o senhor deve estar com fome.
Também dessa vez quem abrandou o clima foi o irmão. Ao puxar conversa com um timbre desanuviado, o pai retirou de Sihu o olhar com que o fitava.
— Vocês depois levem um pote disso cada um.
— Disso?
— Chá fermentado. Chá de folhas de pinheiro que o próprio monge superior preparou, dizem que faz muito bem à saúde. Mesmo jovem tem que cuidar da saúde, senão sofre na velhice.
E então o presidente Baek fechou a boca como que pensativo. No rosto ainda bonito apesar da idade despontou uma expressão sutil.
— …Tem a mesma idade do Sihyeon, não é? Falo do secretário Yu.
Se era o secretário Yu, sem dúvida se referia ao namorado mais velho de Doyeong. Sihu percebeu que não havia emoção negativa no murmúrio do pai. E então o sorriso soberbo de Doyeong no Ano-Novo Lunar lhe veio à mente com naturalidade.
— Aquele rapaz também mora sozinho, preciso mandar algo pra ele. Hum, não sei o que seria bom. O que dar para gente da idade de vocês…
Diante daquilo, o irmão e Sihu trocaram olhares. Sihu percebeu que o irmão ficara não pouco surpreso. Era uma reação de quem não imaginava que o pai tivesse aberto tanto assim o coração.
— Ah, ha, ha, ha!
O irmão irrompeu num riso sem jeito e subiu a voz uma oitava.
— O senhor vai dar um presente? Não imaginava que nosso pai visse o Yeonu com tão bons olhos, hahaha.
O presidente Baek ergueu apenas um dos cantos da boca, como se achasse graça.
— Que foi? Achou que eu ia ser contra?
— Posso falar com franqueza?
— Fala aí.
— Achei que o senhor ia demitir o Yu Yeonu na hora. Ou ia bater na casa dele e jogar um maço de dinheiro, dizendo “termine com o meu filho”…
— Não sei a quem meu primogênito puxou pra ter uma imaginação tão fértil.
E então o presidente Baek voltou o olhar novamente na direção de Sihu.
— Não é, Sihu? Seu irmão tem cada ideia engraçada, ora, ora.
— …
Em vez de responder, Sihu apenas baixou o olhar. Enquanto ele silenciava, os pratos começaram a subir à mesa, um a um. Enquanto os funcionários de hanbok carregavam as travessas com comida, o presidente Baek passeou os olhos pelos filhos. Como antes, era um olhar que parecia sondar algo.
— Pois é.
Só depois que as pessoas se retiraram o presidente Baek abriu a boca.
— Não é que tenha gostado desde o começo. Não é que eu não tenha pensado que a família dele era comum demais. Por isso cheguei a cogitar ser contra.
O rosto com que ele erguia primeiro os hashis para pegar um bocado estava sereno.
— Bem, mas… Conversando com a mãe de vocês, veio-me também este pensamento. Será que os três filhos precisam se envolver com gente de família rica? Hum, é cansativo. É uma coisa que cansa muito. Os jornalistas vão ficar espalhando que os ricos se dão bem entre si. E não é só isso. Vai ter que ficar toda hora bajulando a família do outro lado, também.
Sihu e o irmão não ergueram os hashis. Mesmo com a ordem do pai para comerem, os dois filhos apenas ficaram parados. O presidente Baek mastigou e engoliu devagar antes de tornar a separar os lábios.
— Pensei que, em vez de gente rica e prepotente, tudo bem conhecer alguém como o Yu Yeonu. Um rapaz que cresceu esperto numa família comum. Como é alguém capaz, há de dar bom respaldo ao Doyeong.
Em meio ao silêncio sereno, ele acrescentou vagarosamente a última frase.
— Um só está de bom tamanho.
Sihu engoliu um riso débil diante daquela frase. ‘Um só está de bom tamanho’, é. No fim, esta questão significa que era um privilégio só de Baek Doyeong. O precioso caçula, criado com liberdade. Não teria querido dar esse caçula de garantia a outra família rica.
‘E se fosse eu, ou o Sihyeon-hyung? Ainda assim o senhor aceitaria?’
O outro Sihu, dentro do coração, murmurou em tom de deboche. Não tinha a intenção de, de propósito, soltar aquela pergunta e tornar o clima carrancudo.
Por isso Sihu assentiu em silêncio e depois tomou um gole de chá. O retrogosto do chá que rondava a boca era amargo.
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(Continua na parte 3)
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna