•.¸ ♫ Capítulo 01.3
•.¸ ♫ Capítulo 1.3 POCO A POCO
— Por que você bebeu tanto assim?
Entregando o cartão, Hyeonseok riu. Yejun, que entrara na sala dos funcionários para trocar de roupa, ainda não saíra. Com o olhar dirigido àquela porta, Sihu respondeu, breve:
— Porque estou de bom humor.
— E não porque está de mau humor?
— …
— Está muito difícil ultimamente?
Era uma pergunta que ele não teria respondido sóbrio. Isso porque compartilhar seu estado com outra pessoa — e ainda por cima um estado dificilmente descrito como bom — feria discretamente seu orgulho. Mas o Sihu daquele momento, usando a embriaguez como desculpa, respondeu de modo relaxado:
— É, é pesado, sim. Um pouco.
Sem esperar uma resposta tão sincera, Hyeonseok arregalou os olhos como um coelho. E logo lhe lançou um olhar preocupado, perguntando o que havia acontecido. Sihu apenas devolveu um leve sorriso e pegou o cartão, quase arrancando-o de sua mão.
— Ei, ei, Baek Sihu. …Sihu!
Quando abriu a porta, uma voz assustada ressoou às suas costas. Sihu virou-se, ainda com a mão na maçaneta.
— Não aconteceu nada, aconteceu?
— Não.
Sihu acrescentou, com serenidade:
— Deve ser uma adolescência tardia.
Ele fez um leve aceno de cabeça e saiu do estabelecimento. Felizmente, Hyeonseok não o seguiu. Para Sihu, que não queria ficar tagarelando sobre seu estado com ninguém, foi bom assim.
O ar da noite, a uma hora incerta, estava frio. Envolto pelo vento que penetrava o casaco e o terno, Sihu ergueu os olhos para o céu. A região ao redor dos olhos, antes branca a ponto de parecer pálida, já estava tingida de rubor.
— Adolescência tardia, é.
Murmurando consigo mesmo, Sihu deu um passo lento. A cada vez que esmagava a neve acumulada no chão com os sapatos, tinha a sensação de que o corpo flutuava. Diante daquele arrepio que não sentia havia tempos, Sihu riu brevemente.
‘Nem sou um moleque de vinte anos.’
Rir à toa por causa da bebida. Sihu caminhava, absorto em pensamentos. Como mudar esse estado, esse marasmo de algodão encharcado? Era desagradável não conseguir controlar as próprias emoções. Temendo acabar dando um espetáculo lamentável até na empresa, seus nervos ficaram à flor da pele.
Preciso resolver isso.
Mas com o quê?
— Cuidado.
Foi quando o sapato escorregou de leve no chão coberto de gelo. Uma voz inesperada roçou o lóbulo da orelha de Sihu. Sihu se assustou mais com aquela voz do que com o próprio desequilíbrio. Mas, por fora, manteve o rosto seco e virou a cabeça.
— Desse jeito o senhor vai escorregar.
Quem viera atrás dele era nada menos que Yejun. Ele se aproximou pelo lado com toda a naturalidade e agarrou um dos braços de Sihu. Era uma pegada leve como uma pena, mas, por algum motivo, ardia.
— O que é?
Quando Sihu perguntou, Yejun piscou lentamente os longos cílios. Apesar de exposto ao ar frio, as bochechas e os lábios transbordavam vitalidade. Tinha a boa cor de um menino sob o sol escaldante de pleno verão, e não do inverno.
Gosto disso. Com aquela impressão positiva, o olhar que rondava o rosto de Yejun se suavizou. Sihu inclinou o corpo na direção da mão que segurava seu braço. Que os ombros de ambos se tocassem foi intenção evidente de Sihu.
— Estou curioso para saber por que você está aqui.
— …Porque é hora de sair do trabalho.
— Hmm.
— Saí, e então o hyung entrou no meu campo de visão.
O formato dos lábios ao pronunciar “hyung” era adorável. Poucas pessoas chamavam Sihu por aquele tratamento familiar. Em meio a uma emoção elétrica que jamais sentiria com elas, Sihu perguntou:
— Eu entrei no seu campo de visão?
— …Sim.
A mão de Yejun que segurava seu braço se retesou. Falava com ar sereno, mas era evidente que estava bastante tenso. Sihu soltou um longo “huuu”. Sob o poder do álcool, sua mente girava e o corpo ficava lento. Ele entreabriu os olhos e inclinou a cabeça na direção de Yejun.
Tum.
Algo duro feito pedra tocou sua testa. Sihu percebeu sem dificuldade que era o ombro de Yejun. Sua cabeça fervia com a vontade de fazer alguma coisa.
Já que estou bêbado por acaso, que tal um pequeno desvio? Sihu decidiu fazer algo que só faria na casa dos vinte. Ergueu a cabeça e encostou o nariz na nuca do outro.
— Ah.
O gemido baixo de Yejun lhe proporcionou júbilo. Sihu ergueu a cabeça e fitou fixamente os olhos do outro.
— Como eu pensava.
Murmurando com languidez, Sihu colou ainda mais o corpo.
— Vendo que você não percebe absolutamente nada, é beta mesmo.
— O quê…
Diante daquela voz ressonante, os lábios de Yejun tremeram. Sihu baixou lentamente as pálpebras naquela direção e acrescentou:
— Estou falando do feromônio.
— …
— O meu feromônio. Agora está de brincadeira. Se você fosse alfa, ficaria incomodado; se fosse ômega…
A voz sussurrada baixou uma oitava.
— Pelo menos não teria essa reação.
Era uma confissão sem mentiras. O feromônio intenso vinha estrangulando a nuca de Yejun sem descanso desde antes. Comprimia o pomo de adão, provocava a pele e revelava um desejo sexual. Mas o outro, sendo beta, não sentia nada; apenas arregalava os olhos.
Um moleque em quem o feromônio não funciona. Isso, à sua maneira, é inusitado. Para Sihu, que em geral não sentia nenhum desejo sexual por betas, era um caso excepcional.
Agora o olhar de Sihu examinava o queixo afiado abaixo dos lábios de Yejun e a linha do pescoço que descia dali. Sob aquele olhar descarado, o pomo de adão de Yejun se moveu.
Sentindo a espinha gelar diante daquela reação sincera, Sihu moveu o braço que não estava sendo segurado. Dedos brancos e longos se enrolaram no pulso de Yejun.
— Por aqui.
Yejun mostrava perplexidade, mas seguiu docilmente atrás de Sihu. Graças a isso, Sihu pôde arrastá-lo para uma fresta escura entre dois edifícios.
A viela estreita estava tomada pela escuridão. No chão rolavam, em desordem, neve não derretida, bitucas de cigarro e lixo.
Sihu afastou com irritação uma lata vazia diante de si. Não fosse a excitação que subitamente o dominara, jamais entraria num lugar daqueles.
Franzindo o cenho diante da sujeira, Sihu logo soltou um som de ar escapando.
— Hoje só faço coisas que não deveria fazer.
— Coisas que não deveria fazer?
— Você não sabe por que eu te trouxe até aqui?
Em vez de responder à pergunta de Yejun, Sihu se aproximou dele até quase encostar os pés e aproximou o rosto. Levou o nariz à região do pescoço do outro, mas, exceto por um leve aroma de loção, não havia cheiro algum.
É beta mesmo. Depois de confirmar isso mais uma vez, ele ergueu a cabeça.
— Se não sabe, pode ir embora.
— …
— Porque idiotas não fazem meu tipo.
Yejun continuava parado, com o rosto surpreso. Apreciando aquela figura enrijecida feito pedra, Sihu encostou o indicador em seu peito. Mesmo diante daquele toque leve como uma pena, o tronco de Yejun se sobressaltou, como se ele tivesse sido espetado.
No silêncio impregnado de tensão, Yejun já nem respirava direito. Observando os cantos dos olhos abalados, Sihu teve certeza de que Yejun estava imaginando todo tipo de coisa. Ele empurrou levemente o outro com o indicador que lhe apoiava o peito, mais os outros dedos.
Tum.
Yejun recuou, cambaleando. Sihu não poupou o outro, perplexo, e continuou a empurrá-lo. Em pouco tempo, Yejun estava encostado na parede fria do prédio. Nos olhos castanhos, agora arredondados, ondulavam emoções de várias cores.
Sihu leu ali, sem dificuldade, uma “compreensão”. Ao deparar, depois de tanto tempo, com uma reação tão verde, veio-lhe vontade de rir.
— Isso, tem que perceber.
Quando sussurrou aquilo, como quem elogia, as pálpebras de Yejun tremeram. Ele ergueu a mão grande e revolveu os próprios cabelos, mas não empurrou Sihu.
— Por que esse susto todo? É a primeira vez que fica excitado na rua?
— …
— É. Sendo beta, talvez seja possível mesmo.
Yejun, que franzira o cenho diante da palavra “excitado”, baixou a mão de novo.
— O senhor é alfa? Ou ômega?
— Alfa.
Sihu respondeu com leveza enquanto esquadrinhava Yejun da cabeça aos pés. Encostado na parede, Yejun era um homem excepcionalmente bonito. O corpo, maior até do que o de Sihu, um alfa dominante, prendia o olhar, e o rosto correto e bondoso, límpido como água, também era bom.
‘É verde demais. Será que posso comê-lo?’
Surgiu tardiamente uma hesitação, mas foi coisa de um instante. Para pensar com racionalidade, ele estava bêbado demais naquele momento.
Sihu deu meio passo à frente e, ao mesmo tempo, agarrou o queixo do outro. A pele que tocou sua palma ardia quente, apesar do vento de inverno.
— Você já beijou alguém, não já?
Os lábios de Yejun se entreabriram levemente. Diante do silêncio que se seguiu no lugar de uma resposta, Sihu ergueu uma das sobrancelhas. Quando lhe lançou um olhar que perguntava se nem isso ele tinha feito, o rosto de Yejun se tingiu rapidamente.
Nunca beijou, é isso? Um sujeito que jamais roçou os lábios em alguém teve coragem de vir até aqui.
— …Um primeiro beijo é meio complicado.
Então, inesperadamente, Yejun, que estava imóvel de surpresa, perguntou:
— Por quê?
Na voz completamente rouca havia um leve traço de indignação. Parecia irritado por ser tratado como um novato.
— Porque fica pesado.
— …
— Eu prefiro as coisas leves.
Assim que terminou de falar, Sihu tentou retirar a mão que segurava o queixo dele. Foi então que aconteceu algo inesperado. No momento em que ia recuar, Yejun agarrou seu pulso e aproximou o rosto. Uma distância tão próxima que as sombras dos dois se sobrepunham.
— Chegou até aqui e vai parar?
Perguntando em voz baixa, Yejun estava frio e endurecido, diferente de antes. O rosto agora inexpressivo, sem o sorriso bondoso nem o rubor, transmitia um clima completamente distinto. Passando uma impressão afiada como uma faca, Yejun amassou a mão gelada de Sihu.
Aperta, aperta.
A cada vez que pressionava a pele lentamente, o calor subia. O pensamento de Sihu, que pretendia parar, mudou rapidamente. Quando seu corpo tornou a se aquecer, Yejun encostou a própria bochecha na palma da mão dele. Uma pele lisa como a de um ovo descascado.
— Me ensine.
— …
— A beijar.
Sihu moveu os olhos e fitou a mão que o segurava. Os dedos, curvados como ganchos, estavam tensos.
— Não vou levar a sério.
— Não vai levar a sério?
— Não.
— …
— Então me ensine. …Levemente.
Sihu riu sem emitir som. O outro apontara exatamente as palavras que ele queria ouvir.
Isso, o que eu quero é um desvio. Não a responsabilidade nem as consequências de coisas como um primeiro beijo.
Sihu ergueu a mão que não estava presa e, com o polegar, roçou o lábio inferior de Yejun. A carne que tremia de leve era macia. Apesar dos cantos dos olhos erguidos com ferocidade, ali, ao menos, ele era macio como uma polpa madura.
Quando esfregou devagar, Yejun soltou um “ah” e entreabriu os lábios. A reação de sentir prazer só por ter os lábios tocados eletrizou Sihu.
— Idiota você não é.
Sihu deixou escapar sua impressão numa voz sem altos nem baixos. Em seguida, antes que Yejun pudesse retrucar, uniu os lábios de ambos. Talvez pelo choque, o corpo do outro enrijeceu num instante.
‘Relaxa.’
Ele transmitiu o recado batendo com os dedos no ombro de Yejun. E, com os cílios negros e longos baixados, desfrutou dos lábios alheios. Gostou daquela carne que, diferente do ar de pleno inverno, guardava um calor quente. Pressionando o outro com o corpo, Sihu continuou a provocar seus lábios.
— Hmm.
Dessa vez foi Sihu quem gemeu. Era uma reação parecida com o ronronar de um gato satisfeito. Não imaginava que apenas encostar os lábios pudesse ser tão eletrizante. Sorriu, como se tivesse voltado aos velhos tempos em que não conseguia conter o desejo.
‘Eu estava insatisfeito?’
Nem se lembrava direito de quando fora a última vez que transara. Restava-lhe apenas a lembrança vaga da sensação de se emaranhar como um animal, arrastado pelos feromônios.
Nesse instante, Yejun empurrou o corpo e interrompeu o ato. As sobrancelhas de Sihu, que ia começar o beijo de verdade, se retesaram. Ele engoliu a saliva que umedecia sua língua e abriu os olhos.
— Es… pe… ra.
Ao murmurar isso, Yejun ofegava. Com a cabeça baixa e os ombros arfando, seu rosto tinha a cor de um tomate. Diante daquela reação de evidente excitação, o olhar de Sihu se aprofundou.
Como demonstra falta de experiência. A imagem de quem certamente era virgem lhe despertou diversão. Sihu murmurou um “ha” consigo mesmo.
— Definitivamente, não faz meu tipo.
Só no momento em que uniram os lábios ele se lembrou dos antigos parceiros. Todos eram ômegas de corpo bem menor que o seu. Fazer sexo agarrando cinturas esguias e sentindo o feromônio de um ômega não era nada mau. O aroma característico deles tinha o encanto de instigar o alfa.
Diferente daqueles antigos parceiros, Yejun era um beta comum. Não havia feromônio algum que aguçasse os sentidos de Sihu, que revolvesse seu baixo-ventre e estimulasse o desejo. Além disso, era mais alto até do que ele, e os ombros largos e as coxas grossas estavam longe de seu tipo físico.
— Hmm…
E, no entanto, por que seria? Por que, desde o primeiro encontro até agora, seu coração não parava de se mover? Sihu murmurou “que estranho” e empurrou com força o corpo ofegante de Yejun. Yejun, que vinha recuperando o fôlego havia um tempo, cambaleou e bateu na parede.
— Desculpe.
Depois de um pedido de desculpas leve, Sihu tornou a unir os lábios. Diferente do primeiro, lento, o segundo beijo foi bruto. Sugando sem hesitar aqueles lábios macios, Sihu avançou uma das pernas longas. A perna envolta em um terno caro tocou a virilha de Yejun.
Talvez perplexo, Yejun abriu ainda mais a boca. Sihu enfiou a língua ali dentro imediatamente. Endureceu a ponta da língua e explorou sem hesitação a carne oculta. O interior quente e viscoso também era macio ao extremo. Acariciando demoradamente com a língua aquele lugar onde a língua de ninguém jamais entrara, ele moveu as mãos.
Sssh.
Foi assim que Sihu apalpou o corpo de Yejun, duro como pedra. Pressionou com a palma o peito que arfava, subiu deslizando e percorreu a nuca e o queixo. E, enquanto isso, o beijo não dava sinal de parar. A cada vez que as línguas se enroscavam e se separavam, ouvia-se um som úmido.
— Ah.
Foi no momento em que Sihu afastou primeiro os lábios para recuperar o fôlego. Antes mesmo que ele organizasse a respiração desordenada, Yejun agarrou sua cintura com as duas mãos. Uma pegada forte, perceptível mesmo através do grosso casaco de inverno.
E, assim, Yejun puxou Sihu para si.
— O que você está…
No instante em que ia perguntar o que ele estava fazendo, uma língua tocou seu lábio inferior. Diferente do movimento hábil de Sihu, era um gesto absolutamente desajeitado. Mas, no momento em que aquilo lambeu sua pele, um prazer intenso, que ele jamais sentira antes, o atravessou de golpe.
Diante da situação inesperada, a perna de Sihu, que provocava a virilha do outro, perdeu a força. A sensação que se espalhou por cada canto do corpo e penetrou até os ossos era inédita. Tudo o que aconteceu foi que seus lábios foram lambidos. E, ainda assim, seu corpo começou a tremer de leve, como se ele estivesse em rut.
‘Isso é bom?’
Muito mais do que ele imaginava.
Sihu entreabriu os olhos e observou o outro. O rosto de Yejun, que lambia seus lábios com os olhos bem fechados, continuava tingido de vermelho. Em vez de rir baixinho, Sihu inclinou a cabeça e abriu os lábios. E sugou de leve a língua vermelha que o explorava.
— !
Assim que ele a sugou, brincalhão, Yejun se contorceu como um peixe fora d’água. Em meio ao ar impregnado de excitação e tensão, os dois cruzaram os olhares. Ha, ha. As respirações desordenadas arranhavam com aspereza os ouvidos um do outro.
— E então?
Era uma pergunta feita de respiração úmida, calor pegajoso e uma pronúncia lânguida, porém clara. Sihu limpou o próprio lábio inferior com a mão e acrescentou:
— Aprendeu alguma coisa?
— Hmm, não sei bem.
Yejun, que respondia docilmente, de repente esboçou um sorriso. A tensão e o susto desapareceram e, em seu lugar, uma alegria começou a se assentar em seu rosto. Com os olhos curvados feito luas crescentes e a covinha funda à mostra, Yejun soltou uma frase inesperada:
— Acho que, se fizermos mais uma vez, eu vou saber.
Vejam só. O espanto durou pouco, e uma gargalhada explodiu como uma cachoeira.
Virando o rosto de lado, Sihu riu: “Ahaha.” Era algo curioso. A opressão que ultimamente lhe comprimia o peito havia sumido. Diante daquele alívio de origem desconhecida, Sihu ergueu os cantos da boca com desenvoltura.
— Você é audacioso, Yejun.
Quando ele o chamou pelo nome, uma luz cintilou nos olhos castanhos.
— Está bem, vamos fazer mais uma vez. Espero que você tenha aprendido algo…
Estava prestes a lançar uma brincadeira que não era bem uma brincadeira — “espero que tenha aprendido algo. Só assim vale a pena ensinar” —, quando, antes mesmo que piscasse os cílios pesados de cansaço, seu corpo bateu de repente contra a parede. Bum. O som do impacto ressoou com estrépito em seus ouvidos.
Diante da situação repentina, Sihu dirigiu o olhar ao outro. Nos olhos que perguntavam o que ele estava fazendo logo se acendeu um ponto de exclamação.
Yejun respirava com aspereza, como alguém que correra por muito tempo. Nos lábios que tremiam minimamente exalava um ar de excitação.
Diante daquele rosto de nervos em brasa, Sihu se lembrou de um cão no cio. Um cão macho, grande e feroz, desesperado para montar em alguém e mover os quadris.
No instante seguinte, o garoto feito um cão macho colou o corpo ao dele e ergueu suas bochechas com as duas mãos. Diante daquele gesto de colar os lábios sem cerimônia, os dedos de Sihu se contraíram.
Yejun continuou o beijo mantendo o rosto de Sihu imobilizado. Esfregava os próprios lábios macios contra os dele, instigando a excitação.
Sentindo os lábios se umedecerem, Sihu foi relaxando o corpo aos poucos. Quando o deixou fazer o que bem entendesse, Yejun logo estendeu a língua e lambeu seu lábio inferior. Um gesto de audácia extrema para quem estava no primeiro beijo.
Quando Sihu abriu a boca, a língua entrou. Algo quente como fogo explorou aqui e ali, lentamente, mas sem hesitação. Os nervos de Sihu, que até então mantinha a serenidade, começaram a se acirrar. Revolver o interior, enroscar língua com língua, trocar saliva — o ato tinha um quê de densidade viscosa.
— Espera, hmm.
Sem oxigênio, Sihu afastou primeiro os lábios e expeliu o ar. Antes que emitisse algumas respirações desordenadas, Yejun uniu de novo as bocas. E então, endurecendo levemente a ponta da língua, raspou o céu da boca dele de uma ponta à outra. Quando aquela ponta rija esfregou a carne delicada, a cabeça de Sihu ferveu como espuma.
Sihu agarrou o pulso de Yejun, que lhe envolvia o rosto. Sua pegada era firme e forte, mas Yejun não interrompeu o beijo de jeito nenhum. Ao contrário, apenas repetiu mais uma vez o ato que acabara de excitar Sihu.
— !
Um palavrão subiu com violência por sua garganta. Até isso foi engolido inteiramente por Yoo Yejun, e Sihu não pôde dizer nada. Quando, na urgência, cravou as unhas em sua pele, Yejun abriu os olhos e observou Sihu. Havia ali, com nitidez, a intenção de verificar se o outro gostava de ter o céu da boca raspado.
Diante daquele olhar que o esquadrinhava com insistência, Sihu franziu a testa. Yejun, ainda encarando-o, continuou a raspar o céu da boca dele com a língua.
‘O que é isso?’
E pouco antes ficava vermelho. Como é hábil ao procurar com tanta obstinação as zonas de prazer do outro. Primeiro beijo, era mentira? Ou será que aprende rápido? Ele não queria sentir prazer tão cedo, mas a roupa de baixo escondida sob a calça do terno já se umedecia.
Sihu agarrou a cabeça de Yejun e a puxou para trás. Diferente de antes, Yejun interrompeu docilmente o beijo e expôs o próprio pomo de adão. Em meio ao impulso violento de rasgar aquele pescoço longo com os dentes, Sihu perguntou o que o intrigava:
— Você disse que era o primeiro beijo. Parece que era mentira.
Ainda com a cabeça presa, Yejun fitava apenas o céu. Em compensação, moveu devagar os dedos que envolviam as bochechas de Sihu. A temperatura corporal que provocava sua pele era excessivamente quente.
— É o primeiro mesmo.
Curiosamente, havia riso naquela voz que respondia. Sihu não conseguia entender Yejun, que ria de contentamento mesmo com o cabelo agarrado. Enquanto Sihu franzia o cenho, o acréscimo seguinte penetrou-lhe os ouvidos.
— Se o senhor está dizendo isso, é porque eu devo ter me saído bem.
Diante daquilo, Sihu soltou a cabeça que segurava. Os cabelos castanhos, esvoaçando ao vento, ficaram inchados feito um ninho de passarinho.
— Não se gabe. Não foi tudo isso.
Sihu emitiu uma voz serena, pouco condizente com alguém que acabara de trocar um beijo tão intenso. Descobrir que o céu da boca era uma zona erógena fora até notável, mas, ainda assim, era um beijo absolutamente desajeitado.
No instante em que pensou isso, um outro eu dentro de si sussurrou a Sihu: ‘E o que dizer da cueca molhada por causa desse beijo insignificante?’
Nas bochechas de Sihu, absorto em pensamentos, aproximaram-se lábios. A carne macia deslizou para baixo, seguindo a linha do rosto. Diante daquela carícia que vagava por sua pele, Sihu gemeu “unh” e inclinou a cabeça de lado. Os lábios que tocavam sua nuca eletrizaram seu corpo inteiro.
— Ah.
Yejun, que soltara aquela exclamação, logo murmurou como quem compreende:
— Aqui também é um ponto fraco.
Sihu deixou escapar um riso incrédulo.
— O céu da boca e a nuca. Onde mais eu sou fraco?
— Preciso mesmo ser eu a dizer isso?
— …
Os lábios que percorriam a linha do pescoço se aproximaram subitamente da orelha. Para alguém que não sabia nada, era um contato bastante ativo. Sem imaginar que ele fosse mirar sua orelha, os ombros de Sihu enrijeceram.
— Então eu vou descobrir.
A respiração que percorria a concha e o lóbulo da orelha era estimulante. Sihu tentou se esquivar, mas os lábios de Yejun chegaram primeiro. Diante da iminência de uma língua entrar em seu ouvido, seus nervos se eriçaram.
— Não mexa aí.
— Por quê? Aqui também é um ponto fra…
Ele agarrou com uma das mãos o queixo de Yejun, que ia dizer alguma coisa. E, beijando-o com brutalidade, sugou como se fosse arrancar a raiz de sua língua. Foi porque pensou que, por mais adorável que fosse, era preciso quebrá-lo um pouco.
Foi então que um aroma desconhecido chegou à ponta do nariz de Sihu. Os olhos negros sob os longos cílios se estreitaram. Sihu interrompeu o beijo que ia despejar com violência e concentrou-se no olfato.
‘Um aroma?’
Sihu afastou primeiro os lábios. E aproximou o rosto do rosto do outro, que emitia respirações desordenadas.
Os dois se aproximaram o bastante para que ele soubesse que olhar o outro faz quando está excitado, o bastante para saber de que modo seus lábios úmidos tremem e, ainda, o bastante para saber que cheiro ele exala.
— …
— Hyung?
Mas Sihu, com o rosto colado ao de Yejun, não conseguiu resolver sua dúvida. O aroma tênue já havia desaparecido por completo. O que restava era apenas um silêncio gélido e o murmúrio perplexo de Yejun.
— O que houve?
— Devo ter me enganado.
Diante daquilo, Yejun fechou e abriu os olhos devagar. Lendo aquele ar de quem não entendia nada, Sihu balançou a cabeça. Alguns fios de cabelo sobre sua testa esvoaçaram suavemente.
— Não é nada.
— Mas o senhor parecia estar procurando alguma coisa.
— Eu?
— Sim.
Ao responder isso, Yejun ergueu as mãos e envolveu, do mesmo modo, as bochechas de Sihu. Guardavam um calor ardente, impróprio de alguém que estivera longamente exposto ao frio de pleno inverno.
Um sorriso surgiu e desapareceu de relance nos lábios de Sihu. O moleque que não pretendia esconder que estava excitado era, sem dúvida, um beta. Mesmo tão aceso, não saía dele nem uma gota de feromônio capaz de fazer algo contra Sihu.
Pois é, devo mesmo ter me enganado. Provavelmente estava oscilando entre o sonho e a realidade por causa do álcool. Tendo chegado sozinho a essa conclusão, Sihu tornou a beijá-lo. Um “hmm” — o gemido de Yejun — ressoou baixo junto ao seu ouvido.
Com o beijo recomeçado, a espinha de Sihu tremeu, gelada. Sentindo a embriaguez restante subir de golpe ao alto da cabeça, ele moveu a língua como bem quis. Quando pensou que não seria mau se o tempo simplesmente passasse assim, uma mão grande e firme lhe amparou a cintura.
Os cantos da boca de Sihu, imerso no beijo, se ergueram. Ele deixou docilmente que segurassem sua cintura e abriu ainda mais a boca. A coisa macia que tocava sua língua estava quente demais, e ele teve a sensação de que os cabelos se arrepiavam.
‘Ele é bom.’
É um garoto que dá gosto de ensinar. Com esse pensamento final, Sihu fechou os olhos por completo. A escuridão subiu a partir da ponta dos pés e o engoliu.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna