•.¸ ♫ Capítulo 03.2
•.¸ ♫ Capítulo 3.2 Allegretto
— Pode passar aqui.
Enquanto Yejun ia ao banheiro, Sihu estendeu o cartão. Hyunseok, que estava em frente ao caixa, piscou os olhos.
— Achei que o Yejun ia pagar.
— Como vou deixar um garoto pagar para mim?
— E se ele ficar chateado?
— Não, mesmo assim.
Sihu usou seu tom de voz impassível característico.
— Não vou arrancar dinheiro de um garoto sem dinheiro.
— Ts, se o Yejun ficar bravo, não sei de nada.
— …
Pegando o cartão, Hyunseok cantarolou como se cantasse: “Eu não sei de nada”. Sihu baixou o olhar para os álbuns em sua mão. Entre eles, a palavra em inglês ‘JAZZ’ capturou especialmente sua atenção.
Enquanto lia a palavra, a apresentação de jazz de Yejun veio naturalmente à memória. A música animada, brilhante e poderosa ainda ecoava em seus ouvidos.
— O Yejun não sabe?
De repente, Hyunseok abaixou a voz para perguntar. Sihu, voltando a si, tensionou levemente as sobrancelhas.
— Sobre o quê?
— Sobre você. Sabe, isso e aquilo.
Nesse ‘isso e aquilo’ estavam incluídas sua família, posição social, fama, etc. Sihu ia responder que só tinha dito o nome, quando uma lufada de ar frio tocou sua bochecha.
Sihu virou a cabeça na direção do frio repentino. O que entrou em seu campo de visão foi Yejun, parado na porta.
— Chegou?
— …
Yejun, com a porta entreaberta, apenas o olhava. Havia emoções negativas nos olhos afiados e nos lábios trêmulos. Sihu não conseguiu identificar o nome dessa emoção.
— Opa, Yejun. Por que não entra, o que está fazendo?
Só quando Hyunseok falou com ele, Yejun se moveu. Enquanto se aproximava lentamente, Hyunseok acrescentou algumas palavras.
— Ele pagou a conta. Bem, como é um cara rico, não precisa se preocupar. Da próxima vez, peça para ele comprar algo mais caro.
— Para que falar isso?
— Por quê? Também não posso falar que ele é rico?
Em vez de responder, Sihu desviou o olhar para Yejun. Não havia sinal de surpresa no rosto dele. Era como se já soubesse que o outro havia pago.
A testa de Sihu , que o observava, se tensionou.
‘Ele sabia que eu tinha pago.’
Isso significava que ele estivera observando desde o início. É claro que a conversa fora tão trivial que mal seria lembrada, então não havia problema.
Mas parecia que Yejun não pensava assim.
— Por quê?
A voz era estranhamente afiada.
— Por que o hyung pagou?
Sihu , sem entender, inclinou a cabeça.
— Isso é um problema tão grande assim?
— Sim.
— …
— Eu disse que eu o convidava. Então por que o hyung pagou?
— …
— Por que você sempre faz as coisas do seu jeito?
Depois de falar, Yejun virou o corpo em direção a Hyunseok. De alguma forma, pareceu que ele não queria mais se envolver com Sihu . Sihu observou Yejun estender o cartão para pagar novamente e estendeu a mão. Seus dedos brancos e longos envolveram o pulso dele como uma trepadeira.
— Deixa disso e venha cá.
Mesmo com a força considerável, Yejun não se moveu. Sihu , mantendo o olhar nele, acrescentou mais uma coisa.
— Venha.
Assim que falou informalmente, uma luz brilhou nos olhos de Yejun. Então, encarando-o, foi ele quem repeliu a mão primeiro. Abaixo do rosto indignado, seu longo pescoço estava tingido de vermelho. Era uma reação de vergonha, como se tivesse recebido um insulto.
Antes que pudesse expressar qualquer dúvida, Yejun passou ao seu lado primeiro. Enquanto achava o som da porta se fechando estridente, Hyunseok fez “Ai ai” e abanou a mão.
— Vá se desculpar.
— …Por que eu?
— Você falou aquilo, do garoto sem dinheiro. Parece que o Yejun ouviu tudo.
Ouvindo isso, lembrou-se de que realmente tinha dito algo assim. De repente, suas têmporas começaram a latejar.
— Você disse que não saberia de nada se ele ficasse bravo.
— Hah.
Sihu soltou um breve suspiro, virou as costas e saiu. Ao pisar para fora do prédio, viu as costas de Yejun se afastando.
— Yoo Yejun.
Mesmo sem elevar a voz, Yejun pareceu ouvir e parou de andar. Sihu , fixando o olhar na linha que ia do pescoço ereto aos ombros, e nas costas largas, abriu a boca.
— Por que está tão furioso?
O que escapou de seus lábios não foi um pedido de desculpas. Antes de dizer “sinto muito”, Sihu precisava resolver sua curiosidade primeiro.
— Eu também posso pagar.
— Fui eu quem marcou o encontro.
— Mesmo assim, não posso. Não sou tão cara de pau a ponto de deixar um amigo mais novo pagar.
— Amigo mais novo.
Yejun, que ouvira quieto, soltou um suspiro. A baforada branca subiu ao céu e desapareceu rapidamente, entrando no campo de visão de Sihu .
— Não é que eu saiba muito sobre o hyung…
— …
— Mas, como pessoa, você é meio… complicado.
Era um tom que não deixava de ter um quê de sarcasmo. Diante da voz que lhe atingiu os ouvidos, Sihu estreitou os olhos. A serenidade e a diversão que o envolviam haviam desaparecido há muito.
— Em que sentido?
— No sentido de achar que só você está certo. Da última vez também foi assim. De repente, enfiou um cheque no meu bolso.
— …
— Falando de garoto sem dinheiro, me fazendo favores que eu nem pedi. Parece que não se importa em fazer os outros se sentirem humilhados.
A voz que murmurava foi se tornando gradualmente mais seca. Com um tom de voz áspero e sem umidade, Yejun apenas virou a cabeça e olhou para o rosto de Sihu . A fúria que parecia ter visto por um instante já não estava em lugar nenhum.
— Se era para ser assim, por que o hyung veio me ver?
Yejun, apenas erguendo os cantos dos lábios num sorriso, acrescentou:
— Por que quis ouvir minha música?
Enquanto ele falava, Sihu não pronunciou uma única palavra. Como alguém que ouvira algo que não devia, ficou parado, apenas fitando-o. Mesmo quando um vento forte soprou, puxando seu sobretudo e bagunçando alguns fios de cabelo, nenhum sinal de perturbação surgiu em seu rosto de traços finos.
— …Haah.
Quem dissipou o silêncio pesado como ferro foi Yejun. Ele baixou os longos cílios e suspirou novamente. E então, com um suspiro carregado de cansaço, moveu os passos e se afastou. Como se não tivesse qualquer apego pela pessoa que ficava, nem sequer olhou para trás.
Sozinho, Sihu enfiou a mão no bolso. O cartão que não havia guardado na carteira por ter saído às pressas pressionava sua pele. O ato de empurrá-lo com os dedos tinha um toque de irritação.
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Uma frase dita por Yejun permaneceu em seus ouvidos e não desapareceu por um longo tempo.
— Se era para ser assim, por que o hyung veio me ver?
Ele deveria ter respondido algo na hora. Por que? Por simples interesse. Porque estava cansado de lidar apenas com pessoas calejadas e você era revigorante. Não havia nenhum grande motivo.
Mas, estranhamente, seus lábios não se abriram naquele momento. Uma atitude incompatível com ele. A língua que se movia com fluidez em qualquer situação parecia estar paralisada naquela hora, imóvel.
— …Idiota.
Sihu , de olhos fechados, murmurou baixinho. A sombra sob seus longos cílios se intensificou. Mesmo sendo fim de semana, seu corpo e mente estavam fatigados como se tivesse trabalhado a madrugada toda.
Exalando longamente, ele esticou as pernas. Enquanto deitava o corpo completamente no sofá, uma música suave de jazz pousou em seus ouvidos. Era uma faixa que saía do CD player de parede.
Nunca imaginara que chegaria o dia em que usaria aquele aparelho preso à parede. Embora fosse um dos presentes de aniversário comprados pelo irmão mais novo, Sihu , que não tinha interesse em música, jamais o havia tocado.
Na época, pensou que era um presente inútil, mas acabou sendo usado assim.
Ainda de olhos fechados, Sihu se concentrou na música. O contrabaixo produzia um som leve e grave com a técnica de pizzicato. Em meio às notas saltitantes, o som do piano prosseguia calmamente. A execução, ora lenta, ora fluida, era suficiente para relaxar seus nervos tensos.
Toc, toc.
Ele ergueu os dedos que estavam sobre o abdômen e tamborilou. Sihu , que se movia acompanhando o ritmo, logo soltou um som como se o ar lhe escapasse.
Numa noite de fim de semana que escurecia. Estava ali sozinho, ouvindo jazz e batendo os dedos. Sihu nem sabia que era alguém capaz de passar um momento tão romântico.
— …É bom.
A música era bastante agradável. Então, naturalmente, lembrou-se de quem lhe dera de presente o álbum que continha aquela boa música. Um garoto de rosto, roupas e até modo de falar infinitamente corretos.
— Se ouvir e gostar de alguma música, me diga. Eu toco para você.
Yoo Yejun tinha um jeito que fazia a gente sentir um pouco de vergonha alheia. Embora ele mesmo não parecesse envergonhado, mantendo apenas um semblante radiante.
Enquanto estava absorto em pensamentos, a música lenta começou a acelerar gradualmente. Sihu imaginou Yejun tocando piano.
Como da última vez, ele estaria completamente concentrado na música. Independentemente de a pessoa ao lado estar olhando para ele com desejo ou liberando feromônios intensos como se fosse atacar a qualquer momento.
Aquela figura absorta em seu próprio mundo era bastante atraente. Quando via Yejun tocando piano, Sihu sentia o impulso tanto de observar silenciosamente seu rosto concentrado em um único ponto, quanto de fazer algo impulsivo para bagunçar tudo.
Abriu os olhos e olhou para baixo. O que seu olhar encontrou foi o meio de suas pernas. Só de imaginar Yejun, seu membro já estava completamente inchado.
A leve sensação de autodepreciação durou pouco, e Sihu enfiou a mão dentro das calças.
O pau que segurou já estava molhado e pegajoso. Moveu os dedos, percorrendo o tronco cheio de veias. Não demorou muito para que sons obscenos de ‘squelch, squelch’ irrompessem. Em pouco tempo, Sihu já estava masturbando-se com o tronco erguido.
— Hoo.
O gemido que escapou de seus lábios avermelhados era viscoso. Ele massageava o membro duro e ereto para cima e para baixo, soltando uma risada. Que situação patética. Mesmo achando deplorável, Sihu não parou a mão que se masturbava.
— …Kk.
Finalmente, com um gemido curto, sua mão ficou molhada. Uma tonalidade vermelha se espalhou por suas bochechas brancas e lisas.
Piscando lentamente os olhos como se estivesse sonolento, ergueu a mão e o líquido branco e opaco entrou em seu campo de visão. Depois de observá-lo quieto, ele finalmente virou a cabeça.
O objeto que recebeu seu olhar sereno, mas carregado de calor, era o celular sobre a mesa de centro baixa. O aparelho, em silêncio, indicava que não havia chegado nenhuma mensagem. Seus olhos, levemente cobertos pelos cabelos pretos desgrenhados, se estreitaram.
O desejo que fervia do fundo do estômago deixou sua garganta seca. Em meio à sede, Sihu mostrou a língua, tão vermelha quanto seus lábios. Uma luz lânguida pairava em seu rosto enquanto lambia o lábio inferior. Logo, a força começou a se concentrar nos dedos cobertos de sêmen.
Pouco depois, Sihu , que pegou o celular, tinha retornado à sua aparência impassível. Sua mão, agora limpa, exalava cheiro de sabão em vez do odor acre de sêmen. Com o rosto impecável, como se não tivesse acabado de se masturbar, Sihu enviou uma mensagem.
[Está bravo?]
Junto com a pergunta curta, acrescentou mais uma frase.
[Quero ver seu rosto.]
Como de manhã, a resposta de Yejun foi rápida.
Yoo Yejun [Você quer me ver?]
Yoo Yejun [Você é realmente voluntarioso, hyung.]
Seria impressão sua que parecia haver um palavrão no final? Sihu moveu seus dedos longos.
[Estou preocupado com você, Yejun.]
[Você não poderia me encontrar?]
Encontrar ‘para mim’. Para Baek Sihu, que nunca baixava a cabeça primeiro, estivesse certo ou errado, isso já era uma grande concessão. O outro demorou um pouco para responder, mas logo enviou uma mensagem.
Yoo Yejun [Tudo bem.]
Sihu sentiu sede novamente. Com a garganta queimando, enviou a resposta.
[Vou até a sua casa, Yejun.]
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Clique, clique.
O que Sihu segurava era um isqueiro Zippo prateado. O isqueiro quadrado fazia um som claro toda vez que mexia os dedos. O que estava contido nos olhos que fitavam a chama misturada de vermelho e azul era cansaço.
‘…O que eu estou fazendo?’
Viera até aqui para apaziguar um garoto com quem só tinha esfregado os lábios uma vez.
Sihu guardou o isqueiro no bolso e ergueu o olhar para o prédio. O espaço pequeno, limpo e com cheiro de sabão veio naturalmente à mente. As longas pernas de Yejun, movendo-se diligentemente para lhe dar água e roupas, também foram desenhadas diante de seus olhos.
Depois de se separar de Yejun daquela forma, todos os seus nervos estavam voltados para ele. Era difícil julgar se era por culpa ou simples desejo sexual.
O certo era que a existência de Yoo Yejun havia preenchido todo o seu peito. Ter sido o primeiro a sugerir se verem e ter ido pessoalmente até a porta de sua casa era por essa razão.
Enquanto pensava calmamente sobre ele, alguém deu sinal de presença. No instante em que virou a cabeça, o vento soprou. Com o forte vento de inverno, os fios de cabelo sobre a testa de Sihu esvoaçaram e picaram seus olhos. Era quando, por hábito, ele ajeitava o cabelo para trás e tentava identificar o outro.
— Você não prende o cabelo de propósito, não é? Por medo de parecer mais novo.
Uma fala calma pousou primeiro em seus ouvidos. Em vez de responder, Sihu abaixou a mão e observou o rosto de Yejun. Ele, que saíra sozinho, não usava nem uma jaqueta fina. Era um sinal de que pretendia voltar para seu espaço a qualquer momento.
— Deve estar frio.
— Tudo bem, vou entrar logo.
Mesmo com o tom de voz que não deixava de ter uma frieza, Sihu não se abalou.
— …É um pouco engraçado.
— O que é engraçado.
O queixo de Yejun se tensionou firmemente. Como se não acreditasse, seus olhos que olhavam fixamente faiscaram. Sihu interpretou aquele olhar como um “se for para dizer bobagem, vá embora”.
— Até outro dia estava me olhando excitado. Por quê, agora não sente mais tesão por mim?
— Exci… O quê?
— Excitação.
— …
— Não sabe o que é excitação? Estou falando de ficar de pau duro.
Entre os lábios de Sihu , que murmurava com acidez, uma baforada branca escapou. O olhar de Yejun foi atraído para aquilo que lembrava fumaça de cigarro.
— Não esperava isso. O hyung é bem vulgar.
Ele enfatizou sutilmente a palavra “vulgar”. Era claro o desejo de querer acabar com a cara de quem o provocava. Sihu não estava com vontade de reagir como ele queria.
— Sou vulgar. Alguém que enrola a língua com um garoto que acabou de conhecer.
Terminando de falar, piscou pesadamente os cílios carregados de cansaço e sorriu. O olhar de Yejun pousou nos olhos iluminados de Sihu, como se estivessem sonolentos. No silêncio gélido, os olhares dos dois se chocaram intensamente.
— …Por que você veio?
Quem rompeu o silêncio foi Yoo Yejun. Provavelmente tentou não demonstrar, mas o fato de não conseguir esconder a irritação despertava uma estranha sensação de prazer. Sihu pensou, sentindo o prazer roçar suavemente o dorso de sua mão. Valera a pena ter vindo até aqui.
— Para te dar uma resposta.
— Resposta?
— Você me fez uma pergunta. Por que eu tinha vindo te ver, se era para ser assim.
— Se era para ser assim, por que o hyung veio me ver?
Aquela frase veio à mente novamente e se despedaçou em todas as direções. Como se também tivesse lembrado, Yejun emitiu um som que não se sabia se era um lamento ou um suspiro: “Ah”.
Suas bochechas, antes serenas, tremeram e ficaram levemente coradas. Não dava para saber se era por vergonha ou se a raiva tinha voltado ao relembrar o ocorrido.
Sihu aproximou-se até bem perto dele e, estendendo a mão, puxou a nuca de Yejun. Com a situação inesperada, Yejun cambaleou e inclinou o rosto para frente. A luz de perplexidade se espalhou em seus olhos arregalados. Encarando aquelas pupilas que causavam uma sensação estranha, Sihu moveu seus lábios vermelhos.
— Vou te dar a resposta.
Assim que terminou de falar, o que Sihu fez foi colar seus lábios nos dele imediatamente. Sentiu Yejun estremecer e enrijecer, duro como pedra.
Com os olhos semicerrados, Sihu continuou a esfregar os lábios. Cada vez que os roçava lentamente, a carne do outro ia ficando úmida.
— Ha…
A respiração curta e reprimida que escapou estimulou os ouvidos de Sihu . Apreciando o tom de voz cuja ponta tremia levemente, ele esfregou os lábios com persistência. No momento em que estava prestes a enfiar a língua na boca de Yejun, seus ombros foram agarrados com força.
— Afinal, o que é isso que você está fazendo?
Ainda com a distância entre eles próxima, Yejun murmurou baixinho. Como se procurasse a razão de tê-lo beijado de repente, seu olhar percorreu o rosto de Sihu . Encarando calmamente o olhar que o perscrutava, Sihu ergueu obliquamente um canto dos lábios.
— Eu disse que ia te contar. Por que eu vim te ver, Yejun.
Com essas palavras, Yejun fechou a boca com força. Seu pomo de adão subia e descia instável, sem conseguir controlar a respiração ofegante.
— Eu sinto desejo por você.
Sihu tirou a mão do pescoço dele e a enfiou no próprio bolso. E então, girando suavemente o isqueiro que pegou, continuou lentamente.
— Sinto tesão por você, Yoo Yejun.
Depois, o que Sihu fez foi percorrer Yejun com um olhar intenso. O olhar que descia do pescoço aos ombros, dos ombros ao peito, continha desejo sexual.
Mesmo vestindo a camisa, seu peito, agradavelmente delineado, era esplêndido. Imaginando o sulco entre os músculos, Sihu baixou ainda mais as pálpebras.
O que seus olhos, semiocultos pelos longos cílios, viam eram as calças de Yejun. Ou, mais precisamente, o que estava escondido por baixo do jeans.
— Ha, haha.
Yejun soltou uma risada de escárnio. Sihu ergueu o olhar novamente e encarou seu rosto de frente. A covinha que se formou perto dos lábios erguidos era bonita.
Enquanto observava a covinha, Yejun apoiou as costas de Sihu com sua mão grande. Era uma pose de abraço que qualquer um consideraria de amantes. Mantendo a pose constrangedora como se fosse natural, Yejun abaixou a cabeça.
Observando quieto o que ele ia fazer, Sihu acabou emitindo um som entre os dentes sem perceber.
— Ugh.
De repente, sua orelha foi mordiscada. Não doía, mas, sendo uma área sensível, um arrepio percorreu sua espinha. Quando franzia a testa por ter sido pego de surpresa, uma voz baixa penetrou em seu ouvido.
— Estou um pouco irritado.
No sussurro misturado a um suspiro, várias emoções estavam contidas.
— Ficou irritado?
— Sim. Me irrita que só o hyung pareça não se importar.
Yejun prendeu a respiração por um momento.
— E também estou feliz que o hyung sinta tesão por mim.
Por que teria repetido de propósito a palavra “tesão”? Se era para provocar, Yejun certamente teve sucesso. Sentindo o calor se concentrar em suas pernas, Sihu moveu os lábios.
— Yoo Yejun.
Ele pousou a palma da mão na clavícula de Yejun e a acariciou suavemente. O ato de acariciar lentamente transparecia uma viscosidade. Os olhos de Yejun, com os longos cílios caídos, se estreitaram. Uma reação que parecia confusa, mas não desagradável.
— Quer vir comigo?
Yejun, ainda com os olhos semicerrados, olhava para o rosto de Sihu . Os cantos de seus lábios fechados estavam tremendo.
Em vez de explicar, Sihu virou a cabeça e lançou o olhar para o carro estacionado. Pensou que isso já seria suficiente para ele entender.
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— Sihu hyung.
O rosto de Yejun, murmurando com uma respiração “haa”, estava corado.
— Vamos continuar assim aqui?
Com o olhar que despertava uma sensação estranha, Sihu passou os dedos pelo lábio inferior de Yejun. Os lábios encharcados de saliva eram macios. Enquanto os acariciava suavemente, emitiu uma voz com tom de riso.
— Por quê? Não gosta?
Em vez de responder, Yejun apenas inclinou a cabeça. Seu cabelo castanho, antes arrumado, estava completamente bagunçado. A razão era que Sihu o havia imobilizado e derrubado sobre o banco de trás assim que Yejun se sentara.
Usando o som da porta se fechando como sinal, Sihu agiu como queria. Pressionou o peito de músculos bem definidos e montou sobre o corpo do outro. Fosse pelo peso ou pela excitação, Yejun gemeu: “Uh”. Os dedos brancos de Sihu agarraram o queixo de Yejun e, logo, um beijo molhado e intenso começou.
O som das línguas se entrelaçando aumentava o calor, e os dois, excitados, mudavam de posição repetidamente, um por cima do outro. Apreciando os lábios molhados de Yejun, Sihu franziu a testa.
‘Por que ele é tão grande? Não é fácil.’
Ao pensar isso, Sihu exalava uma respiração ofegante. Até o sobretudo que envolvia seus ombros largos estava meio caído, e o colarinho estava terrivelmente amassado, dando-lhe um ar raramente desleixado.
‘Queria que fosse menor.’
Havia uma dificuldade que não sentia com os parceiros anteriores. Com um físico maior que a maioria e sendo um Alfa Dominante, Sihu costumava virar o corpo do parceiro a seu bel-prazer durante o sexo. Mas Yejun era diferente. Mesmo sendo apenas uma posição para beijar, ele não se submetia passivamente.
Se o derrubava, Yejun se levantava e o empurrava; se agarrava seu queixo, Yejun o agarrava de volta e o pressionava contra a janela. Os beijos violentos lembravam uma briga por hierarquia entre animais.
Um macho que fazia de tudo para não ser subjugado, e outro macho que fazia de tudo para montar.
— Fuu…
Sihu exalou longamente o fôlego acumulado durante o beijo. Enquanto isso, Yejun, ainda com os corpos colados, fitava Sihu fixamente. Logo, um sorriso se espalhou por seus olhos de cor clara.
— Vai cancelar mesmo?
O olhar que tocava sua bochecha era quente como fogo. Sihu , com a nuca apoiada na janela, trocava olhares com quem estava à sua frente. A conversa que tiveram enquanto enrolavam as línguas desordenadamente veio à mente naturalmente.
— Você disse que não faria isso sóbrio. Não foi o que disse uma vez?
— Vou cancelar o que disse.
Talvez por ter gostado muito daquela resposta, Yejun não conseguia conter o riso. Os cantos dos olhos agradavelmente curvados e a covinha ao lado da boca davam uma sensação radiante.
Naquele instante, um impulso de bagunçar aquele rosto puro surgiu em Sihu . Despenteá-lo ainda mais, cobrir seu rosto de suor, não. De preferência, com um líquido mais opaco e viscoso.
Por exemplo, sim. Sêmen seria bom.
Seria essa a sensação de ter os cabelos arrepiados? Só de imaginar, o prazer percorria como eletricidade estática. Sem pensar, lembrou-se do cigarro que estaria no bolso do sobretudo. Queria colocar aquela coisa longa e branca na boca e soprar a fumaça. Achava que, se sugasse a nicotina com força, sua razão enfraquecida voltaria um pouco.
Mas não queria que o cheiro impregnado de cigarro entrasse no carro. Em vez disso, Sihu se recompôs acariciando o rosto do garoto que cheirava a sabonete limpo.
Yejun, que estava quieto, baixou os olhos. Em seguida, inclinou levemente a cabeça e encostou uma das bochechas na palma da mão de Sihu . O cabelo castanho e volumoso escorreu agradavelmente.
Sentindo a textura dos fios fazendo cócegas em sua pele, Sihu ergueu os lábios.
— Você é bom em fazer charme.
Sem demonstrar timidez, Yejun explicou com naturalidade:
— Sou o caçula em casa. Faço isso com frequência com a família.
— Nem todo caçula faz charme. Meu irmão mais novo preferiria morrer a fazer isso.
— É mesmo? Acho que é porque eu tenho uma grande diferença de idade com meu irmão mais velho. Faço isso desde pequeno, então não tenho vergonha.
Enquanto falava, Yejun beijou a palma da mão de Sihu . O som da pele se tocando e se separando fez cócegas em sua orelha.
— …Não vai me dizer que também beija seu irmão de verdade?
— Ahaha!
Quando perguntou casualmente, uma risada alegre encheu o carro. A gargalhada contagiante era limpa e refrescante como uma bebida isotônica.
Sihu percebeu que a fadiga que pressionava seus ombros até pouco tempo havia desaparecido. Aquele garoto, claro como água, era realmente perfeito para aliviar o estresse. Enquanto soltava uma risada baixa, Yejun o chamou: “Hyung”.
— O que vai fazer agora?
— Hm, não sei.
— Não me diga que já perdeu o pique?
Quando respondeu com calma, Yejun tensionou as sobrancelhas. Seu rosto não escondia um certo ar de ansiedade, como se temesse ser mandado embora. Em vez de responder, Sihu soltou uma palavra.
— Mão.
— ?
— Mão.
Moveu os lábios com a intenção de não repetir três vezes. Embora achasse estranho, Yejun estendeu sua mão grande.
Segurando a mão cujos dedos longos e limpos impressionavam, Sihu a puxou para baixo. Pouco depois, os dedos que estavam quietos começaram a se encolher, assustados.
— E então.
— …
— Parece que perdi o pique?
Yejun puxou a mão para trás rapidamente. O movimento de abrir e fechar o punho continha um sinal de choque. Sihu entendia o embaraço dele. Porque certamente não esperava ser forçado a segurar o pau de alguém de repente.
— Não preciso tocar o seu. Já está me cutucando desde antes.
— …O quê?
Um sorriso pairou no rosto bonito de Sihu . As bochechas de Yejun, que observava atordoado, ficaram vermelhas rapidamente. Quando atacava ferozmente, não tinha vergonha, e agora ficava tímido. Isso fez Sihu rir ainda mais.
— Agora ficou claro.
— O… quê?
— O que vou fazer com você, Yejun.
Sihu endireitou o tronco e ajeitou as roupas bagunçadas. No gesto de vestir novamente o sobretudo que escorregara dos ombros, havia uma elegância difícil de imitar.
— Vou te ensinar outras coisas além de beijar.
Depois de ajeitar o cabelo preto com a mão, Sihu abriu os lábios.
— O que me diz.
Era uma pergunta feita já prevendo qual seria a resposta do outro. Os lábios agradavelmente erguidos desenharam uma curva suave.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna