•.¸ ♫ Capítulo 06
•.¸ ♫ Capítulo 6. Amabile
Amabile: de forma amável
Dizia-se que a residência do presidente Baek, do Grupo Sangwon, fora projetada por um arquiteto famoso. Era uma construção magnífica, mesmo à primeira vista. O prédio cinza-escuro, feito de vidro temperado que não permitia ver o interior, exalava uma atmosfera fria, porém requintada.
Diante dele, pinheiros e juníperos estavam plantados ao redor de um lago. Contemplando as folhas dos pinheiros que ostentavam seu verde mesmo no auge do inverno, Sinu moveu os dedos. Seus dedos brancos e elegantes se dirigiram justamente ao próprio pescoço.
Pressionando vários pontos do pescoço com o polegar, ele estreitou os olhos. Quando a ponta dos dedos tocou o pomo de adão saliente, um calor estranho subiu. O que lhe veio à mente enquanto o acariciava era um rapaz mais novo que ele.
Para ser mais exato, estava relembrando o sexo oral que tivera com ele havia poucos dias. O tom de voz baixo que praguejara “merda”, a força com que agarrou seus cabelos, e o pau que entrara até seu esôfago, impedindo-o até de fechar a boca. Tudo estava vívido como se fosse ontem.
Pressionou, pressionou.
A força na mão que apertava o pomo de adão aumentou. Uma leve dor surgiu e, ao mesmo tempo, ficou um pouco difícil respirar. Com o rosto inexpressivo, Sinu pensou calmamente.
‘Assim vou acabar ficando duro.’
Era algo que as pessoas ao redor ficariam horrorizadas se soubessem. Sinu abaixou a mão e soltou um longo suspiro. O vapor tênue subiu para o céu e desapareceu num instante.
Surpreendentemente, o momento em que sua garganta fora violentamente violada não fora desagradável para Sinu. A violência com que ignorara sua tentativa de empurrá-lo e continuara a estocadas, a presença do pau que roçara sua língua e o céu da boca, preenchendo o buraco com força, haviam sido muito boas. Era por isso que ele relembrava aquela ocasião bem diante da casa dos pais.
Sentindo a dor e o prazer se espalharem, Sinu examinou a própria mão. Enquanto fitava a palma marcada pelas linhas, lembrou-se do que Yejun dissera naquele momento.
— Nunca mais vou fazer isso.
— Esse tipo de coisa… prefiro morrer a fazer de novo. É sério.
— …Não me odeie.
Embora tivesse mantido a indiferença, na verdade, Sinu ficara bastante perturbado ao ouvir aquelas palavras. O fato de ter se excitado com “esse tipo de coisa” o atingira em cheio. O choque, como se ele mesmo tivesse se tornado um masoquista, fez seu coração palpitar violentamente.
Ruminando a perplexidade daquele momento, Sinu franziu levemente a testa.
— Será que sou idiota?
Ele murmurou sozinho, baixando a voz a um nível que ninguém pudesse ouvir.
— Você também. Eu também.
Você, que se desculpou sem nem perceber que o outro estava excitado. Eu, que não tive coragem de sugerir fazer de novo, embora tivesse gostado de ser penetrado até o fundo da garganta. Para uma relação que começou com a intenção de ter sexo prazeroso, ambos acabaram agindo como tolos.
É claro que Sinu sabia muito bem que poderia entrar em contato agora e dizer a verdade. Não era difícil. Bastava enviar uma única mensagem.
[Vamos fazer igual da próxima vez.]
O motivo de não conseguir propor isso era porque a preferência que havia descoberto de repente ainda o deixava confuso. Sua preferência seria chupar, e não ser chupado? Não conseguia entender a si mesmo, que havia gostado de ser penetrado até quase perder o fôlego.
— …
Com os lábios trêmulos, Sinu mergulhou novamente no silêncio. Apesar do rosto impecável, suas pálpebras levemente trêmulas estavam carregadas de perturbação.
— Hyung.
Com o chamado repentino, embora por um instante, ele esqueceu como respirar. Sinu apenas arregalou os olhos e olhou para trás.
— Por que está tão surpreso?
Quem o fez lembrar de Yoo Yejun era outra pessoa que ostentava pernas longas. Um homem de cabelo castanho encaracolado e olhos curvados como os de uma raposa, que eram seu charme.
Em vez de responder, Sinu observou calmamente a roupa do homem que se aproximava. Por cima do moletom, uma jaqueta branca acolchoada; por baixo da calça jeans, tênis. Além disso, estava adornado com vários acessórios, como piercing, pulseiras e anéis. Com um visual completamente oposto ao de Sinu, que estava de terno da cabeça aos pés, ele parecia infinitamente livre.
Para o homem que inclinava a cabeça, Sinu chamou baixinho pelo nome.
— Baek Doyoung.
Baek Doyoung. Irmão de sangue de Sinu, seu irmão mais novo. Doyoung aproximou-se sem cerimônia e cutucou o irmão com o cotovelo. Uma ação que seria impensável para qualquer outro, ele fazia com a maior naturalidade.
— Está frio, o que você está fazendo aí parado sozinho?
— …Pensando.
— Pensando? O quê? Pensando no namorado?
Assim que terminou de falar, Doyoung soltou uma risada leve, “haha”. Uma reação que indicava que ele mesmo achava graça do que dissera.
Percebendo imediatamente que era uma piada, Sinu ignorou naturalmente a pergunta. Enquanto ele andava, Doyoung o seguiu e sorriu de forma dissimulada.
— Desamarre essa cara. Faz tempo que não nos vemos, não está feliz?
— Faz tempo? Quanto tempo faz desde que nos vimos na reunião?
— Pessoalmente, faz tempo. Quem vê pensa que somos colegas de trabalho, não irmãos. Ficamos nos encontrando só em situações de negócios.
Sinu desviou o olhar para o irmão mais novo, que falava com desleixo.
— Então arrume tempo.
— Hm?
— Arranje tempo, Baek Doyoung. Como você mesmo diz, para nos vermos pessoalmente com mais frequência.
— Isso é piada?
— Parece piada?
Naturalmente, era piada e da boca para fora. Era apenas uma forma de provocar o Doyoung, que fazia drama como se sentisse falta.
Escondendo seus verdadeiros sentimentos, Sinu o fitou fixamente com uma expressão impassível. Então, Doyoung deu de ombros levemente, com um “ai ai”.
— Na verdade, estou muito ocupado ultimamente.
— Já imaginava.
— Se já imaginava, por que mandou eu arrumar tempo? Bem, é verdade que estou ocupado de verdade. Queria que o dia tivesse 48 horas, sério.
Havia até um prazer estranho nas últimas palavras. Mesmo sem ninguém perguntar, Doyoung tagarelava: “Estou tão ocupado que vou morrer. Muito ocupado, mesmo”. De seu tom alegre, transparecia um sinal sutil de que ele queria se gabar. Com o ar animado como o de uma criança, Sinu franziu o cenho.
— Quando a família estiver reunida, contarei do que se trata.
— Não estou curioso.
— Fique um pouco curioso. Como uma pessoa pode ser tão fria assim?
— …
— Tem gente que é louco pelo irmão mais novo. Vive ligando para o irmão para saber como ele está. Morre de amores por ele, é um amor só.
Sinu fechou a boca com firmeza, como quem diz não ter a menor curiosidade. Quem quer que gostasse ou não do próprio irmão, o que isso tinha a ver com ele? Pelo que dizia, nem parecia ser alguém que ele conhecesse.
Observando o segundo irmão que caminhava calado, Doyoung riu sozinho, em voz alta. Seu rosto, excitado e vermelho, com uma expressão meio desmiolada, era incômodo.
‘Não vai estar usando drogas, vai?’
Com esse pensamento, Sinu examinou Doyoung minuciosamente da cabeça aos pés. Mesmo com o olhar afiado, Doyoung, longe de se perturbar, apenas ria à toa.
— Por que está me olhando assim?
— …
Não importa como olhasse, era suspeito. Tinha o pressentimento de que o garoto ia aprontar alguma. Desejando que seu pensamento estivesse errado, Sinu franziu a testa.
‘Dispenso um irmão drogado.’
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Pouco depois, Sinu descobriu que seu irmão não era um drogado. Embora fosse um alívio, em seu rosto não havia sossego, mas sim uma expressão de estupefação. Com as costas eretas, Sinu olhou ao seu redor.
— …
— …
— …
Os outros três, em silêncio, eram todos membros da família de Sinu. O pai, de olhos arregalados, mostrava claramente sinais de perplexidade. Uma aparência que não condizia com um empresário que sempre exalava solenidade com seu típico rosto impassível. A mãe, sentada ao lado, mexia os lábios como se fosse dizer algo, mas acabou não dizendo nada.
Enquanto os pais estavam perplexos, o irmão mais velho também pressionava as têmporas com as mãos. Pelas pupilas trêmulas, era evidente que ele também estava perturbado. Depois de examinar os familiares surpresos, Sinu dirigiu a palavra a Baek Doyoung, que estava de pé sozinho.
— Essa é a sua saudação de Ano Novo Lunar?
Doyoung encheu o rosto bonito de um sorriso. O sorriso radiante e belo era como o de um protagonista de filme romântico.
— Sim, por quê? Tem algum problema? A senhora pediu para eu contar como andava. Foi só o que eu fiz.
— …Repita o que acabou de dizer.
— Claro.
Embora pudesse ficar constrangido com a voz pesada, Doyoung não pareceu se importar nem um pouco. Pelo contrário, acenou com a cabeça de bom grado e olhou para os familiares sentados no sofá. Sinu testemunhou claramente o momento em que seus olhos brilharam como pedras preciosas.
— Eu estou namorando alguém. Estou num relacionamento sério, e amo muito essa pessoa. Agora eu gostaria que todos da família soubessem, por isso estou contando.
O irmão mais velho tossiu alto, “cof!”. Em seguida, olhou para o caçula com incredulidade e franziu a testa.
— Você está brincando muito bem, Baek Doyoung. Quase acreditei que era verdade.
— …
Doyoung apenas sorriu sem dizer nada. Então, baixou os longos cílios e balançou a cabeça de leve. Surpreendentemente, um ar de timidez transpareceu em suas bochechas levemente coradas e nos olhos suavizados.
Ao ver Baek Doyoung, sempre brincalhão, mostrar uma aparência séria, todos da família abriram a boca. Sinu também percebeu instintivamente que Doyoung não estava mentindo.
Sentiu o olhar do irmão mais velho em sua bochecha. Quando virou a cabeça, o irmão perguntou com a boca: ‘Você sabia?’ Sentindo o ar que se tornara delicado, Sinu expressou com o olhar que era a primeira vez que ouvia aquilo.
O pai, que ficara calado por um bom tempo, levantou-se primeiro. A mãe, que se levantou em seguida, tocou as costas do pai e sussurrou algo. Em seguida, ambos olharam para Doyoung ao mesmo tempo.
— Doyoung, venha cá um instante.
Mesmo com o chamado seco do pai, Doyoung, em vez de se encolher, apenas teve o semblante iluminado. Os lábios de Doyoung, que saiu imediatamente atrás, ainda traçavam uma curva. Olhando para as nucas da família que desapareciam rapidamente, Sinu acariciou de leve seu próprio maxilar anguloso.
‘Disse que estava ocupado.’
Afinal, era ocupado namorando. As palavras de Doyoung ainda ecoavam em seus ouvidos.
— Eu estou namorando alguém. Estou num relacionamento sério, e amo muito essa pessoa.
Amor.
A sinceridade contida naquela palavra parecia irreal. Logo o Baek Doyoung, entre todas as pessoas?
Sinu conhecia bem que tipo de pessoa era seu irmão mais novo. Ele sempre tinha um sorriso gentil e afável, mas não era do tipo que preferia relações profundas com alguém. Especialmente, nem sequer se interessava por namoro, e era do estilo que preferia se envolver fisicamente com várias pessoas a gostar de alguém.
Tinha trocado de parceiros sexuais inúmeras vezes. Um garoto que curtia relações sexuais de forma tão leve e instantânea, de repente, o quê?
— Amor?
Seu murmúrio solitário carregava perplexidade. Lembrando do rosto de Doyoung, sem nenhum traço de brincadeira, Sinu balançou a cabeça. A palavra “enlouqueceu” saltou à sua garganta e rondou a ponta de sua língua. Um instante antes de soltá-la, o irmão mais velho emitiu um som vazio.
— Ainda assim, entre nós três, ele é o melhor. Encontrou alguém para amar e tudo mais.
Quando Sinu franziu a testa, um sorriso surgiu nos lábios do irmão mais velho.
— Por quê?
— Não sabia que você era uma pessoa tão romântica. Não ouviu agora há pouco? Ele disse que a pessoa é o secretário, e ainda por cima um homem seis anos mais velho.
Sinu moveu as pupilas na direção para onde seus pais e Doyoung haviam desaparecido.
— Será que o pai e a mãe vão aceitar?
— Vão aceitar, é claro.
Assim que ouviu isso, Sinu voltou o olhar para o irmão.
— Ele é o caçula, afinal.
O irmão abanou levemente a mão direita e acenou com a cabeça.
— Você sabe muito bem que nossos pais são bobos pelo Doyoung. Se fosse você ou eu, não sei, mas não vão conseguir quebrar a teimosia dele.
— …
— Pelo contrário, podem até apoiá-lo. Além disso, essa pessoa que ele gosta tanto é o senhor Yoo Yeonwoo. Bem, todos sabemos que Yoo Yeonwoo é competente, e também…
Sinu perdeu a concentração. Foi porque a frase “se fosse você ou eu, não sei” ficou ecoando em seus ouvidos.
O argumento do irmão fazia muito sentido. Seus pais eram especialmente indulgentes apenas com o caçula, Baek Doyoung. Foi assim quando Doyoung partiu de repente para os Estados Unidos, e também quando, mais tarde, ao voltar, causava problemas. Até nas reuniões importantes em que o terno era obrigatório, Doyoung aparecia de jeans como forma de rebeldia, mas os pais apenas estalavam a língua, sem repreendê-lo além disso.
— Você acha que ele nos ouviria se falássemos?
Embora fosse um tom que soasse levemente cansado, transbordava amor e compreensão pelo caçula.
— …Sim, não foram uma nem duas vezes que foi assim.
— Viu?
— …
— Ele vai convencê-los, o Doyoung. Aquele moleque fala bem, não é?
Na voz do irmão, havia um riso de resignação. Sinu, de boca fechada, acariciou o braço do sofá. Não era que pensasse isso ou aquilo sobre o favoritismo. Sabia que pais idosos não mudariam de repente, fizesse o que fizesse. Agora, já passado dos trinta, também não queria agir como uma criança.
Mesmo assim, por que sentia aquele descontentamento?
— Por que essa cara?
O irmão, que lera a expressão de Sinu, piscou os olhos. Então, fez um som incompreensível, “Ora, você”, e se aproximou.
— Por acaso… está namorando?
Mas o que era isso agora?
— O quê?
— Perguntei se você está namorando. Não é por isso que está preocupado por dentro? Com medo de que nossos pais se oponham a você?
— …
— Por que não diz nada? É sério?!
O irmão, que de repente falava alto, parecia estar muito animado. Sinu o examinou sem esconder a expressão de estupefação.
— …Não vale a pena dizer.
— Ah, qual é. Não é mesmo?
Sinu acenou com a cabeça assim que a pergunta terminou. Em seu rosto calado, não apareceu a menor perturbação. Percebendo que era sincero, o irmão abanou a mão, como se tivesse perdido o entusiasmo.
— Até onde você estava imaginando, afinal?
— Quer ouvir? Baek Sinu namorando uma pessoa comum em segredo. Sem saberem, os pais apresentam alguém de uma família empresária. Num encontro arranjado forçado, Baek Sinu diz que tem namorado e acaba com o encontro…
— Você se empolgou.
Murmurando com enfado, Sinu engoliu um suspiro. Namoro. Só de pensar, já se cansava. Mesmo ocupado em se concentrar apenas em si mesmo, ser amarrado a uma relação tão profunda era algo que recusava.
Naturalmente, o rosto de Yejun foi desenhado diante de seus olhos. A razão pela qual conseguia não investir mais energia do que o necessário naquele garoto. Sinu sabia claramente que era porque não havia nenhum sentimento amoroso misturado.
— …Não me odeie.
A voz cautelosa ecoou em seus ouvidos. A bochecha corada, os olhos levemente caídos, e até a pinta de lágrima que, naquele dia, criava uma sensação triste, tudo foi pintado em sua mente. Exatamente como um cachorrinho que cometeu um grande erro, Sinu sorriu sem emitir som. O mal-estar sobre a situação atual diminuiu, e o prazer arranhou suavemente a ponta de seus dedos.
— Os hyungs ainda estão sentados aqui?
Naquele momento, Doyoung apareceu sozinho. Caminhando lentamente, ele viu os dois irmãos e acenou com a cabeça. Com a reação incompreensível, Sinu observou o ar do caçula. E não demorou muito para perceber que Doyoung estava reprimindo a alegria.
Como esperado, Doyoung sorriu, curvando os olhos redondos. O que brilhava em suas pupilas em forma de lua crescente era uma sensação de vitória.
— Baek Doyoung.
Levantando-se, Sinu ajeitou levemente a gravata. A voz que se seguiu era impassível.
— Vamos lá fora conversar.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna