•.¸ ♫ Capítulo 05
•.¸ ♫ Capítulo 5. Crescendo
Crescendo: cada vez mais forte
Sua condição, composta pela tensão adequada e pela dose certa de tranquilidade, era excelente. A ponto de ele nem se lembrar de quando havia se sentido tão bem pela última vez.
Olhando para o tablet no colo, Sihu ostentava uma expressão de satisfação. Os gráficos e textos na tela de cristal líquido eram um relatório que evidenciava um desempenho perfeito.
— O que é isso?
Enquanto revisava o conteúdo do relatório, uma voz familiar lhe fez uma pergunta. Sentado no sofá da sala, Sihu apenas ergueu o olhar. Logo, um sorriso foi se espalhando lentamente por suas pupilas negras. A pessoa que acabara de visitar a casa de Sihu estava com o olhar fixo em algum ponto.
— É um piano.
Quando respondeu com sua voz sem altos e baixos, o perfil do outro se franziu levemente. Quem começou a falar com um “não é isso”, Yejun, logo encontrou o olhar de Sihu.
— Eu perguntei por que tem um piano na sua casa, hyung.
Como Yejun dissera, um piano de cauda estava colocado na sala. Tendo como pano de fundo as cortinas escuras e a paisagem noturna do Rio Han em Seul, o piano era belo como uma foto que ocuparia uma página de revista.
— Você gosta de tocar piano, não é? Mandei colocá-lo aqui para você tocar sempre que estiver entediado.
— Você comprou algo tão caro assim… por minha causa?
Sihu não teve dificuldade em ler a perplexidade e a expectativa contidas nas palavras “por minha causa”. No momento em que ia responder que sim, seus olhos tremeram. As palavras que logo escaparam de seus lábios haviam se tornado estranhamente diferentes do que pretendia dizer originalmente.
— Comprei por nossa causa. Você gosta de tocar, Yejun, e eu gosto de ouvir.
— Ah.
— Não é para pressioná-lo. Se não quiser tocar, não precisa.
— …Não, não é que eu não queira. Gosto.
Aproximando-se do piano, Yejun inspirou profundamente. Seja lá o que estivesse pensando, um sorriso sutil pairava em seus lábios. Ele dirigiu o olhar para Sihu e emitiu uma voz com tom de riso.
— Gosto muito.
Um piano de cauda e Yoo Yejun, um par que combinava muito bem. Uma cena se desenhou naturalmente em sua mente. Uma plateia aplaudindo e Yoo Yejun agradecendo, tendo o piano às suas costas. O pianista, com um rosto mais maduro do que agora, vestia um caro fraque em vez do sobretudo que exalava o ar frio do inverno.
Sihu pressentiu, com indiferença, que sua imaginação seria um futuro não muito distante. A música de Yejun era especial. Pessoas que seriam cativadas por seu mundo, que estimulava o coração e fazia cócegas pelo corpo todo, certamente não seriam apenas ele. Sihu dirigiu a palavra ao jovem que um dia avançaria para um mundo maior.
— Aproveitando a oportunidade, que tal mudar de sala de prática?
— Sala de prática?
— Eu a patrocino. Vá para um espaço mais amplo e melhor.
Tanto como pianista quanto como parceiro sexual, Yejun era como uma pedra bruta. Um garoto que brilhava mais quanto mais fosse lapidado e polido. Poder domar Yejun como quisesse lhe agradava muito. Era por isso que oferecia patrociná-lo e fornecer uma sala de prática.
Yejun piscou lentamente. Com a cabeça virada para o lado, seu rosto absorto em pensamentos tinha um traço amargo, mas não parecia irritado. Sihu ergueu obliquamente os cantos dos lábios.
— Ainda bem.
— ?
— Que bom que você não está bravo. Pensei que fosse odiar de novo, achando que estou esbanjando dinheiro.
Yejun, que ouvira quieto, soltou uma risada baixa. E, movendo os passos em direção a Sihu, que estava sentado, abriu a boca.
— Não estou bravo. Agora, só me vem este pensamento.
— Que pensamento.
— Ah, então é isso que é ser rico.
Rico? Sihu fitou o jovem que estava parado calmamente e estreitou os olhos. Passou pela sua mente a suspeita repentina de que talvez Yejun tivesse descoberto mais detalhes sobre a pessoa de Baek Sihu.
Sobre sua família, ou os negócios que conduzia. Eram informações que apareceriam com uma simples busca pelo nome em qualquer site, então não seria estranho se Yejun já tivesse descoberto.
— Você é rico, não é?
Como teria interpretado o olhar de Sihu? Yejun inclinou a cabeça de lado. Seu cabelo castanho despenteado roçou suavemente a testa.
— Dá para perceber só de ver esta casa.
— …Percebeu só de ver a casa?
— Dá para saber pelo jeito que o hyung fala e pelas roupas também.
A fala tranquila soou muito pura aos ouvidos de Sihu. Acabou rindo, e então Sihu percebeu o tipo de sentimento que nutria.
Ele desejava que aquele garoto de rosto radiante não soubesse muito sobre si mesmo. Embora já se passasse mais de um mês desde que se conheciam, e soubesse que Yejun um dia veria suas informações que sempre apareciam na internet e nos noticiários.
‘Porque é fofo.’
Porque aquele rosto que só piscava os olhos sem saber de nada era fofo. Sihu emitiu uma voz afetuosa sem perceber.
— Sim, eu sou rico. É verdade que tenho muito dinheiro, então entenda e aceite meu presente.
— Presente, quer dizer a sala de prática, certo? Desculpe, mas acho que não vai dar.
— Você disse que não estava bravo.
— Não estou bravo. Mesmo assim, vou recusar. Aquela sala de prática é um lugar especial para mim, do meu jeito.
— Especial?
— É um espaço que consegui com o prêmio do último concurso.
Na voz tranquila, havia a intenção de fazê-lo saber que realmente não estava zangado. Yejun deu mais um passo à frente. Era uma distância em que se Sihu levantasse a perna, eles se tocariam.
— Tanto o apartamento quanto a sala de prática. Conquistei tudo sozinho. Me sinto bem por ter conseguido tudo com meu próprio esforço. Ganhei confiança de que, se eu melhorar mais, poderei alcançar ainda mais coisas.
Pensando nos quartos que transbordavam o afeto do dono, Sihu mostrou um olhar de compreensão. Yejun acenou com a cabeça: “Sim”.
— Como é um espaço que conquistei com muito valor, não quero me mudar agora. Mas obrigado, nunca imaginei que o hyung fosse chegar a ponto de dizer que me patrocinaria.
— Por quê?
— …Porque eu sou apenas o parceiro sexual do hyung, não é?
Ele murmurou com um tom surpreendentemente diferente da voz firme de até então. O sussurro, seco mas que exalava sutilmente uma emoção agridoce, cutucou o peito de Sihu. Lamentavelmente, ele não sentiu remorso.
— Repita essa palavra que você acabou de dizer.
— O quê?
— Se-xo.
Quando pronunciou claramente, separando por sílabas, o corpo de Yejun estremeceu. Parecia que, embora ele mesmo tivesse falado primeiro, ficou envergonhado ao ouvir da boca alheia. Observando a orelha que ficava vermelha, Sihu ergueu os lábios.
— É obsceno, ouvindo na sua voz, Yejun.
Depois de falar, Sihu inclinou o tronco para frente. E quando olhou fixamente como se dissesse “vamos, diga”, Yejun desviou o olhar apressadamente. Até o seu perfil, que fitava o inocente piano, estava tingido de vermelho.
Ele queria pousar a palma da mão naquelas bochechas. Certamente estariam quentinhas como uma batata bem assada.
Ao pensar em batata, sua boca se encheu d’água. Sentiu até um impulso violento de se aproximar de repente e morder a bochecha dele. Mas como certamente Yejun o olharia como um louco, Sihu, em vez de agir, riu baixinho.
— Por que está rindo?
— Porque Yejun parece mesmo uma batata.
— Ba… tata?
Yejun puxou a própria bochecha, onde o rubor ainda não desaparecera, e murmurou como se falasse sozinho.
— Mas eu não estou gordo.
Aparentemente, ele achou que seu rosto estava parecendo redondo. Longe de estar gordo, a linha que descia da bochecha ao queixo era apenas afiada.
Sihu levantou-se e tocou o rosto dele com os dedos. Como esperado, a pele que tocou estava cozida no ponto certo. Uma sensação de cócegas percorreu seu pulso e fez todo o corpo formigar. Com o rosto inexpressivo, mas na verdade carregado de travessura, Sihu pressionou a bochecha com o dedo.
Pressionou.
Com a bochecha pressionada, Yejun o olhou fixamente. Com uma expressão de “o que está fazendo?”, Sihu respondeu gentilmente.
— Estou verificando se está bem cozida.
— Está realmente me tratando como uma batata.
— É porque você é fofo.
— …Pfft! Hahaha!
— ?
O que é isso, de repente. Vendo os olhos brilharem de alegria, Sihu estremeceu. O outro estava com um rosto exatamente igual ao de um cachorro que ouve a palavra “vamos passear”. Sentindo-se um pouco sobrecarregado, ele abaixou o dedo que pressionava a bochecha.
— Por que está rindo de repente…
Foi subitamente abraçado. Abraçado sem querer, Sihu arregalou os olhos.
— É que agora eu já sei.
— Sabe o quê?
— Que quando o hyung diz que eu sou fofo, é um elogio. No começo, fiquei um pouco irritado porque parecia que você estava me tratando como criança, mas agora não.
— …
— Continue me achando fofo no futuro.
Ele estava pedindo, com a própria boca, para ser achado fofo. Tendo perdido momentaneamente as palavras, Sihu franziu a testa lisa.
— …Não esperava isso de você, Yejun. É um pouco cara de pau. Agarrar os outros sem mais nem menos, pedir para ser achado fofo…
— Ah! Desculpe, você… não gostou, não é?
Yejun retirou as mãos apressadamente e recuou. Sihu, que havia sido abraçado de repente, ainda estava meio atordoado. Pensando bem, fazia muito tempo que alguém o abraçava assim, de supetão.
A respiração que ficou momentaneamente sufocada, o calor corporal alheio que tocou todo o seu corpo sem aviso, a voz que soou perto do ouvido, foram surpreendentemente nada ruins.
— Não foi ruim.
Sihu acariciou levemente a cabeça de Yejun, que já parecia estar se arrependendo.
— Tudo bem. Vou permitir, Yejun.
— Permitir…?
— Sobre me abraçar sem avisar. Faça o que você quiser, Yejun.
Assim que terminou de acrescentar as palavras, Yejun o abraçou fortemente por trás. A respiração suave pousou na orelha de Sihu.
— Abraço por trás também pode?
— Você já está me abraçando.
— Ahaha.
Rindo, Yejun encostou a testa no ombro de Sihu e a esfregou sem parar. Sarak, sarak. O som do cabelo roçando soou de perto.
Preso no abraço, Sihu fechou os olhos em silêncio. Talvez pela força dos braços que envolviam firmemente sua cintura ou pela maciez do cabelo roçando em seu ombro, sua nuca queimava.
Não seria possível que ele também estivesse com o rosto vermelho como Yoo Yejun, estaria? Não podia ser. Alguém calejado como ele, ficar assim por causa de um abraço por trás…
— Ugh!
De repente, um gemido escapou dos lábios de Sihu. Sua cintura se eriçou e um arrepio percorreu todo o corpo. De repente, sua orelha foi sugada e algo quente tocou a pele logo abaixo. Não levou nem um segundo para perceber que aquilo eram os lábios de Yejun.
Quando virou a cabeça, os olhos castanhos estavam bem diante dele. Yejun piscou lentamente e logo sorriu sem emitir som.
Os olhos redondos se curvaram em forma de meia-lua e a pele ao redor foi tingindo de rosa. Com o rosto que se tornava cada vez mais macio, Sihu soltou uma breve risada de desdém. Qualquer um que visse pensaria que era ele quem estava provocando.
De repente, o piano entrou em seu campo de visão. O piano, que ele mandara instalar no fim de semana, exalava um brilho lustroso. Sihu olhava alternadamente para aquela elegância sem igual e para o sorriso de Yejun. A excitação subia sutilmente, talvez porque uma área sensível sua tivesse sido estimulada.
Yejun beijou Sihu, que o fitava como se o observasse. O som de “chu” foi tão excessivamente fofo que a respiração parou por um instante. Yejun deu vários beijos leves no outro, que estava rígido.
Chu, chu, chu.
— Yejun…
Mesmo enquanto falava, seus lábios se tocavam e se separavam. A força nos braços de Yejun, que envolviam sua cintura, foi aumentando gradualmente. O pressentimento de que ele logo iria levantar a roupa e enfiar a mão ali dentro fez o corpo de Sihu formigar.
— Você não sabe o que é ter medo das pessoas.
— Devo ter medo do hyung?
A voz suave deslizou pelo lóbulo que havia sido sugado.
— Queria que você tivesse, de preferência.
O que brilhava nos olhos de Yejun era uma provocação evidente. Com a ênfase no “de preferência”, Sihu esboçou uma expressão de interesse.
— Você quer que eu tenha medo?
Ele emitiu um som lânguido, “huum”, e foi soltando os dedos de Yejun um por um. Afastando-se um passo do abraço de Yejun, Sihu voltou a dirigir o olhar para o piano. Logo, a mesma luz que estava nos olhos de Yejun começou a se espalhar em seus olhos negros.
— …Vamos fazer algo divertido?
Como se percebesse que havia provocado o outro, Yejun ficou com o rosto misto de expectativa e excitação. Olhando para as bochechas coradas, Sihu ergueu a mão e acariciou o queixo de Yejun. Era um gesto de mão como quem elogia um cachorrinho obediente.
Mesmo com o contato físico que poderia ser ofensivo, Yejun apenas baixou os longos cílios e ficou parado quietinho. Uma sensação infinitamente satisfatória arranhou a ponta dos dedos de Sihu.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna